O Herói do Olimpo
24 Ashley me joga em armários
Notas iniciais
“Ouvi falar muito de você, Percy. – Disse o homem do sobretudo preto. – Eu realmente me surpreendi com suas façanhas, até então pensei que algo como matar Cronos fosse impossível para um mero semideus. Mas, não estou aqui para falar sobre isso. Eu quero lhe dizer que se prepare, provavelmente eu terei de ajudá-lo em sua missão. Não vai ser fácil passar pelo desafio que lhe aguarda, essa será uma das mais perigosas missões que você já fez, garoto. Se prepare...”
Acordei suando frio e gritando. Eu ainda estava no sofá do segundo andar. Olhei pela janela e percebi que ainda já era noite, talvez fosse umas 4 horas da manhã. Me levantei e senti a brisa fria que vinha da janela. Fui até lá e a fechei.
Andei até o corredor onde ficavam os quartos e entrei no meu, mas não sem antes checar se Annabeth já havia voltado. Suspirei após constatar que ela já havia voltado. Entrei em meu quarto e fechei a porta devagarinho, não queria acordar ninguém daquela casa. Liguei a TV e fiquei jogando Xbox até dar a hora de ir à escola.
– Acor... – Dizia Ashley adentrando o meu quarto.
– É, eu acordei mais cedo hoje. – A interrompi me levantando e indo até o armário.
Retirei minha camisa e esperei que Ashley saísse do quarto ou coisa do tipo, mas não, ela fechou a porta do meu quarto e se aproximou devagarinho até mim.
– Eu estava querendo fazer isso a algum tempo, mas se Annabeth visse... – Disse ela enquanto aproximava sua boca da minha.
E então ela me beijou. Pude ver um pequeno sorriso se expandindo no rosto dela quando sua mão tocou minha barriga. Ela pegou a minha mão e colocou no hm... seios dela.
Um pequeno sorriso também cresceu em meu rosto.
Ela parou o beijo e limpou os cantos dos lábios com a língua, com um pequeno sorriso de lado. Sexy era o que a descrevia ali.
Logo ela saiu, andando de devagarinho até a porta. Suspirei com um sorriso no rosto e voltei minha atenção até o armário. Escolhi uma roupa bem atraente e me dirige até a sala.
Annabeth e Ashley já me esperavam lá. Ashley deu uma piscadela para mim e foi até o elevador. Annabeth me deu um olhar significativo e também foi para o elevador. Suspirei e entrei lá.
O caminho até o colégio foi feito com olhares constantes de Ashley até mim. Annabeth as vezes semicerrava os olhos para a filha de Afrodite, porém parecia que Ashley não temia aquele olhar.
Chegamos ao colégio e fomos até nossa sala. Para minha total surpresa, assim que adentrei a sala, encontrei ninguém menos que Rose.
– Você por aqui? – Perguntou ela.
– É..
Nossa conversa não se prolongou, pois Ashley me tirou daquele lugar.
– O que é que você... – Eu ia dizendo até que me deparei com a imagem de Annabeth conversando com um cara.
O mesmo cara que eu dei uma surra ontem.
– Cafajeste... – Comentou Rose se aproximando.
– Esse cara merece uma surra bem dada... – Afirmei.
– Do que é que vocês estão falando? – Indagou Ashley sem entender nada.
Rose e eu contamos a história para ela, somente não falamos sobre a possível mudança na cor dos meus olhos.
– Annabeth sempre se metendo com os caras errados... – Sussurrou Ashley para ela mesmo.
– Como é? – Perguntei me virando para ela, afinal, Annabeth também tinha se “metido” comigo.
– Ah, não é nada, isso é uma outra história...
Não perguntei mais nada à ela. Do jeito que as filhas de Afrodite são, eu não conseguiria arrancar nada dela.
Me sentei ao lado de Ashley e esperei a aula começar. A professora entrou com um estrondo e deu início a mais uma entediante aula.
Assim que aquela aula terminou, Ashley me puxou até o corredor e me trancou dentro do armário do zelador.
– O que é que você...?
Ela me calou com um beijo. Fizemos os mesmos passos com as mãos, minha mão foi até o seio dela e a dela foi até debaixo de minha camisa, em cima de minha barriga. Ela olhou as horas e viu que estávamos atrasados.
– Droga... nós temos aula agora, vem! – Exclamou ela me puxando para fora do armário.
Com o braço que não era puxado por Ashley, limpei a boca o máximo que pude, os lábios dela haviam saído, mas o batom ficou. Droga.
Ashley praticamente arrombou a porta da sala.
– Desculpe pelo atraso, professora.
Ela apenas assentiu e deu continuidade à sua aula. Annabeth olhou para mim e seguidamente para Ashley com uma sobrancelha arqueada. Engoli em seco e me sentei ao lado da filha de Afrodite.
– Annabeth já desconfia. – Sussurrei para Ashley.
– É, eu sei, isso não é demais? – Perguntou ironicamente ela. – Com perigo é sempre mais divertido, Percy.
Dei de ombros e voltei a tentar prestar atenção à aula.
Teve uma hora em que eu não aguentei mais olhar para o quadro e virei o meu olhar para Annabeth. Ela sussurrava coisas e soltava pequenos risinhos com o cara que eu dei uma surra.
Suspirei e esperei até o fim da aula. Por causa do TDAH, a aula demorava cerca de horas para mim.
Mas, no meio da explicação da professora, minha cabeça começou a doer demais. Era uma dor insuportável, e junto da dor, vinha a risada de Cronos.
Você achou que eu iria lhe deixar quieto, Jackson? Não, eu tenho outros planos, eu preciso de você, ou melhor, de seu corpo. Não lute, deixe eu tomar posse, prometo que a morte será rápida.
Ashley percebeu a minha inquietação e logo se preocupou. Ela olhava freneticamente para minha cabeça e para a professora, talvez procurando um jeito de me ajudar.
Antes que ela pudesse ter qualquer ideia, eu levantei minha mão e pensei no tempo parando, e assim aconteceu.
– Não! Você... não... vai... conseguir! – Eu dizia após longos suspiros para tentar acalmar minha cabeça.
AH!!!!!!!!!!!!!!, gritou Cronos.
A dor de cabeça parou e a voz dele não foi mais ouvida. Levantei minha mão e pensei no tempo voltando ao normal, e foi o que aconteceu.
Ashley olhou para mim com uma sombra de dúvida.
– Depois eu te explico. – Sussurrei.
Ela apenas assentiu milimetricamente com a cabeça.
A aula acabou e, novamente, Ashley me puxou para o armário do zelador.
– O que é que aconteceu lá na sala de aula?
– Cronos estava me “atacando” mentalmente. – Respondi.
– Hm... – Disse ela. – Já que é só isso, acho que já podemos... – Não a deixei terminar a frase e avancei em um beijo.
E novamente ficamos nos beijando, seguindo os mesmo passos das outras vezes, porém dessa, os beijos se prolongaram até o pescoço.
Ela se afastou, me deixando cheirando o lugar aonde estava o pescoço dela.
A filha de Afrodite abriu a porta do armário, porém, dessa vez, não me puxou pelo braço.
Dei uma última cheirada no lugar aonde ela estava e saí do armário. Olhei para o corredor aonde dava na quadra e segui até lá.
Todos os alunos já estava preparados para o jogo que teria. Fui até o vestiário e coloquei minha roupa de educação física. Saí de lá e olhei para Ashley, que insistia em usar uma roupa extremamente provocante.
Desviei o olhar e me foquei em Annabeth. Ela continuava conversando com o tal cara, mas dessa vez, eles olhavam diretamente até mim.
Sorri para o cara e acenei para Annabeth, a qual me fuzilou com o olhar.
O jogo era basquete. Fácil, ainda mais se eu tivesse que jogar contra o cara com quem Annabeth conversava, afinal, o braço dele não estava lá tão bom...
E como eu previa, eu fiquei contra o cara.
O jogo foi bem fácil. Descobri por gritos que o nome do cara era Robert, e depois disso, ele tentou me dar uma surra no jogo. Mas não é assim que se joga contra um semideus. Diversas vezes ele tentou avançar até mim e me fazer uma “falta”, mas eu estava atento e consegui fazer ele ir de cara ao chão. Acabou que meu time ganhou de lavada.
Eu e Ashley fomo até a saída do colégio e esperamos, pacientemente, Annabeth.
– Que demora. – Comentou Ashley. – O que é que você estava fazendo?
– Conversando com Robert.
– Sei... conversando... – Eu disse enquanto começava a andar em direção ao nosso apartamento.
Ninguém disse nada o caminho inteiro. Diversas vezes eu parava e olhava para os lados procurando o cara do sobretudo preto... Aquele cara tinha algo de diferente, dava para sentir aquilo.
Eu não achava que ele era monstro, pelo contrário, eu acreditava que ele estaria me ajudando, afinal, o sonho disse isso, e os sonhos de semideuses não mentem.
– Eu encontro vocês no caminho, vou dar uma rodada pela cidade. – Avisei.
Annabeth e Ashley somente assentiram com a cabeça e voltaram à rota do nosso prédio.
Suspirei e comecei a andar sobre a cidade de Londres. O vento estava bastante frio, quase fazendo os meus dentes trincarem.
Eu andava totalmente sem rumo, tentando pensar em uma explicação para o que aconteceu hoje. Cronos parecia ainda estar em mim, e isso não era nenhum pouco legal.
Fiquei tão perdido em meus devaneios, que acabei entrando em um beco e esbarrando em alguém.
– Me descul... – Eu ia me desculpando, mas parei assim que vi em quem eu esbarrei.
O cara do sobretudo preto.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa à ele, um rugido acabou me fazendo virar o olhar.
– Ora, ora, ora, enfim nos encontramos novamente, Percy Jackson! – Exclamou uma mulher saindo do meio da escuridão.
Quanto mais ela se aproximava mais eu sabia que não era só uma mulher. Ela tinha um cachorro ao seu lado e aparentava ter uns 40 anos.
Quando a língua dela saiu para fora da boca, eu tive uma vaga lembrança da mesma imagem, somente não consegui distinguir quem a mulher era.
– Eu te conheço? – Perguntei com a mão no bolso.
– Tsc, tsc, tsc. – Dizia ela enquanto andava de uma lateral à outra do beco. – Não se lembra de mim, não é mesmo? É, eu já esperava isso. Nosso primeiro encontro foi no arco de San Luís.
Tirei a caneta do bolso e a destampei.
– Equidna.
– Isso, isso mesmo, garoto. Sabe, foi difícil sair do tártaro depois que aquele segurançazinha do seu acampamento me jogou lá. – Contou o monstro. – Mas dessa vez, quem irá para o tártaro será você.
– Não, eu já fui para lá. – Ela se espantou. – Crios me jogou lá.
Ela sibilou e se virou para o cachorro. Me lembrei da transformação do cachorro e me preparei para um luta.
– Você não tem saída dessa vez, semideus. Minha Quimera vai matar você em questão de segundos.
– Eu não preciso de uma saída dessa vez. — Afirmei.
– É o que veremos.
E então o cachorro se transformou na enorme Quimera. Ela assumiu uma cabeça de leão, um torso de cabra e a parte posterior do corpo ficou igual à de um dragão.
Eu não tinha muito espaço naquele beco, então a vantagem estava na mãos do monstro. Suspirei derrotado e parti para o ataque.
Tentei perfurar o tronco da Quimera, porém ela desviou e com o seu rabo me jogou na parede. Contracorrente caiu ao meu lado e eu cai de cara no chão.
– Acabe com ele, Quimera, eu tenho outras coisas para fazer agora. – Disse Equidna saindo.
Levantei a minha mão e tentei fazer o tempo parar, mas não funcionou. Olhei para os lados tentando achar qualquer coisa que pudesse me ajudar na luta.
Me levantei com o braço esquerdo quebrado. Ótimo, pelo menos eu uso a mão direita para a espada.
Esperei o ataque de Quimera e rolei para o lado, mas ela estava ligada aos meus movimentos e me jogou de novo contra a parede com o seu rabo.
– Droga... – Sussurrei.
Parecia tão ridículo eu ser derrotado pela Quimera, afinal, eu já derrotei Cronos, como eu não conseguia derrotar esse monstro?
É, parece que eu só consigo fazer as coisas com ajudas dos meus amigos. Eu só derrotei Cronos por que Annabeth e Grover me ajudaram, só recuperei o velocino, só entrei no labirinto, só salvei o raio mestre de Zeus com a ajuda deles. Eu não era ninguém sozinho.
De repente eu senti como se todas as minhas forças se revigorassem, mas também senti como se eu estivesse mais forte.
A Quimera avançou novamente, e esperou que eu pulasse para a direita. Mas eu a surpreendi, deslizei todo o meu corpo para baixo e cortei a cabeça dela, deixando somente pó no lugar.
Comecei a bufar, e quando comecei a sair do beco em direção ao apartamento, eu desmaiei, sem mais, nem menos.
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