O Herdeiro do Titã

14 Descubro meu talento para domador de circo.


Notas iniciais
E aí, meu povo? Tudo na boa? Bem, com o capítulo 19 quase pronto, achei que devia liberar o capitulo 14 pra vocês, então aqui vai. Após receberem a profecia do "Herdeiro do Titã", David se junta com Percy, Annabeth, Leo, Jason, Piper e Lucy para irem até Washington, investigar a Casa dos Imortais e descobrir mais sobre o passado de David. Durante a viagem, David e Lucy conseguem se entender novamente, e Leo entrega um relógio de pulso para o rapaz, dizendo que ele tem uma "surpresa especial". Quase ao mesmo tempo, a porta do vagão do trem onde estavam é subitamente derrubada por um desconhecido. O que será que vai acontecer?

Aprendi duas coisas naquele dia. Primeiro, se vir um cara vestindo um casaco muito grande, corra. Corra como um louco. Segundo, nunca peça para o Leo te fazer algum acessório. Só se você quiser uma arma de destruição em massa na fivela do seu cinto.

No espaço em que até dois minutos atrás estava a porta do vagão, agora tinha esse cara alto, com um casaco preto obviamente muito grande para ele, de modo que parecia mais uma criança que invadiu o armário do pai. Isto é, até ele começar a falar.

– Senhor David Willer... que bom que o encontramos. – a voz era absurdamente áspera, como se alguém estivesse lixando a própria garganta enquanto falava atráves de um filtro de voz. – E me permita dizer que é uma honra conhecê-lo formalmente.

Eu, pessoalmente, não estava nem um pouco honrado em conhecer aquela... seja lá o que fosse.

– O que quer de mim? – eu perguntei, tentando parecer mais valente do que realmente me sentia.

– Estamos cientes do objetivo de sua viagem. Porém, infelizmente, fomos instruídos a impedí-lo a qualquer custo. O senhor não deve voltar para a Casa dos Imortais.

– Desculpa, cara. Mas nossas passagens não tem direito de reembolso. – disse Percy, sacando Contracorrente.

O homem de casaco se limitou a encarar Percy por um segundo ou outro.

– Eu entendo. Então não nos resta alternativa.

Ele abriu o casaco. De dentro dele, saíram quatro... cachorros? Não, de jeito nenhum. Eram grandes demais pra serem apenas cachorros.

– Cães infernais! – Annabeth exclamou, sacando a própria adaga. A coisa ficou ainda mais estranha quando o cara se tranformou em uma mistura de cão infernal com ser humano. De certa forma, parecia mais que um cão infernal estava em pé sobre as patas traseiras, só que muito maior do que os outros.

Piper puxou a Katoptris e Jason jogou uma moeda de ouro pra cima, que se transformou em seu gládio de ouro imperial. Leo fez surgir bolas de fogo nas mãos, e Lucy tentou armar seu arco (que, acho eu, não seria muito útil em um espaço fechado como um vagão de trem). Eu, por outro lado, só tinha o relógio que Leo havia me dado. Minha mochila estava longe. Maravilha.

– Somos sete contra cinco! – disse Jason. – Estamos em vantagem numérica!

Mal terminou de falar e Jason se lançou contra os cães, usando a força dos ventos. Mas os cães escaparam do ataque e se lançaram contra os outros. O homem-cachorro se limitou a rir da situação.

– Vocês acreditam mesmo que estão com alguma vantagem? Eu sou Hedi, e fui um dos maiores treinadores de cães de todos os tempos! Aprendi com o próprio Pã sobre como criar e treinar os animais. Estes que vocês veem são minhas melhores mascotes!

– Espera aí! – interveio Leo. – Tá dizendo que você é, tipo, o Encantador de Cães da Grécia Antiga?

– Como ousa?! Aquele idiota acha que sabe tudo sobre cães, só porque tem um programinha de TV!

– Calma, calma! – Leo respondeu. – É que todo mundo conhece esse programa e tal... mas eu nunca ouvi falar em “Hedi, o Homem Cachorro”. Não é um nome que vende bem.

– LEO! – eu exclamei. A coisa estava tensa e ele ficava provocando?! – Não. Está. Ajudando!

– Basta!! – Hedi gritou. – Matem todos! Não deixem que sobre um pedaço!

Os cães infernais se moveram mais rápido do que éramos capazes de perceber, de modo que ficamos cercados. Eles estavam atentos a qualquer tentativa de movimento. Como era possível que o resto do trem não estivesse ouvindo?

Um dos cães tentou se lançar sobre Percy, que o deteve com a Contracorrente e o empurrou com força contra os bancos, o que fez o vagão tremer com o impacto. Ao mesmo tempo, Jason passou pelos cães e ameaçou Hedi com seu gládio, fazendo-o saltar para longe, de encontro à parede, o que não foi bom para ninguém, já que, ou Hedi saltou com muita força, ou era muito mais pesado do que gostaria de admitir, pois o vagão descarrilhou.

*****

Agora eu entendia o porquê de ninguém no trem achar estranho o caos no último vagão. Simplesmente, por que não tinha mais trem. Aparentemente, Hedi tinha soltado o vagão do resto do trem, de modo que poderiam nos matar sem serem incomodados pelo fiscal, procurando passagens.

Com o salto do “Homem Cachorro”, o vagão tinha rolado para fora dos trilhos, deixando todos nós enjoados, com dor de cabeça e uma grande vontade de nunca mais viajar de trem. A parte boa, é que isso parecia se aplicar a Hedi e seu bando, também.

– Urggh... maldição! – praguejou Hedi. – Estão tentando nos matar, moleques?!

– C-como é? – eu perguntei, enjoado. – Você que quer as nossas cabeças e nós é que queremos te matar?

– Calados! Matem-nos!

Lucy e os outros ainda estavam no chão, tentando impedir o café da manhã de voltar por um caminho nem um pouco agradável. Eu era o único de pé, com quatro cães do tamanho de carros vindo na minha direção.

“E se eu tentar parar o tempo deles?”, pensei. “Foi só pensar em ‘Pare’ e a Clarisse congelou. Talvez eu consiga!”. Era uma ideia desesperada, mas era uma situação desesperada. Ergui as mãos, como se tentasse afastá-los e, de olhos fechados, me concentrei em fazê-los parar. Mas não senti nada diferente no meu olho.

Eu abri os olhos, lentamente, só para encarar os cães de Hedi me encarando, encolhidos, como se eu fosse uma grande ameaça para eles. Eles rosnavam, querendo me trucidar, mas não pareciam querer chegar perto de mim.

– O que estão esperando?! – berrou Hedi. – Acabem logo com ele!

Relutantes, os cães infernais tentaram avançar, mas eu só ergui as mãos e eles recuaram novamente.

– Mas o que está acontecendo?! – Hedi estava ficando irritado. Eu até queria responder, mas no momento, não sabia muito mais do que ele.

– É a influência de Cronos. – ouvi Annabeth atrás de mim. Ela estava com uma cara péssima, como se tivesse passado a última hora dentro de uma máquina de lavar roupa.

– Como assim? – eu perguntei. Não acredito que estávamos discutindo a aversão de cães infernais a mim em uma situação como aquela.

– Cronos... os titãs... comandavam monstros, como cães infernais, telquines e outras coisas. – Annabeth continou. – Se isso passou para os herdeiros dos titãs, os monstros devem obedecer ao seu comando... ou pelo menos, te veem como algo intimidador.

– Absurdo! – exclamou Hedi. – Façam o que eu ordeno! Matem ele!

– Hã... pra trás? – eu disse. – Não! Senta! Pra trás, eu não vou dizer outra vez!

Aparentemente, o meu comando era mais influente, por que os cães infernais recuavam cada vez mais.

– Chega! – exclamou Hedi. – Se vocês não vão acabar com esse moleque, então eu o farei!

E, de um salto, ele veio direto pra cima de mim. Eu não sabia como controlar o tempo e acho que mandar ele “sentar” não ia dar certo. O que eu podia fazer pra não ser morto por “Hedi, o Homem Cachorro”? “Caso a gente se meta em encrenca,”, as palavras de Leo vieram à minha mente, “gire o relógio duas vezes para a esquerda. E veja a mágica rolar”. Era tudo ou nada. Agarrei o relógio em meu pulso e o girei duas vezes.

De repente, eu não tinha mais relógio. Em seu lugar, uma enorme foice feita de bronze celestial surgiu em minhas mãos. Apesar de ser claramente resistente e duro, o cabo era incrivelmente leve. A lâmina maior era tão bem polida que era quase um espelho e era tão afiada que parecia capaz de cortar concreto. Uma lâmina menor fazia a vez de contra-peso, tornando a foice perfeita nas minhas mãos. Era como se eu soubesse usá-la desde que nasci.

Nem parei para pensar. Girei a foice tão rápido quanto possível, atingindo Hedi do ombro ao quadril, transformando-o em um monte de pó dourado.

Com o líder disperso, os outros cães tentaram fugir, sem muita sorte, pois Jason já tinha recobrado os sentidos e fez uma chuva de raios torrar todos eles. Depois de alguns minutos, todos haviam se recuperado, e revistamos o vagão, procurando nossas coisas.

****

– Quer dizer que agora você controla o tempo e é domador de monstros? – Percy comentou, irônico.

– Parece que sim. – eu respondi.

– E qual é a da foice? – perguntou Jason.

– Ideia do Leo.

Todos olhamos pra ele.

– Como fez isso, Leo Valdez? – Piper perguntou. Ele se limitou a dor um risinho irônico.

– Sou um cara especial.

– E eu vou ter que andar com isso pra cima e pra baixo? Acho que não vão me deixar entrar em Washington com uma foice.

– Gire o cristal no cabo duas vezes para a direita.

Eu obedeci, e a foice voltou a ser um relógio em meu pulso.

– Como sabia que ele se daria bem com uma foice? – perguntou Annabeth.

– Não sabia. – Leo admitiu. – Mas Cronos usava uma foice, certo? Então, achei que David saberia usar uma, também.

– Deixa eu adivinhar... a ideia do relógio foi só um trocadilho? – perguntei.

– Isso aí. Mas tem que admitir: dá um estilo legal.

Terminamos de juntar nossas coisas e olhamos para os trilhos.

– O jeito vai ser ir andando? – perguntou Percy.

– E onde está o Festus? – perguntou Leo.

Respondendo ao chamado dele, o dragão desceu voando em nossa direção, pousando com um estrondo. Sete semideuses e um autômato. Estávamos todos aqui.

– Quanto será que falta até Washington? – perguntou Jason.

– Acho que vamos ter que andar mesmo. – eu disse.

– Esperem. – disse Leo. – Acho que não precisamos, não.

*****

– Leo! – Piper exclamou da janela do vagão. – Essa foi a ideia mais louca que você já teve!

– Eu sei! – Leo gritou de volta, montado nas costas de Festus. – Sou demais ou não sou?

A ideia de Leo era realmente absurda, mas eu tinha que admitir que era impressionante. Festus tinha virado o vagão e o colocou de volta nos trilhos. Depois, Leo fez um sistema de correias, prendendo o autômato ao vagão. Em seguida, o dragão alçoou voo e começou a puxar o carro nos trilhos. Todos estávamos lá dentro, com excessão de Leo, que ia com Festus.

Próxima parada: Washington.

Notas finais
E aí, pessoas, o que acharam? Críticas, sugestões, ameaças de morte por que vocês queriam alguma coisa e eu não coloquei? Curtiram a capa que eu fiz? Comentem aí =D e nos vemos nos próximos capítulos!