O Herdeiro da Ruina
25 Massacre no Posto Avançado – O Assassino
Notas iniciais
POV – Jason
Victor saiu do salão andando tranquilamente. Kevin tinha ele na mira, mas por algum motivo não atirou e deixou ele escapar.
– Kevin por que o deixou ir?
Ele largou o arco e se sentou no chão.
– Porque ele iria desviar e matar a gente.
– Mas você estava ganhando! Ele estava cansado, você podia ter acabado com ele.
– Eu acho que não.
Kevin sorriu de deboche e retirou o seu blazer, revelando seus braços totalmente acabados. Eles estavam inchados e com machas vermelhas e roxas por toda sua extensão, tentei imaginar o quanto aquilo podia estar doendo.
– Era eu que estava perto de perder. – Disse ele – Os socos dele quase quebraram os meus braços, sorte que eu sei lutar e consegui sobreviver a ele.
Peguei ambrosia e néctar embaixo da mesa e dei pra ele e pro Gabe, que ainda estava desmaiado. De sessenta semideuses na festa, apenas vinte e três sobreviveram. O Salão de Festas se tornou um terrível cemitério.
POV – Percy
Nota mental: Nunca zoe alguém que tenha “stink” no nome, ele pode tentar te matar!
O Sir sorria com prazer quando retirou o tridente da minha barriga, sem dó. Fez um movimento para limpar o sangue da arma e disse:
– O Grande Percy Jackson... – Ele apertou um botão e tridente retornou no formato de cilindro – finalmente vamos conversar. – E chutou contracorrente pra longe.
– Você não precisava... tentar me matar pra isso. Era só dizer “Oi Percy, meu nome é Lance Fedorento e quero conversar com você!”.
Levei um soco na boca do estomago como resposta, mas valeu à pena. Caí de joelhos numa possa de água e ele, fez um movimento com a mão e água saiu dos canos, que deram forma de uma cadeira, então ele a congelou, sentando logo em seguida.
– Você já deve ter percebido que não somos semideuses normais, certo?
– É, vagamente. – Respondi. – Vocês, de alguma maneira, têm apoio dos telquines e outros monstros. Vocês têm informações sobre nossos acampamentos e também de arquivos secretos dos deuses, a localização da Forja de Yellowstone e onde os Ciclopes Urânios eram mantidos são bons exemplos disso. Vocês são semideuses bem... peculiares. Uma garota com descendência de Kyktos de Tróia, uma quase imortal. Um filho de Perses, deus da destruição, não é a toa que aquele cara mata apenas com pedrinhas. Isabel também, uma filha de um deus-rio, ainda por cima de um deus-rio do Mundo Inferior. – Dei um sorriso – Quais são as chances de todos vocês terem se reunido por um acaso?
– Eu estou impressionado por você descobrir tanto em pouco tempo.
– Obrigado, mas o mistério ainda continua. Por exemplo, de quem você é filho. Você manipula a água, como eu, mas você não pode ser um filho de Poseidon ou de Netuno. Então deve ser de um deus menor do mar, Tritão? Anfitrite? Alguma ninfa?
– Você tem um ótimo raciocínio, até parece sua namorada. Mas esses não são as únicas divindades do mar. Eu sou filho de uma divindade mais antiga que Poseidon, até mesmo mais antiga que Oceano, – Quando ele falava fiz a água da possa chegar ao meu ferimento e curá-lo aos poucos – então pense, quem é que sobra?
– Mais antigo que Oceano? Mas ai você só poderia ser filho do... – Ele deu um sorriso – Não é possível. – Digo surpreso.
– Adivinhou né? E eu não sou o único no nosso grupo que tem os pais nessa “faixa etária” divina.
– Você é filho de Pontos... – Digo, sem acreditar.
– Exato! – Ele aplaudiu, ele estava se divertindo. – Eu sou filho do deus que seria o próprio mar, oceano, qualquer tipo de água! Eu sou filho do Deus Primordial do Mar!
Nunca tinha ouvido falar que os deuses primordiais tinham ou tiveram filhos nos últimos milênios, quer dizer, um filho semideus com uma mortal. Todas as crias desses deuses eram monstros poderosos. Os primeiros telquines eram filhos de Pontos com Gaia; Nix, deusa Primordial da Noite teve diversos filhos que se tornaram deuses menores.
Até Akhlys, que é filha de Nix. “Quais são as possibilidades...”
– Você deve estar pensando nas possibilidades disso acontecer, mas acredite, não são tão pequenas assim.
– Parece que sim, pelo que você me disse, você não é o único filho de um deus primordial – Digo. – Vai ser difícil...
Ele deu um sorriso, talvez tenha pensado em algo engraçado.
– Então você percebeu que você não tem chance contra nós! Que nós não somos monstros burros que só pensam em destruir o que nossos pais mandam ou por vingança, não somos subordinados de ninguém – Lembrei dos gigantes que fizeram tudo pra reviver Gaia – Nós fizemos nossas próprias escolhas.
Dessa vez foi minha vez de sorrir.
– Você está se referindo aos titãs e aos gigantes? – Notei que minha ferida estava parcialmente curada, então me levantei lentamente – Quando os titãs renasceram eles eram os mais poderosos, mas os derrotamos em apenas uma noite. Depois vieram os gigantes, seres que se diziam imortais, nossa luta com eles demorou mais que uma noite, mas também os derrotamos.
– Onde quer chegar com isso? – Perguntou ele nervoso, se levantando da cadeira de gelo e ficando cara a cara comigo.
– Que não importa se vocês são filhos de deuses antigos ou se consideram incrivelmente poderosos, nossos antigos inimigos também eram assim, – Apalpei meu bolso e contracorrente já tinha retornado – o que eu quero dizer que vocês são tudo farinha do mesmo saco, que é apenas uma questão de tempo para nós darmos o troco!
– Dar o troco?
– Vocês são só assassinos que mataram vários dos nossos e eu vou fazer de tudo pra que isso acabe o mais rápido possível!
Ele estava levando a mão até o bolso do sobretudo para pegar o tridente, mas então peguei minha caneta e apertei o botão, a espada surgiu num instante e a enfiei na mão do Sir, atravessando-a e cravando em seu peito.
Ele começou a me encarar, a confusão e a dor eram evidentes em seus olhos. Sangue começou a escorrer do ferimento da espada, sujando a camiseta branca e o sobretudo.
– O que... você fez? – Perguntou ele, cambaleando pra trás e encostando-se à parede.
– Eu disse que faria tudo pra acabar com vocês, até mesmo me tornar igual a vocês. Um assassino. Vocês não são o tipo de pessoa com quem se pode resolver os problemas com palavras.
Ele cuspiu sangue e deslizou na parede até o chão, onde ele deu um sorriso forçado e disse:
– Você deve estar muito... desesperado. – Com a outra mão e arrancou a espada de seu peito com um puxão seguido de um grito e a jogou pro lado – O Grande Percy Jackson é... um covarde... você sabia que se lutássemos de novo eu ganharia... que azar, meu próximo alvo seria sua namorada gostosa, mas... – Ele esperou uma resposta, mas eu fiquei quieto – se tornar um assassino não te ajudou em nada, quer saber... por quê?
– Me diz. – Ele começou a engasgar com o próprio sangue e peguei ele pela gola da camisa – Me diz!
– Porque nosso objetivo não era... você ou seus preciosos amigos inúteis, era apenas pra matar a... “esperança” de vocês. Aman... Amanda Evans. – “Não pode ser!”.
– Como vocês sabem que ela...?
Me interrompi ao perceber os olhos fechados e a falta de respiração dele, ele morrera na minha frente, ainda com um sorriso de dever cumprido no rosto. Por alguma razão eu não queria pegar minha espada de volta, eu não queria tocá-la. Então peguei o tridente de seu bolso e pensei em ir pra enfermaria, checar Annabeth e Leo.
– Até a outra vida, Sir Lance Peter-Vorbastink.
Quando sai da sala dei de cara com Isabel, ela apontou uma espada pra mim, mas de repente largou a espada quando viu o Sir no fundo da sala.
– Lance?
Ela passou no meu lado, me ignorando e foi até ele. Ela se ajoelhou ao seu lado, pegou sua mão gélida e começou a chorar, percebi pela reação dela que eles eram mais do que amigos, eram namorados. Me virei e comecei e avancei pelo corredor tentando ignorar o choro e o sofrimento dela.
POV – Benjamin
– Então, – Disse Gutierrez, retirando a touca e revelando seus estranhos cabelos brancos – quem de vocês é conhecida como Amanda Evans, filha de Pax (Deusa romana da paz)? Ela está presente?
Ninguém respondeu. O cara gótico se aproximou de Gutierrez, sussurrou algo em seu ouvido e ambos olharam pra mim.
– Você é o Benjamin não é? – Perguntou ele.
– Sou, por que a pergunta albino?
– Nada, só queria agradecer seus serviços de espião, você fez muito bem nos mostrando a localização desse lugar. Poupou muito tempo nosso, agora podemos eliminar nossa única ameaça dessa guerra.
– Isso é verdade? – Perguntou Mary a mim, descrente – Você nos traiu?
Todos olharam pra mim incrédulos, menos Nico e Chloe. Gutierrez conseguiu, em poucas palavras, fazer com que todos os meus amigos ficassem contra mim.
– Não! É mentira.
– O que? – Disse ele, fingindo surpresa – Ainda vai negar? Não precisa ficar mentindo mais, já estamos aqui e você cumpriu sua parte no acordo. Você é um de nós! – Disse ele sorrindo, apontando pra mim.
– Que acordo? – Perguntou Dakota.
– Não caiam nessas mentiras!
– O acordo em que ele mostrava onde ficava essa instalação, em troca nos mostramos a ele como se tornar o verdadeiro Herdeiro e destruir os deuses olimpianos e matar todos vocês, que são um bando de covardes e fracos, segundo ele.
– Cala boca! – Gritei.
Não aguentava ouvir tantas mentiras, vários semideuses se afastaram de mim e apontaram suas armas em mim, Nico se manteve no meu lado e Chloe pegou a minha mão, do mesmo jeito que eu fiz para acalmá-la. E deu certo, eu estava a ponto de matar esse cara.
– Parece que seu autocontrole melhorou Benjamin, eu esperava que me atacasse. – Comentou ele – Então vou falar de outra coisa... talvez sobre a Tragédia na Pousada de Hermes, dois anos atrás? Você se lembra da Mia?
Foi a gota da água. Invoquei minhas espadas e o ataquei.
Ele desviou da minha investida, girando o corpo e me empurrou em seguida.
– Darius, – Disse ele, sorrindo – ninguém quer dizer quem é a Amanda, mas ela deve estar aqui, então se matarmos todo mundo o nosso trabalho estará garantido.
Darius sorriu pela primeira vez, revelando seus dentes tortos e amarelados. Ele parecia ter gostado da idéia de matar todos.
– Matar... Matar, Matar todos! – Disse ele, sua voz era rouca e desengonçada.
– Isso, mas ele... – Gutierrez apontou pra mim – ele é meu.
Na ponta de seu dedo um liquido preto começou a cair no chão (muito esquisito!) que começou a se mover por conta própria no chão, quando o liquido chegou na sombra de Gutierrez os olhos dele brilharam como brasas e, literalmente, uma onda de escuridão me envolveu.
Quando me dei por mim, estava numa área circular no meio da escuridão, mas era possível encher, tudo em preto e branco. Pensei que estava sozinho até olhei pra Gutierrez que sorria despreocupado, então ele tirou dos bolsos dois socos ingleses, eram cromados com espinhos de ferro na ponta. Ele os colocou e na parte de cima uma lamina expandiu pra cima e expandiu novamente pra frente, deixando a lamina mais grossa.
– Legal né? Eu vi esses cutelos na internet e mandei os Ciclopes fazerem dois pra mi...
– Onde estamos? – Perguntei, cortando o papo furado.
– No meu lugarinho particular, eu chamo de Breu, aqui ninguém virá salva-lo quando você começar a gritar e...
Eu o ataquei, interrompendo-o. Esse cara não calava a boca.
– Vamos ver quem vai gritar primeiro.
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