O Herói do Olimpo

26 Minha mão fica manchada


Notas iniciais
Galera, galera... Eu estava pensando em fazer uma cena de hentai meio que separada do cap, mas eu sei que tem gente que não gosta, então, por enquanto, não vai ter hentai.

– LEVANTA, PERCY. – Annabeth me acordou aos gritos.

Ainda meio sonolento, me levantei e a olhei com os olhos semicerrados.

– Qual. A. Necessidade. De. Gritar? – Perguntei entredentes.

– Ah, nenhuma mesmo.

Bufei irritado e fui até o banheiro. Escovei meus dentes, troquei minha roupa e tentei arrumar o meu cabelo, porém foi em vão todas as tentativas feitas.

– Aonde é que Ashley está? – Perguntei para Annabeth assim que saí do banheiro.

– Ah, ela foi até lá em baixo nadar um pouco. – Respondeu ela.

– E você não vai?

– Vou, eu só queria te acordar antes, afinal, você é filho de Poseidon, talvez queira ir também.

– Sim, sim. – Eu disse. – Obrigado, então.

Ela deu de ombros e foi até o banheiro trocar de roupa. Peguei um short para nadar, uma toalha – eu teria de me molhar — e me troquei ali mesmo, no quarto, provavelmente Annabeth demoraria para sair do banheiro mesmo.

E como deduzido por mim, ela demorou um tempo até sair de lá. Peguei as coisas necessárias para ir nadar e fui junto de Annabeth até a piscina do hotel.

Aquela piscina era uma das melhores que eu já vi. Ela era um tanto extensa e seu formato era um tanto divertido. Joguei minhas coisas em uma cadeira e pulei na água.

Permiti me molhar e fui atrás de Ashley. A avistei em um jogo de vôlei. Mergulhei e fui até ela. Sai de debaixo d’água, aparecendo bem ao lado dela, dando um grande e divertido susto.

Ela me deu um tapa no braço.

– Ei, por que você fez isto? – Indaguei enquanto esfregava o lugar aonde levei o tapa.

– Pra você aprender a não me assustar! – Praticamente gritou ela.

Mas a irritação dela não se estendeu muito, pois parece que ela esqueceu que estávamos em uma piscina, e que eu estava sem camisa. Ela estava olhando bem para minha barriga.

Logo ela balançou a cabeça, tentando tirar seu foco de mim.

Quando eu iria começar uma conversa com ela, um jato d’água veio diretamente no meu rosto. Olhei fixamente para Robert e seus amigos, todos eles estavam equipados com armas de água, mas o que tinha dentro das armas não era água.

– Está pronto para tomar um banho de xixi, Jackson? – Ameaçou Robert.

Me virei para Ashley e a vi sorrir. Sorri também, aquilo seria muito divertido.

E então, simultaneamente, todos os cinco amigos de Robert atiraram em minha direção. Fiz uma corrente de água puxar eu e Ashley para baixo d’água.

Peguei na mão dela e fiz uma bolha de ar. Ela tossiu um pouco de água e abriu os olhos lentamente.

– Por que você não fez uma barreira de água e nem nada do tipo? – Perguntou ela.

– Eles são mortais, se eu fizesse uma barreira de água o que você acha que eles iriam pensar? – Ela concordou com a cabeça. – Fora que o meu plano precisa de sua ajuda, então eu tinha de te trazer até aqui para falar dele.

– E qual é o seu plano?

– Nós vamos voltar até lá em cima, e faze-los pular na piscina.

– Mas como? – Me interrompeu ela.

– Usando o seu charme? – Sugeri.

– É, pode ser. – Concordou ela. – Mas quando eles já estiverem aqui, o que você vai fazer?

Sorri para ela, e sem responder a pergunta fiz a água nos trazer de volta até lá a superfície.

– Já voltou, Jackson? Você está querendo um pouquinho disso aqui, não é mesmo? – Perguntou ele apontando para as armas.

– Hey, Robert! – Ashley começou a usar o seu charme. – Será que você e seus amigos poderiam me ajudar aqui?

Todos eles assentiram hipnotizados pelo charme. Pularam na piscina e começaram a nadar em direção a Ashley.

Pisquei para a filha de Afrodite e fui, de novo, para debaixo d’água.

Consegui sentir o grupinho de Robert e logo sorri. Aquilo seria muito divertido.

Fiz todos eles irem dar um mergulhinho. Os coloquei de volta na superfície e logo depois os trouxe de volta para aqui em baixo.

Minha diversão acabou no momento que minha cabeça começou a explodir. Ashley parece ter notado que eu soltei o grupo de Robert e que eu não havia voltado até a superfície. A última coisa que eu vi antes de entrar no fundo da inconsciência foi ela e Annabeth vindo até minha direção.

~.~

Abri os olhos lentamente, me deparando com uma pequena luz em cima de mim. Eu ainda estava meio inconsciente, então não conseguia raciocinar direito. Somente sabia que eu estava em um quarto, talvez fosse do hotel.

Quando comecei a retomar toda minha consciência, confirmei minhas suspeitas e constatei que eu realmente estava em um quarto de hotel. Não era só um quarto, era o quarto que eu, Ashley, Annabeth dividíamos. Logo passos constantes eram ouvidos do corredor, junto de vozes femininas.

– Será que ele ainda está inconsciente? – Perguntou uma das vozes.

– Acho que sim. De acordo com aquela loirinha lá, ele deve ficar inconsciente mais um dia. – Respondeu outra voz.

Fechei meus olhos assim que a porta se abriu. Eu não tinha ideia de o que aquelas meninas queriam fazer no meu quarto, mas eu precisava descobrir.

– Ele é tão lindo! – Sussurrou uma delas.

– Sim – Responderam outras três vozes simultaneamente.

– E então, quem é que vai fazer? – Perguntou outra.

Fazer o que?

– Eu! – Exclamaram todas as outras em uníssono.

– Eu faço. – Afirmou com certa autoridade uma delas.

E então eu consegui sentir um corpo se aproximando da minha cama. Uma mão fria tocou a pele por debaixo da minha camisa, no mesmo lugar em que Ashley sempre gostava de tocar.

A garota que tocava minha barriga suspirou sonhadora.

– Ele é tão... perfeito. Bem que Ashley nos disse, ele tem um corpo... Eu não entendo como alguém da idade dele conseguiu um corpo desse.

Eu já estava começando a achar aquilo esquisito demais. Me mexi um pouco, somente para fazer as garotas saírem dali.

– Droga, meninas! – Sussurrou a que estava mais perto de mim. – Ele está acordando! Vem, vamos sair daqui!

Elas começaram a dar passos apressados, mas silenciosos. Ouvi a porta encostar e abri os olhos lentamente. Eu ainda sentia o toque frio na minha barriga.

Alguns minutos depois, a porta se abriu novamente. Dessa vez era somente Annabeth e Ashley, as duas espantadas por me verem acordado.

– Mas... mas... mas, como? – Annabeth perguntou em completo choque.

– Como o que? – Rebati.

Ela balançou a cabeça, provavelmente tirando alguns pensamentos.

– Você acordou muito cedo... Mas deixa para lá. O importante é que você acordou.

– E já que acordou, já pode nos contar o que aconteceu com você. – Completou Ashley.

– Eu não sei direito... Eu tive uma dor de cabeça – Ashley assumiu uma expressão de total medo. – Não, dessa vez não foi Cronos.

Ela aliviou a expressão, mas não a retirou completamente. Annabeth arqueou uma sobrancelha.

– Eu realmente não sei o que aconteceu. – Confessei.

– Tudo bem então. – Ashley disse. – O único problema é que você não pode ter essas dores em público, fora que você teve uma dor grande debaixo d’água, não acha que na superfície não será mais doloroso?

Me espantei somente com a ideia de ter uma dor maior que aquela.

– Certo... quanto tempo fiquei apagado? – Perguntei desviando de assunto.

– Três dias. – Respondeu Annabeth. – Você mal dava sinal de vida, Percy.

– Uau! – Exclamei. — Então vamos lá! Eu não posso ficar mais tempo parado.

Me levantei e peguei uma roupa apresentável. Fui até o banheiro e a vesti. Minutos depois, Annabeth e Ashley também já estavam prontas.

– Quanto tempo dura essa viagem? – Indaguei enquanto íamos até o saguão do hotel.

– Temos mais dois dias. – Respondeu Ashley.

Suspirei derrotado. Eu havia perdido três dias em Paris por causa de uma dor de cabeça.

Enquanto andávamos, senti uma dor inquietante na mão direita. Eu não tinha ideia do o que aquilo significava. A mão estava praticamente chamuscada, parecia que pequenos raios se formavam nela.

Parei bruscamente e olhei fixamente para minha mão direita. Raios elétricos faiscavam nela, juntamente de pequenas manchas. O mais engraçado era que as manchas faziam o formato de pequenas estrelas.

Alguns segundos depois, Annabeth e Ashley notaram que eu não estava mais acompanhando-as. Elas estavam um pouco longe, mas ainda sim em meu campo de visão.

Os raios elétricos começaram a aumentar de tamanho, juntamente das manchas. Um tempo depois, o raio se tornou um só e se desfez, mas as manchas, não.

– Por que você parou, Percy? – Perguntou Annabeth assim que se aproximou.

Optei por não falar nada a ela agora, eu já havia estragado demais a viagem de Annabeth e Ashley.

– Não... não é nada. Vamos? – Respondi.

Ambas as garotas assentiram com a cabeça, ainda desconfiadas. Suspirei frustrado, era mais um problema que eu não sabia resolver sozinho.

Aquelas manchas estavam marcadas até o meu pulso. Agora que ela já haviam parado de crescer, deu para notar que eram realmente estrelas. Vinte e cinco no total, cada uma com o seu tamanho.

Enfiei a mão no bolso do casaco e continuei a seguir Annabeth e Ashley. As duas trocavam olhares significativos, e ambas pareciam saber que eu não havia contado toda a história para elas.

Paramos em frente a um restaurante, um tanto chique para dizer a verdade.

– Por que pararam? – Perguntei para as meninas.

Annabeth retirou de seu bolso um cartão de crédito.

– Como você conseguiu isso? – Indaguei novamente.

– Laptop de Dédalo.

Mas é claro, o que não tinha naquele laptop?

Entramos no restaurante e nos sentamos em uma mesa. Aquele lugar não estava cheio, mas também não estava vazio, estava mediano por assim dizer.

Fixei meu olhar em uma mulher que me olhava atentamente. Olhos pretos, uma roupa normal para uma mulher de 25 anos e cabelos longos e loiros. Arquei uma sobrancelha para ela e a mesma me mandou um sorriso, mas não era um sorriso normal, era um sorriso que eu só via em monstros.

Senti meu famoso arrepio na nuca.

– Droga... – Sussurrei. – Eu vou dar uma volta ali fora.

Annabeth e Ashley hesitaram em me deixar ir, porém elas não tinham como me impedir. Assim que saí do restaurante, vi a tal mulher me seguir também.

Andei até um pequeno beco ali perto e coloquei a mão em minha caneta.

– Quem é você?

– Eu não estou aqui para lhe matar, Jackson, por mais que eu queira uma boa briga, meu chefe não me deixaria. – Disse ela. – Só vim lhe deixar um recado, não se irrite com nada, ou se não sua mão irar criar algumas faíscas e acabar machucando alguém.

– Quem é seu chefe? – Perguntei não ligando para o fato da mão.

– Você logo saberá, semideus, mas, por enquanto, você somente deve saber que em sua mão há muito poder armazenado. – Arquei uma sobrancelha. – Raios são somente a primeira fase.

– Primeira fase? Mas o que você... – Eu não terminei a frase, pois a mulher se dissolveu em algum tipo de poeira estranha.

Olhei para minha mão que havia as manchas. Primeira fase? Mas o que aquilo significava?

Alguns segundos depois me lembrei de que Annabeth e Ashley me esperavam. Coloquei a mão com as manchas no bolso e voltei para o restaurante. As avistei ainda esperando a comida. Me sentei e olhei para as duas.

Ashley estava com uma cara pensativa, enquanto Annabeth me analisava. A filha de Atena olhava o fundo dos meus olhos, como se quisesse ler minha alma. Encolhi os ombros diante ao fixo olhar dela.

A comida chegou e nós comemos.

Terminamos e saímos do restaurante completamente satisfeitos. Começamos a andar de volta ao hotel, enquanto eu ainda pensava na tal “Primeira fase”.

– Nós precisamos conversar. – Disse Annabeth assim que chegamos em nosso quarto de hotel.

– Tá. – Respondi me jogando em minha cama. – Pode falar.

– Eu acho que sei a localização do cinto de Afrodite. – Começou ela. – Ele está em Londres, não sei precisamente a localização, mas sei que é perto de onde moramos.

– Então, o que vamos fazer? – Perguntou Ashley.

– Nós vamos atrás dele. – Afirmei. – O único problema é que para estar perto de onde moramos, deve ter alguma “armadilha” ou monstros, sei lá, mas não vamos conseguir chegar até lá sem nenhum empecilho.

– É, você tem razão. – Concordou a filha de Afrodite.

– Algum plano, Annabeth? – Perguntei.

– Precisamos primeiro investigar o local em que acho que está o cinto. Depois disso eu faço o plano.

– Então tudo bem. – Finalizei.

Annabeth saiu do quarto dizendo que iria até uma livraria. Eu e Ashley a deixamos ir, afinal, nem eu nem a filha de Afrodite tínhamos paciência para ler.

Me lembrei das vozes que invadiram o quarto mais cedo, e me lembrei também que o nome de Ashley havia sido ditado por uma das vozes.

– Hey, Ash? – A chamei.

– Sim? – Respondeu ela revirando sua bolsa.

– Você sabe porque algumas garotas invadiram o nosso quarto hoje?

Ela instantaneamente parou de revirar sua mochila.

– Elas vieram até aqui?

Assenti com a cabeça.

– E o que fizeram? – Questionou ela.

– Tocaram minha barriga, igual a você.

– Só isso?

– Eu as fiz sair. – Comentei. – Fingi que estava acordando, e então elas saíram apressadas.

Ashley ia se aproximando lentamente até mim.

– Elas tocaram... aqui? – Ela levou a mão até minha barriga. Assenti milimetricamente enquanto sentia as mãos finas de Ashley. – Hum... Mas elas não são filhas de Afrodite, não sabem fazer tão bem quanto eu, não é mesmo?

Fechei os olhos e assenti novamente. Senti a respiração dela se aproximando da minha e logo estávamos nos beijando. O beijo era calmo, mas logo ele ficou urgente. Ela retirou a boca da minha e a levou até minha orelha. Lá deu pequenas mordidas e sussurrou:

– Não é mesmo, Percy? Não há ninguém que possa te dar tudo isso...

Mas eu sentia que ela estava errada.

Ela voltou com sua boca até a minha e levou suas mãos para minha nuca. Levei as minhas para a cintura dela e ela nos empurrou para até a parede.

– Estamos aqui... Sozinhos... – Sussurrou ela. – Acho que já está na hora.

Ela retirou minha blusa e começou a espalhar diversos beijos em meu corpo.

Fomos interrompidos por uma batida na porta.

– Droga... – Sussurrou para si mesma. – Logo agora...

Ela pegou a minha camisa no chão e a jogou para mim.

– Vá até o banheiro e tire essas marcas de batom. Seria bom mesmo se você tomasse um banho logo. – E então ela foi atender a porta.

Peguei minhas coisas e fui até o chuveiro. Tomei um banho calmo enquanto eu pensava em todas as coisas que estavam acontecendo comigo.

Me enxuguei com meus poderes e vesti minha roupa. Abri a porta lentamente e olhei ao redor. Eu estava sozinho no quarto de hotel, provavelmente Ashley deveria ter ido atrás de Annabeth.

Me joguei em minha cama e fechei os olhos.