O Herói do Olimpo
17 Eu Treino Dormindo
Notas iniciais
“Annabeth caminhava tranquilamente pelos bosques do Acampamento Meio-Sangue. Ela mantinha uma cara pensativa, como se estiver pensando em algumas lembranças. Seu rosto logo mudou ao ver Harry, que corria em sua direção de braços abertos, como se fosse dar um abraço nela. Ela somente abriu também e o abraçou.
Logo ele afastou o rosto um pouco dela, e a beijou. Eu fiquei esperando qualquer reação de Annabeth, mas não, ela somente correspondeu.
Grover, Thalia e Nico chegaram logo depois, usavam roupas para um uma ocasião não muito formal e estavam completamente despreocupados. Eles carregavam uma cesta de piquenique e olharam para Harry com um pouco de desgosto. Eles se sentaram e abriram a cesta, mostrando um delicioso lanche, o qual Grover atacou rapidamente.
Logo meu rosto foi virado bruscamente para a direita, contra minha vontade. Eu olhava fixamente uma montanha, e de repente ela assumiu um rosto.
–Percy Jackson! É um prazer conhece-lo. Mas vamos aos negócios, primeiramente você sabe quem sou eu?
–Não. – Respondi sem ter a menor ideia de quem ela era.
–Já imaginava isso... Pois bem! Eu sou Gaia, a personificação dá terra!
Arregalei os olhos. Não podia acreditar que meus sonhos já estavam sendo invadidos por personificações do mal. Não havia gostado de minha experiência com Cronos.
–O que você quer comigo? – Perguntei levando a mão ao bolso, onde sempre ficava Contracorrente.
Me surpreendi ao constatar que ela não estava lá. O rosto riu ao ver minha expressão de pânico, e ao mesmo tempo, de dúvida.
–Isso é somente um sonho, semideus. Eu não posso fazer nada com você ainda, você permanece em meus planos. Mas logo você vai ver, ninguém liga para você, você serviu aos deuses somente por causa da filha de Atena, e olhe onde ela está agora.
Virei novamente o meu rosto para onde Annabeth fazia o piquenique. Ela sorria constantemente para Harry, que sempre retribuía com beijos e caricias.
Fechei meus punhos e olhei fixamente para Gaia, que mantinha um sorriso vitorioso no rosto.
–Eu não vou fazer nada para você! Isso é somente uma ilusão! – Eu exclamava, tentando mais convencer a mim.
–Se isso é ou não uma ilusão, eu não sei. Você pode tirar suas próprias conclusões, somente estou tentando abrir o seus olhos, semideus, ao meu lado você teria todo o mundo como império, faria de todos os seus servos. – Oferecia ela, tentando em vão, me convencer.
–Não! – Gritei com todas as minhas forças.
–Lhe verei em breve, Percy Jackson. Considere suas opções. – Assim que ela dissera isso, o meu sonho acabara.”
Acordei suando frio. Eu permanecia ali, no tártaro. As palavras de Gaia ainda rodavam minha cabeça, mas o que mais me vinha a mente era a cena de Annabeth com Harry.
Fechei os punhos. Logo Nix veio correndo até o meu quarto, com o rosto marcado de preocupação.
–O que aconteceu? Por que toda essa áurea de morte entorno de você?
–Não é nada. – Respondi tentando mudar de assunto. – Então, quando começamos o treino?
Ela me olhou desconfiada, mas logo balançou a cabeça, retirando pensamentos.
–Bem, essa é a parte engraçada da história... Você já está treinado.
Olhei para ela como se ela fosse louca, mas seu rosto mostrava claramente que ela não estava de brincadeira.
–Como é que é? – Indaguei completamente confuso.
–Você adquiriu treino enquanto dormia. Faz parte de uma de minhas magias, mas você não dormiu durante só um dia, foram 10 meses.
Olhei para ela totalmente incrédulo. Como eu dormi 10 meses?
–Certo... – Falei tentando organizar os pensamentos. – Se eu já estou treinado, está na hora de eu sair do tártaro, certo?
Ela assentiu com a cabeça e logo saiu do quarto. A segui. Logo ela parou em frente a porta de saída, carregando uma mochila e um mapa.
Me aproximei e examinei o mapa. Era o mapa do tártaro.
–Tome. – Ofereceu ela esticando a mochila e o mapa.
Somente aceitei e examinei o mapa. Nele tinha uma marcação, a saída do tártaro.
Me virei para onde Nix estava, mas ela não estava mais lá. Somente dei de ombros e sai da casa, já esperando encontrar monstros não muito legais.
Comecei a andar em direção ao norte. Não demorou muito para minha pernas começarem a doer, parece que o meu longo sono não havia sido muito bom para o meu físico.
Me sentei em uma pequena inclinação e comecei a olhar em volta. O tártaro era terrível, não havia descrição para aquilo. O ambiente inteiro parecia ser vivo...
Logo balancei minha cabeça, tirando todos os pensamentos ruins que vagavam nela. Meus olhos insistiam em fechar, mas eu sabia que se eu dormisse, um monstro me atacaria, ou pior, teria outro sonho com Annabeth e Harry, juntinhos, agarradinhos, se beijando...
Logo eu já estava contando até dez, eu não poderia me irritar com isso no tártaro, quando eu saísse daqui, se eu sai, eu quebraria a cara daquele cara.
Me levantei e olhei dentro da minha mochila. Eu ainda tinha néctar, ambrosia, e ... uma corda? É, eu tinha uma corda, um compartimento que parecia sempre ter uma comida, como se fosse mágica, o que eu não duvidasse muito que fosse.
Olhei em volta e senti um arrepio na nuca. Aquele lugar trazia uma impressão de que você era vigiado constantemente...
Voltei a andar em direção à saída do tártaro, mas como sempre, tinha alguém para frustrar os meus planos.
O meu velho amigo Minotauro me encarava, com uma raiva evidente em seus olhos. Ele mantinha as mesmas roupas que usou na guerra de Cronos, mas a raiva em seus olhos era muito maior do que de qualquer outra vez.
Ele rugiu e avançou, sem mais nem menos.
Retirei rapidamente a minha caneta do bolso e a destampei um segundo antes do encontro do machado ao meu rosto. Consegui segurar o machado com Contracorrente por cerca de alguns segundos. Rolei assim que eu não conseguia manter a espada contra o machado.
Encarei o monstro. Se fosse possível, provavelmente ele estaria sorrindo agora, pois parece que minha maldição de Aquiles havia terminado e ele havia conseguido feito um corte bem feio na minha mão. Somente não sei porque a maldição não funcionou.
Ele avançou em linha reta novamente. Dessa vez eu estava preparado. Corri em sua direção e cravei Contracorrente em seu peito. Pó.
Olhei em volta, somente escuridão. O brilho do bronze celestial havia me ajudado muito na luta contra o Minotauro. Optei por caminhar com a espada na mão, afinal, se eu encontrasse outro monstro não tão grande quanto o Minotauro, eu não conseguiria vê-lo sem ajuda da luz.
Comecei a andar em direção a saída, de novo. Eu olhava atentamente cada canto de escuridão do lugar, deixando claro que aquilo não era exatamente um lugar... Bolhas estouravam constantemente no chão, deixando órgãos de monstros expostos. Murmúrios eram ouvidos constantemente, assim como gemidos de monstros, todos mostrando claramente que o tártaro não era nem um pouco legal.
Teve uma hora que eu cheguei até sentir pena dos monstros que eu havia banido até esse lugar. Ninguém em toda face da Terra merecia passar por isso aqui... Imagina passar por aqui diversas vezes? Mas logo eu me arrependi de pensar assim.
Outro velho amigo me encontrara, Dr. Espinheiro. Ele mantinha seus espinhos afiados com o veneno escorrendo. Lembrei da dor que sentira ao ser atacado por um daqueles. Com certeza não queria ser atingindo.
Ele rugiu e avançou, sem dizer absolutamente nada. Ainda bem, não gostava nem um pouco daquele sotaque francês.
Ele tentou jogar um espinho sobre o meu peito, exatamente no lugar onde fica o coração, mas eu desviei rapidamente, em uma velocidade que eu nunca havia visto e treinado.
Ao ver a velocidade de meu movimento, o mantícore avançou rapidamente, tentando em vão, acertar o meu peito, cabeça, braços e até mesmo o meu pé.
Vendo que a luta não podia simplesmente ficar somente naquilo de gato-e-rato, desviei de um ataque e parti para cima, com Contracorrente direcionada a cauda dele.
Com cautela, cortei a cauda dele, mas não sem antes ser perfurado por um dos espinhos. Dr. Espinheiro se desfez em pó, me deixando sozinho e com o braço cortado por um de seus espinhos.
Soltei a espada no chão e olhei para o corte que eu havia feito na luta contra o Minotauro. Ele estava feio, até mais do que o do mantícore. Peguei um pouco de néctar de dentro da mochila e atirei um pouco sobre minha mão.
Logo uma cicatriz estava se formando ali. Fiz o mesmo procedimento com o corte do Dr. Espinheiro e logo eu já estava em condições de outra luta, mas não tão grande.
Andei mais um pouco sobre o vasto tártaro e logo encontrei uma caverna. Talvez não seria apropriado dormir por aqui, mas eu não tinha outra opção, eu já estava morrendo de cansaço.
Cheguei dentro dela e a examinei. Ela era completamente escura, e somente Contracorrente a iluminava. Não havia nenhum barulho, somente um grande vazio em direção à dentro da caverna.
Me sentei em uma pedra e fechei os olhos, rezando a todos os deuses para que nenhum monstro viesse até aqui, mas eu duvido muito que eles tenham ouvido.
E novamente tive outro péssimo pesadelo.
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