O Herói do Olimpo

41 Os filhos dos três grandes, juntos?


Notas iniciais
Oi.

Acordo com a cabeça latejando. Sangue escorre da parte de trás dela. Minhas mãos estão amordaçadas, assim como meus pés. Minha visão está turva, e tenho a impressão de estar de cabeça para baixo. Logo vejo que realmente estou de cabeça para baixo, suspendido por uma corrente.

Olho ao redor e somente encontro escuridão. Aonde eu estou? Antes que eu pudesse tentar qualquer coisa ou pensar em aonde diabos eu estava, uma porta à minha direita se abre, revelando uma silhueta masculina. Grande, por sinal. A pessoa vai se aproximando aos poucos e tira a corrente que me prendia ao teto, fazendo-me cair de cabeça ao chão. Devo dizer que, se eu não fosse semideus, sem dúvida eu estaria com sérios problemas no crânio.

Solto um gemido e me sento. Levo as mãos amordaças à cabeça e sinto o sangue, já um pouco seco. Passo a mão na nova ferida, a que acabo de adquirir caindo no chão. Não sangra, e isso já é um bom sinal.

Mas, antes que eu pudesse sequer analisar os outros ferimentos do meu corpo, sinto um chute vindo em direção ao meu rosto. Tento me esquivar, mas meus reflexos não estavam tão apurados. O chute se encontra com minha bochecha e cuspo sangue.

— Que bom que te conheci, Jackson. — A voz dele é fria e áspera, e seu tom mostra que ele queria me matar tanto quanto Cronos quis quando o joguei no Tártaro.

— É uma pena que eu não possa dizer o mesmo — respondo, fazendo-o me dar outro chute no rosto.

Cuspo mais sangue.

— Você parece estar se divertindo, em? Batendo em um cara que está amordaçado — provoco, resultando em outro chute no rosto.

— Quer brigar de igual para igual? Então vamos brigar de igual para igual, Jackson!

De repente, luzes se acendem na sala. Examino o cômodo e encontro armas espalhadas por toda a parede. Instrumentos de tortura e cabeças penduradas.

Enquanto eu analisava o lugar com cuidado, a pessoa que me chutava se agachou ao meu lado e pude vê-lo melhor. Grande, como eu havia visto em sua silhueta, corte militar e uma cicatriz que ia da testa à bochecha. Uma cicatriz de espada, talvez. Seu olhar era de um marrom penetrante.

O sujeito foi até uma das paredes e pegou uma espada.

Quando pensei que ele fosse logo me mandar para o Hades, ele cortou as mordaças que me seguravam. Me levantei novamente e encarei a figura à minha frente. Ele sorria frio para mim.

Tirei Contracorrente do bolso e a destampei. Quando eu iria dar o meu primeiro ataque, o sujeito o fez. Tentou me dar uma rasteira mas eu consegui pular e com o cabo da espada bati na cabeça dele. Ele cambaleou para trás, com raiva. Recobrou os sentidos e veio correndo para cima de mim, a espada em punhos.

Eu estava fraco e cansado. Eu mal conseguia ficar de pé. E isso pareceu estar evidente em minha expressão, já que o homem conseguiu chutar minha barriga com facilidade.

Agora foi minha vez de cambalear. Eu estava arfando e mal percebi ele se aproximar novamente. Quando ele iria me dar um soco no rosto, fiz um corte em seu peito. Ele caiu para trás e olhou para o ferimento, e agora sua fúria era imensa.

Se levantou com uma das mãos enquanto a outra estava sob o corte que eu fiz, que ia do ombro ao baço. Não era muito profundo, mas com certeza estava incomodando-o. Ele pegou a espada que havia largado ao seu lado e se aproximou correndo de mim.

E quando a lâmina iria cortar minha cabeça, algo aconteceu. Eu não estava mais naquela sala cheia de armas. Ao meu redor só havia paredes brancas.

— Olá, Percy.

A figura à minha frente tinha longos cabelos brancos que chegavam até a metade de suas costas. Seus olhos eram azuis, assim como o céu. Logo a reconheci. Hera, a deusa das vacas.

— Hã... Oi? — eu disse, tentando entender o que acontecia à minha volta. Quando eu vi que não havia nenhuma resposta ao meu redor, voltei meu olhar à Hera. — O que é que eu estou fazendo aqui? Não era pra eu tá tipo, sei lá, morrendo?

— Ah, jovem herói, você não pode morrer ainda — disse ela, pacientemente. — Você precisa terminar sua última tarefa, e para isso você precisa estar vivo.

— E qual é essa tarefa, exatamente?

— Não posso lhe dizer muito, mas você terá de lutar de uma maneira... diferente. Não será tão fácil quanto foi com Ares ou quanto foi com Cronos.

Fácil? Lutar contra Ares e Cronos foi fácil?

— Então o que é que eu tenho de fazer? — voltei a perguntar.

— Não se preocupe, herói. O que tiver de ser, será.

E com essa última frase, eu acordei. Estava deitado, com um pano sobre a testa. Minha cabeça latejava e eu ouvi vozes ao meu redor, mas eu estava fraco demais para identificá-las. Minha visão estava turva, então optei por fechar os meus olhos.

Quando eu me senti melhor, enfim abri os olhos. Eu estava novamente no quarto do hotel. Ao meu redor havia quatro pessoas. Aos poucos fui identificando-as. Annabeth estava sentada no sofá, com o olhar distante. Emma estava escorada na porta da frente, ansiosa por algo. Ashley... Não achei Ashley, mas no lugar dela achei um cara. O mesmo que agarrou Annabeth naquele salão.

A raiva já se apoderava do meu corpo quando Ashley percebeu que eu havia acordado. Ela instantaneamente correu até o meu lado e se sentou na cama aonde eu estava.

— Finalmente acordou! — exclamou Annabeth.

— O que foi que eu perdi, em? — perguntei, e logo algo veio à minha cabeça. — Ei! Como foi que vocês me tiraram do lugar aonde eu estava?

O rosto de Annabeth logo ficou enrubescido, assim como o de Emma.

— Ashley... Percy, ela pulou na sua frente, no momento que o cara iria cortar sua cabeça.

Ah, não.

— Não me diga que ela... — Annabeth assentiu com a cabeça, já sabendo do que eu iria falar.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Emma se adiantou.

— Não podemos parar para falar sobre Ashley e blá, blá, blá. Precisamos agir. Podemos evitar uma guerra se formos depressa.

— E qual é o plano? — o garoto perguntou.

— Sabemos o que está causando tragédia. Crios está aliado à Gaia, e tem mais aquele garoto. O que precisamos fazer é ir atrás deles, e pegá-los. Talvez levar o garoto com vida, mas Gaia e Crios terão de morrer — Emma continuou. — Eu recebi informações de Quíron. Ele também sabe que agora, o importante é acabar com todos eles. Uma guerra está para acontecer, e vocês sabem quais são os impactos de uma guerra. Então, querem evitá-la ou não?

Eu e Annabeth instantaneamente concordamos com ela. Precisávamos evitar essa guerra.

— Vamos ir até a Califórnia, é lá aonde estão o exército de Gaia e Crios. Não se preocupem, não vamos sozinhos, Quíron nos mandou mais dois semideuses.

— Tá, mas sete semideuses não serão capazes de derrotar um exército mais um titã mais um deus primordial, serão? — perguntei.

— São Nico e Thalia, Percy — respondeu Annabeth.

Ah, sim, claro, agora tudo faz sentido. Vamos viajar com os três filhos dos três grandes pelo país inteiro. Claro que vai dar certo.

— Vocês estão de brincadeira? Juntar os filhos dos três grandes em uma única missão? Querem chamar todos os monstros de Nova York até a gente? — indaguei.

— Na verdade... — o garoto começou. — Os deuses disseram através de sonos para nós que era necessário somente os três para lutarem contra o exército. Mas também nos permitiram ir, então, sabe, semideuses não fogem de uma luta.

Esse cara parecia um romano.

— Então você está dizendo que eu, Thalia e Nico vamos viajar até a Califórnia enfrentando monstros e mais monstros? Para depois lutarmos contra um titã, uma deusa primordial e mais um exército?

— Isso mesmo — ele confirmou.

— E quando eu, Nico e Thalia já estivermos na Califórnia, como vamos nos encontrar?

— Mensagem de Íris — Emma respondeu, simplesmente.

E logo após ela respondeu, ouço a porta sendo aberta violentamente. Eu já estava levando a mão até Contracorrente, mas quando eu vi a ponta de um arco entrando no quarto, abaixei a espada. Thalia e Nico estavam parados à porta, ambos animados com a ideia de uma boa briga. Bem, animados até certo ponto, porque eu não sei se um filho de Hades consegue se animar.

— Cadê o meu priminho que eu adora eletrocutar?

E foi nessa frase que eu vi que o destino do mundo estava em sérios riscos.