O Herdeiro
18 Eu vou cuidar da minha família
Notas iniciais
Houve um grande silêncio na sala. John ainda encarava a tela pensando em como tudo tinha chegado a esse ponto. O filho do seu melhor amigo estava correndo perigo na mão de um psicopata. John não podia imaginar como Sherlock resolveria aquela situação. Pensou em Olivia, em como amava a sua menininha e o quanto seria capaz de tudo para protegê-la.
John se virou e olhou então para Molly e Sherlock. A morena estava arrasada. Parecia que tinha envelhecido 20 anos em apenas 5 minutos. O rosto desesperado estava encharcado pelas lágrimas e Sherlock ao seu lado era um Sherlock sem reação. Estava branco, mais do que o costume. Os dois ainda estavam de mãos dadas, encarando a TV.
– Sherlock – John falou tentando fazer sua voz parecer firme. Não obteve resposta. – SHERLOCK! – Ele falou, dessa vez quase gritando. Depois de uns 5 segundos, Sherlock pareceu ter voltado a Terra. – Precisamos de um plano.
– Er..Eu..- Sherlock tentou dizer alguma coisa mas as palavras pareciam não querer sair. Soltou a mão de Molly e passou as mãos pelo cabelo. John só tinha visto o olhar dele assim uma vez. Naquele vagão do metrô, há uns 5 anos atrás. O olhar de Sherlock quando ele não sabia o que fazer. Sherlock não tinha um plano.
Aquilo fez John começar a tremer. Precisavam fazer alguma coisa e rápido. Will. O pequeno Will estava em perigo.
De súbito, John percebeu o que tudo aquilo significava para o amigo. Sherlock tinha recentemente descoberto que era pai e estava começando a ter a chance de se aproximar do seu filho, e agora, seu filho estava sendo ameaçado de morte. Perder Molly tinha devastado Sherlock, John se lembrava muito bem disso. Um frio percorreu a espinha dele. Se Sherlock perdesse Will, John não podia nem imaginar como seria.
***
O tempo passava, mas ali no flat em Baker Street, parecia que as horas tinham entrado em câmera lenta.
Molly tinha tomado uma água com açúcar que a Sra. Hudson tinha trago. Ambas estavam uma pilha de nervos. A TV ainda estava ligada no canal da notícia que agora exibia a figura de uma loira num terninho bege e que falava sem parar. A imagem de William pendurado tinha sumido.
Molly não estava mais agüentando ficar ali, parada, tomando água enquanto seu filho era torturado na mão de um psicopata. Ela tinha que fazer alguma coisa, era o seu papel de mãe. Olhou para Sherlock.
Ele estava sentado de frente para John na poltrona. As mãos juntas como se tivesse orando. Mas Molly sabia que ele não estava fazendo isso. Sherlock estava de olhos fechados, pensando, perdido no seu palácio mental. Ali estava exatamente o Sherlock que ela deixara em Londres há 5 anos atrás.
De repente, Molly viu a porta do flat se abrir. A figura que entrou a surpreendeu:
– Mycroft? O que faz aqui? – Ela perguntou surpresa. Não estava a fim de agüentar mais nenhum Holmes, principalmente Esse Holmes.
– Assim que soube vim correndo para cá. – Mycroft começou a dizer. Molly observou que ele estava diferente. Trazia um olhar sério como sempre, mas parecia estar...desesperado. Pela primeira vez, Mycroft parecia estar sendo atormentado por um problema gigante, que estava lhe tirando o sono e o deixando preocupado. – Recebi isso pelo correio. – Ele levantou um envelope amarelo.
Sherlock agora estava em pé, de frente para o irmão. Os olhos estavam mais azuis do que nunca. Estavam fervendo de raiva, Molly podia sentir.
Sherlock pegou o envelope e abriu. Um CD. Analisou rapidamente o envelope, como ele sempre fazia com alguma encomenda, e colocou o disco para reproduzir.
Um cenário infantil apareceu. A música conhecida tocava. Stayin Alive. De repente a figura de Jack apareceu na tela. Estava com um sorriso enorme monstruoso e sarcástico. Com um olhar divertido, começou dizer:
“Olá Sherlock Holmes. Sentiu minha falta? Quero dizer, a falta de um Moriarty. Na verdade eu acho que você não sentiu não. Estava ocupado brincando de casinha, certo? Aposto que sua esposinha está aí com você, junto com seu amigo Watson. A família perfeita. Família era uma coisa que EU costumava ter. Mas então você tirou isso de mim. – O sorriso sumiu.
– Você realmente achou Molly Hooper que tinha conseguido um emprego tão fácil assim? Tão frágil e inocente. Só precisei fazer algumas ligações para você voltar correndo para Londres onde eu poderia te aproximar de Sherlock novamente. Você não me deixou outra escolha Sherlock. Meu irmão..., você sabe que Moriarty era meu irmão certo? – O sorriso voltou a aparecer.
– Meu amado irmão, que foi morto, por você Sherlock. Você – ele começou a dizer mais devagar– tirou uma das coisas mais importantes pra mim. – De repente Jack desapareceu da tela. Quando voltou estava com Will. William tinha uma fita na boca, o impedindo de falar e o rosto estava completamente molhado com lágrimas. Molly levou as mãos ao rosto quando viu aquela cena.
– Meus planos envolviam torturar a sua esposinha, mas aí ela voltou com algo muito melhor. – O sorriso tinha voltado. Will chorava desesperado. – Ela voltou com seu filho Sherlock. Dá pra acreditar? Sherlock papai? – Jack soltou uma risada estridente. – Aposto que agora ele é a coisa mais importante para você, certo Sherlock?
Jack tinha se aproximado da tela, agora com um olhar desafiador. Sherlock estava imóvel, absorvendo cada uma daquelas palavras. – Espero que você tenha aproveitado bem os dias ao lado do seu pequeno filhinho, porque agora – Jack disse com uma cara má – EU VOU ACABAR COM VOCÊ, ou melhor, ACABAR COM ELE!”– Disse as últimas frases gritando de ódio, enquanto sacudia William.
De repente a tela ficou preta.
Jack tinha sumido.
E William tinha sido levado junto.
Molly estava em prantos. Sra. Hudson tentava a consolar, mas era inútil. Molly estava desesperada e isso não somente pelo fato do seu filho ter sido levado por um psicopata, mas principalmente por Sherlock não saber o que fazer.
Então Sherlock se virou deixando de encarar a TV. Parecia que tinha ouvido os pensamentos de Molly. Os olhos demonstravam raiva e algumas lágrimas molhavam o rosto dele. Mycroft também estava desesperado. De um jeito mais discreto, mas era possível ver que o seu mundo estava abalado.
Ao se aproximar, Sherlock apenas abraçou Molly e sussurrou no ouvido dela:
– Eu vou cuidar da nossa família Molls. Custe o que custar.
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