O Herdeiro da Ruina

10 Recordações e meu Futuro Incerto


Notas iniciais
O décimo capitulo chegou! Queria ter postado semana passada mas esse Nyah! fez a manutenção sem prévio aviso... Mas aí está minha gente, boa leitura!

POV Nico

A caminhada durou quase 1 hora até chegarmos ao lago de Big Butternut Lake, o ar gélido fazia vapores surgirem quando respirávamos. O lago era enorme e calmo, suas águas refletiam o luar à medida que a lua subia no céu.

– Temos uma grande área para procurar – Digo desanimado.

– Então vamos logo.

Caminhamos boa parte da noite, depois de receber a ligação do Percy, Benjamin ficara mais distante de nós sempre com uma expressão pensativa. Eu e Amanda conversamos boa parte do caminho. Ela me contou que estava numa missão quando nós a encontramos, disse que quando estava no treino do seu colégio em Minneapolis, ela e seu amigo semideus, Vicent Becker filho de Belona, receberam uma mensagem de ajuda de um semideus desconhecido, o endereço era o galpão. Eles foram até ao galpão e logo viram que era uma armadilha.

– Foi tudo muito rápido, quando nos demos conta já estávamos sendo atacados e Vicent morreu me protegendo, elas me pouparam do cão, pois me acharam gostosa! – Disse ela com raiva – Velhas pervertidas!

Me segurei para não rir do comentário.

– Acho que não foi nesse sentido que elas disseram.

– Por quê? Você não me acha gostosa?

– Ahm... Bem sim, mas... Er... – Admito que corei um pouco. Ela também.

– Conte a ela como nos conhecemos é uma historia legal. – Disse Ben me salvando daquela situação constrangedora, eu sou meio tímido quando a questão é garotas. Ele ouvira a conversa e me ajudou a mudar de assunto, notei que fiquei devendo uma a ele.

– Tem certeza?

– Claro. – Ele disse sem virar para trás.

– Tudo começou há um pouco mais de ano...

Flashback: on

...Eu estava no mundo inferior, mais precisamente no Elísio, eu sempre conversava com os heróis que ali residem. Apesar de ser proibido ir lá, meu pai me dava passe-livre de vez enquanto e eu sempre trazia noticias aos velhos amigos mortos nas guerras. Silena e Charles sempre me davam as boas-vindas e conversávamos tomando chá e Lee Fletcher sempre pergunta como está o acampamento e o seu chalé. A vida no Elísio é bem tranquila, só que não naquele dia.

Havia um grande tumulto acontecendo. Guerreiros esqueletos corriam de um lado para o outro, fantasmas voavam freneticamente com medo, “tem algo errado”, pensei. Me despedi de Silena e Charles e corri para encontrar o responsável da segurança, Jerry.

Me encontrei com ele rapidamente, ele usava sua velha roupa de Major da Guerra Civil, estava toda surrada e com uma espada cravada nas costas, ele dava instruções aos guerreiros até que notou minha presença, me fez uma continência e falou:

– Mestre Nico, estamos com problemas.

– O que aconteceu?

– Tem um semideus louco na entrada do Rio Estige, ele destruiu um pelotão inteiro e fez Caronte de refém.

– Estou indo pra lá, mande seus homens recuarem. Avisarei quando for seguro.

– Sim senhor.

Esqueci de contar, sou o Comandante do Exercito de Hades agora. Meu pai me deu o cargo depois da Guerra dos Gigantes.

Atravessei o rio com o barco reserva.

Desembarquei rapidamente com a espada na mão, subi as escadas que davam na recepção da entrada. O local estava totalmente destruído, ossos dos guerreiros estavam despedaçados e espalhados no chão e alguns lugares formavam até pilhas. As luzes das lâmpadas fluorescentes piscavam sobre uma forma escura e de olhos amarelos brilhantes, tinha sangue e pó dourado sujando suas roupas e estava com um olhar que eu conheço muito bem, um olhar de desespero, medo e sede de vingança. Caronte estava amarrado ao seu lado.

– Quem é você?

– Onde... – Ele deu um passo a frente – Onde fica a entrada do Mundo Inferior?

– Por que quer saber?

– Para resgatar...

– Quem?

Ele não respondeu, mas me atacou com suas espadas. Seus ataques eram selvagens e perigosos, mas estava cansado e seu ritmo logo diminuiu, mas ainda sim era forte. Trocamos golpes de espadas, até que consegui cortar seu braço e dar um chute em seu estomago. Ele caiu de joelhos.

– Você não pode passar daqui. – Coloquei minha espada em seu pescoço – Lamento sua perda, mas não pode entrar no Mundo Inferior e tirá-la de lá. Essa é a regra.

– Você veio por aquela porta... Você estava no Mundo Inferior? – Perguntou ele com a voz rouca.

Antes de responder ele avançou em mim mesmo com a espada na garganta, tirei a tempo antes que ela o matasse, mas ele e me atacou na cabeça com o cabo da espada, caí pro lado meio tonto e com visão turva. Consegui ver um vulto entrar pela porta. Ele entrou no Mundo Inferior.

Me recuperei rapidamente, desamarrei Caronte e entrei correndo pela porta, desci as escadas e vi o barco navegando em direção ao Mundo Inferior, ele roubara minha carona. Chamei Caronte e o obriguei a seguir o barco, com relutância ele concordou.

Desembarquei correndo direto para o Elísio, chegando lá não tinha nada estranho, vi Jerry de guarda no portão.

– Major Jerry, onde está o invasor? você o viu? – Perguntei ofegante.

– Sim senhor, ele foi capturado pelo próprio Mestre Hades e está no calabouço.

– Obrigado Major.

– Por nada, Senhor.

Pedi a um fantasma que pegasse meu cavalo, eu o montei e fui direto para o palácio.

O calabouço ficava embaixo do palácio, meu pai deixava lá apenas monstros, humanos e semideuses que foram extremamente cruéis em sua vida e também de alguém que não gostasse, para torturá-los pessoalmente. O lugar era cheiro de caveiras e ossos, parasitas e ratos moravam com os prisioneiros, aqui eles são tratados como iguais.

Cheguei à jaula do invasor, o acorrentaram de modo que ficasse de joelhos e de braços estendidos. Fios de sangue escorriam pela sua testa e ombros. Seus dedos sangravam, pois alguém arrancara suas unhas. Entrei e fiquei parado até ele notar minha presença.

– Quem é você?

– Benjamin Briggs e você? – Disse ele calmamente, com um leve sorriso.

– Eu sou Nico di Angelo. – Ele ergueu a cabeça com certa expressão de surpresa que logo desapareceu. Notei cicatrizes em forma de letras gregas em seu braço – O que são essas cicatrizes no seu braço?

– Bom, minha pior inimiga fez isso em mim. Me disse que assim que completasse cinco marcas algo bom iria acontecer. – Ele sorriu – Provavelmente morrerei.

– Que chato. – Digo. “Cara maluco”. – Então, quem você pretende resgatar? Mãe? Algum irmão?

– Mia Pierce, minha namorada.

– Ah é... Como ela morreu? – Eu conheci Mia no Elísio, mas eu queria saber mais.

Ele fechou a cara e não respondeu.

– Não quer responder? Então me diga, você tem algo haver com a morte dela? – Ele me fitou com raiva, acertei em cheio. – Você a deixou pra morrer? Ela se sacrificou por você? Ou você a matou?

Ele tenta avançar sobre mim, mas as correntes não deixaram. Ele sentou e se acalmou.

– Sou amaldiçoado, todos com quem convivo morrem. – Irritado eu lhe dei um soco no rosto.

– Se todos que conhecem morrem por que veio resgatá-la?! Quer perde-la novamente? Ela estaria muito melhor aqui. Idiota!

Ele me encarou por um longo tempo, lágrimas escorreram de seus olhos. Soltei um suspiro.

– Vou tirá-lo daqui. – Saí da jaula, antes de eu desaparecer das sobras ele me chamou.

– Ei! Eu... obrigado.

Assenti com a cabeça e desapareci nas sombras.

A escolta para a saída foi tranquila, Benjamin não tentou fugir ou algo parecido. Meu pai não gostou de eu ter soltado ele e me disse que não queria ver sua cara nunca mais, senão iria jogá-lo no Tártaro.

Perto do Elísio ele parou de repente e disse:

– Eu quero vê-la. Eu posso?

– Pode, eu te levo. – Eu tive dó do cara.

Os guardas que nos acompanhavam ficaram pra trás. Abri os portões do lugar, e entramos. Mia estava comendo frutas no lago com Lee, ela conversava e ria. Benjamin a olhava em transe. Ela o notou e seus olhares se cruzaram. Por um momento nada, até que ela levantou e tentou conter as lagrimas. Ele correu em sua direção e a abraçou, eles conversavam em sussurros, sorriam e choravam, mas em nenhum momento eles se separaram.

Depois de um tempo me aproximei deles.

– Está na hora Benjamin.

Pensei que me ignorara, mas ele limpou as lágrimas e deu um beijo em Mia.

– Eu vou conseguir. Eu prometo.

Ela apenas assentiu. Recoloquei as algemas nele, saímos do Elísio sem olhar para trás.

– Nico.

– O que?

– Vou poder vê-la novamente?

– Não quando estiver vivo. – Ele deu sorriso.

– Então vai ser muito em breve.

Flashback: Off

– Que historia linda! – Disse Amanda em lagrimas, mas ela me deu um soco. – Por que você não deixa ele vê-la de novo?

– Ai! Porque assim que é a regra, não fui eu que as criei.

– Ben o que você disse pra ela?

– Você é bem curiosa né? – Disse Ben.

– Ben olha ali. – Digo.

POV Benjamin

A Lua estava cheia no céu quando avistamos um homem de barba grisalha e terno cinza, sentado num banco que fica em frente ao lago. Notei que segurava um cetro de pedra com duas cornucópias na ponta.

– Que cara estranho.

– É. – Disse Amanda.

– Você vem me procurar para me chamar de estranho Benjamin Briggs? – Disse o homem ainda olhando para o lago. – Você não quer morrer, quer?

Senti um frio na espinha, o homem tinha me ouvido e ainda sabia o meu nome, olhei para Nico que estava tão surpreso quanto eu.

– Você é o deus Moros? – Perguntou Nico, ele suspirou e disse olhando para nós:

– Sou como adivinhou?

– Eu... Preciso que me ajude. – Digo, mas ele voltou a olhar o lago – Quero que mude meu destino.

– Não posso ajudá-lo.

– Por quê? – Perguntei quase perdendo a calma. Ele olhou para mim e fez um gesto para que eu e Nico nos aproximarmos. E fomos até ele.

– Porque... Vocês sabem o que significa esse cetro? – Olhei mais atentamente o cetro e vi desenhos de correntes em seu cabo, mas nada de especial.

– Não – respondemos em uníssono.

– Ele significa a Sorte e o Destino. A Sorte é uma dádiva como as cornucópias e o Destino é como a pedra...

– Onde quer chegar? – Perguntei.

– Quero dizer que o Destino é como a pedra, inflexível e... – Ele olhou para mim – imutável!

A noticia me acertou como um soco, minha única pista em tempos destruída com uma explicação sem sentido, além disso, eu teria que encarar Akhlys novamente mais cedo ou mais tarde. O deus olhou minha reação, suspirou de novo e pegou um relógio de bolso de prata do terno e jogou para mim. Eu o peguei.

– Tenho três coisas para te dizer. Primeira coisa, eu posso ver o Destino das pessoas, mas a sua está obscura até pra mim, então não perca as esperanças. Segunda coisa, esse relógio pode te dar sorte infalível por um minuto, você pode usar quantas vezes quiser até o tempo acabar. Terceira coisa, você tem que se cuidar, pois o Destino reservou acontecimentos importantes em seu futuro. Quarta coisa (Sim, ele disse quarta coisa), acho uma boa idéia você encontrar o seu pai, ele pode dar explicações. – Ele se levando de banco coçando a barba – Eu tenho que ir, Boa Sorte. – Ele acenou para mim e desapareceu num brilho acinzentado.

Por um momento, um sorriso largo surgiu no meu rosto, ele tinha razão eu não podia perder as esperanças, mas logo me lembrei de seu aviso, eu tinha que me cuidar, ou seja, sobreviver. Imaginei o que seria importante no futuro. Eu estava guardando o relógio no meu bolso quando Nico me perguntou:

– Benjamin, sabe como encontrar o seu pai?

Pensei um pouco e disse:

– Não, mas vamos perguntar como para o chefe dele. – Nico engole seco – Vamos para o Mundo Inferior, perguntar para seu pai.

Notas finais
Então ficou bom? kk Não se esqueçam de mandar reviews e até proxima