O Herdeiro da Ruina

32 O Plano Original


Notas iniciais
Eu sei que demorei... desculpe por isso. Faz um tem tempo, mas vi que Delilah Duchannes favoritou a fic, Valeu ae! :p Manda uma mensagem nos comentários pra da um "oi" (se quiser) Vamos logo para o capitulo!

POV – Percy

Leo parecia o mesmo por fora (mesmo com o novo braço), mas havia algo nele que tinha mudado. Não sei se eu estava imaginando coisas, mas eu não vi nenhum olhar de hesitação quando ele matou Isabel. Ele tinha ficado mais... cruel.

Ele fez um sinal pra mim do tipo “Valdez está de volta!” e saiu correndo para o campo de batalha. Respirei fundo, dando um sorriso. Talvez eu esteja exagerando, afinal. Eu corri atrás dele, alcançando-o no pé da colina. A colina já estava tomada pelos semideuses e faltavam apenas alguns lestrigões para dar um fim nessa batalha. Quando o último monstro virou pó, o silêncio pairou pelo Acampamento. A batalha tinha sido tão dura que nem sequer alguém quis cantar vitória ou dar um suspiro de alivio para não desperdiçar energia.

Todos se reuniram em frente a Casa Grande. Ninfas e sátiros corriam de um lado para o outro distribuindo ambrosia e néctar para todos. Os feridos eram levados até a Casa Grande e até a Enfermaria, felizmente não eram muitos. Os semideuses gregos estavam sentados em vários círculos, cada com seus irmãos divinos, mas já os romanos estavam alinhados pronto para receber novas ordens.

Frank, o Pretor no comando da Legião Romana no Acampamento, fez um sinal aos seus soldados que finalmente relaxaram. Logo Frank veio em minha direção acompanhada de Mary (que é uma dos três capitães da Legião comandada por ele, caso tenho me esquecido de mencionar), ambos vestiam armaduras romanas. Ele chegou dando uma careta ao ver minha mão.

– Caramba, que coisa horrível. – Comentou ele.

– Obrigado por dizer o óbvio. – Retruquei.

– Desculpa – Responde ele, sem graça –, é que isso está realmente feio. Você devia ir até o Kevin ou alguém que possa colocar um curativo nisso.

– Acho que você tem razão, Mary você pode achar o Kevin pra mim? Eu e Frank temos que conversar com os outros.

Ela assentiu e saiu correndo.

Jason, Leo e Annabeth estavam sentados um pouco mais a frente dos outros. Quando Annabeth notou minha aproximação, levantou-se num pulo e correu para os meus braços. Foi um abraço longo e apertado, até que a situação nos forçou a separar. Ela me puxou pela minha mão boa e me fez sentar ao lado dela.

Assim que sentei, ouvi Leo contar sua luta com Isabel. Ele contou de forma humorada e, em algumas partes, exagerada. Mas sua expressão mudou drasticamente quando ele chegou na parte em que a matou, Jason logo se pronunciou:

– Ela com certeza mereceu! Lembra quando ela disse que torturava a Calipso? Ela apenas colheu o que plantou, nada mais. Você não precisa ficar desse jeito cara, assim que acabarmos com a batalha por aqui vamos todos resgatá-la. E ajudamos Nico e o Benjamin também se possível.

Eu me lembrei automaticamente da minha visão com Neil. Se você vier aqui ajudar o Herdeiro... você vai morrer Perseu Jackson. Eu ainda não tinha mencionado essa visão com ninguém e agora também não era a hora certa. Todos estavam querendo um pouco de descanso depois da árdua batalha, isso só os preocuparia.

– Terra para Percy Jackson, cambio! – Disse Leo, me chacoalhando.

– O que?

– Você está avoado cara, quer dizer, mais que o normal.

– Você está bem? – Perguntou Annabeth, apertando minha mão. Eu pude notar um pouco de preocupação em sua voz.

– Estou, é que... Tem muita coisa passando em minha cabeça no momento.

– Ah, entendi. – Disse Leo – Você tem um cérebro meio lento pra tanta coisa na sua cabeça, então você fica tipo assim – Ele imitou minha postura com cara de retardado. Jason, Frank e Annabeth riram da piada. Eu dei um sorriso fraco.

A conversa continuou, até Kevin e Mary chegaram minutos depois.

– Ouvi diz que tem alguém ferido por aqui? – Disse ele, tirando uma ambrosia, bandagens e uma caixinha de primeiros socorros. Ele se ajoelhou no meu lado e inspecionou minha mão. Ele começou fazer uma compressa com água fria, doeu um pouco, mas teve uma rápida sensação de alivio. Ele então tirou um frasco da caixinha e jogou na minha mão, dessa vez a dor foi intensa. Antes que eu reclamasse, ele disse:

– É uma receita caseira passada pra mim pelo meu pai, é bom para as feridas não inflamarem.

– Sei.

Ele continuou com a compressa fria e então finalmente enfaixou minha mão com bandagens. Mary e Kevin fizeram menção de sair, mas eu fiz um sinal para que ficassem. Queria que eles ouvissem a discussão.

– Então, Percy já foi medicado. – Começou Jason – agora é hora de pensarmos numa coisa, essa batalha foi a definitiva ou a primeira de muitos outras ainda por vir?

Era uma boa pergunta. A pergunta pairou no ar até Frank dizer:

– Eu acho que não, pois pelas informações que conseguimos nesses últimos meses, esse exercito que enfrentamos hoje não passava de uma fração do original. Talvez essa tenha sido a primeira horda de ataques, sabe, para testar nossos pontos fortes e descobrir os fracos.

– Também acho isso, – Concordou Annabeth – mas se era só um teste, por que Isabel e Kate estavam entre eles? Elas são parte importante dessa guerra, por que arriscariam suas vidas num ataque tão fraco?

– Talvez elas tivessem outra coisa em mente. – Digo – Talvez Amanda. Ou nós.

– Pode ser, mas cadê ela afinal?

– Akhlys a levou até Ben e Nico. Bem, assim espero.

– E a garota das facas? – Perguntou Leo – Ela morreu ou foi capturada?

Ninguém respondeu. Espera. Se ela não foi capturada ou morta, e também como não tivemos inimigos sobreviventes, só restava uma alternativa. Ela ainda estava por ai. Talvez na floresta, escondida e preparando um plano. Segundo o que Nico me disse uma vez, ela tinha uma ótima mira e muita agilidade, portanto, tentaria um ataque furtivo.

Assim que contei aos outros minha linha de raciocínio, Frank e Jason mobilizaram vigias em turnos nas proximidades da Casa Grande a de onde os outros semideuses estavam acampados. Annabeth insistiu para que eu ficasse na Casa Grande descansando, eu não queria, mas relutante eu disse sim. Fui descansar no escritório de Quíron, pois ela tinha uma janela que ficava de frente aos outros. Se algo acontecesse eu conseguiria ouvir e iria ajudar rapidamente. Mas quando deitei no sofá que tinha lá, percebi o quanto estava cansado. Minhas costas doía e minha mão estava começando a coçar, mas eu apenas fechei os olhos e me rendi ao cansaço.

POV – Annabeth

Faltavam poucas horas para que o sol nascer quanto os primeiros mortos foram encontrados.

Eu estava sentada na varanda com o Kevin planejando novas estratégias de defesa para um possível novo ataque, ele era um rapaz muito aplicado e inteligente quando não está dando em cima em alguma pobre garota pelo acampamento (ou em mim, para ser sincera).

– Annabeth, o que você achar de usarmos o topo da Casa Grande como ponde de observação? Podemos aplicar um feitiço para que a pessoa que estivesse lá ficasse indetectável aos monstros. Ele teria que ser um ótimo atirador e também que saiba escolher os alvos com facilidade. Sem aquela hesitação, tipo “se eu atirar, posso matar meu amigo ou um sátiro por engano...”

– Entendo, assim teríamos alguém para cobrir os outros se estiverem com dificuldades. – Eu comecei a imaginar quem seria o mais qualificado.

– Eu acho que eu deveria ficar nessa posição. – Disse ele, como se lesse a minha mente – Eu não fui muito útil nessa ultima batalha, por isso dei a idéia.

Eu assenti com a cabeça. Eu ia discordar, mas se ele pensa assim, porque negar. Ele parecia motivado, e motivação não faz mal algum. A conversa fluiu por mais alguns minutos, quando Chloe veio correndo na minha direção. Quase sem fôlego ela disse:

– Encontramos um corpo perto do Punho de Zeus, ele tinha uma faca cravada na nuca... – Ela olhou para Kevin – Era o Gary.

– O que? – Gritou ele. – É mentira, não é?

– Não. Lamento.

Quem se levantou num pulo, pegou um arco, uma aljava de flechas e sua bolsa, então saiu correndo em direção ao bosque. Eu e Chloe o seguimos até o grupo de pedras que ficava a oeste do bosque, assim que nos aproximamos me vi encarando Kevin ajoelhado em frente a um corpo de um garoto da mesma idade que ele. Gary. Eu me lembrei que Kevin havia dito que Gary e ele tinham entrado no Acampamento Júpiter no mesmo dia, que sempre treinavam e faziam missões juntos. Eles eram inseparáveis, até Kevin ser designado para o Posto Avançado.

Agora o reencontro deles foi o mais triste possível.

– Kevin... – Comecei a dizer.

Ele levantou a mão com um gesto de silêncio. Isso não foi legal.

– Kevin eu só...

Ele repetiu o gesto e disse:

– Espera. Você ouviu isso?

Todos nós ficamos em silêncio, eu não ouvia nada de estranho. Apenas o vento soprando por entre as árvores, um pouco mais longe dali, ouvia o barulho do riacho deslizando sobre as pedras. Mas então, notei algo estranho. Onde estavam os sons dos grilos e cigarras que perturbou o sono de muitos semideuses por décadas, onde estavam as ninfas que sempre apareciam para cumprimentar todos que passavam... Mas não tinha sido isso que Kevin se referia.

– Os animais, os insetos e as ninfas estão muito quietos... – Comentou Chloe.

– Não é isso. – Disse ele – Escutem.

O barulho era o mesmo. Até que um estalo vindo atrás de nós chamou nossa atenção. Kevin pegou uma flecha então rapidamente puxou a corda do arco e disparou na fonte do estalo sem ao mesmo mirar. A flecha atingiu o alvo. Uma garota de cabelos negros, usando uma roupa militar escura. Também tinha uma espécie de coleira de metal em volta de seu pescoço.

A garota recuou um pouco, segurando a flecha que a perfurara na barriga, mas como se fosse tudo encenação, ela dá um sorriso sarcástico ajeitando a postura com a flecha na mão. Ela estava ilesa. Kevin dispara uma segunda flecha que, por alguma razão, ricocheteia no ombro dela.

– Para com isso, faz cócegas. – Disse ela.

– É a Kate. – Disse Chloe, desembainhando sua espada, Pesadelo. – Ela uma romana, descendente de Kyktos de Tróia. E também, uma velha companheira de equipe na Armada de Leto. Como vai Kats? Você engordou.

– Eu já disse para nunca me chamar de Kats, sua traidora! Nunca entendi porque você abandonou Prometeu e se juntou a esses perdedores. E eu não engordei! Estou mais alta.

Kate retirou duas facas do cinto e encarou Kevin. Ele estava com o arco pronto pra atirar, mas ela apenas deu os ombros.

– Kevin, – Chamou Chloe – por mais que sua mira seja incrível, suas flechas não vão funcionar, ela é invulnerável por causa de sua descendência. – Kevin a encarou a procura de uma explicação. – Kyktos era um troiano que lutou na Guerra de Troia, reza a lenda que ele era totalmente invulnerável. Flechas, lanças, espadas... nada conseguia o ferir.

– Mas Aquiles o matou. – Digo, me lembrando da história. – Estrangulando-o.

Kate sorriu e apontou para a coleira.

– Vivendo e aprendendo. Sou a prova de estrangulamentos.

– Veremos.

Chloe avançou sobre ela com Pesadelo em mão. Kate atirou várias facas nela, Chloe se antecipou e rolou para o lado, evitando as facas. Deixei escapar um sorriso quando vi aquilo, foi do mesmo jeito que o Percy sempre faz. Kevin largou seu arco e retirou o escudo de seu falecido amigo, então lançou para a Chloe. Ela o agarrou no ar e numa manobra rápida conseguiu encaixá-lo no braço a tempo de defender das facas.

Kate ficou irritada, então decidiu atacar a mim e Kevin. Ele conseguiu esquivar, mas eu não fui rápida com todas e uma faca acabou acertando meu calcanhar. Fui uma dor horrível, alem de não conseguia mais ficar em pé.

– Ei Kats, é contra mim que você está lutando. – Disse Chloe.

– Cala a boca. – Ela lançou uma faca nela, que defendeu.

Kate começou a correr em direção a Chloe, quando chegou perto ela deu chute no escudo com toda força. Um chute assim provavelmente machucaria a perna de alguém comum, mas não nela. Chloe cambaleou para trás e Kate aproveitou a chance e lançou suas facas. Um delas atingiu a coxa de Chloe, que urrou de dor. Com certo esforço, Chloe desferiu um ataque com Pesadelo e não acertou por pouco, pois Kate tinha recuado.

Espera, ela recuou? Por quê?

Chloe atacou novamente, mas a dor em sua perna a atrapalhou e assim Kate desviou facilmente. De presente, duas facas atingiram seu corpo – um no braço e outra na clavícula – e então Chloe caiu de joelhos.

– Você continua fraca. – Disse Kate, ela pegou uma outra faca e encostou no pescoço dela – Vou acabar com isso.

Kevin disparou uma flecha nela, mas ela nem se mexeu. Nada conseguiria impedi-la. Mas então Chloe começou a tremer e então, do nada, desapareceu. “Ilusão?”, pensei. Cocei meus olhos e vi Chloe novamente, atrás de Kate. Dessa vez ela não poderia impedir e Pesadelo atingiu seu ombro. No segundo seguinte, Kate solta um grito de pânico como se o maior medo dela estivesse presente. Foi então que eu lembrei, Pesadelo tinha o poder de fazer a pessoa lembrar-se das piores lembranças da sua vida.

Novamente, Chloe desferiu uma sequência de ataques e a cada vez que atingia Kate ela dava um grito de pânico. Então ela tropeçou numa pedra e caiu no chão. Kate estava tremendo e chorando, não parecia nada com a garota forte que quase nos matou a pouco. Chloe se ajoelhou e encostou Pesadelo nela novamente, os gritos reiniciaram.

Chloe agora era a garota que sorria, ela se divertia vendo Kate sofrer.

Eu estava preste a impedi-la quando Percy sai da floresta e diz:

– Chloe, já chega.

Chloe o encarou, sem tirar a lâmina de Kate.

– Por quê? Minha perna está doendo, eu só estou devolvendo o favor.

Percy tocou em seu ombro e disse novamente, só que num tom mais autoritário.

– Já chega, Chloe. Você está voltando a ser como era antes, é isso o que quer?

Chloe abaixou a cabeça e então embainhou Pesadelo de volta no cinto. Quando deu o primeiro passo, ela não aguentou o próprio peso e caiu. Kevin me ajudou a chegar até ela.

– As ilusões dela gasta muito energia, – Disse Percy – ela só desmaiou.

O sol estava nascendo quando Kevin terminou de fazer os primeiros socorros em todos. Nesse mesmo momento, Kate começou a sussurrar coisas sem sentido, talvez o contato prolongado com Pesadelo tenha acabado com seu cérebro.

– Não... Não! Mãe não! Eu vou parar... eu não quero orelha pro jantar... como assim, o cachorro morreu? O taco! O taco!

Percy se aproximou dela dizendo:

– Calma. Sua mãe não está aqui, entende? – Ela afirmou, tremendo – Por que você e Isabel vieram pra cá?

Eu ia chamar o Percy de idiota por fazer tal pergunta, a garota estava quase (para não dizer totalmente) insana, mas ele insistiu com a pergunta até que ela finalmente dissesse algo que faça sentido.

– Era o plano original... era nós... pudim, ele vir depois... ganhar tempo e banana.

– Ganhar tempo pra quem?

– Hoje à noite, amanhã de madrugada. Ele vai vir. Procurar a garota...

– Que garota?

– Pomba branca. Oliva. Bazinga! – Pomba branca? Oliva? Símbolos da deusa da paz na Roma Antiga. “Amanda”.

Percy a agarrou nos ombros e perguntou com calma, como se ela fosse uma criança.

– Quem vai vir?

Ela o encarou com os olhos vidrados. E respondeu aos gritos.

– A Morte! A Morte! A nossa M-O-R-T-E!

Notas finais
A morte chegará no próximo capitulo! Acabei de perceber que estou postando essa fic faz UM ano! E ainda tem gente lendo. Valeu galera por estarem acompanhando até aqui.