O Herdeiro da Ruina

29 A sereia, o morcego e o Herdeiro


Notas iniciais
Capitulo chegou mais cedo que o anterior.. Aeeee! (~silencio) Certo, ah, esse capitulo é pra vc Yanka que comenta sempre (s2) e para os atuais e novos leitores que ainda não deram sinal de vida.. é, eu sei que vocês estão aí, mandem sua opinião nos comentários e/ou um "oi", blz? Boa leitura pessoal

POV — Benjamin

A coisa mais difícil de fazer para viajar ao Mar de Monstros é encontrar alguém louco o suficiente para guiar dois semideuses com péssima fama, um filho de Hades e o Herdeiro que vai destruir os Olimpianos. Acredite, tivemos que ameaçar uma sereia com um morcego místico feioso para conseguir um, isso tudo em apenas um dia, que começou quando chegamos em Miami.

O Sol estava nascendo no horizonte, o que era um alivio. A noite anterior tinha sido muito longa, mas eu não me sentia cansado, pelo contrario, estava mais disposto do que nunca. Nico ainda estava meio irritado pela burrice dele ou por eu não ter sido muito claro quanto ao bilhete... Talvez seja a primeira opção.

– Nico, você sabe como vamos chegar no Mar de Monstros?

– Na verdade, não. Percy me disse que ele já foi até lá uma vez, mas ele teve ajuda dos deuses e não podemos contar com isso, teremos que nos virar.

– Maravilha.

Andamos pela calçada com ruas lotadas de carros e cercado por enormes arranha-céus, parecia um pequeno inferno. Eu queria sair logo desse lugar. Avançamos mais algumas quadras até chegarmos numa avenida que dava de frente para as areias brancas de Miami Beach.

– Nossa, que praia bonita. – Comentei.

– É... – Respondeu Nico, olhando para horizonte.

– Aposto que você está imaginando a Amanda de biquíni. – Digo sorrindo.

– Cala a boca!

Depois de uma hora na praia eu finalmente digo:

– Ah, quer saber? Eu vou dar um mergulho.

– Vai nessa, eu vou continuar até o pier. Eu vou comprar comida.

Assenti e tirei a camiseta, troquei minha calça jeans por uma bermuda que tinha conseguido mais cedo. Comecei a correr pela areia escaldante até as ondas me atingirem. Eu olhei em volta e vi que algumas pessoas me encaravam, “Droga, eu me esqueci...”, pensei. As minhas costas havia três cortes paralelos cicatrizados que iam do topo do meu ombro até a lombar, foi o presente do meu primeiro encontro com Akhlys em Dallas. Na época, eu não tinha ambrosia ou néctar para a cicatrização, apenas a boa e velha medicina comum.

– Tá olhando o que? – Digo para o senhor no meu lado, ele virou o rosto e foi em direção a praia.

Eu comecei a nadar até chegar num ponto onde meu pé não alcançava mais a terra, em seguida eu deitei na água e fiquei boiando e olhando pro céu azul com poucas nuvens, elas por alguma razão me lembravam a Mia. Deuses, como eu sentia falta dela, mas logo Chloe veio a minha mente... as garotas da minha vida. As duas garotas que não podia chegar perto.

A água ao meu redor começou a ficar agitada, olhei para costa e vi que ela estava muito longe, eu estava quase em mar aberto.

– Que droga!

A água em minha volta parecia estar me levando para mais longe da costa. Aquilo não era natural. Senti alguém atrás de mim, eu me virei lentamente e vi alguém que eu já esperava.

– Poseidon...

– Olá Herdeiro. – Disse ele.

Poseidon estava sentado em cima da uma tartaruga enorme, ele vestia uma camiseta havaiana e bermuda. Sua barba estava bem aparada e seus olhos azuis demonstravam sua seriedade.

– Que surpresa. – Digo com desdém.

– Herdeiro, eu quero te dizer algumas palavras.

– Deixa eu adivinhar. “Eu vou te matar!” ou “Você em meus domínios, por isso vou te afogar!” ou “Boa sorte contra os tubarões!”... É algo parecido com isso?

Poseidon sorriu.

– Não, mas bem que eu gostaria. Eu vim a pedido de Percy. – Uma tartaruga surgiu embaixo de mim, me tirando da água. Eu sentei no casco dela e Poseidon continuou: – Ele me contou que você quer ir ao Mar de Monstros e me pediu para ajudá-los.

– Você vai nos guiar pelo Mar de Monstros?

– Claro que não! Eu vou dar os meios, o resto é com vocês. – Ele tirou uma espécie de gaiola da água e joga pra mim – Vocês vão precisar disso.

– Os outros deuses não vão ficar zangados com você por me ajudar?

– Não, pois todos concordam que o Mar de Monstros vai ser um ótimo modo de nos livrarmos de você. Lá é cheio de perigos, com certeza vai ser um lugar cheio de desafios. – Ele apontou pra costa – Sua ajuda está na praia. Ela é um ser muito antigo e conhece muito bem aquelas águas, mas vocês vão ter que convencê-la para ajudá-los. – A tartaruga começou a me levar até a praia – Ah! Ela também não gosta de semideuses, não estranhe se ela tentar te matar!

“Isso tá ficando cada vez mais comum”, pensei.

POV — Nico

Benjamin ainda estava no mar quando cheguei ao píer. Encontrei um carrinho de cachorro quente e comprei um. Não comprei para o Benjamin, pois, bem, eu simplesmente eu não queria. Andei pelo píer que estava cheio de turistas, eles tiravam fotos com poses estranhas e mais para o final do píer havia alguns pescadores tentando a sorte.

Avancei mais uns metros e vi sobre um banco de madeira bicho muito estranho. Ele lembrava vagamente um morcego, só com algumas diferenças. Era bem maior e gordo, tinha quatro patas e unhas como anzóis, ele tinha penas negras pelo corpo e vermelhas na cabeça. Seus olhos eram dois círculos amarelos e opacos, tinha um bico enorme e longo e asas de morcego. Depois de vê-lo bem, eu me perguntei por que eu relacionei essa coisa com um morcego.

O pequeno monstro me encarou por alguns instantes e grasnou de uma forma estridente pela pequena abertura que era sua boca. Então levantou voo e foi para embaixo do píer, desaparecendo em seguida.

Eu andei até a beira do píer, olhei para baixo e só conseguia ver as ondas arrebentando nas colunas de sustentação. Olhei em volta e a maioria das pessoas que estavam no píer tinha ido embora.

– Ei, Senhor. – Abordei um senhor de meia idade que passava perto de mim. – O que está acontecendo?

– O píer vai fechar para reforma.

– Mas ainda está de dia, e os turistas?

– Eu não sei, só sei que minha amada quer ficar sozinha... para a reforma. – Eu o olhei mais atentamente e ele tinha olhos vidrados, mas sua expressão era de alguém apaixonado incondicionalmente.

– Essa sua amada, onde ela está?

Ele me encarou por alguns instantes.

– Você quer conhecer minha amada? Quer roubá-la de mim? – Ele me agarrou pelos ombros e começou a gritar – Eu não vou deixar você roubar minha amada! Ela me ama e eu a amo! Você não vai... eu vou... ela é minha!

Todos ao nosso redor ignoravam a gritaria. Estranhamente, havia apenas homens no píer. Tentei me livrar do homem, mas ele apertava meus braços com muita força, então como ultimo recurso, dei um chute no saco do sujeito. É... eu sei que um homem fazer isso com outro homem é desumano, mas não tinha jeito, ele era mais forte que eu – fisicamente, claro – e era um humano comum, ou seja, não podia usar poderes nele. Mas graças ao chute ele me soltou meus braços para segurar seu “brinquedo quebrado”. Usei essa oportunidade para tentar sair do píer, mas quando cheguei perto da calçada eu bati de cara em alguma coisa.

– O que? – Eu toquei algo na minha frente que parecia uma barreira invisível. Eu estava preso e a barreira parecia mágica.

Mas por que tinha isso em Miami no meio do dia? Poderia ser alguma feiticeira antiga? Eu tinha que investigar mais. Segui pelo lado contrário e tentando evitar os outros homens, fazer isso era simples, era só não olhar pra cara deles e dizer: “Eu vou pegar a sua amada! Ha ha”.

Mais a frente tinha um pequeno aglomerado de homens olhando para o mesmo ponto. No meu ponto de visão eu não conseguir ver o que era então fui até eles, depois abri caminho pelo grupo e dei de cara com uma bela mulher. Quando eu a vi logo descobri o porquê de tudo.

Ela era uma sereia. Cabelos loiros bem penteados e olhos azul do tom do oceano, lábios carnudos e ela vestia uma camisa branca e alguns jóias nas mãos. Sua calda de peixe era esverdeada com escamas brilhantes, que fazia a cor da cauda mudar com o reflexo da luz. Ela tinha tudo para ser bela e apaixonante, mas ela não era jovem como outras sereias. Parecia ser uma mulher de meia idade, com algumas rugas visíveis nos olhos.

Ah, e ela estava muito bêbada.

– Uma sereia velha? – Digo pra mim mesmo.

– Do que me chamou garota? – Disse ela apontando pra mim, bom, pelo menos tentando.

Eu a encarei por alguns instantes e retruquei:

– Eu sou um garoto.

Ela estreitou os olhos.

– Com o cabelo jogado de lado desse jeito? Minha amiga usa o cabelo assim.

Passei a mão no cabelo e o deixei espalhado. Maldito vento.

Ela fez um gesto com as mãos e os homens no meu lado me seguraram para eu não fugir.

– Por que está atacando no meio do dia e ainda mais numa praia? Seu lugar é no mar, velhinha. – Ela me fuzilou com os olhos – Eu nunca vi uma sereia na idade, pensei que vocês não envelheciam.

– Ah, nós envelhecemos sim, é apenas de uma forma muito, mais muito lenta. E também a maioria das sereias são serviçais de Poseidon, por isso não envelhecem, mas aquelas que não servem... – Ela passa a mão no cabelo – são mortas por semideuses. Eu sobrevivi e envelheci. Essa é minha historia.

– É, mas está na ora de aposentar, não?

Com um pequeno movimento com os dedos, eu invoquei alguns mortos vivos secretamente. Provavelmente eles iriam sair do fundo mar, assim conseguiria fazer um ataque surpresa. E também me perguntava onde diabos estava o Benjamin, pois essa sereia, alem de velha é com certeza antiga, alem de saber usar magia. Eu precisaria mais que alguns esqueletos para acabar com ela.

– Eu já aposentei, não mato humanos faz alguns meses.

Eu olhei pelos homens ao meu lado e depois a encarei. Com certeza algum deles iria se tornar lanchinho dela.

– Por que eu não consigo acreditar em você?

– Esses humanos não são pra mim, são para o meu bichinho de estimação. Ele come muito.

Ela assovia bem alto e escuto um sibilo familiar como resposta. Instantes depois um monstro sai de baixo do píer e pousa ao lado dela. Era o mesmo monstro feioso de antes, que se parecia com um morcego.

Eu olhei para o bico do bicho.

– Ele não parece ser do tipo que come carne humana.

– E não é. – O bicho avançou contra um dos homens no meu lado, ele enfia seu bico bem na artéria do pescoço – Ele bebe sangue, é o meu vampirinho. – Disse ela com um sorriso.

Em poucos segundos, o homem já tinha um tom de pele de um morto. Mas ainda respirava, ele estava angustiando, esperando a morte. O bicho finalmente retira o bico, ele não parecia satisfeito, então ele olha para o seu próximo. Eu.

– Merda.

Estava na hora. Fiz um sinal com os esqueletos guerreiros saíram da água e subiram no píer. Eles atacaram e nocautearam os homens, logo todos estavam imobilizados e a sereia cercada. Eu saquei minha espada e apontei para ela. Mas ela sorri.

– Uma espada de ferro estígio? Você é Nico di Angelo. Eu não esperava que fosse você, achei que você fosse mais alto.

– É, não sou.

– Você está cometendo um grande erro, vocês semideuses estão cada vez mais idiotas.

Ela olhou para mim e então começou a cantar. Pois é, não tinha pensado nisso. Logo a musica começou a ecoar na minha cabeça, ela era linda. Era como uma espécie de hipnose e eu estava caindo direitinho.

Meus braços começaram a se mover involuntariamente, logo eu estava apontando minha própria espada para minha garganta. Pouco a pouco a lâmina se aproximava até que tocou minha pele e a lâmina fria começou a cortar minha carne lentamente. Era muito doloroso. Ela queria que eu sofresse e estava conseguindo.

– Ei sua velha. Que tal você parar com isso antes que eu arranque esse rabo de peixe fedido do seu corpo e de para os tubarões? – Disse Benjamin, ele estava na beirada do píer, todo molhado e com uma cara feia. Ele tinha conseguido capturar o monstro quando ela se divertia me torturando.

Quando ela o viu, o medo ficou estampado em seu rosto.

– Me devolva minha estrige! – A lâmina saiu da minha garganta e eu a apontei na direção do Ben – Mate-o. – Ordenou a mim e eu obedeci.

Eu mandei todos os nove esqueletos atacaram Benjamin, que invocou sua lança e em apenas um golpe, pulverizou cinco deles. Depois girou o corpo e atacou na altura do joelho decepando uma parte da perna, assim um dos esqueletos no chão, então apenas ele deu uma pisada no crânio do mesmo pra destruí-lo. Os dois esqueletos restantes atacaram ao mesmo tempo, Ben desviou de um e enfiou os dedos dentro das orbitas oculares do outro e puxou para sua frente, servindo de escudo contra o segundo ataque do outro esqueleto. O esqueleto que serviu de escudo atacou com sua espada, mas Ben recua antes de ser atingido.

Benjamin estava apenas se divertindo, sua expressão era no mínimo de satisfação. Ele brandiu sabiamente a lança conseguindo desarmar dos dois esqueletos, então quando perfurou o corpo de um com a arma, o outro esqueleto tenta agarrá-lo, mas Ben o evita com um chute. Ele puxa a lança, a gira no ar e destrói o crânio do esqueleto que desaba no chão. Então, para finalizar o ultimo, ele destruiu o fêmur dele, isso fez o ultimo esqueleto rastejar até o Benjamin, tentando agarrá-lo, mas Ben apenas cravou sua lança em sua nuca, que desapareceu numa poeira negra.

– Foi divertido, mas eu realmente não quero matar você sereia. Pelo contrario, quero um favor, quero que você guie eu e Nico no Mar de Monstros até Atlântida.

Ela começou a rir.

– Isso é alguma piada?

– Bem que eu gostaria, sabe. Mas Poseidon me disse que você pode me ajudar. Em troca eu deixo você viver e seu bichinho feio também.

– Garoto tolo! Eu apenas irei hipnotizá-lo e você será a comida da minha Estrige. – O monstro sibilou.

Ela começa a cantar sua bela melodia, mas Benjamin não tem nenhuma reação, ele apenas avança na direção dela. O desespero ficava evidente nos olhos dela, Benjamin era imune aos seus encantos.

– É impossível controlar a Morte. – Disse ele, sorrindo.

Por alguma razão o controle sobre mim se desfez. Ela tinha desistido.

– Nós temos um trato? – Perguntou ele.

Ela o olhou como se estivesse olhando um monstro maligno ou um deus, um olhar de submissão.

– Se minha estrige não for ferida, nós temos um trato.

Notas finais
O final do capitulo do ter sido um pouco forçado, mas é, tava meio grande... e também estou sem previsão para o proximo... talvez em duas semanas.. valeu