O Herdeiro das Sombras- Livro 2- Os Vanne Rossi
11 Capítulo 12: As Sombras do Cárcere
A rotina no haras estava devolvendo a alma a Leo. Trabalhar sob as ordens de Maya era um exercício de humildade que ele aceitava com um sorriso contido. Ele a observava curar os animais com uma precisão técnica que o enchia de orgulho. Eles estavam redescobrindo um ao outro, conversando sobre os anos de silêncio, construindo uma ponte sobre o abismo do passado.
Mas a paz durou pouco.
Em uma tarde chuvosa, um carro preto de vidros escuros estacionou na entrada do aras. Dele, desceu um homem que Leo reconheceu instantaneamente. Era Vittorio, o irmão de um dos detentos mais perigosos da prisão onde Leo cumprira pena. Durante uma rebelião no segundo ano, Leo salvara a vida de Vittorio em troca de proteção. Naquele mundo, favores nunca são gratuitos.
Vittorio caminhou até a cocheira, ignorando os cavalos, e parou diante de Leo, que limpava uma sela.
— O tempo lá fora te deixou macio, Rossi? — Vittorio perguntou, com um sorriso que não chegava aos olhos.
— O que você quer, Vittorio? Eu paguei minha dívida lá dentro.
— Você salvou meu irmão, é verdade. Mas agora a nossa família precisa de algo que só um Rossi pode dar. Precisamos que você facilite a entrada de uma carga pelo porto que seu avô ainda controla na Sicília.
Leo sentiu o sangue gelar. Ele olhou para o fundo da cocheira e viu Maya observando a cena, com um estetoscópio no pescoço e a testa franzida.
— Eu não faço mais parte disso — Leo sibilou. — Meu pai e meu avô limparam os negócios. Se você quer contrabandear, achou a família errada.
— Não seja ingênuo. Se você não ajudar, eu conto para as autoridades locais — e para a imprensa — que a sua querida veterinária, a Dra. Maya, está usando o haras para lavar dinheiro da máfia. Temos documentos forjados, Leo. Basta um telefonema e a carreira dela, o diploma dela... tudo vira pó.
O Ultimato
Vittorio partiu, deixando um envelope sobre a mesa de ferramentas. Leo sentiu o mundo girar. Ele acabara de recuperar sua liberdade e a confiança de Maya; agora, o passado ameaçava destruir a única coisa pura que restara.
Maya aproximou-se, o rosto pálido.
— Quem era aquele homem, Leo? E por que você parece que viu um fantasma?
Leo hesitou. Ele sabia que, se mentisse, estaria cometendo o mesmo erro de três anos atrás. Mas, se contasse a verdade, envolveria Maya em um crime que poderia acabar com a vida dela.
— É uma conta que eu achei que tinha pago — ele respondeu, fechando o envelope com força. — Maya, eu preciso que você confie em mim. Vá para a mansão. Agora.
— Não! — ela disse, segurando o braço dele. — Eu não sou mais aquela menina de dezessete anos que você trancava no quarto para "proteger". Se tem alguém ameaçando este lugar, ou a você, eu quero saber. Eu sou parte disso agora.
A Reunião de Guerra
Leo não teve escolha. Ele levou Maya para a mansão e convocou Julian e Isadora. A reunião na biblioteca lembrou os tempos sombrios de Marco Rossi.
Julian leu o conteúdo do envelope e sua expressão endureceu.
— Eles estão tentando usar você para reabrir rotas que eu fechei há dez anos, Leo. Se cedermos, a polícia nos pega. Se não cedermos, eles destroem a Maya.
— Eu resolvo isso — Leo disse, levantando-se. — Eu vou encontrar o irmão do Vittorio. Eu comecei isso na prisão, eu termino aqui.
— Você não vai a lugar nenhum sozinho — Isadora interveio, sua voz cheia de uma autoridade que até Julian respeitava. — Eles querem um Rossi? Pois eles vão ter a família inteira.
Maya deu um passo à frente, olhando para os três.
— Eles acham que eu sou o ponto fraco. Deixe que pensem assim. Eu tenho os registros médicos de todos os cavalos que entram e saem. Posso criar uma trilha digital que vai levar a polícia direto para o Vittorio antes mesmo de a carga chegar ao porto.
Julian olhou para Maya com um novo respeito. Ela não era apenas a mulher que Leo amava; ela era uma estrategista.
O plano está traçado, mas o risco é total. Se falharem, Leo volta para a prisão e Maya perde tudo.
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