​As semanas passaram e a presença de Maya tornou-se uma obsessão silenciosa para Leo. Ele a observava no jardim, na cozinha, lendo escondida na biblioteca. Ele via nela a mesma rebeldia que sua mãe, Isadora, tivera um dia. Mas havia um abismo entre eles: a idade dela e a posição social.

​Uma noite, Leo a encontrou no cais da propriedade, olhando para o mar sob a lua cheia.

​— Você não deveria estar aqui fora sozinha, Maya — ele disse, aproximando-se. O perfume dela — sabão de coco e maresia — era inebriante.

​— E você não deveria estar me seguindo, Leo — ela rebateu, virando-se para ele. — O que seus pais diriam? Ou melhor, o que o seu avô, o grande Marco Rossi, faria se visse você conversando com a filha da empregada?

​Leo encurtou a distância, prendendo-a contra o corrimão de madeira. A tensão era elétrica, quase idêntica à que seus pais sentiram anos atrás.

— Eu não sigo as regras do meu avô. Eu faço as minhas.

​— Então você deveria saber que eu ainda sou de menor — ela sussurrou, o desafio brilhando nos olhos, embora a respiração estivesse falha. — Você tem 21, é um homem feito. Eu tenho 17. O que você quer de mim é crime em muitos lugares.

​Leo sentiu o soco de realidade. Ele apertou o corrimão, os nós dos dedos brancos. A ética que Julian lhe ensinara lutava contra o sangue possessivo dos Rossi que corria em suas veias.

​— Eu sei exatamente quantos anos você tem, Maya. E é por isso que eu estou tentando, com todas as minhas forças, não te beijar agora.

​— Tentando? — Ela deu um passo à frente, encostando o peito no dele, testando o limite do herdeiro. — Pensei que os Rossi fossem corajosos. Ou será que você tem medo de uma menina?

​Leo soltou uma risada rouca e sombria, segurando o rosto dela com uma mão firme.

— Não é medo, Maya. É controle. Porque se eu perder o controle com você uma única vez, eu não vou te soltar nunca mais. E você ainda não está pronta para o mundo que vem comigo.