Notas iniciais
O primeiro dia de Arion Pure na escola de Hogwarts, finalmente começou.

Enquanto os alunos no castelo começavam a acordar e se preparar para o primeiro dia de aula do ano letivo, Ele já estava pronto.

Havia passado a noite em claro, por isso aproveitou bem esse tempo para se exercitar com a varinha e deu várias folheadas nos livros das matérias, onde se aproveitando de sua facilidade em aprender, esperava ter o suficiente para os primeiros dias de aula.

Quando alguns colegas de dormitório ainda estavam sonolentos, Arion já estava com tudo em ordem e por isso foi um dos primeiros a chegar no Salão Principal para o café da manhã. Comeu alguns ovos mexidos com salsichões flamejantes e por fim tomou um suco de abóbora, saindo quando esse começava a ficar cheio.

Na parede oposta a entrada do salão, havia um grande quadro de madeira, onde alguns avisos estavam pregados, um deles mostrava o quadro de horários das aulas para todas as séries, aproveitando que um grupo acabava de sair, deixando um espaço aberto, Arion foi até lá e perpassou os olhos na lista até achar os horários de seu interesse.

No período da manhã, ele teria duas aulas, seguida por uma pausa para o almoço e uma no turno da tarde, o turno da noite era livre.

A primeira aula seria de Poções com o vaidoso professor Slughorn e ele resolveu ir logo procurar a sala pelas masmorras do castelo, mesmo faltando ainda muito tempo para aula iniciar.

...

Arion descobriu rapidamente que Hogwarts era bem maior do que ele imaginava ser possível, desceu diversas escadas até se ver perdido nos andares inferiores, só havia conseguido chegar na sala correta, depois de muito andar e testar todos os caminhos, por fim terminando seguindo um grupo de alunos vestidos com as cores da casa da Sonserina, com os quais descobriu que teria a aula conjunta.

O professor Slughorn não se encontrava na sala ainda, por isso aproveitou o tempo para dar mais uma lida no livro e deixar os assuntos frescos na mente. Mesmo lendo, Arion estava atento em todas as pessoas que entravam, procurava aquele rosto e por fim, finalmente o encontrou. Seguido de perto pelo mesmo grupinho, logo atrás vinha o Professor Slughorn com seu bigode lustroso. Arion viu de canto de olho que Tom Riddle sentou no lado oposto ao dele, o grupo sentou o rodeando, ele era o centro das atenções daqueles rapazes e meninas, Arion conseguia ver nos rostos de cada um a severa obediência prestada.

Viu o Estudante do nariz bulboso que havia tentado ataca-lo, ele dava risada de alguma coisa que Tom Riddle falará.

Um pigarro e uma dupla palma fizeram todos se calarem e olharem para a frente, onde o Professor de Poções se encontrava, a grande fivela prateada de seu cinto brilhava em contraste com o ambiente de pouca luz da sala. Deu mais um Pigarro como se limpasse a garganta antes de começar.

— Bem-vindos a mais um semestre letivo, mais um semestre onde vocês poderão aprender mais sobre a ciência das poções e quem sabe alguns de vocês continuem nessa jornada fantástica. – Arion percebeu que o olhar do professor recaia em certos alunos, enquanto falava, não foi difícil perceber que eram aqueles os seus alunos preferidos, até por alguns segundos o professor manteve seu olhar sobre ele.

Arion riu por dentro, nunca tinha preparado uma poção na vida, é verdade que tinha lido os livros, mas sabia que aquela era uma experiência que só era aprendida de verdade com muita prática, paciência... teria que se esforçar mais que os demais.

Depois de muito falar sobre os seus ex-alunos e seus feitos extraordinários, o Mestre de Poções resolveu realmente iniciar a aula, passou uma lição fácil, segundo ele, que era um preparo de uma poção que detivesse o avanço de um envenenamento já instalado no corpo da pessoa, uma poção forte o bastante para cura-lo totalmente e sem deixar lesões permanentes na vítima.

— Vamos! Vamos! A pessoa já está a morrer. – Disse o bigodudo professor.

Todos formavam dupla para o preparo da poção, seu caldeirão de estanho estava num canto da sala, mas não foi pega-lo, pois percebeu que só havia sobrado uma pessoa, uma garota de cabelos pretos rebeldes, ela já havia iniciado seu preparo da poção, como um leve fumaça que subia do seu caldeirão indicava.

Arion se aproximou, mas se manteve calado, observava como ela cortava com perfeição uns pedaços e os pesava na mão, excluindo aqueles muito pesados ou leves de mais, os que passavam era jogados cuidadosamente dentro do caldeirão, causando um rebuliço no liquido lá dentro.

Quando Arion percebeu que o ingrediente que ela estava cortando, estava para acabar, se ofereceu para ir pegar mais para ela.

— Não, a quantidade de Gira-Gira está correta. – Ela pareceu notar ele ali pela primeira vez, Estava totalmente entretida no preparo de sua poção, ao ponto de negligenciar tudo ao seu redor.

Ficou ali olhando para ele, como se o medisse e por fim pareceu ter se decidido que ele poderia ajuda-la, com um muxoxo baixo e um jogar de ombros, ela deu a ordem:

—Tudo bem, você pode ajudar. – Com uma das mãos pegando uma espécie de flor amarela e levando até a altura do rosto. – Pegue cinco dessas, exatamente desse tamanho. – Falou ao dar o exemplar para ele.

Arion dirigiu-se até um grande armário, onde, ele tinha visto, alguns alunos indo para pegar ingredientes para incrementar suas poções.

Conseguiu encontrar, rápido, as flores amareladas, porém achar as do tamanho correto foi uma tarefa no mínimo complicada, as que tinham ali pareciam estar danificadas de alguma forma, ou a flor era de extrema fragilidade ou quem as tinha manuseado não dava a mínima para elas.

Quando finalmente conseguiu achar as de tamanho correto, levou-as até a sua dupla, quando se aproximou, ela continuou com o tom de ordem.

— Agora triture-as e jogue-as no caldeirão.

Arion pegou sua varinha e já apontava para as flores, quando inesperadamente recebeu um tapa em sua mão, por pouco não deixou as flores caírem no chão. Por alguns segundos sua cara assumiu a feição impassível que tanto o marcava, seus dedos seguraram a varinha da melhor forma e inúmeros feitiços que fariam a garota de cabelos rebeldes sofrer de uma dor repentina e aparentemente sem causa passaram por sua cabeça.

Ela não notou o perigo, pois continuava de cabeça baixa, mexendo com uma colher de prata no conteúdo do caldeirão.

— As melhores poções são feitas sem o auxílio direto da magia. – Disse ela ao colocar outro ingrediente no caldeirão. – O Acônito Licoctono é melhor absolvido na poção, se for triturado junto com a saliva humana.

Arion tinha relaxado novamente antes dela terminar a frase e olhar para ele, guardou a varinha no bolso, antes de colocar a primeira flor na boca e mastiga-la, primeiro com certo receio, depois com mais velocidade ao sentir o gosto agradável da flor.

— Cuspa a diretamente no caldeirão. – Falou a garota de cabelos rebeldes.

Ele o fez e o caldeirão assumiu uma cor amarelada de imediato, repetiu o processo outras vezes e no final o caldeirão estava com uma cor amarelo-vivo. Repentinamente estava com muita vontade de continuar mascando aquela florzinha bonita, já estava se encaminhando novamente para o grande armário, quando sua dupla o segurou pelo pulso e depositou em sua mão uma outra flor, só que dessa vez era da cor rosada.

— O Acônito Licoctono tem o efeito colateral, se mascado, viciante. – Disse ela com um dar de ombros e novamente fazendo o muxoxo com a boca. – Coma essa flor e o efeito irá passar.

Arion não sabia se ficava zangado com a garota ou se agradecia pela ajuda, comeu a outra flor e depois de alguns segundos o desejo estranho de comer Acônitos Licoctonos havia passado.

— Qual era nome dessa última flor? – Perguntou Arion, sentando na cadeira ao lado.

— Essa era uma Atropa belladonna. – Respondeu ela de imediato, já emendando uma pergunta.

— Da onde você vem, não tem ou você, vamos dizer não dá a mínima para o preparo de poções.

Era arriscado responder que aquela variedade da planta não existia no Brasil, por isso Arion terminou escolhendo a resposta que para ele seria a menos danosa.

— Acho que a segunda opção.

Ela repetiu o gesto de jogar de ombros e o muxoxo logo em seguida, antes de falar.

— Vocês não sabem o que perdem.

Arion não respondeu, apenas pôs-se a observar o líquido no caldeirão, a garota continuou mexendo por algum tempo com a colher no sentido horário, depois cheirou e abriu um sorriso.

— Bem, está pronta. Disse a garota.

Arion olhou para os lados e viu que só uma dupla parecia ter acabado as sua poção, a garota deve ter notado seu olhar, pois disse:

— Não se preocupe, eles não tem capacidade para me vencer, só há uma pessoa aqui que poderia fazer uma poção melhor que eu. – o olhar dela dirigiu-se para o caldeirão, onde a dupla de Tom Riddle estava. – Mas ele não se interessa por esse tipo de poção.

Arion também olhou para a mesa dele, Tom Riddle continuava conversando com o seu grupo, enquanto seu parceiro mexia no caldeirão com uma expressão de não muita felicidade.

— Ele se interessa por qual tipo? – Perguntou Arion sem tirar os olhos do garoto.

— Das que matam. Respondeu a garota de prontidão.

Arion virou-se para olhar para ela e não encontrou mentira em seus olhos, então era mais uma coisa interessante sobre Tom Riddle.

O professor Slughorn bateu palmas, anunciando o fim do tempo e muitos alunos expressaram desapontamento, arion tinha visto que apenas três duplas, contando com eles, haviam conseguido terminar as poções, uma delas era a dupla de Tom Riddle.

O professor passou averiguando cada caldeirão um por um, ás vezes expressando um grande desapontamento e em outras alguns aplausos, como quando passou pelo caldeirão de Tom Riddle.

Por fim, chegou até o caldeirão deles, bastou uma rápida olhada e um sorriso enorme emoldurou o rosto do professor, ele bateu palmas com mais força e anunciou em alto e bom som.

— Magnífico! Magnífico! Com certeza é a vencedora.

Alguns alunos vieram para olhar o conteúdo da poção e felicitar a dupla, mas alguns como Tom Riddle apenas saíram da sala sem nem olhar para trás.

Depois de receber as felicitações de algumas estudantes, Arion já estava saindo para encontrar a próxima sala de aula, quando o professor o chamou, a garota de cabelos rebeldes estava lá, também.

— Muito bem, vocês foram perfeitos, o uso do Acônito foi brilhante. – Disse o Mestre de Poções.

— Tudo foi ideia dela. – Arion tinha dito a verdade não por ser generoso, mas por odiar se vangloriar por uma coisa que não tinha feito.

Percebeu que a garota abriu um sorriso discreto, o professor Slughorn, deu um tapinha carinhoso em seu ombro.

— Podemos dizer que você mascou com perfeição o Acônito. Disse Slughorn rindo. — A dupla parece que começou muito bem, espero para ver o que mais vocês podem realizar juntos.

A garota deu o característico jogar de ombros e o muxoxo e dirigiram-se ao mesmo tempo para a saída da sala.

— Meu nome é Melania Black. — Disse ela repentinamente.

— Arion Pure. – Respondeu Arion.

— Ah aliás, seus dentes estão sujos, Arion Pure.