O Herói do Olimpo
18 Saio do Tártaro
Notas iniciais
“Um gritou soou por toda a floresta. Sangue jorrava constantemente do corpo de Annabeth. Seus colegas permaneciam paralisados em frente a um grande exército de monstros. Todos eles tinham o mesmo olhar, como se todos os pensamentos estivessem sincronizados e todos eles soubessem que ali era o fim.
Uma gargalhada preencheu todo o silêncio que havia se preenchido após o grito.
–Vê isto, Percy Jackson? É isso o que vai acontecer com todos os seus amigos, e somente você pode impedir. Se alie a mim, semideus, e prometo não arrancar uma gota de sangue de qualquer meio-sangue. – Disse Gaia surgindo da terra.
–Não! – Eu negava constantemente.
–Triste. Tanto poder desperdiçado. Cronos foi um tolo, não conseguir derrotar um mero semideus, mas eu não cometerei esse erro, prepare-se.”
Acordei suando frio e gritando. Olhei atentamente para todos os lados, e logo me lembrei que eu não estava no meu aconchegante chalé três, mas sim no famoso tártaro, o qual eu já mandara um zilhão de criaturas.
Pensei na sorte que tive em somente encontrar 2 monstros que já “matei”. Me imaginei lutando com cada criatura que eu já havia banido pro tártaro. Não seria nada legal encontrar todos eles, principalmente alguns que mantinham uma raiva descomunal sobre mim.
Peguei minha mochila e me certifiquei que não havia ninguém naquela caverna. Retirei Anaklusmos do bolso e a destampei, somente pela luz que ela me garantia.
Saí da caverna cautelosamente. Eu ainda estava em dúvidas sobre o porquê de poucos monstros terem me atacado. Afinal, eu estava no tártaro, e as hipóteses que eu havia feito eram somente hipóteses, nada concreto.
Peguei o mapa e o analisei. Havia uma vasta área negra desenhado nele. Nix não me dera nenhuma informação sobre ele, somente me mostrara a onde ficava à saída. Torci para que essa área não fosse algo tão ruim.
Continuei o longo caminho até a saída. Murmúrios eram ouvidos constantemente, assim como gritos de lamentação e algum barulho que eu não consegui identificar o que era, somente sabia que não era algo muito legal.
O que é legal no tártaro? Absolutamente nada.
Uma parte do meu cérebro trabalhava em encontrar a saída desse lugar, enquanto a outra vagava por todas as minhas ótimas lembranças. Esse era um dos jeitos que eu havia encontrado para sobreviver. O outro era pensar em como eu iria espancar Harry, até ver que não valia mais a pena machucar as mãos.
Alguns monstros pequenos olhavam para mim com um certo medo. Eu não sabia bem o porquê, já que a “tarefa” deles era matar semideuses. Provavelmente estivessem surpresos demais por um semideus estar no tártaro, ou talvez nem acreditassem que era um semideus e assim não me atacavam.
Eu ainda pensava sobre a “luta” contra Cronos. As palavras de Porfírion ainda circulavam a minha cabeça, “ele tomou o controle dos poderes do titã”, isso não havia sentido, como eu iria ficar com os poderes de Cronos? Mas de tantas coisas sem logica que aconteceram comigo, eu aprendi a não duvidar de mais nada nesse mundo.
A voz de Gaia me atormentava constantemente, junto ao grito de Annabeth, o qual eu tinha certeza que me perturbaria para o resto da vida. Se Gaia fizesse algum mal a ela, eu não a perdoaria, eu iria até o tártaro (estou brincando com a minha própria condição, é, eu sei, isso não é muito legal.) caça-la.
Suspirei ao pensar que minha vida já era o ruim o bastante por ter de lutar com Cronos. Ter de que, provavelmente lutar contra Gaia no tártaro era muito pior.
Um estrondo me tirou de meus devaneios. Eu provavelmente já estava na área demarcada com preto, então já me preparei para o pior.
Olhei para a minha frente. Uma mulher, olhos verdes, cabelo castanho, roupa feita de terra, eu acho, estava com uma adaga apontada diretamente para o pescoço de alguém. Demorei alguns segundos para notar que esse alguém era Annabeth.
A mulher desferiu um golpe em cima da cabeça de Annabeth.
Não, Percy, é somente um ilusão. Isso não é real, Annabeth está bem, no Acampamento Meio-Sangue, treinando com Thalia, Nico, todos que você ama. ISSO NÃO É REAL. Dizia uma voz em minha cabeça.
Minha cabeça estava a um milhão. Não conseguia assimilar uma coisa com a outra. A raiva lutava contra a razão, as duas tentando tomar o controle do meu corpo, mas nenhuma das duas ganhava.
A mulher e o corpo de Annabeth foram se dissolvendo. A mulher antes de se dissolver deu um grito estridente, que perfurou todo o meu tímpano, me deixando temporariamente surdo.
Foi angustiante não ouvir nada. Por incrível que pareça, os gritos do tártaro pareciam me manter na realidade, me davam a certeza de que aquilo não era só um sonho, e assim, eu acabava dando o meu máximo para sair dali.
Depois de alguns minutos a minha audição foi voltando ao normal, e assim, pude assimilar os fatos acontecidos nos últimos minutos. Aquilo era somente um imagem, e que uma voz parecia ter acabado de salvar a minha vida, porquê provavelmente se eu cortasse aquela mulher, algo ruim aconteceria, e eu tinha esse pressentimento.
Continuei vagando em direção a saída desse lugar. Não queria passar mais nenhum segundo ali, então eu acelerei muito o ritmo de meus passos.
Andei até chegar a uma grande porta. O mapa brilhou assim que cheguei até ali. O círculo vermelho se apagou e o mapa se desfez em pó. Fixei o meu olhar a grande porta. Dois homens, normais pelo menos por vista, guardavam a possível saída.
Vasculhei todo a região que estava com o olhar. Não havia nada por ali, nenhuma bolha no chão, nenhum vestígio de lutas ou qualquer coisa do tipo. Somente a grande porta.
A encarei como se fosse um dos bolinhos azuis de minha mãe. Automaticamente um força de vontade gigantesca me atingiu, me fazendo ir até a frente dos dois caras.
Eles mantinha uma roupa do mundo mortal, como se tivesse acabado de sair de lá. Eram gêmeos, olhos azuis e a pele pálida. Cabelos negros, assim como os meus, e a pose absolutamente séria. Os dois mantinham a mesma estatura, cerca 2 metros de comprimento.
Eu não estava entendendo absolutamente nada. Eles me viram e não tiveram reação alguma, olharam para minha espada e somente esboçaram um sorriso, simultâneo.
–Percy Jackson. – Disseram em uníssono, me fazendo afastar imediatamente. – Gaia nos mandou até aqui, para guardar essa saída, e se possível, lhe matar.
Os dois sacaram lanças de mais ou menos 2 metros, e me encararam com sorrisos nos rosto. Logo surgiu, para cada um, uma armadura de ouro imperial, igual as que havia no Acampamento Júpiter.
Eles avançaram, cada um tentando furar um de meus ombros. Me abaixei e as lanças se cruzaram, soltando faíscas em cima de minha cabeça. Pulei para trás e encarei os meus adversários.
Não seria fácil passar por eles. Dava para ver claramente o quão treinados eles eram, principalmente pela velocidade do ataque que deram em mim.
–Se vocês querem brincar, vamos brincar.
Avancei brutalmente para cima do esquerdo. Percebi que os ataques que eles davam eram muito dependente do ataque do gêmeo, porquê se não, seria muito fácil contra-atacar.
Me senti orgulhoso de mim mesmo ao ver meu plano dando certo. Era simples, porém nas minhas condições mentais era difícil.
Eu pulei entre eles, e como esperado, ambos tentaram fazer um corte do meu ombro. Mas, com a minha velocidade, consegui desviar e consequentemente as lanças perfuraram eles mesmos, exatamente no local do coração.
Os dois não se desfizeram em pó como eu esperava. Eles caíram, mortos no chão, cada um com uma lança cravada no peito. Suspirei ao ver a cena. Por mais que eles fossem maus, eles eram semideus, uma alma mortal.
Virei meu olhar para a porta. Ela tinha uma mistura de matérias interessantes. Ouro imperial com o bronze celestial, tinha também um outro material, o qual não distingui.
A abri, e instantaneamente apaguei.
Acordei com uma insuportável dor de cabeça. Flashes do tártaro passavam constantemente por toda a minha cabeça. Logo soltei um suspiro aliviado, ao olhar ao meu redor, e ver que eu já havia saído daquele “inferno”. (É, as brincadeiras com o tártaro vão durar um tempo.)
Me levantei, devagar pelas constantes dores em todo o meu corpo, e voltei a olhar mais detalhadamente por todo ambiente. Era uma espécie de bosque, e eu conseguia sentir um lago não muito longe daqui.
Não havia nenhum sinal de vida por ali. Somente peguei minhas coisas e comecei a andar pelo bosque, rezando (já que agora eu estava no alcance dos deuses) para os deuses que eu encontrasse um fim nesse lugar, e rápido.
Algumas horas ou minutos depois, eu encontrei uma imensa cidade, a qual eu já conhecia bem, Nova York. Andei até um ponto de táxi, e pedi ao taxista que me levasse até o Upper East Side. Hesitante, talvez por causa de minhas roupas, me levou até lá. Com um pouco de dinheiro que havia na mochila, o paguei e subi o prédio.
Toquei a campainha de minha casa e esperei, pacientemente, até que minha mãe atendesse a porta. Ela atendeu com a cara totalmente marcada por lágrimas e tristeza.
A expressão dela foi inapagável. Parecia que ela não sabia se ficava feliz, ou com medo de que eu fosse um fantasma. Realmente, ninguém teria uma expressão normal na situação dela. Mas a expressão de felicidade tomou conta dela.
Ela pulou de braços abertos e me apertou. O abraço foi tão forte, que eu pensei que Tyson havia tomado controle sobre o copo dela (parece que minha sanidade mental está pior do que o normal).
–Filho! – Exclamou ela, sem perguntas, sem dúvidas, somente feliz por eu estar em mais um de seus abraços.
–Mãe.
Depois eu entrei na casa e contei parte da história para ela, omitindo somente sobre Cronos e Gaia. Ela ficou tão feliz por eu estar vivo, que fez muitos, MUITOS biscoitos azuis para mim. E eu comi como se não comesse a anos.
Tomei um banho e fui até o meu quarto. Me surpreendi ao ver que ele continuava o mesmo. Todas as minhas coisas, até a minha sujeira estava lá. Fiquei feliz. Gostava do meu quarto daquele jeito.
Me deitei e fiquei olhando fotos no meu armário. Fixei o meu olhar na foto em que eu, Grover e Annabeth tiramos um pouco antes de Grover ir a busca de Pan. Sorri com a lembrança.
Logo o meu sorriso se desfez, somente por lembrar da cena de Annabeth beijando a criatura do Harry. Uma raiva se apoderou de mim, me lembrando do o que eu havia prometido a mim mesmo no tártaro. Dar alguns socos naquele cara.
Me levantei e fui até a sala. Deveriam ser cerca de umas 5 horas da tarde. Eu tentava ao máximo não demonstrar o quão a minha sanidade mental havia se prejudicado no tártaro, não queria fazer papel de louco diante a ninguém.
Minha mãe logo se levantou do sofá e me examinou. Ela percebia que algo havia mudado em mim, ela somente não sabia o que, afinal ela era somente um mortal, não tinha como ela saber sobre o meu confronto com Cronos.
Quando eu estava saindo de casa, a mesma voz que me aconselhou no tártaro, voltou a falar comigo. Agora com a sanidade metal um pouco melhor, a reconheci sendo a de Poseidon.
Percy, estou feliz em saber que você sobreviveu ao tártaro. Eu realmente não sei como você conseguiu isso, somente saiba que eu estou muito orgulhoso de você, mas também preocupado. A áurea que você adquiriu não é normal. No tártaro os monstros podem telo evitado, mas aqui, na superfície você será caçado. Eu tenho uma proposta a lhe fazer, somente visando a sua sobrevivência e também controle sobre seus novos poderes. Venha até a praia de Montauk, e lá iremos conversar melhor.
Fiz o que ele pediu e fui até lá. Mandei o taxista parar em frente à cabana que me guardavam lembranças. Adentrei o pequeno chalé de minha mãe e logo uma forte brisa marítima o preencheu. Poseidon apareceu em frente à mesa.
–Percy, o que eu irei fazer agora é totalmente contra as leis olimpianas, mas eu sei que se não fizer muita coisa estará em jogo. Então, eu iriei lhe treinar, e ensinar a você controlar os seus novos poderes. Você provavelmente não sabe, ninguém além de Zeus e Hades sabem disso, mas como vocês semideus herdam alguns de nossos poderes, eu, Zeus e Hades também herdamos poderes de Cronos, os quais agora você possui.
Olhei para ele completamente chocado. Isso estava era tão logico e tão evidente que ninguém percebera. Essa possibilidade nunca passou por minha cabeça. Mais uma vez, vejo que tudo nesse mundo é possível.
Ele esticou o braço para mim, e instantaneamente o toquei, me tele transportando para um outro mundo.
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