O Herdeiro da Ruina

4 Lembranças do passado – A Chegada


Notas iniciais
Como eu disse antes, os próximos capítulos vão ser flashbacks. Esse é o primeiro de três... E obrigado pelos reviews =)Bem, é isso. Boa leitura.

Nunca gostei de pesadelos, pois só tive isso nos últimos quatro anos.

Depois de desmaiar, sonhei quando estava em Detroit, no estado de Michigan, tinha quase 15 anos de idade.

Nos meses seguintes depois do meu primeiro confronto com Akhlys, procurei e pesquisei e em vários lugares sobre como quebrar a tal maldição que ela tinha me falado. Encontrei uma pista em Detroit, tinha boatos sobre que uma mulher estranha que morava lá, sobre ela ser especializada em magias e maldições.

Cheguei à cidade numa tarde de sábado, estava bem frio, a neve fina caia em todo lugar. Fui numa lanchonete e comprei um cachorro-quente e coca. Andei pelas ruas da cidade vendo a paisagem branca causada pela neve. Cheguei numa praça depois de andar alguns quarteirões, me sentei no banco gelado e fiquei pesquisando o mapa. Ouvi alguns ruídos das arvores atrás da mim, pareciam risadas. “Ninfas”, pensei. Estava tão distraído que de repente alguém me empurrou do banco e cai no chão.

Olhei e vi duas formas corpulentas de mochilas, vestidas com casacos e cachecóis, um deles disse:

– Ei você na nossa área moleque!

– Tudo bem, me desculpa já estou saindo. – digo me levantando.

O outro me empurrou de novo e disse sorrindo:

– Quem disse que pode ir?

O primeiro deu uma gargalhada, notei que seus dentes eram pontudos e grandes demais para uma pessoa normal.

– Vocês são monstros? – perguntei ainda no chão.

Ambos olharam para mim e sorriram.

– Sim, somos lestrigões e você é meu almoço. – Disse ele.

Um dos lestrigões tirou uma espada curva e grossa e preparou-se para me atacar, tentei me levantar, mas escorreguei no chão liso, não tinha como desviar. No momento em que ele ia me atacar ele se transformou numa nuvem de pó dourada, tanto eu quanto o outro lestrigão ficamos surpresos. Sou puxado pela perna e pendurado no ar, o lestrigão restante me perguntou zangado:

– O que você fez semideus? Como matou ele?

– Eu não fiz nada.

– Grrr... Eu vou devorá-lo agora!

Rapidamente invoquei minha pistola e dei tiros nele, ele me largou e recuou. “vou precisar mais do que uma pistola”, pensei. Levantei-me e invoquei minhas espadas, ele pagou a espada do outro lestrigão do chão e me atacou.

Trocamos golpes, ele era habilidoso, num momento de descuido eu consegui derrubá-lo no chão, mas ele pegou neve e jogou em meus olhos tirando minha atenção, deu tempo suficiente para que ele se levantar e me desarmar. Sua lâmina estava sendo pressionada no meu pescoço, tinha que pensar em algo, não podia invocar outra arma, nem o grifo se não perderia a cabeça. Foi então que duas flechas de bronze passaram zumbindo perto dos meus ouvidos e atravessaram seu peito. O lestrigão virou pó.

Olhei para trás e vi uma garota com um arco dourado na mão, era bonita com cabelos ondulados castanhos presos e olhos verdes brilhantes, usava um casaco preto e calça jeans, mas olhava de cara feia para mim.

Andei até ela e estendi a mão para cumprimentá-la, mas ela pegou minha mão, girou o corpo e puxou, fazendo um golpe de judô. Lá estava eu deitado no chão gelado de novo, ela colocou o pé em cima do meu peito e perguntou:

– Quem é você?

– Ben, quem é você?

– Não te interessa, por que provocou um grupo da Gangue dos Lestrigões?

– O que? Sei lá, eu só estava vendo o mapa. Sai de cima de mim!

– Não, o que você estava procurando no mapa?

– Eu... Não te interessa. – digo sorrindo. Ela deu um leve sorriso e disse:

– Vamos levante-se.

Levanto-me e perguntei:

– Posso perguntar seu nome?

– Mia Pierce, filha de Apolo. Você tem um lugar para ficar? Se não, vem comigo. – Mia prendeu o arco e avançou pela neblina, tive que correr para alcançá-la.

– Ok, mas... Por que esta me ajudando?

– Semideuses normalmente se ajudam, você é do acampamento?

– Não, estou indo para lá, mas tenho coisas para resolver aqui.

– Que coisas?

– Te que encontrar uma mulher aqui, ela mora perto do parque de Farwell Field.

– Você quer encontrar a Deusa? – perguntou Mia surpresa – Você é corajoso, mas ela não esta lá agora, está viajando. Volta em só em Julho.

– O que? Daqui a seis meses.

– Você tem azar.

Paramos em frente de uma casa grande e bem decorada para o natal.

– Essa é sua casa? Que legal.

– É ela serve como pousada para vários semideuses, chama-se Pousada de Hermes.

Entramos e ela me disse para eu ficar a vontade quando subia as escadas, me sentei no sofá e escutei um barulho na cozinha. Fiquei curioso e fui verificar. Tinha um cara de cabelos pretos e lisos pegando coisas na geladeira, queijo, presunto, salame, azeitonas e coca. Ele me viu e se assustou, derrubando tudo no chão.

– Droga! A Mia vai me matar! Ei você me ajuda aqui! – disse ele num tom baixo.

– Ok – Digo. Ele me olhou e disse:

– Você é novo aqui certo?

– Sou, a Mia me trouxe aqui.

– Ela te socou ou coisa parecida?

– Me deu um golpe de judô – digo. Ele riu e disse:

– Ela é assim mesmo com as pessoas que não conhece direito, mas depois ela vira um amor de pessoa. – Disse ele com uma careta, nós dois rimos.

Terminamos de juntar e limpar a comida espalhada no chão e fomos para a sala como se nada tivesse acontecido.

– Obrigado cara, meu nome é Richard Walker, filho de Hermes.

– Sou Benjamin.

Mia desce as escadas com roupas trocadas, com uma camiseta da banda Green Day e com os cabelos soltos. Ela fez as apresentações dos outros residentes da casa: Hector Vinici, garoto de pele morena filho de Demeter; Sarah LeForet, uma bela ruiva filha de Afrodite; Edward Bittow, cara alto e tinha porte de atleta filho de Nike e Richard Walker, cara magro filho de Hermes.

Todos se reuniram da mesa de jantar, o jantar estava sendo colocado na mesa por um sátiro, algo que achei estranho. Depois de comermos e nos conhecermos, Mia pergunta quanto tempo pretendo ficar na pousada.

– Acho que até a falar com a Deusa, se não se importa.

– Não tudo bem. – disse ela.

Depois da janta, Richard mostrou meu novo quarto, tinha uma cama, armário, um banheiro e uma porta que dava numa sacada. Ele me deixou lá e foi dormir, eu fiz o mesmo, deixei minhas coisas no canto da cama e me joguei na cama, tive meu primeiro sono tranquilo em anos.

Os dias seguintes foram bem traquilos, poucos monstros apareciam, Mia me disse que a casa é cercada por magia que deixa nosso “cheiro” quase indetectável. Eu e Mia ficamos muito amigos nas semanas seguintes, íamos a parques e outros lugares sempre juntos, ela me contou tudo que sabia sobre mitologia grega e sobre a Guerra dos Gigantes e sobre a Guerra dos Titãs que teve em Nova York alguns anos atrás.

Um novo sentimento crescia em mim, algo difícil de descrever, eu não a enxergava mais como um amiga, era mais do que isso, quando eu a via meu coração batia mais rápido, minhas mãos suavam e ficava nervoso e meio gago. Seu sorriso, seu olhar, seu jeito de ser me fazia esquecer todos os meus problemas. Eu estava apaixonado por ela.

Com a chegada da primavera, a neve desaparecia e as flores brotavam no jardim da casa. Mia convidou todos os residentes para fazermos um piquenique em Palmer Park, podia ser perigoso, mas todos concordaram. Nós levamos sanduíches, suco, frutas, ou seja, uma cesta de piquenique completa. O Sol estava radiante no céu, as flores floresciam e a grama estava num tom verde belíssimo, escolhemos um lugar perto de uma sombra de arvore.

– Ben coloque as coisas aqui – disse ela.

– C-Certo – digo gaguejando.

Ela sorriu e foi ajudar Richard com as bebidas. Passamos a tarde aproveitando o dia, conversamos, comemos e rimos. Richard logo ficou com sono e dormiu, Sarah e Edward deram uma escapadinha (se é que você me entende) e Hector ficou jogando Plants VS Zombies 2 em seu celular, então Mia e eu decidimos caminhar até o lago, sentamos na beira e começamos a alimentar os patos.

– Ben, você... Quer vir para o acampamento comigo? – perguntou ela jogando o pão para os patos.

– E-Eu? – perguntei surpreso (e gaguejando).

Ela sorriu e depois disse:

– É você, depois que resolver seus assuntos com a deusa. Daí nós podíamos... – ela se interrompeu, notei que ficou corada. – Em vez de você ir embora...

– Nós o que?

Ela ficou ainda mais corada. Ninfas do lago pararam de nadar para ficarem prestando atenção da conversa, elas cochichavam e sorriam para nós. Tomei coragem e decidi continuar a conversa, coloquei minha mão na dela e apertei.

– Eu iria para qualquer lugar com você – Digo me virando para ela, fiquei olhando seus olhos cor verde-lima. – Qualquer lugar para... Ficar no seu lado – repeti me aproximando dela.

Uma brisa ventava sobre nós, ajeitei a mecha de seu cabelo castanhos para trás da orelha, me aproximei novamente e a beijei. Foi uma sensação incrível, eu já tinha beijado uma garota em Saint Louis, mas a sensação foi totalmente diferente, minha mente parecia que ia desligar.

De volta a pousada, o boato sobre Mia e eu já havia se espalhado até a hora do jantar, muitas risadas e cochichos enfeitaram a mesa de jantar, até o sátiro de nome Barry, me deu uma piscadinha de confiança. Os residentes foram dormir mais cedo naquela noite (mentira!) e deixaram Mia e eu para lavar os pratos.

– Mia – chamei.

– O que foi? Não consegue lavar o espremedor de batata?

Olhei para o espremedor com aquelas centenas de buraquinhos sujos.

– Isso também, mas não é o que eu quero falar. Eu... você sabe... eu e você irmos sair para algum lugar... sei lá... no final de semana... er... se você quiser é claro...

Fui interrompido pelos risos de Mia.

– Nossa você é péssimo nisso. – Disse ela rindo.

– Valeu – Digo com desdém. – É difícil dizer isso para algum que você gosta!

Ela se calou e corou levemente. “Ai Caramba”,pensei logo após perceber o que tinha dito, nós dois ficamos nos encarando sem dizer nada. Até que ela passou o dedo cheio de sabão no meu nariz e fiquei com um nariz de palhaço de sabão.

– Isso era necessário? – perguntei limpando o rosto, ela começou a rir e me deu um beijo repentino.

– Era, era sim. – e me abraçou e me beijou novamente. Notei os outros residentes espiando pelo vão da porta, mas eu nem liguei.

Terminamos de lavar a louça e fomos assistir TV, passava um filme de terror sobre um cara amaldiçoado por um espírito. “Que ironia”, pensei. Assistimos ao filme abraçados de baixo da coberta, ela dormiu no meio do filme, eu dormi logo em seguida.

Notas finais
Então gostaram? Admito que fiquei satisfeito com o final, mas e vocês?Valeu por lerem e não esqueçam dos reviews!P.S. - Vou estar ocupado nos próximos dias, então capitulo novo só em 3 dias. :3