O Herdeiro Malfoy
7 Capítulo 7 - Confuso
Notas iniciais
Draco estava confuso.
Ele não conseguia deixar de pensar em um certo dia no qual ele havia arrancado das mãos de Hermione um dos livros muggles que ela lia incessantemente e pronunciou em voz alta um parágrafo aleatório. Se tratava de uma menina que tinha a aura tomada por sombras, completamente escura. Draco sabia que se ele fosse crédulo e acreditasse em coisas como estas, certamente e sua aura se encontraria no mesmo estado.
Respirando fundo refletiu sobre suas últimas atitudes. De certo modo, suas escolhas assustavam-no e ele temia ir pelo mesmo caminho novamente. No St. Mungus, Draco recebeu acompanhamento por uma psicóloga que tentou reestabelecer o melhor possível o seu emocional.
No mundo mágico, os psicólogos ainda eram vistos com desconfiança. Após a guerra, Hermione Granger sugerira a Harry Potter que alguns Medibruxos entrassem em contato com esses profissionais do mundo muggle. Foi uma das melhores ideias na opinião de Draco. Ele não confiava nas pessoas em geral seus pensamentos e, claramente, não diria a uma estranha o que tinha em seu íntimo, entretanto, foi uma experiência boa ter alguém imparcial apenas escutando.
Na primeira meia hora em que a psicóloga estava no quarto hospitalar, Draco não dialogou muito, mas, quando percebeu que, se não falasse, aquilo só se prolongaria, ele se permitiu contar mais do que o usual e, no final, ficou minimamente feliz por ter feito aquilo.
Ele ainda não se sentia inteiramente recuperado apesar das poções, as marcas ainda doíam e estavam tomando um aspecto verde-amarelado. Parado na frente do espelho, ele passou as mãos pelo pescoço e suspirou.
Zabini auxiliando-o aqueles tempos era algo... bom. Draco gostava de rever Blás e, o mais importante, ter o conhecimento de que alguém, ainda mais um alguém que ele realmente apreciava como amigo, estava lá por ele era indescritível.
Draco ainda não tinha certeza do que faria com sua vida. Não podia negar que as cordas que estavam caídas no escritório do pai ainda exerciam um efeito convidativo sobre ele. Ele balançou a cabeça parar tirar esses pensamentos de sua mente.
—Você precisa melhorar –Disse a si mesmo.
Ele ainda não tinha certeza de no que exatamente precisava melhorar, talvez em tudo. Decidiu dar passos lentos. Começaria reestabelecendo sua própria casa. Com o passar do tempo, a mansão que antes presenciou bailes da alta sociedade, elfos as dezenas trabalhando, agora era mais uma casa para o mofo e os cupins – e alguns gnomos de jardim.
Havia amanhecido e Draco decidiu descer para o café. Blásio já havia preparado a mesa em um canto da cozinha, um dos únicos minimamente higienizado. Blásio, todavia, estava na sala de estar com o rosto próximo à lareira, ele conversava com outras duas vozes.
—... se você não sair desse lugar por conta própria nós iremos buscar-lhe –Uma voz masculina ameaçava.
—Por favor, filho, volte para casa. Já há rumores. Nós estamos preocupados que alguém tente algo contra você, digo, vocês -Outra voz, essa mais desesperada parecia implorar.
—Vocês dois não ousem vir até aqui para me buscar, se decidirem prestar a Draco uma visita, que seja para ver se ele precisa de algo. E aliás, nosso nome já está arruinado há muito tempo. Espero que fiquem bem.
Blásio deu a conversa por encerrada e virou-se de costas para a lareira. Infelizmente, ele não previu a chegada silenciosa de Draco e ainda mais que ele fosse parar no batente da porta e ouvir a conversa.
—Quanto você ouviu? -Perguntou Blás.
—O suficiente para saber que você não deveria estar aqui. Volte para casa Blás, seu pai está certo, estar associado ao nome Malfoy não traz nada de bom.
—Não me venha com essas merdas, Draco, nós dois sabemos, como você bem ouviu, que Zabini também não está em alta no mercado atualmente.
—Mas está sendo mais prezado que Malfoy, com toda certeza.
—Você não sai de casa há muito tempo, o que é que você sabe? -Blás brincou.
Draco não pôde evitar levantar um dos cantos da boca. Limitou-se a um dar de ombros.
—O café está servido, vamos –Disse Blásio.
—Você chama aquilo de café? -Falou Draco.
—É isso ou voltar para os braços do St. Mungus.
Draco resmungou mas tomou seu café sem discutir mais.
—Eu queria poder respeitar seu espaço, cara, mas eu não consigo, como você está se sentindo? -Perguntou Blásio.
Malfoy engoliu o que tinha na boca e pensou antes de responder.
—Ainda não estou bem – o menino na sua frente arregalou os olhos preocupado e pareceu segurar a respiração -, porém, estou melhor do que antes. É difícil explicar. O que eu fiz me assusta e ao mesmo tempo me faz querer terminar o que comecei. Isso me deixa muito confuso. Eu pensei bastante nas coisas que você e Granger me disseram. Tentar me matar foi mais covardia do que qualquer outra coisa, eu via como heroísmo. Ficar longe da bebida também não está sendo muito fácil.
Blásio não sabia como digerir aquilo por inteiro, sua comida estava abandonada no prato há uns bons minutos. Draco olhava por baixo de seus cílios com seus olhos cinzentos e Zabini não conseguia ter certeza o que ele estava esperando como resposta.
—Não tem pressa para você tomar uma decisão, eu vou ficar aqui com você até quando você precisar de mim.
Draco assentiu e voltou a comer. Ambos passaram o resto da tarde consertando o telhado, ora manualmente, ora magicamente, ambos não tinham a menor vontade de apressar a reconstrução da casa. Blásio tinha em mente que uma vez que a reorganização da casa terminasse, ele provavelmente teria que voltar a morar com seus pais e não teria mais um motivo para manter a proximidade com Draco, mas pelo menos o amigo estava melhor.
Enquanto isso, Hermione estava em uma férrea discussão com Harry e Rony.
Fale com o autor