O Herói do Olimpo

36 Isso não aconteceu na minha dimensão


Notas iniciais
Hey, galera. Sinto muito por esse tempo que parei de postar =/. Eu não estava animado, e algumas coisas aconteceram por aqui. Então, eu também não tenho muito o que dizer, só tenho 1 coisa mesmo. Vou tentar marcar um horário com vocês, todas as semanas para postar capítulos. Ainda não sei que dia ou horário será, mas acho que na semana que vem já devo começar a implementar esse método. Até mais, e me desculpem!!! Eu não queria ter parado de postar!!!

– Você não vai dormir aqui! – exclamou Annabeth.

Ela estava tentando inutilmente me retirar do quarto. Mas eu também não tinha onde dormir. Se eu fosse até o sofá do primeiro andar, Sr.D acordaria, não saberia quem eu sou, e possivelmente me transformaria em um golfinho. Não era uma opção muito boa.

– Não – neguei.

Ela bufou irritada e se jogou na cama. Esticou as cobertas até seu pescoço e olhou para mim. Se seu tamanho não fosse visível na cama, eu a chamaria de criança somente por sua expressão.

– Por favor – ela pediu, fazendo uma cara a qual seria difícil de negar.

Senti a brisa fria da noite bater em minha nuca. Minha testa franziu e meus lábios se contraíram. Virei-me e fechei a porta.

Olhei novamente para Annabeth. Ela continuava com sua expressão tentadora, mas eu era bastante resistente. Tirei meus tênis e os joguei de baixo da cama.

– Arreda – pedi, sem ser grosso e sem ser amigável. Em um empasse, por assim dizer.

Ela fechou o rosto e negou com a cabeça. Pisquei os olhos e contei até 3. Ela não iria me tirar do sério.

– Vou pedir uma última vez. Arreda.

Negou a cabeça novamente.

– Tudo bem, então.

Coloquei meu pé esquerdo para trás. Annabeth arqueou uma sobrancelha com o meu ato, porém, não dei bola. Ela não queria sair da cama, teria de pagar por isso.

– Ah, não, você não vai fazer isso! – Ela exclamou, já preparada para o impacto.

E então eu me joguei sobre ela. Seu cabelo cobriu seu rosto, mas, mesmo assim, nossos lábios acabaram se encostando.

Eu juro por todos os deuses de que essa não era minha intenção. E também não foi um beijo, nossos lábios só se encostaram. Isso não é válido com um beijo. Ou é?

Ela tirou os dois braços de debaixo da coberta e me empurrou para o lado. Rolei até cair de costas no chão duro e frio de madeira. Ela levantou da cama e pegou sua adaga na cabeceira da cama. Se abaixou sobre mim e colocou a faca em meu pescoço.

Fez a lâmina girar no ar e cair exatamente ao lado de minha cabeça.

– Se você se atrever a fazer isto de novo, eu não vou errar. Entendeu? – Disse ela, enchendo minha expressão de medo.

Eu não tenho medo de Cronos nem de Gaia, mas da adaga de Annabeth na mão dela eu tenho. Estranho, não?

Assenti para ela. Ela se levantou, pegou a adaga que estava cravada no piso e se deitou novamente na cama.

– Se você quiser experimentar a lâmina de minha adaga é só chegar perto desta cama. – Avisou.

Peguei meu tênis e saí daquele quarto. Eu não queria experimentar aquela adaga.

Abri a porta da Casa Grande e comecei a andar pelo acampamento.

Sono... eu o perdera no momento em que a adaga perfurou o chão ao meu lado, então, eu ficaria caminhando por aí, meio sem rumo.

Parei de andar assim que cheguei até a Arena. Thalia estava lá, lutando com alguns bonecos de treino. Andei calmamente até um dos bancos da arquibancada e me sentei. Fiquei observando ela espancar aqueles bonecos com sua lança, perfurando, cortando, e batendo com o seu amedrontador escudo, Aegis.

Não percebi e já estava de manhã. Thalia também pareceu surpresa ao ver o sol nascer no céu. Fez sua lança transformasse em uma lata de spray, fez Aegis virar seu bracelete e olhou para a arquibancada. Seu olhar parou sobre mim. Semicerrou os olhos e foi em direção ao refeitório, já que a concha acabara de soar.

Também me levantei e fui na mesma direção de Thalia. Fiquei olhando antigos rostos que eu conhecia, pensando no quão a guerra de Cronos me fizera mal. Os campistas divertiam-se brincando nos campos de morangos, ou jogando vôlei na quadra. Enquanto o outro “eu” deveria estar em algum lugar treinando sua esgrima.

Certo, chegando até o refeitório fui até a mesa da Casa Grande. Quíron e Annabeth já estavam lá, juntamente dos Sr.D. Todos os três estavam irritados pela minha demora. Apenas dei de ombros, Annabeth merecia esperar um pouco depois que me deixara de fora da cama.

– Acho que agora podemos começar. – Quíron se levantou e pediu a atenção de todos no refeitório. Todos se viraram para ele e esperaram suas palavras. – Muito bem, campistas! Parece que algo muito estranho está acontecendo.

– Que algo? – um campista gritou da mesa de Hefesto.

– Gaia. – Eu disse, fazendo todos os campistas se entreolharam. Olhei para Quíron, e ele assentiu com a cabeça como se me desse permissão para falar. – Bem, eu não sou daqui. Sou de um... Um outro lugar, por assim dizer. E o que eu estou fazendo aqui? Eu estou precisando de a ajuda de um campista. Um campista que salvaria o mundo, para ser mais exato.

Olhei para mesa de Poseidon, e lá estava uma miniatura de mim mesmo. Olhos verdes, o mesmo cabelo escuro que nunca é arrumado. O outro Percy se encolheu em sua cadeira, somente de ver que meu olhar estava sobre ele.

– Eu me ofereço! – Me virei para a dona da voz, dando de cara com Thalia Grace na mesa de Zeus.

Quando eu abriria a boca para falar algo, Annabeth se manifestou.

– Infelizmente, Thalia, nós já temos um campista escolhido.

– Como você sabe o meu nome? E você me parece meio familiar... E quem é esse tal campista?

Olhei para Annabeth, e a mesma olhou para mim. Ficamos nós encarando durante alguns segundos até que ela assentiu com a cabeça. Suspirei fundo e olhei novamente para Thalia.

– Percy Jackson.

A filha de Zeus franziu a testa. Todos os outros campistas começaram a encarar o outro eu. Me senti mal, eu sabia que não gostava de atenção, e nesse momento, o outro Percy Jackson estava tendo atenção demais.

– Tudo bem, campistas! Todos voltem a fazer suas refeições, não há mais nada a ver aqui – gritou Quíron.

Eles voltaram a atenção diretamente a suas comidas, mas não sem continuar nos olhando pelo canto do olho.

Antes que eu pudesse se quer falar para o outro eu vir até mim, um estrondo desviara o olhar de todos do refeitório. Minha mão se dirigiu automaticamente até meu bolso, mas me lembrei que estava protegido pelas barreiras do acampamento, então relaxei os músculos.

Mas algo ainda estava errado. O estrondo continuava a ser ouvido, e, por mais que todos soubéssemos que a barreira nos protegeria, não estávamos com um pressentimento muito bom. Bem, eu pelo menos não estava.

Quíron me jogou para o lado e começou a correr em direção a entrada do acampamento. Eu e Annabeth começamos correr logo atrás deles, já preocupados pela expressão que o centauro havia tomado.

E logo todos os campistas estavam indo em direção à entrada. Alguns armados, outros não. Mas todos tinham algo em comum: o medo. Eles haviam acabado de recuperar a barreira do acampamento. Sabiam o que enfrentariam caso a barreira se quebrasse novamente.

O que vimos ao chegar lá foi algo aterrorizante. Um exército de monstros estava batendo constantemente na barreira. E ela parecia não estar aguentando. Estranhei tais coisas, já que na minha dimensão isso não havia acontecido.

Annabeth também estranhou. Sacou sua adaga e começou a olhar diretamente para o exército, tentando provavelmente achar seu líder ou o monstro mais forte. Enquanto eu me preocupava com a segurança da barreia.

– Ah, não. Isto é péssimo. – Quíron resmungou, olhando diretamente para o Sr.D. – Certo, campistas! Todos peguem suas armas e armaduras no arsenal. Voltem até aqui o mais rápido que conseguirem!

E logo eles foram obedecer suas ordens. Quíron olhou para mim e Annabeth, enquanto ambos olhávamos diretamente para o exército.

– O que vocês pretendem fazer? – O centauro perguntou.

Olhei para Annabeth. Ela era quem fazia nossos planos, então, bem, ela que tinha a responsabilidade de responder o Quíron.

Mas ao invés disso ela me puxou pelo o braço e começou a correr até o bosque do acampamento.

– O que você está fazendo? – Perguntei enquanto corríamos.

– Percy, isto não é algo de alguém desta dimensão.

– Sim, mas por que você está me trazendo até aqui? – Voltei a perguntar, dessa vez tentando ficar um pouco mais sério, já que eu sabia que Annabeth era inteligente demais para nos trazer direto para a morte.

Cara, eu estou elogiando-a demais. É melhor parar... Enfim, continuando.

– Percy! Pense um pouco. Se esse ataque não é de alguém dessa dimensão, então esse alguém sabe os pontos fracos do acampamento. E o principal ponto é....

– A entrada do labirinto. – Terminei.

– Exatamente! – Ela confirmou.

E então aconteceu. O chão foi explodido por debaixo dos nossos pés. Eu e Annabeth voamos até uma pedra próxima ao local, e eu, como sempre, fui quem amorteceu a queda dela.

Mas eu não senti nada. Isso é bom, muito bom.

– Não vamos conseguir deter um exército se tentarem passar por aqui. – Ela comentou.

A entrada estava aberta, mas algumas pedras provavelmente bloqueavam a entrada de alguns monstros. Isso nos daria pouco tempo, o necessário para que algum de nós chamasse reforços.

– Annabeth, você precisa avisar ao Quíron sobre essa entrada.

– Mas se eu for você vai morrer! – Ela exclamou.

– Então, bem, se você não for todos do acampamento morreram por um ataque pelas costas.

Já em pé visualizamos alguns monstros saindo de dentro da entrada do labirinto. Não eram muitos, e nem eram fortes, eram bem pequenos, então algumas pedras ainda bloqueavam a passagem de outros monstros.

– Vá, Annabeth! – Gritei, retirando Contracorrente do bolso e a destampando, chamando completamente a atenção dos monstros.

A filha de Atena olhou para mim e depois para o buraco que se formava no chão. Parece que ela se abateu por alguns instantes, como se lembrasse de algo que não gostava. Olhou diretamente nos meus olhos e então eu soube no o que ela estava pensando. No Monte Santa Helena, quando eu tivera que correr o risco de morrer para salvá-la.

E por incrível que pareça ela fez o mesmo que fizera lá. Puxou a minha blusa e me beijou. Soltou-se de mim e começou a correr em direção à entrada do acampamento, gritando por ajuda e por Quíron.

Suspirei fundo e encarei minha espada, logo correndo em direção ao buraco, aonde monstros e mais monstros subiam.

Notas finais
=D