O Herói do Olimpo
22 Colégio?
Notas iniciais
O fixo olhar de Annabeth já começara a me incomodar. Eu continuava abraçado a Calipso, enquanto a filha de Atena me fuzilava com o olhar. Ashley somente olhava tudo com uma expressão de riso. Não era ela o foco de uma filha de Atena irritada.
– Oi, Calipso. – Falei assim que me soltei do abraço.
Calipso olhou fixamente em meus olhos e foi se aproximando. Ela não pode completar o ato de me beijar, pois Annabeth pigarreou, chamando a atenção de todos ali. A filha de Atena me mandou um olhar significativo e se virou para Calipso.
– Nós precisamos ir logo atrás desse tal cinto de Afrodite.
– Ah, sim, claro. Mas como vamos a procura dele? – Perguntou Calipso animada com a ideia de sair daquela ilha.
– Poseidon nos deu um... – Annabeth foi interrompida por um grande estrondo vindo do nosso iate.
– Eu vou lá ver o que aconteceu. – Falei pulando na água e fazendo ela me levar até a cabine de comando.
Cheiro de queimado era o que descrevia a entrada da cabine. Eu não havia aberto a porta ainda, mas o cheiro já estava espalhado pelo iate. Abri a porta e me deparei com uma grande fumaça vindo diretamente dos controles.
– Mas o que...
Antes que eu dissesse qualquer coisa a mais, uma explosão vinda dos controles me fez voar diretamente a encontro da areia fofa da praia. A última coisa que eu vi antes de desmaiar foi o iate explodindo em chamas e Annabeth, Ashley e Calipso correndo até mim.
~.~
Acordei em uma cabana, a qual eu me lembrava ser a de Calipso. Não havia ninguém nela, somente eu. Minha cabeça lantejava e minhas costas doíam. Eu mal sentia meus braços e pernas. Me levantei com cautela e examinei melhor o lugar.
Assim que eu cheguei a entrada da cabana, consegui escutar vozes do lado de fora. Não me preocupei em espiar, afinal eu poderia ir até lá e ouvir.
Annabeth, Ashley e Calipso olharam para mim assim que saí da cabana. Todos elas tinham um olhar preocupado, mas Annabeth também tinha de raiva. Engoli em seco e a encarei, verde no cinza, cinza no verde.
– Você precisa descansar. – Sugeriu, ou melhor, mandou Calipso.
Quebrei o contato visual com Annabeth e voltei até a cabana. Não demorou muito e logo a filha de Atena também entrou.
– Explicações. Agora.
– Isso é complicado...
– Ótimo, temos tempo. – Afirmou ela se sentou em frente a mim.
Suspirei e contei a ela toda a história sobre como conheci Calipso.
– O QUE? – Gritou ela assim que terminei de falar. – Por que você nunca me contou nada, Perseu?
– Porque eu sabia que você teria essa reação.
Ela me fuzilou com o olhar e saiu da cabana. Calipso e Ashley logo entraram com algumas comidas na mão. Sorri olhando diretamente para a sopa que Calipso carregava.
Peguei a sopa e a devorei rapidamente. Eu nem havia percebido, mas eu estava com bastante fome.
Annabeth entrou na cabana com um pequeno sorriso no rosto.
– Poseidon já arrumou um jeito para irmos até Londres.
Cuspi toda a sopa que estava na minha boca.
– Londres? Por que Londres? – Perguntei totalmente incrédulo, afinal era outro país.
– Nós vamos ter que ficar em um colégio por lá até acharmos o possível paradeiro do cinto. – Respondeu Annabeth com um sorriso no canto do rosto. – Mas Calipso não vai precisar ir.
– Mas por que temos de ir até um colégio?
– Os deuses não querem que ficamos sem fazer nada por lá.
– Eles só podem estar de brincadeira... – Sussurrei para mim mesmo. – Mas como vamos até lá, afinal não temos mais nosso iate.
– Poseidon dissera que é só nós entrarmos na água que apareceremos em nosso apartamento.
Cuspi novamente a sopa.
– Nosso apartamento? – Ela apenas assentiu com a cabeça. – Espera, você está dizendo que nós quatro iremos morar em um apartamento em Londres?
Ela voltou a assentir com a cabeça.
Eu não sabia se ficava com medo de morar sob o mesmo teto que Annabeth ou comemorava por ficar no mesmo teto que ela. Espera, isso faz algum sentido? Não.
– Então vamos logo. – Disse Ashley aparentemente animada com a ideia.
Saímos da cabana e fomos até o mar. Aparentemente não tinha nada de diferente nele, era somente o mesmo mar de sempre.
– Nós temos que deitar sobre ele? – Perguntei para Annabeth.
– Sim.
Me aproximei do mar e me agachei. O toquei e senti todas as minhas forças se regenerarem rapidamente. Sorri e pulei sobre ele, logo eu já estava deitado, indo para o fundo do meu subconsciente.
~.~
Acordei no o que parecia ser um quarto. A cama box que eu estava deitado ficava encostada na parede, a deixando de frente a uma gigante TV com videogames. Dois sofás ficavam no canto da sala, ambos diante a uma pequena mesa de vidro. O tapete preenchia literalmente todo o quarto, e a pintura era de um azul do mar. Sorri.
Me levantei e fui até a porta. A abri e me deparei com Annabeth, Ashley e Calipso em frente a outras portas.
– Isso é o nosso apartamento? – Perguntou Ashley.
– Sim... – Respondeu Annabeth enquanto olhava a arquitetura do lugar.
Nós 4 começamos a andar em direção ao fim do corredor. Abrimos a porta e nos deparamos com uma gigante sala de estar. Tinha dois andares, nós estávamos no segundo. A parte de cima tinha uma TV gigante e 4 sofás. A escada dava diretamente no primeiro andar, que no caso somente tinha a sala e mais 2 portas, deduzi que uma fosse a de saída. A parte debaixo da sala tinha 6 sofás com direito a rede e lareira. O tapete passava por todo o lugar. Abrimos as portas e nos deparamos com um grande quarto. Nele tinha diversas armas de bronze celestial e vários bonecos de treino.
Sorri para a casa.
– Uau... – Disse Annabeth.
Calipso não demostrava reação nenhuma sobre a casa. No entanto, Ashley e Annabeth só não davam pulinho de tanta animação. Eu estava até gostando da ideia de morar ali por um tempo.
– Certo, quando teremos aula? – Perguntei para Annabeth.
– Amanhã mesmo já começamos. – Respondeu ela abrindo um sorriso no rosto.
Suspirei derrotado, aquele seria provavelmente mais um colégio destruído.
– Você deve estar pensando que iremos destruí-lo, mas não, Poseidon deu um jeito para que nosso cheiro não saísse daquele colégio. – Comentou Annabeth.
Sorri, eu poderia ter um pouquinho de paz então. Mas parte da graça não teria. Era divertido lutar com um ou outro monstro.
Depois disso, cada um foi para seu respectivo quarto, fazer suas respectivas coisas. Me surpreendi ao chegar no meu quarto e ver que todas as minhas coisas também estavam naquela casa. Me deitei e fiquei jogando videogame até pegar no sono.
– Acorda, Percy, nós já estamos atrasados. – Disse Ashley adentrando o meu quarto.
Me levantei e olhei para ela. Seu olhar estava fixado na minha barriga. Não entendi muito bem, até lembrar que eu havia ido dormir sem camisa. Ela virou o olhar rapidamente, mas dava para ver claramente o rosto corado. Logo ela saiu do meu quarto totalmente vermelha.
Dei de ombros e vesti uma roupa apresentável. Minutos depois Annabeth e Ashley vieram até o meu quarto, ambas lindas e muito mais arrumadas do que eu.
– Vem logo, peixinho. – Chamou Ashley, com um apelido nada legal.
– Espera ai, peixinho? Esse é o melhor que você consegue? – Falei seguindo ela e Annabeth.
Saímos do prédio e me deparei para uma grande e bonita cidade.
– Nós vamos a pé? – Perguntei claramente entediado com a ideia.
– Sim, por que? Algum problema? – Provocou Annabeth,
– Ah, não, isso não é problema para mim, afinal eu andei o tártaro inteiro, não é mesmo?
A filha de Atena rolou os olhos e suspirou começando a andar, e eu somente a segui. Logo nós já estávamos em frente a um grande prédio, onde alunos iam e viam, todos conversando e carregando mochilas.
Que vida fácil. Pensei
Adentramos o grande prédio cercados de olhares. Todos ali nos olhavam, alguns tinham curiosidade no olhar, mas outros... Não sei dizer o que tinha no olhar de outras pessoas.
Annabeth parou em frente a uma porta, logo ela já estava dentro da sala, e eu somente a segui.
Os alunos presentes naquela sala pararam de fazer o que estavam fazendo e olharam para eu, Annabeth e Ashley. Eu me sentei na última carteira da sala, enquanto Annabeth e Ashley fizeram questão de se sentarem na frente.
A professora entrou na sala com uma cara não muito boa. Ela era parecida com a Sr. Dodds. Logo tratei de tirar esse pensamento da cabeça, afinal o que uma fúria de Hades iria querer comigo? A professora usava um casaco com pequenas manchas de café, ela aparentava ter entre os 40-50 anos, e sua expressão era de puro tédio.
Depois de longos olhares e apresentações, a aula começara. Três garotas não tiravam o olhar de mim, e três garotos não tiravam o olhar de Ashley e Annabeth.
Assim que a aula terminou, eu, Annabeth e Ashley saímos da sala. O corredor estava cheio de alunos, todos eles conversavam e riam, totalmente despreocupados. Caminhávamos em direção ao ginásio, parece que a nossa próxima aula era de educação física.
Fomos até o vestiário e colocamos nossas roupas. Dessa vez o short tinha bolsos, pelo menos, vai que alguns lestringões resolvem aparecer e brincar um pouco? Não seria legal não ter minha amiga Contracorrente.
A atividade proposta pelo professor era nada mais nada menos que dogdeball. Annabeth, Ashley e eu acabamos ficando no mesmo time.
– Vê se não machuca ninguém, Cabeça de Alga – Sorri pelo apelido dito por Annabeth.
Ashley olhou para mim e sussurrou as palavras “Cabeça de Alga?”, somente abanei a mão em sinal de deixa para lá.
O jogo começara com Annabeth jogando em cima de um valentão. O cara até tentou pegar a bola, mas ela praticamente o empurrou para trás, e consequentemente ele caiu no chão.
A partida não durou muito, afinal, com três semideuses no time o jogo acabou sendo mais que fácil. Saímos do ginásio, colocamos nossas roupas no vestiário e voltamos até a sala de aula.
O resto do dia foi completamente normal. Mas eu não diria que ele foi “bom”, pois um garoto, talvez do time de basquete, conversou bastante com Annabeth. É, eu sei que pode parecer infantil, mas vai que esse cara é um monstro disfarçado?
Voltamos para casa em total silêncio. Os olhares de Ashley se fixavam em mim e logo depois em Annabeth. Mesmo sendo filha da deusa do amor era difícil entender o meu “relacionamento” com Annabeth.
Chegamos ao nosso apartamento e cada um foi fazer o que queria. Fiquei cerca de umas três horas em paz no meu treinamento, até que Annabeth resolveu interromper.
– Eu vou sair, diga para Ashley e Calipso. Ah, e tem comida na geladeira. – Espera ai, sair? Para onde ela pensava que iria?
– Aonde é que você pensa que vai? – Perguntei guardando Contracorrente e limpando o suor da testa com a costas da mão.
– Um encontro. – Respondeu ela como se fosse qualquer coisa.
Um encontro? Mas ela não tinha namorado?
– Mas, e Harry? – Indaguei totalmente confuso.
– Ah, nós terminamos antes de sair para essa missão.
Um sorriso de canto iluminou o meu rosto, mas logo ele se desfizera ao lembrar o que ela estava fazendo.
Já que ela é uma filha de Atena, eu não ganharia uma discussão, o jeito seria mesmo é segui-la, vai que um monstro aparece?
– Tudo bem. – Falei enquanto ia para o meu quarto.
Annabeth arqueou uma sobrancelha, e relutante ela saiu pela porta. Fui até o meu quarto e peguei qualquer roupa, eu precisava ser rápido.
Saí e olhei para todos os lados. Suspirei e comecei andar pela cidade, completamente sem rumo.
Minha caminhada logo foi interrompida por uma gargalhada já conhecida por mim. Não, dessa vez não é a de Cronos, mas sim de uma certa filha de Atena.
Fixei meu olhar na pequena sorveteria. Não havia muitas pessoas por ali, somente um ou outro casal que parava e comprava pequenas bolas de sorvete. Annabeth estava do lado de um cara, olhos castanhos, porte atlético, o mesmo cara que conversou com ela no colégio.
Meus punhos se fecharam e meus olhos se focaram no sorvete. Me lembrei que sorvete era feito de liquido. Sorri e tentei ao máximo fazer o sorvete do cara derramar.
Nunca subestime um filho de Poseidon.
Mas também não subestime uma filha de Atena.
Annabeth me viu.
E dessa vez eu provavelmente estava morto.
Fale com o autor