Notas iniciais
Depois de tanto tempo, eis-me aqui.

Meus pais adotivos são bruxos que possuem o sangue puro, mas assim como os Weasley, são considerados traidores do sangue pelo fato de um tio meu ter se casado com uma trouxa e também porque eles não se juntaram ao meu verdadeiro pai para dominar o mundo bruxo. Eu gostava de estar em casa. Não éramos ricos nem nada, mas tínhamos uma casa legal e éramos muito unidos. Acho que depois que descobri que eles não eram meus pais de verdade, passei a amá-los ainda mais porque não deve ser fácil ter um filho como eu, já que eles podem sofrer consequências se um dia meu pai me descobre e decide matar a mim assim como a eles. Então eu desejava ser o melhor filho do mundo.

O bom de ter ganhado pais novos é que eu tinha um irmãozinho também. O nome dele era Anthony e ele estaria no ano que vem em Hogwarts, e sempre que eu estava em casa, ele ficava me perguntando sobre como era a escola.

— O que eu faço pra não ir pra Sonserina? – ele me perguntou certa vez.

— Eu não sei, mas um amigo meu, o Harry, pediu para o chapéu seletor para não ir pralá e o chapéu seletor acatou o pedido dele. O que faz de nós o que nós somos são as nossas escolhas, Anthony.

Minha resposta arrancou um enorme sorriso do meu irmãozinho e meus pais me olharam orgulhosos porque já não sabiam amis o que fazer porque o meu irmão não parava de importuná-los com essas perguntas.

Então após chegar e passar um tempo com a minha família, peguei um papel e uma pena para escrever pra Mione e perguntar se ela tinha notícias do pai de Roni. Escrevi pra ele e pra Harry também desejando feliz natal a eles, e logo comecei a fazer os meus deveres de casa que os professores passaram além se explicar um pouco mais sobre magia para Anthony.

Então, quando faltavam dois dias para eu retornar para Hogwarts, fui surpreendido por uma visita de Dumbledore, o que significava que boa coisa não era.

— Senhor e sonhora Harris, desculpem-me por vir aqui sem avisar, mas é que as circunstâncias exigiram. – começou o professor explicando – mas receio precisar falar com Jason à sós para depois falar com os três juntos.

— É algo na Ordem, Dumbledore? – perguntou meu pai.

— Algo relacionado...

— Mas ele é uma criança...

— Tudo a seu tempo. – o professor cortou o meu pai, que vencido deixou a sala junto com a minha mãe.

Quando o professor percebeu que meus pais não estavam mais à vista, ele pediu que eu me sentasse no sofá e o escutasse com toda a atenção do mundo. Confesso que fiquei nervoso e algo dizia que a coisa tinha a ver com o meu pai e que era grave pra ele querer falar sobre isso perto dos meus pais quando na verdade procurávamos esconder essa terrível verdade deles.

— O que mais temíamos aconteceu. – começou Dumbledore me assustando – ele sabe sobre você.Lord Voldemort sabe que tem um filho que atende por Jason Harris, que estuda em Hogwarts e que é muito semelhante a ele quando ele era ainda um aluno. Inclusive, ele conhece as suas feições.

Meu queixo caiu e eu não conseguia entender como meu pai havia tido acesso a essas informações, e confesso que nunca senti tanto medo em toda a minha vida. Esfreguei minhas mãos nervoso e olhei hestante para Dumbledore. Nos encaramos por alguns segundos e então eu decidi quebrar o gelo.

— Como ele sabe? Por um acaso ele descobriu pela cabeça do Harry? – eu perguntei e Dumbledore confrmou.

— Parece que quando Harry viu a cobra atacar o senhor Weasley, Voldemort percebeu a ligação existente entre eles, então ele começou a vasculhar a mente de Harry e ele viu um garoto muito inteligente, parecido com ele e muito habilidoso. Então ele interrogou Severo que sem alternativas acabou confirmando aquilo que Voldemort já sabia: que você é filho dele. – terminou o professor e eu cocei a cabeça nervoso.

— E os meus pais professor? O que vai acontecer? O que ele vai fazer? Ele vem me matar? – eu perguntei.

— Não podemos prever as reações dele, mas é bom que esteja seguro. Seus familiares serão transferidos para a sede da Ordem e você voltará para Hogwarts imediatamente. Agora, falaremos com os seus pais e explicaremos toda a situação. Vai ser difíficil, mas é o que precisa ser feito.

— Professor, eles sentirão raiva de mim! – eu falei preocupado, afinal, o que seus pais diriam se soubessem que você sabe que não é filho deles e ainda assim vive como se nada estivesse acontecendo? A verdade é que por conta desse segredo, eu havia me transformado em um mentiroso – e os outros na escola? E Neviile?

— Vamos evitar que tudo isso aconteça. Explicaremos a situação a seus pais e a Neville. Eu vou estar sempre ao seu lado, Jason. – me assegurou o professor, e sem que eu tivesse mais alternativas, chamamos os meus pais de volta a sala e explicamos toda a situação.

No início, eu senti que eles me olharam aterrorizados, como se eu fosse uma aberração, depois minha mãe chorou tanto que ela mal conseguia falar, mas então eles me abraçaram e disseram que não importava de quem eu tivesse o sangue, porque eu sempre seria o filho deles.

Choramos abraçados por mais alguns instantes até que subimos as escadas para fazermos as nossas malas. Meus pais para irem para Ordem junto com o Anthony e eu pra ir para Hogwarts junto com Dumbledore.

Apesar de toda essa loucura, era bom saber que pelo menos para os meus pais, eu já não estava mentindo mais. Agora o desafio maior foi encarar Neville.

Passei os dois dias que antecediam a chegada de Neville pensando em como eu poderia abordá-lo para contar tudo, mas a insegurança era grande também, mas então Neville chegou e eu contei tudo a ele junto com Dumbledore, mas diferente dos meus pais, Neville não reagiu bem.

— Quer dizer então que o meu melhor amigo é nada menos que o filho do homem que mandou torturar maus pais até a loucura? – ele me perguntou indignado – quer dizer, não podemos escolher a família que temos, mas podemos escolher não dizer mentiras aos nossos amigos. No fundo, Jason, acho que é você quem deveria ter aquela marca, e não o Harry?

— Sobre que marca se refere, sr. Longbottom? – perguntou o professor com o cenho franzido. Harry não havia contado pra ninguém sobre as marcas que tinha no dorso na mão causado pelo castigo de Umbridge. Neville nada quis responder ao professor e nem eu. – o sr.Harris omitiu esse pedido em respeito à mim. Por ele, você já saberia...

— Me perdoa, Neville, mas no fundo eu tinha medo também de você não me entender e se afastar de mim...

— Eu perdoo muitas coisas, Jason, mas não mentiras, me desculpe. – disse Neville e eu comecei a chorar quando ele saiu da sala de Dumbledore.

— Agora se Mione ficar sabendo, aí que todas as minhas chances com ela serão minadas! – eu respondo para o professor porque eu sabia que Neville iria espalhar a notícia.

Mas, Neville não espalhou. Ele se afastou de mim, mas não espalhou os botados. Então, agora eu andava com Simas e Dino.

Felizmente, o pai de Roni havia se recuperado e ele não morreria, e pelo menos até agora, eles estavam normais comigo, até Mione me tratava melhor agora.

Eu sentia que deveria contar a eles, e eu contei, e assim como eu previ, eles se afastaram de mim, fazendo eu perceber que qualquer um que soubesse da verdade, também se afastaria. Então fiquei em silêncio, me afastei de todos e passei a ser uma sombra que caminhava sozinho pelo Castelo e Hogwarts, e tudo porque eu omiti verdade. Eu só queria ter mais chances de continuar vivo.

Então, certa noite, entrei mais cedo para o meu dormitório para eu poder chorar a tristeza que eu estava sentindo, mas então eu encontrei um embrulho na minha cama junto a uma carta com os seguintes dizeres:

Passei anos sozinho, pensando que não havia ninguém, mas você apareceu. Sei que deve estar passando pelas mais terríveis coisas nas mãos das pessoas que não te aceitam, que invejam a sua superioridade em relação a eles. Pessoas que te viraram as costas quando você mais precisa de um amigo.

Mas não se preocupe porque apesar do que parece, você não estará mais sozinho, assim como eu também não estarei. Teremos agora um ao outro, meu filho.

Este caderno vai ser o ideal para nos comunicarmos, caso você queira, é só escrever pra mim que eu responderei no mesmo momento.

L.V

Terminei de ler a carta atônito e sentia meu corpo tremer, então emcarei o caderno preto de capa dura com as folhas em branco. Eu não sabia o que fazer, então apenas fiquei encarando o caderno no maior dilema da minha vida: conhecer o meu pai que é o que eu mais quero ou ignorá-lo pelo bem de todos. De todos os que não se importam.

Só sei dizer que naquela noite, eu não dormi.