O Herdeiro de Prata
2 O Conselho
Caminhava por uma rua deserta, apenas o luar iluminava seus passos, os dois lados da rua eram ladeados por grandes casas com cercas e jardins, deteve-se ao passar por um portão cinza, nele estava gravado uma grande e ornamentada letra “P”, sacou sua grande varinha e com movimentos rápidos realizou feitiços de detecção de magia, um sorriso quase que imperceptível passou pelo seu rosto.
-O tolo acha que está seguro aqui em sua casa, mostrarei o quanto está errado. – Disse o homem com uma capa e capuz de cores escuras, aproximando sua varinha do trinco do portão. – Alohomora!
O portão se abriu sem nenhum rangido, atravessou o jardim em poucos segundos, uma sombra que apenas a Lua era capaz de ver, ao chegar no deck de entrada, ateve-se ao ver que da janela mais próxima vinha uma luz alaranjada, sem emitir um único som, aproximou-se da janela, de soslaio pode ver uma mulher sentada em uma poltrona. Ela tinha cabelos longos e bem negros, estava entretida lendo um pequeno livro, totalmente alheia ao perigo que a cercava, pareceu ler alguma coisa engraçada pois um sorriso esboçou-se em seu belo rosto.
Uma batida na porta o fez acordar, estava completamente suado e a varinha estava apertada na mão, havia uma semana que estava sonhando com a mesma coisa, noite após noite, aquilo o angustiava, qual o significado daquele sonho, nunca esteve naquela rua ou visto a mulher de cabelos negros, prezava sempre estar preparado para todas as situações, mas aquele sonho... dizia que nem mesmo tinha controle sobre sua mente.
A batida se repetiu mais uma vez, passando o lençol na testa para enxugar o suor e guardando sua varinha de Pau-Brasil levemente avermelhada no bolso da calça, Arion Pure disse:
—Entre!
Uma jovem com cabelos loiros, trajando vestes bruxas negras com o símbolo da “Nova Ordem Mundial”, abriu a porta e ficou com o corpo entre a soleira da porta, trazia um copo em sua mão.
— O Conselho irá se reunir agora, o esperam.- disse a jovem. –Trouxe um pouco de suco de abóbora.
Arion esticou o braço e pegou o copo, e com um gole esvaziou todo o conteúdo, levantou-se e colocou o copo na pequena cómoda, junto com sua longa capa prateada, seu rosto virou-se para encarar a jovem, na verdade ela só era mais nova um ano do que ele, mas mesmo assim a via como uma jovem, sempre sorridente e brincalhona, o nome dela era Claire Dasmond.
Claire, havia acabado de concluir seu ensino mágico na Academia Beauxbatons e entrou no Exército há poucos meses, seus pais eram membros também, mas esperaram a filha concluir os estudos antes de permitirem sua entrada. Uma decisão que se tornou acertada, Claire havia se destacado em suas primeiras missões por sua inteligência rápida e seu vasto conhecimento mágico adquirido em sua formação.
E foi em uma dessas missões que eles se conheceram, o Mestre havia ordenado uma perseguição à alguns bruxos opositores na região da Escandinávia, perseguição que se tornou quase mortal para eles, pois uma emboscada foi armada por esses bruxos opositores, resultando na morte de quase todos os integrantes da equipe de perseguição, os únicos sobreviventes foram ele e Claire, ela havia lutado muito bem e com sua ajuda conseguiu derrotar os emboscadores.
Dizem que os mais fortes laços de amizade são forjadas em batalhas e tempos difíceis, talvez tenha sido isso que aconteceu, Arion nunca teve amigos, todos ali no exército eram apenas seus companheiros e a maioria deles o temia, aquela jovem, e o mestre Grindelwald eram os únicos próximos dele. Talvez ela fosse o mais próximo de uma amiga que ele já teve, já que sua relação com o Mestre era... diferente.
— Você não precisa preocupar-se comigo. – Falou Arion. – Você não me deve nada.
Claire soltou um suspiro e disse:
— Eu não faço isso porque acho que te devo algo, faço porque estou preocupada com você. – Continuou a falar antes que Arion pudesse retrucar. – Você não saí desse quarto faz duas semanas e deve estar comendo bem pouco, já que não desce para as refeições.
E era verdade, há duas semanas o sonho havia começado, sua inquietação tirou seu apetite, estava fazendo refeições irregulares e seu corpo já apresentava sinais de cansaço pelas noites mal dormidas e fraca alimentação, mas o que disse foi:
— Eu estou bem, pedi que as refeições fossem trazidas para mim, aqui mesmo no quarto.
Claire o encarou por alguns segundos, seus olhos verdes claros sem piscar, por fim se virou, mas antes de fechar a porta, disse:
— Tudo bem para mim se você não quer falar sobre isso, Arion Pure.
Arion ficou ali por alguns segundos, olhando para a porta fechada, depois colocou sua capa prateada e saiu do quarto, em direção ao conselho.
Uma grande mansão na capital da Alemanha servia como base temporária para a “Nova Ordem Mundial”, no andar superior se encontravam os membros pertencentes ao conselho ao todo eram sete, membros com mais respeito e poder, abaixo apenas do Mestre Grindelwald. O conselho compartilhava dos planos do Mestre e eram os principais encarregados de executa-los.
Depois da queda do governo alemão, haviam ficado semanas sem novas ordens, o Mestre Grindelwald não era visto por tempo igual, escutou nas raras vezes que foi até o refeitório, algumas pessoas dizendo que ele havia ido acabar com alguns bruxos opositores na Bulgária, outras dizendo que ele estava desenvolvendo um novo feitiço, mas ele sabia que nenhuma delas estava certa.
Ele tinha certeza que na verdade o Mestre estava pensando e com muita astúcia como deveriam proceder na tomada de poder no Reino Unido, era o local com a maior comunidade bruxa do mundo e seus órgãos segundo diziam os informantes funcionavam muito bem, se queriam lograr sucesso, precisariam agir com muita inteligência.
Arion Pure havia atravessado o corredor principal e parado na última porta dele, era o quarto que estava sendo usado pelo Mestre, sua mão aproximou-se da maçaneta e com uma longa respiração a tocou. Definitivamente odiava chaves de portais.
A sala para qual havia sido transportado era escura, todas as janelas estavam fechadas e cobertas por cortinas negras gravadas com o símbolo do Mestre, um Triângulo com um circulo dentro e um risco na vertical passando por dentro de ambos. Uma bola de luz pairando no centro da sala, iluminava as cadeiras que estavam dispostas ao redor dela.
Os outros membros do Conselho já se encontravam ali, Niels Jacobsen e sua esposa Karen Jacobsen, os repulsivos irmãos gêmeos Petrov ; Vanislav e Arshavin, Francesco Talti e a inglesa Alice Sharp. De todos eles a quem com mais simpatizava era Alice, ela era a única que nunca era cruel com os opositores e evitava mata-los sempre que possível. Sentou ao lado dela, saudando-a com um meneio de cabeça.
— Finalmente iremos nos mexer, alguns já devem ter criado teias nos pés. — Disse ela com seu sorriso fácil e seu característico sinal na testa. – Os russos já devem estar com as varinhas inquietas, estão muito tempo sem matar algum pobre trouxa.
Arion olhou para os dois gêmeos que estavam sentados bem a sua frente no círculo de cadeiras, seus rostos eram como máscaras negras por causa da sombra que a bola de luz lançava, os dois riam de alguma piada sem graça, provavelmente falavam das torturas que praticavam. Se aqueles dois não fossem do conselho, daria um jeito de sumir com eles, eles não ligavam para nada que não fosse ferir ou matar, demonstravam grande prazer quando eram incumbidos pelo Mestre de tais atividades.
Um dos gêmeos olhou para ele, nunca sabia dizer qual era qual, apenas quando mostravam a varinha, é que Arion conseguia identifica-los, era uma coisa que ele era bom, se visse um varinha nunca a esquecia, tinha o costume de estuda-las e por isso mantinha um costume de guardar as varinhas dos derrotados por ele em duelo, tinha trinta e seis varinhas, dessas apenas 3 tinham seus mestres mortos, apenas os desarmava, só matava os que era obrigado, como aquele ultimo alemão, havia sido uma ordem clara do Mestre Grindelwald, mas ele ainda deu a chance ao homem, um duelo era uma forma justa de morrer.
O dois ficaram por um tempo se olhando, sem desviarem uma única vez o olhar, o gêmeo com seu semblante petulante e Arion com seu rosto impassível, até que uma voz ecoou pela sala.
— Meus estimados Conselheiros, caminharemos agora para o último passo da nossa conquista, quando o Reino Unido cair, a história mundial estará mudada. – Falou Mestre Grindelwald, quando falava conseguia prender a atenção de todos, dos inquietos até os mais calmos. – Daremos ao futuro o orgulho bruxo e colocaremos os trouxas e os bruxos traidores da própria raça em seus devidos lugares.
Os Gêmeos russos gritaram em suas línguas maternas, indecifrável para Arion e os outros, Apenas o Mestre Grindelwald compreendia, ele sabia muitas línguas e culturas de povos distantes, antes de ter fundado a “Nova Ordem Mundial” passou por diversos países longínquos e tinha os mais variados relatos de cada localidade.
O Mestre tirou das vestes a sua extraordinária varinha, Arion já havia tido a chance de analisa-la de perto, mas nunca a havia tocado, na verdade ninguém a tocava a não ser o próprio Mestre. Era uma Varinha de Sabugueiro, tinha certeza e deveria ter por volta de trinta e oito centímetros, o núcleo era desconhecido para ele, nunca tinha visto nada parecido, era varinha mais estranha e fantástica que já tinha visto. O mestre Apontou-a em direção a bola de luz que começou a mudar de cor até parar em uma cor azulada e tomar a forma da figura de um homem.
O homem possuía vastos bigodes e um nariz proeminente, seu rosto era coroado com um feio óculos de fundo de garrafa, no mínimo uma visão peculiar.
— Espero que esse homem possua muito dinheiro ou conhecimento, já que é totalmente desprovido de beleza. – Disse aos risos Francesco Talti.
O Mestre continuou sua fala, como se ninguém houvesse falado.
— Vocês quatro. – Disse apontando para o Casal Jacobsen, Francesco Talti e Alice Sharp. -Se infiltrarão nas instâncias do Ministério da Magia, o homem que veem é o nosso informante lá.
Todos fizeram um sinal positivo com as cabeças e ele continuou a falar:
— Vanislav e Arshavin irão percorrer os países dominados e realizarão ataques para chamar a atenção da Europa, iremos iludi-los para que achem que estamos distantes, quando na verdade estaremos sob seus narizes. – Os Gêmeos deram um sorriso macabro, era a tarefa que mais gostavam, mais pessoas do que o necessário iriam morrer, só pela diversão daqueles dois.
— Estão dispensados. – Todos se levantaram, inclusive Arion, mas ele se deteve quando ouviu a voz do mestre. – Arion, fique, pois lhe darei instruções da sua tarefa.
Todos passaram por ele, que ficou em pé esperando-os passar, Alice Sharp deu um leve sorriso quando passou e o tocou com delicadeza no ombro, um dos Gêmeos ao passar raspou o ombro com o dele, claramente de propósito, se estivessem em outro local poderia ter terminado de outra maneira, os outros passaram sem olha-lo. Quando todos saíram, o Mestre Grindelwald se aproximou, tinha cabelos grandes loiros e cacheados que caiam sobre seu ombro.
— Meu Querido Arion, a sua missão será de extrema importância para o nosso sucesso. – Disse ele, colocando a mão no cabelo de Arion. – Irá para Hogwarts.
Hogwarts?! Uma Escola de Magia e Bruxaria da Inglaterra?! O que ele iria fazer lá? Todas as perguntas passavam pela cabeça de Arion, o mestre Grindelwald como sempre parecia ler sua mente e respondeu com a aquela voz solene que conseguiria convencer um Elefante a ser um Rato.
— Você vai para lá, pois irá se aproximar de um velho amigo meu. – Disse, apontando a varinha para a imagem do homem que voltou-se a transformar na bola de luz. – Albus Dumbledore.
Arion Pure aquiesceu, se era isso que o mestre queria, então era isso que seria feito, se aproximaria e ganharia a confiança do velho amigo de seu mestre, não o decepcionaria, era seu fiel servo, tinha dias que que realmente acreditava naquilo que muitos diziam, ele era o Herdeiro de Prata.
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