O Herói do Olimpo

34 Deuses, eu odeio esses caras


Notas iniciais
Galera, não deu tempo de ler o cap., então desculpa por qualquer erro. Até mais!

– Bem, eu estou aqui, Quíron. Não está vendo? – Eu afirmei, tentando assimilar tudo muito rapidamente.

Ele suspirou e olhou para Annabeth. A filha de Atena parecia já ter entendido tudo. Era óbvio que ela já entendera tudo, afinal, ela era filha da deusa da sabedoria. Não era pra menos.

– Não é bem isso, Percy. – Rachel disse, dá forma mais calma possível.

– É, Percy. Parece que existe outro “você” em outra dimensão. – Annabeth ia explicando, calmamente, já esperando que eu não entendesse.

Mas Percy Jackson estava mudado!

Deixei toda a bagunça da minha mente de lado e raciocinei. Aos poucos fui notando: eu não era o único “eu” existente. Eu sei, é confuso até para mim. Mas era o suficiente para entender.

– Ah! Já entendi tudo! – Exclamei, fazendo os olhos de Annabeth se arregalarem. – Existe outro Percy Jackson, em uma outra “dimensão”, não é mesmo?!

– Mas como você...? – Ela perguntara praticamente para si mesma, claramente impressionada por meu raciocino rápido.

Admito, eu também estava impressionado. Se não fosse aqueles treinos com Nix, eu provavelmente demoraria anos para entender algo assim.

– Tá, mas não chegamos até o fim. Como iremos trazer esse outro “Jackson”? – Thalia perguntou, dirigindo-se a Quíron.

– Há uma passagem para a outra dimensão em um local do Olimpo, basta 2 semideuses nossos irem até lá. – Ele respondera, olhando fixamente para mim e Annabeth.

– Ah, não! Não, não e não! – Annabeth começou. – Eu não vou com esse peixe!

– Espera aí, peixe? Não me chame de peixe! – Quase gritei, indignado com o apelido.

Annabeth se virou para mim e fuzilou-me com o olhar. Retribui. Eu não iria mais recuar diante a esses olhares.

– Tá certo, já chega! – Rachel levantou-se, ficando entre mim e Annabeth. – É melhor não começarmos a terceira guerra mundial aqui.

Acalmei meu olhar e me virei para Quíron. O centauro estava com o olhar distante. Olhava para a chuva que caía depois das proteções mágicas do acampamento.

– Vocês dois terão de ir. – Ele disse, ainda sem desviar o olhar da janela. – Annabeth e Percy, vocês são os únicos com a capacidade de ir até lá.

– Mas... por quê? – Annabeth insistia. – Não pode ser outro filho de Atena?!

Antes que Quíron pudesse dar-lhe uma resposta, um garoto adentrou a Casa Grande. Olhando mais fixamente vi quem era. Harry estava ali, olhando para Annabeth.

– Annie! – Ele exclamara, correndo para o lado da filha de Atena. – Você está bem? Aconteceu alguma coisa? Precisa que eu dê uma surra nesse daí?

Controlei-me novamente. Aquele cara estava pedindo, ou melhor, implorando para tomar uma surra. Nico e Thalia pareceram perceber que a minha expressão não estava normal. Rapidamente os dois trocaram olhares, e se levantaram. Se postaram ao meu lado e olharam para Rachel.

– É melhor continuarmos... – O nosso oráculo ia dizendo. – Harry, será que tem como nos dar licença?

O garoto a fuzilou com o olhar.

– Não! Minha namorada está aqui e eu também ficarei!

A raiva começava a se apoderar dê mim.

– Cara, eu estou falando sério, sai daqui enquanto pode. – Ameacei, já irritado o suficiente para dar-lhe um soco.

Minha mão direita começara a fumegar. Eu já sabia o que isso significava. Daqui a pouco faíscas se formariam. E eu estava bem afim de usá-las em certo alguém.

Annabeth deu uma pequena olhada para minha mão. Franziu a testa e mandou Harry sair dali. Como um cão treinado, ele instantaneamente saiu após a ordem ser dada.

– Continuando... – Rachel dizia. – Bem, vocês dois – ela apontou para mim e Annabeth – terão de ir para a outra dimensão. Não há opções.

Annabeth não tentou retrucar. Eu também não. Ambos sabíamos que essa era a nossa única opção. Somente suspiramos e esperamos pelas instruções de Quíron.

– Certo, vocês primeiramente deverão ir até o Olimpo, e lá irão encontrar a passagem à outra dimensão.

– E quando partimos? – Annabeth indagou.

– Bem... precisamos ser rápidos, então hoje mesmo. Logo depois do jantar.

– Droga... – Annabeth resmungou.

Bufei irritado e saí da Casa Grande. Olhei para a Arena e fui até o chalé 3. Eu esperava descansar um pouco, já que eu tinha o pressentimento de que essa missão não seria fácil.

Espera, há alguma missão fácil? Não, provavelmente não.

Deitei-me no delicioso beliche do chalé e inspirei a brisa marítima. Soltei um sorriso involuntário e fechei os olhos. Eu esperava não ter “sonhos” desta vez, já que eu precisava muito de um sono relaxado.

Uma vez na vida os deuses teriam de atender o meu pedido, não é mesmo?

~.~

Como pedido por mim, sem sonhos. Esfreguei os olhos e olhei pela janela. Escuridão. A noite já prevalecia sobre Nova York. Bufei. Daqui a algum tempo eu teria de ir para uma outra dimensão. Não me pergunte o que isso quer dizer, eu também não entendi direito.

Levantei-me com bastante preguiça. Aquele beliche estava tão bom...

Toc Toc as batidas da porta fizeram-me recobrar a consciência.

– Ei, Percy, você está aí? – Uma voz feminina me chamava.

– Calma, calma, eu já vou! – Exclamei, esperando que a garota parasse de bater na porta.

Enquanto eu caminhava até a porta, parei para pensar: eu conhecia aquela voz. Minhas dúvidas foram desfeitas assim que a tal voz abriu minha porta, sem mais, nem menos.

– Percy! – Ashley pulou em meus braços.

– Oi, Ashley.

– Aonde você estava? – Ela indagou, saindo do abraço e me examinando.

– Hm... Bem... Isso é complicado.

– Temos tempo. – Ela insistia.

– Na verdade, não temos. – Sorri, peguei minha mochila e olhei para ela.

A testa franzida e as sobrancelhas arqueadas mostravam que ela não sabia da missão.

– Eu tenho algo a fazer agora. – Contei, afastando-a de frente à porta.

Ela segurou meu braço e me virou, fazendo-me olhar fixamente em seus olhos. Aqueles olhos azuis eram tão penetrantes quanto os cinzas de Annabeth.

– Aonde você está indo, Percy? – Ela jogou o charme na voz, quase atingindo o seu objetivo.

Sorri para ela e me soltei de seu braço delicadamente.

– Bem, eu não sei se posso te dizer o que eu estou fazendo, então, se você quiser mesmo saber isso, vá atrás de Quíron.

Virei ficando de frente a porta. Comecei a andar sem olhar a expressão de Ashley. Ela com certeza não havia gostado da maneira a qual eu tratara ela, e eu também não queria mais interrupções. Queria era terminar logo essa droga de missão.

Mas, pensando bem, eu nunca teria paz. Se eu derrotei Cronos e apareceu Gaia, quem apareceria caso eu derrota-se a mãe terra? Nesse mundo onde eu vivo não existe um fim, isso pode ter um lado bom, mas também ruim.

Encerrei meus pensamentos e voltei a focar no caminho. Eu estava indo até a Casa Grande, onde possivelmente Quíron estaria me esperando, juntamente a Annabeth.

Como eu previ, ambos os dois estavam lá, já impacientes. Quíron não demostrava a sua impaciência, mas já Annabeth a história era outra. Ela andava de canto em canto da Casa Grande, irritada, batia o pé e bufava.

– Cheguei! – Exclamei, atraindo os olhares dos dois.

– Aonde é que você estava?! Sabe há quanto tempo o jantar acabou?! Já era para estarmos no Olimpo! – Annabeth dizia, muito irritada.

– Calma, calma, eu estava dormindo, mas eu já estou aqui.

– Certo, tudo bem. Vocês tem de ir logo, não podemos atrasar nem mais um minuto. – Quíron disse, realmente preocupado com o tempo.

– Tá, você disse que a entrada para a outra dimensão era no Olimpo, não é mesmo? – Indaguei a ele, que somente assentiu. – Então como iremos para lá?

– Vocês podem escolher.

Sorri e olhei para Annabeth.

– Pegasus! – Exclamei.

Annabeth suspirou e assentiu.

– Continuando... – Quíron dizia. – Percy, Apolo lhe entregou algo que será útil em sua missão.

Assenti.

– Annabeth, Atena também lhe dera algo que será importante.

Ela também assentiu.

– Então, já que estão prontos, já podem ir. Ao chegar no Olimpo saberão como ir para a outra dimensão. – O centauro nos garantiu, dando-nos seu sorriso confiante.

– Tudo bem então. Vamos? – Indaguei olhando para Annabeth.

– Certo.

Saímos da Casa Grande para já nos interromperem.

– Aonde vocês pensam que vão? – Harry chegara acompanhado de Ashley.

Eu não estava com muita paciência para esse cara hoje, então, lembrando que eu teria uma missão agora, fiz algo bem legal.

Soquei a cara dele.

Annabeth fuzilou-me com o olhar. Ashley piscou para mim e sorriu.

– Por quê você fez isso? – Annabeth perguntou, abaixando-se para ver o estado de Harry.

– Bem, Annabeth, sinto muito em te lembrar mas temos de ir, você ouviu o que Quíron disse, não temos tempo.

Ela soltou um resmungo e olhou para Ashley.

– Você tem como cuidar dele para mim? Nós realmente precisámos ir. – A filha de Atena pediu, não muito preocupada com isso.

Antes que Ashley pudesse responder, puxei Annabeth em direção aos estábulos. Ouvi um gritou da filha de Afrodite, mas não dei muita bola pra isso, eu realmente estava preocupado com o tempo. Quíron estava muito preocupado com isso, talvez nós realmente estivéssemos muito atrasados.

Chefe! A voz de meu pegásus preferido invadiu minha mente. Por que tanta pressa?

– Nós precisámos ir até o Olimpo, BlackJack...

Sobe aí!

Subi e estiquei a mão para Annabeth.

– Ah, não, eu vou em outro pegásus, não tem pro...

Antes que ela terminasse sua frase, a puxei fazendo-a ficar atrás de mim. Ela segurou minha cintura, ainda assustada pela força que eu tivera ao puxá-la.

– Pronta? – Perguntei.

– Sim!

Então BlackJack começou a voar pelo céu noturno de Nova York. A cidade estava muito iluminada como sempre, é claro, mas ainda era perceptível uma constelação no céu. A constelação da caçadora. Lembrar-me de Zoe me abalou emocionalmente. Parece que Annabeth também se abalou, já que eu senti uma lágrima cair em cima de meu ombro.

– Você lembra dela? – Annabeth perguntou.

– Sim, me lembro bem.

Depois disso o silêncio foi constante. Falar das mortes de amigos era sempre muito ruim, então evitávamos coisas assim. O silêncio não era incômodo, somente indiferente.

Chegamos ao Olimpo já aguardados. Atena estava lá, trajando sua túnica grega e sorrindo para filha. Seus olhos estavam furiosos, talvez por eu ter desobedecido sua regra de não interagir com sua filha. Eu não estava nem aí para isso, se a deusa da sabedoria não teve sabedoria o suficiente para fazer-me jurar pelo rio Estige, a culpa não era minha.

– Annabeth. – Ela cumprimentou sua filha, de maneira formal.

– Atena. – Cuspi.

– Jackson! O que te faz pensar que pode burlar nosso acordo? – Ela lembrou-se de minha presença.

– Bem, você não me fez jurar pelo rio Estige, eu não tenho culpa! – Levantei os braços em sinal de inocência.

– Ah, se é assim veremos então se você terá mais alguma chance de ficar perto dela!

Atena fez materializar uma espada em sua mão. Instantaneamente levei minha mão ao meu bolso, retirando Contracorrente e a destampando.

– Mas o que...? – Annabeth se perguntou, mas não dei atenção a isto, eu tinha outros problemas a resolver.

Atena partiu para cima, tentando atacar minha cabeça, defendi e olhei para ela.

– Você... não... pode... me... matar. – Eu disse entre bufadas, já que a força que eu fazia para defender-me era grande.

– Ah, é? E quem disse isso?

Girei meu pé por baixo dela, fazendo-a cair.

– Mas o que está acontecendo aqui? – Uma voz grossa ecoou por todo Olimpo. Zeus era o dono da voz.

– Ah, mas que droga! – Exclamei.

Antes que eu pudesse se quer fazer uma reverência, um raio me fez voar alguns metros. Caí numa pilastra que imediatamente se desfez sobre mim.

Entrei na inconsciência pensando em como eu mataria Zeus quando eu acordasse.