O Herdeiro do Primeiro Peverell

2 Capítulo I - Um Recomeço


Notas iniciais
Bom, esse capítulo não é exatamente o início da trama mas foi algo que achei necessário. Sei que parece estranho falar assim, mas é como se eu mesma precisasse desse adeus.. hsuahsau'
Bom não quero dar spoiler nas notas do capítulo né? Eu hein, que autora mais besta! Sem mais enjoativos da minha parte, ta aí o primeiro capítulo, espero que gostem. ;)

Capítulo I

Um Recomeço



Passara-se algum tempo após a batalha final entre Harry Potter e Voldemort. Cada segundo parecia se arrastar como se fossem anos. O tempo estava diluído. Difuso, confuso. Mas o mundo dos bruxos estava finalmente em paz.

Harry se sentia aliviado, como se lhe tivessem tirado um grande peso das costas. Mas no momento estava perdido. E o que aconteceria agora? Depois que os heróis salvam o dia, o que vinha depois? Ele não tinha a resposta. Toda essa situação lhe era estranha. Sempre tinha que fazer alguma coisa, sempre as pessoas lhe exigiam algo. Algo que somente Harry poderia fazer e ninguém mais.

Agora, tudo tinha acabado. Ele não sabia nem como continuar. De certo modo, era outra pessoa. Já não era mais: “O menino que sobreviveu”, “O Eleito”, ou ainda “O Indesejável nº 1”. Agora ele era só um adolescente. Um adolescente em meio a outros milhões de iguais. Mas não normal como os outros, ele sempre seria Harry.

Harry Potter.

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Era um dia nublado do mês de Agosto, o Sol se punha por detrás das nuvens provocando reflexos avermelhados no céu. O vento parara de soprar forte. Apenas uma brisa leve soprava das montanhas, direto para o terreno d’A Toca.

Ali dentro, uma figura de cabelos muito ruivos e despenteados, andava cabisbaixa de um lado a outro da pequena sala quase que silenciosamente. Exibia uma expressão de angústia profunda, que era intensificada pelas olheiras arroxeadas em torno dos olhos vermelhos, e pelo vestido preto de babados que chegava aos seus pés, escondendo pequenos sapatos de camurça da mesma cor.

Segurava um lenço branco nas mãos, com o qual limpava de segundo em segundo, as lágrimas que rolavam dos olhos inchados. Não parecia prestar atenção em nada a sua volta, apenas se concentrava no movimento de vai-e-vem constante de seus passos, enquanto evitava os olhares que convergiam diretamente para ela.

Outras pessoas estavam no local. Todas ali, abarrotadas na pequenina sala. Sentavam-se desconfortáveis no grande e desbotado sofá cor-de-abóbora e nas cadeiras simples de madeira, que ali foram dispostas de qualquer maneira conforme a chegada dos convidados mais íntimos.

Todos trajavam vestes pretas, com certo grau de formalidade. Seus olhares penosos estavam voltados à senhora que passava de um lado para outro diante deles. Aquele clima sufocante de tensão pairava sobre toda a casa.

Ali, nas cadeiras mais afastadas, sentavam-se Harry, Rony e Hermione. Os três não haviam trocado nem uma palavra desde que chegaram n’A Toca. Apreensivos, apenas seguraram as mãos um do outro, e com um aperto gentil disseram a si mesmos:

— Tudo vai ficar bem.

Depois, sentaram-se distante do grupo e ficaram quietos, imóveis. Nenhum deles chorava, apenas sentiam uma tristeza que aumentava a cada instante, a medida que a hora se aproximava.

Harry era um dos muitos que não desviava o olhar da Sra. Weasley. Que por sua vez, continuava sua caminhada de um lado a outro. Ele não sentia pena, mas admiração por ela ser a única que se permitia chorar e sentir a dor daquele momento.

E assim que o relógio indicou que eram sete horas, todos se levantaram e se dirigiram ao quintal da casa. O ambiente antes coberto apenas por alguns pedaços de grama e da vegetação local, agora tinha fileiras de cadeiras de uma ponta a outra, em frente a três bancadas, dispostas lado a lado. Em cada uma delas repousava um caixão de madeira lustrosa.

Harry se sentou ao lado de Rony e Hermione. E aos poucos mais pessoas chegavam e ocupavam seus lugares. Harry avistou a diretora McGonagall com um longo vestido e um chapéu cônico e logo acenou para ela de longe. Distinguiu também outros rostos conhecidos: Horácio Slughorn, seu professor de Poções, estava a algumas cadeiras de distância parecendo muito concentrado no solo sob seus pés.

Estava ali também, Quim Shacklebolt, numa pose um tanto solene cercado por uma dúzia de outros aurores. Mais a frente Andrômeda, mãe de Tonks, tinha em seus braços um pequeno embrulho de cabelos arroxeados, que dormia profundamente.

Harry ainda hoje se espantava com a tamanha semelhança entre Andrômeda, e sua irmã Bellatrix, mas bastava chegar perto para perceber a diferença: aqueles olhos que Harry conhecia bem, normalmente repletos de ódio e ironia eram substituídos por pequenos círculos claros de carinho e afeição pelo neto.

Ele teve pena do sobrinho, o pequeno Teddy. Tão novo e já sofria a perda dos pais. Talvez por isso ele sentisse uma grande afeição pelo garoto ou quem sabe apenas queria suprir a falta que Sirius fazia para ele. De qualquer forma, estava decidido a ser um bom padrinho para o pobre menino.

O tempo passava e o rosto de Harry começava a tomar uma expressão obstinada: estava chegando a hora. Quando todos já estavam devidamente acomodados, ele se levantou e andou até ficar de frente às bancadas, no centro do jardim.

Seu olhar percorreu os rostos da fileira da frente. Lá, estavam o Sr. e a Sra. Weasley, de mãos dadas. Ao lado deles, Gina com seus cabelos presos em um rabo de cavalo, fitava-o atentamente. Gui — com a cabeça de Fleur repousada sobre seus ombros — tinha um olhar desamparado e mais a frente, Carlinhos, Jorge e Percy, encaravam o chão.

Harry se virou, dando de cara com os três caixões de madeira. O primeiro e o segundo eram de uma cor mogno escuro, com detalhes de madeira intrincados. Eles estavam mais próximos um do outro e apesar de reluzirem na luz opaca da Lua que despontava no céu, eles eram ofuscados em frente ao terceiro caixão que exibia uma cor roxa berrante.

Harry imaginou se Fred gostaria da homenagem do irmão gêmeo, aos custos de muitos gritos e objeções da Sra. Weasley dizendo que aquilo era uma falta de respeito enorme. Mas ele concordava com Jorge: roxo sempre ficara bem em Fred.

Enquanto encarava as peças de madeira, Harry sentiu uma tristeza invadi-lo. Todos os três antes pessoas tão ativas, tão vivas, agora jaziam num sono profundo, de onde jamais acordariam. Suas almas banidas pra sempre deste mundo. Uma dor intensa rasgava o peito de Harry, cortando-o em dois, como unhas afiadas que dilaceravam a carne, observando e sentindo prazer ao ver o sangue escorrer. Ao mesmo tempo um nó formava-se em sua garganta, e lágrimas rebeldes ameaçavam despencar dos seus olhos a qualquer momento.

Pensar que ele nunca mais veria Tonks irritando a Sra. Weasley com suas transformações grotescas à mesa do jantar, que faziam todos chorarem de tanto rir; nem se exibindo por ai com seus cabelos avivados,com cores que ardiam os seus olhos, era muito doloroso.

Doía ainda pensar que Fred não iria mais esconder nugá sangra nariz nas suas coisas, nem pregar peças no Rony. Harry também jamais voltaria a se alegrar com a figura alta perambulando pela Gemialidades Weasley com um grande sorriso no rosto, em seu terno roxo que contrastava drasticamente com seus cabelos ruivos. O máximo que Fred teria agora, Harry compreendeu, era aquele caixão da sua cor predileta.

Pesava em seu peito saber que nunca mais ouviria de Lupin, histórias sobre seus pais; que ele jamais elogiaria novamente sua força e lhe diria que ele tem os olhos da mãe.

Era injusto que eles partissem assim: De vez. Sem que Harry pudesse impedir. Foi assim com todos. Com seus pais, com Cedrico, com Sirius, com Dumbledore, com Snape...

E agora com Lupin, Tonks e Fred...

Ele já não conseguia mais reprimir as lágrimas que rolavam aos montes de seus olhos. Escorrendo e banhando-lhe a face. Tomado de súbito ímpeto ele se dirigiu à platéia:

– A vida é engraçada. Ela se diz justa, mas adora pregar peças. – sua voz estava embargada, e ele fez um grande esforço para continuar. – Vivemos num mundo em que as pessoas boas, simplesmente... Se vão. Partem para nunca mais voltar. Essas pessoas eram mais que meus amigos. E-Eles... Eles eram minha família.

Harry fez uma pausa, enquanto olhava para as estrelas em busca de consolo. Elas brilhavam mais esta noite, e o garoto imaginou todos eles lá em cima, escutando suas palavras. Tão grande foi o seu devaneio que Harry podia jurar ter visto um pequeno fulgor azul tomar conta do brilho perolado das estrelas. Inesperadamente uma paz tomou o seu interior. Com o coração mais calmo, ele voltou a discursar.

– Me contento em saber, porém, que eles não morreram em vão. –sua voz ficou mais firme. — Eles pereceram em luta, tudo para um bem maior. – sorriu pensando em Dumbledore. — Se hoje temos paz e sorrimos, devemos tudo a eles. Foi o amor que nos salvou. Um amor capaz de sacrifícios e forte o bastante para ser eterno. E esse legado perdurará enquanto vivermos, pois aqueles que amamos nunca nos deixam de verdade.

Harry deixou um tímido sorriso lhe roubar os lábios ao se lembrar da fala de Luna. Era verdade. As pessoas que amamos continuam conosco, em nossos corações enquanto houver amor. Enquanto houver esperança. Os aplausos formaram ecos distantes aos ouvidos de Harry, o vento parecia carregá-los para muito longe.

O resto da noite Harry passou em torpor. As pessoas passavam por ele, o cumprimentavam e ele respondia qualquer coisa, ansioso para que tudo acabasse logo. McGonagall e Slughorn contaram as novidades de Hogwarts e do Ministério da Magia, mas o menino pouco se importou, as palavras passavam por sua mente sem que ele as absorvesse.

Na hora do sepultamento ele desviou o olhar, não queria ver aquilo. Não porque tivesse medo, ou algo do tipo. Mas não era assim que queria se lembrar de seus amigos. Ele queria pessoas vivas habitando suas memórias, e não bonecos de cera pálidos e inválidos.

Assim que tudo terminou, Harry se sentiu mais livre. Uma grande etapa de sua vida havia passado, era o momento de recomeçar. Não esquecer o passado, mas não deixar que este controlasse seu futuro.

Adeus a dor. Adeus ao sofrimento. Adeus ao medo.

Não era o fim. Era apenas um novo começo.


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Notas finais
Pronto... e aí o que acharam? Please me digam...
Preciso saber o que eu consegui passar pra vocês nesse capítulo. Me explicando: Eu queria que Fred, Tonks e Lupin tivessem uma despedida, só assim Harry poderia seguir em frente com a vida, e eu poderia seguir em frente com a fic!
Estranho né? Bom, achei o roxo do caixão do Fred a cara dele, mas se vocês forem adeptos da Sra. Weasley e acharem uma falta de respeito também... Please não me batam!
Ah e só pra constar, amanhã posto o próximo cap. Então, até mais ^^