O Herdeiro da Ruina
1 Prólogo
Notas iniciais
Como você já deve saber, semideuses são filhos de deuses com mortais que aos 13 anos, são reclamados por seus pais divinos. Eles são enviados para um acampamento onde são treinados, cuidados e coisa e tal... Mas sabe, nem todos têm a sorte de conseguirem chegar nele mesmo com a ajuda de seus protetores, eu sou um ótimo exemplo disso.
Meu nome é Benjamin Briggs, tenho 16 anos e sou um semideus.
Tudo começou há quatro anos, eu vivia com minha mãe Sophia na nossa casa em Dallas, ela tinha cabelos loiros, olhos verdes e um belo sorriso, trabalhava como cirurgiã-chefe do Hospital Parkland Memorial e eu, era um garoto de 12 anos meio magro de cabelos negros e olhos com tom dourado do mel. Eu frequentava uma escola particular perto de casa, nunca tirei notas excelentes, mas eu era ótimo nos esportes. Tinha vários amigos, mas apenas um grande amigo, Jack, garoto de pele morena e cabelos cacheados, eu o conheço desde que entrei na escola, ele sempre me ajudava nos estudos e brincávamos sempre. Eu gostava dessa vida, uma vida normal, que logo iria acabar.
Jack tinha ido passar a noite em casa, já que era final de semana, ficamos acordados até tarde jogando videogame e conversando no meu quarto que ficava no andar de cima. No meio da noite ouvi um barulho na porta, alguém batendo com força. Minha mãe entrou no quarto assustada e falou pra mim e Jack ficarmos escondidos, mas acho que ela nem sabia o que estava acontecendo, talvez achasse que eram ladrões ou coisa parecida, depois de alguns minutos ouvi um grito, Jack e eu fomos ver o que tinha acontecido.
– Espere aqui vou ver o que aconteceu – disse Jack parado nas escadas.
– Não, minha mãe pode estar ferida – retruquei.
– Calma, eu vou ajudá-la agora fique aqui – falou Jack, ele desceu as escadas com seu taco de baseball na mão.
Após de Jack terminar de descer as escadas uma garota de uns 16 anos com unhas afiadas surgiu e o atingiu nas costas, fazendo-o cair. Desci as escadas correndo para socorrê-lo, mas ela parou na minha frente, tinha cabelos longos e um vestido preto como a noite que se misturava com a nevoa que a cercava.
– Ora, então decidiu lutar semideus? – disse a garota sorrindo.
Eu não sabia o que ela estava falando, semideus? O que é isso? Eu não conseguia me mexer, mas algo dentro de mim queria pegar o taco de baseball e bater nela sem parar.
– O-O que é você? – perguntei.
Ela ergue as sobrancelhas e diz:
– Você não sabe o que eu sou? Seu amigo sátiro não te contou? – perguntou ela, com o pé em cima de Jack – bem ele já esta morto mesmo, sou uma Queres e meu nome é Akhlys, vim matar você.
– Me matar? C-Cadê a minha mãe? – perguntei assustado.
Akhlys sorriu e apontou para o lado, minha mãe estava presa na parede com adagas cavados em seus braços, parecia morta, mas então ela olhou para mim com dificuldade e deu um leve sorriso antes de outra adaga acertar sua cabeça.
Dei um grito e corri para o andar de cima, me tranquei no quarto da minha mãe e me escondi no armário, nunca senti tanto medo na minha vida, vi minha mãe e Jack serem mortos na minha frente e um monstro esta me procurando, não é algo que um garoto de 12 anos normalmente vê antes de dormir.
Olhei para o canto e encontrei um cinto de couro preto, com varias gravuras de armas nele, tinha um escudo, uma lança, uma pistola, duas espadas cruzadas e também tinha um animal metade águia, metade leão. Tinha um pressentimento que ele seria útil, quando eu o peguei a Queres abriu o armário e me pegou pelo pescoço.
– Cansei de brincar, vamos acabar com isso. – Ela tira uma adaga de seu manto e começou a cortar abaixo do meu ombro, fazendo um desenho da letra Alfa (α). A dor me acordou, dei um chute em sua costela, ela me largou então sai correndo com o cinto na mão, não sabia o que fazer.
Cheguei à escada e a desci, pulei o corpo de Jack, mas ouvi sua voz me chamando me virei e fiquei de joelhos perto de seu corpo.
– Cara, você esta vivo, vou te tirar daqui. – Disse a ele. Pensei em encostá-lo na parede, mas notei que estava sentindo muita dor, então resolvi não mexer nele.
– Não, não há tempo. – Disse, ele olhou o cinto e sorriu – Ótimo... Você pegou o cinto, use-o para sair daqui. Se quiser uma arma, coloque a mão sobre o desenho e deseje, faça o mesmo com o grifo. Vá para Nova York, lá existe um lugar que pode ficar seguro, o Acampamento Meio-Sangue. VAI!
Não tinha entendido porque ele disse aquelas instruções, não era possível uma espada ou lança surgir do nada, mas resolvi não argumentar, me despedi e corri em direção à porta, ao chegar à rua ela esta me esperando, com um sorriso frio, Akhlys fez um sinal com o braço e atrás me mim um monstro desceu do telhado. Era alto e musculoso, tinha apenas um olho e usava uma clava com uma etiqueta que dizia: Loja de Armas do Hefestos, as melhores da forja. Ele me atacou e, por puro reflexo, desviei para o canto. Olhei ao redor e notei que estava cercado, já estava perdendo as esperanças quando me lembrei o que Jack disse. “Não custa nada tentar”, pensei. Coloquei a mão sobre o desenho da lança e escudo e desejei.
Um cilindro de cinquenta centímetros e uma luva de motoqueiro saíram do cinto através da gravura, coloquei a luva e ela cresceu até metade do antebraço e um escudo circular com gravuras de cenas de guerra surgiu como um leque; o cilindro tinha um botão, eu o apertei e o cilindro expandiu até um metro e oitenta de comprimento com uma ponta afiada com cor de bronze.
Eu estava armado, o equipamento tinha o peso de uma pena, eu me virei para o ciclope e o ataquei, ele desviou e contra-atacou com sua grande clava varias vezes, eu me defendia e desviava com facilidade, percebi que o ciclope estava ficando cansado, então lancei minha lança que acertou seu peito atravessando-o. O Ciclope virou pó.
– Parabéns Benjamin, você não vai morrer hoje – Disse Akhlys.
– Isso é verdade, é que você vai morrer hoje! – Digo a ela, então peguei a lança e corri em sua direção.
Com as mãos, ela desvia o trajeto do ataque da lança, e me atacou com suas unhas. Cai no chão sangrando com uma dor insuportável.
– Achou mesmo que me mataria assim, eu sou a morte, eu sou a sua morte mais precisamente. Você nasceu amaldiçoado garoto, culpe seu pai se quiser. – Disse ela sorrindo – E você vai morrer sozinho, matarei qualquer pessoa que se meter com você. Até a próxima.
Ela some numa nuvem escura, minhas armas desapareceram também. Ouvi o som de sirenes chegando. “Deve ser uma ambulância”, pensei. Então apaguei.
Acordei no hospital dias depois, tinha sonhado com monstros e com aquela mulher matando minha mãe, toda a noite. Após minha recuperação, fui para os limites da cidade para me despedir de tudo que iria deixar para trás, escola, amigos, casa, mãe... Jack tinha me dito para ir à Nova York, que lá eu teria proteção, acho que não tinha muita escolha.
Coloquei a mão no desenho do grifo e o invoquei, ele veio voando e pousou perto de mim, era uma bela criatura, na parte da frente era um águia de rapina, e atrás era igual à de um leão. Uma mistura estranha, mas bela.
Fiquei admirado e assustado ao mesmo tempo, mas algo me dizia que aquele animal não iria me atacar. Me aproximei dele e acariciei sua cabeça.
– Que Legal – disse – vou te chamar de Flewie.
Eu o montei e saímos voando, para o Norte.
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