O Herdeiro da Ruina

27 Três meses depois...


Notas iniciais
Eai não demorei dessa vez Uma semana certinho kkkk (NINGUÉM liga) Então, boa leitura e mandem alguns reviews. Até

POV — Percy

Três meses se passaram desde a batalha no Posto Avançado e muita coisa mudou nesse tempo.

Primeiramente, o Posto Avançado de Chicago foi totalmente abandonado e todos foram para o Acampamento Meio-Sangue, lá tratamos os feridos e Quíron nos chamou para repensamos numa estratégia de defesa pra outros possíveis ataques.

A nossa reunião super importante aconteceu na enfermaria do acampamento, pois Leo, Jason, Kevin e Frank (que já tinha se livrado do Eidolon) estavam confinados em suas camas.

Leo estava muito quieto, nesse tipo de reunião ele sempre fazia piadas para descontrair e deixar o clima menos pesado, mas ele apenas olhava pra janela com a mão no toco em seu braço. Frank estava bem, mas com alguns hematomas da nossa luta na Gruta. Já Jason e Kevin só tiveram alguns hematomas graves nos braços, Jason quebrou o direito e Kevin trincou os dois em vários lugares.

Estavam presentes também Annie, Dakota, Hazel, Clarisse e os lideres de chalés do Acampamento.

– Então como vamos deter aquele moleque de nos destruir. – Perguntou Clarisse, dando inicio a reunião.

Nos primeiros momentos ninguém disse nada, todos estavam pensativos até que algum fala atrás de nós:

– Por que vocês apenas não o matam?

Todos nos viramos para a garota encostada na porta. Ela tinha longos cabelos negros e olhos azuis. Vestia uma camiseta amarela, calça jeans e um cachecol de tricô. Ela ergueu as sobrancelhas e perguntou:

– O que foi?

– Quem é você? – Perguntou Annabeth.

A garota pareceu ofendida, entrou na sala e desmoronou numa das camas da enfermaria.

– Nico não presta pra nada. Eu sou Akhlys, a bela garota que vocês acham que matou um monte de pessoas, amaldiçoou o Benjamin e blá blá blá...

Nesse momento cinco espadas foram apontadas para ela, mas ela apenas bufou e ajeitou o travesseiro. Akhlys parecia chateada, talvez ela pensasse que seria recebida com braços abertos depois que impediu Ben de me matar, mas isso aconteceu por causa dela então... ela não podia esperar muita coisa.

– Por que está aqui? – Perguntou Hazel.

– Para ajudar, mas acho que vim aqui à toa.

– Veio mesmo. – Disse Jason, se aproximando e apontando uma espada com seu braço bom – É melhor você ir embora antes que você “perca” a cabeça.

Akhlys sorriu de um jeito cruel. Admito que deu um pouco de medo.

– E quem vai me fazer “perder” a cabeça, Grace? Você? – E ela começou a rir.

Jason a atacou e ficou perto de decapitá-la, mas ela parou a lamina com as mãos no ultimo momento. “Cara, ela é boa”, pensei, impressionado ao ver a cena.

– Vai ter que se esforçar mais Grace, mas é melhor você não tentar de novo se não é você quem vai “perder” a cabeça. – Disse ela, num tom mais calmo possível.

– Akhlys. – Chamei, tentando evitar um clima tenso – Você disse antes para matar Benjamin, depois que você o ajudou, da sua maneira, por tanto tempo. Você mudou de idéia?

Akhlys abriu outro sorriso, não um sorriso cruel, mas um sorriso de satisfação.

– Então Nico te contou tudo. – Eu assenti – Isso é bom, mas eu não mudei de lado Percy, sempre ficarei no lado do Ben. E também, eu não me referia em matar o Ben, eu nunca disse o isso. Eu quero que vocês me ajudem a matar aquele começou tudo isso. – Ela fez uma pausa e terminou com o sorriso cruel – Vamos matar Tânatos, o Deus da Morte.

POV – Nico

Desde o desaparecimento do Benjamin no Posto Avançado três meses atrás, houve uma serie de ataque em lugares com influencia dos deuses olimpianos. A Agencia de Correios de Hermes e a Agencia de Modelos de Afrodite foram totalmente destruídas, a Vinícola favorita de Dionísio foi consumida por um incêndio, diversas florestas onde Artemis, ninfas e outros espíritos da floresta viviam também foram incendiadas e dezenas de outros lugares por todos os Estados Unidos foram reduzidas a ruínas.

É claro que os deuses ficaram furiosos e ao mesmo tempo preocupados, pois todos esses lugares destruídos podiam ser considerados “pequenos”, então logo Benjamin iria destruir onde realmente importava. Como cidades inteiras e onde os deuses mais temiam, Nova York, por exemplo.

Depois que me recuperei (parcialmente) dos meus ferimentos, eu e Amanda fugimos do Acampamento para procurarmos pelo Ben. Sabiamos que ele não estava no seu juízo perfeito, mas queríamos encontrá-lo e tentar ajudá-lo. Então seguimos o Ben cidade por cidade, ataque por ataque. Até que não foi difícil.

Começamos a busca em Washington e, depois de segui-lo por toda a America, seguimos ele até a Filadélfia, onde ele destruiu o Museu da Filadélfia que tinha vários aspectos grego-romanos. Dizem que foi um filho de Atenas que o projetou.

– Que belo estrago. – Comentou Amanda, olhando para a construção toda demolida.

– Eu não diria “belo”.

Procuramos alguma pista nos escombros, mas não achamos nada de nosso interesse. Então fomos para lanchonete porque, bem, ninguém é de ferro. Amanda pediu dois lanches, nos sentamos juntos e comemos assistindo TV.

O noticiário mostrava uma vista aérea ao vivo de Nova York, a câmera passava lentamente pelos prédios até que focou num garoto a beira de um dos prédios que dava de frente ao Empire State Building.

Ele vestia um manto bege sujo e cheio de buracos por cima do casaco preto e calça jeans, seus cabelos negros eram compridos e enrolados nas pontas. Também segurava uma foice negra e olhava para o prédio como se esperasse algo.

– Só pode ser brincadeira! – Gritou Amanda, assustando a mim e os outros clientes.

– O que foi? – Perguntei.

– Como assim o que foi? É o Benjamin na TV!

Olhei mais atentamente para a TV, mas não parecia nenhum pouco o Ben que eu conhecia, seu cabelo era mais comprido e ele estava mais magro. Os três meses que ele passou sozinho não foram gentis com ele.

Amanda deixou dinheiro na mesa, me pegou pela gola e me puxou para fora da lanchonete.

– Vamos achar uma sombra, temos que ir para Nova York!

– Por ali. – Digo.

Entramos num beco e mergulhamos na sombra mais próxima.

Saímos no lado do lado oposto do terraço onde o Benjamin estava. Contornamos a estrada da escadaria e Amanda seguiu para um lado e eu fui para o outro. Comecei a correr, desviando dos canos e dos ar condicionados que estavam no meu caminho. Estava alguns metros de distancia dele quando um relâmpago caiu na minha frente, quase me acertando. Olhei pra cima e meu coração quase saiu pela boca.

Um dragão negro de uns 60 metros de cumprimento estava voando em cima do prédio. Em cima dele, os rostos de Zeus e Ares expressavam seriedade e desprezo. O dragão rugiu para o Ben e ele olhou pra cima, mas ele não demonstrou nenhuma feição de surpresa. Ares pulou do dragão em seguida, caindo bem na minha frente. Ele vestia um traje de batalha grego completo, armadura de aço com uma gravura de uma cabeça de javali no peito, saiote vermelho-sangue, duas espadas presas nas bainhas em sua cintura, uma espingarda nas costas, uma Desert Eagle na perna (isso já é apelação) e num braço o escudo redondo e largo e no outro uma lança muito afiada.

– Se afasta pirralho – Disse ele –, pega sua garota e fique longe daqui. – Antes que eu pudesse protestar ele continuou: – O primeiro raio foi de aviso, não se meta no que está pra acontecer, se não, não pode garantir que sobreviva.

– Eu não vou embora sem o Ben, vou levá-lo comigo mesmo se tiver que te enfrentar.

– Admiro sua coragem, mas meu pai e nem eu iremos poupar ninguém que esteja apoiando o Herdeiro. – Ele se virou pra mim – Você está apoiando o Herdeiro, garoto?

– Não, mas também não estou apoiando vocês.

Ele assentiu e se virou rapidamente, nesse mesmo movimento ele ajeitou a lança em sua mão e a lançou em Benjamin sem qualquer hesitação. A lança voou que nem um míssil, atingindo Benjamin bem nas costas.

Por um momento, houve um silencio total, mas na verdade era o meu cérebro ignorando tudo a minha volta, focando apenas na lança que perfurava o corpo do Benjamin. Ele cambaleou para mais perto do parapeito do prédio, se apoiou nele e se virou para Ares. Encarando-o com uma expressão improvável, com um sorriso de deboche.

Benjamin pegou a lança pelo cabo e a retirou com um puxão, o deus colocou a mão no cabo da espada quando viu a lamina da lança sem um pingo de sangue.

– Droga – Murmurou Ares.

Ares desembainhou sua espada e uma aura vermelha a envolveu. A espada tomou forma de uma lança idêntica a anterior.

– Você se tornou imortal? – Perguntou ele.

– Não, – A voz de Benjamin estava rouca – eu só aprendi uns truques nesses meses.

O deus da guerra avançou sobre ele com um ataque mortal, Benjamin invocou seu escudo e defendeu com facilidade. Ares agarrou o escudo pela extremidade e num giro arremessou o escudo para fora do prédio, e com Benjamin ainda nele.

Em queda livre, Benjamin invocou seu grifo a poucos metros do chão. Pensou que estava a salvo, mas ele viu de o dragão dando um mergulhou no ar em sua direção. Isso o motivou a sair rapidamente dali. Seu grifo era veloz, fazia ziguezagues por entre os prédios tentando despistá-lo, infelizmente o dragão era tão ágil quanto sua presa. Conseguindo aproximar cada vez mais.

O dragão começou a se aproximar com grande velocidade e o grifo estava ficando cansado. Estava a poucos metros quando Benjamin ficou de pé nas costas do grifo equilibrando-se nele. O dragão investiu numa mordida voraz com suas poderosas mandíbulas, pegando o grifo que berrou de dor. Benjamin aproveitou essa “oportunidade” e pulou em cima da cabeça do dragão, usando suas espadas como apoio para se segurar.

O dragão rugiu e levantou voou com o grifo ainda na boca. Ele seguiu em direção ao Zeus, que esperava pacientemente no topo do Empire State Building. Benjamin se soltou de suas espadas e deslizou pelo pescoço até as costas do monstro, lá ele tirou uma esfera de vidro transparente onde começou a brilhar uma luz negra. Uma voz feminina saiu da esfera dizendo.

– Você acabou de ligar para o disk-sexo, seja bem-vindo e farei tudo para lhe dar o máximo de prazer.

– Akhlys isso não tem graça! – Disse ele – Cadê você?

– No Acampamento, por quê? – Benjamin ponderou um pouco e respondeu: – Preciso de você.

O cristal apagou e Benjamin o guardou.

Faltava pouco metros para o dragão negro chegar até Zeus quando uma nevoa branca fantasmagórica o envolveu e dela ele retirou sua foice negra. Seus olhos começaram a brilhar em dourado no mesmo momento.

Zeus sorriu.

– O que pensa que ira fazer Herdeiro? Não tem forças para me derrotar. – Benjamin ajeitou a foice, numa posição de ataque – Você não passa de um bastardo que nunca deveria ter nascido, seu pai foi avisado do seu destino quando você nasceu, mas ele não o matou e agora você ameaça todos nós. Hoje sua historia termina.

Benjamin suspirou.

– Você tem razão, em tudo. Por isso que culpo meu pai por tudo o que me aconteceu nesses anos, vou matá-lo e jogar seus restos na parte mais profunda do Tártaro – Ele sorriu e terminou: – E os outros deuses irão fazer-lhe companhia.

Zeus ergueu o braço com raiva, um raio surgiu em sua mão. Era brilhante e disparava descargas elétricas descontroladamente em todas as direções.

– Só que não vai ser hoje. – Disse Ben sorrindo.

Benjamin girou a foice na vertical e num golpe rápido e poderoso, cravou sua foice na cabeça do dragão o mais profundo que conseguiu. O dragão urrou de dor. Benjamin pegou impulso e se jogou para trás ainda segurando a foice, a lâmina percorreu o trajeto cortando a carne e as escamas como papel. Um corte do topo da cabeça até a base do pescoço surgiu em questão de segundos.

O dragão gemeu dolorosamente antes de explodir numa nuvem de poeira dourada.

Benjamin caiu em queda livre depois da explosão, seu grifo que estava mortalmente ferido despencava junto com ele. Zeus estava irritado ao máximo que ainda com o raio em mãos, disparou rajadas de relâmpagos em Benjamin, o relâmpago estava a alguns centímetros de acertá-lo quando ele desapareceu no ar.

Fiquei confuso tanto quando Zeus. Amanda abafou um grito quando notou Benjamin em seu lado, junto com Akhlys e Poinê.

– Benjamin!

– Ei Nico, o que faz aqui?

– Vim buscar você, vamos pro acampamento lá o Percy...

– Não dá cara. – Disse ele, me interrompendo. – Sei que você quer me ajudar, então pegue isso. – Ele me passou um papel – Siga as instruções, eu consegui interpretar a Profecia e aí vai explicar o básico. Peça para Quíron contar a Lenda de Arya. Ela mostra respostas.

Ares pulou do outro prédio e atacou Benjamin sem hesitar, ele me empurrou pro lado e evitou a lamina. Poinê sacou suas espadas e atacou Ares que defendeu sem dificuldades, Akhlys puxou Amanda pra longe da luta enquanto Benjamin invocava sua pistola.

Benjamin disparou contra Ares que recuou rapidamente, ele sacou sua Desert Eagle e disparou contra Poinê e Benjamin, ele rolou para trás de um ar condicionado para se proteger dos projeteis. Akhlys levou Amanda até a entrada da escadaria, disse algo em seu ouvido e fez um sinal para mim, tipo “Vem logo tapado!”.

Corri agachado até elas. Benjamin ainda estava no tiroteio com Ares, mas Poinê havia sumido. Cheguei perto de Akhlys que disse:

– Nico não se esqueça de ler o bilhete. – E ela me empurrou numa sombra junto com Amanda. Deixando Benjamin para trás, novamente.