O Herói do Olimpo

13 Annabeth Complicada...


Nossa primeira parada seria em Denver, aproximadamente mais sete horas até lá.

Harry ainda encarava Annabeth com um olhar estranho, ele realmente era difícil de se ler. Quando Annabeth percebia o olhar sobre si, ele logo desviava em direção a janela.

Annabeth lia seu livro com a cabeça encostada em meu ombro, calmamente ela folheava as páginas com um sorriso no rosto.

Grover dormia ao lado de Harry, vez ou outra ele soltava algumas falas, ele devia estar em um sono bom.

Eu fuzilava Harry com o olhar enquanto ele se encolhia, mas continuava com os olhares para Annabeth, e eu já tinha uma teoria sobre o que seria esses olhares.

–Vocês estão com fome? – Perguntei me levantando.

–Sim. – Respondeu Annabeth se levantando.

Harry apenas deu de ombro e começou a fitar a janela. Grover dormia então não haveria resposta dele.

–Vem, vamos até o restaurante Sabidinha. – Falei puxando Annabeth comigo.

Começamos a andar de mãos dadas em direção ao restaurante. Chegando lá nos sentamos e pedimos nossas comidas.

–Você não noto aqueles olhares do seu amiguinho pra cima de você? – Indaguei cuspindo a palavra “amiguinho”.

–Isso é ciúmes, Cabeça de Alga?

–Sim, isso é ciúmes, mas olhe pelo lado bom, quem tem ciúmes é porque ama. – Eu disse virando o meu olhar para a janela.

Annabeth não respondeu, somente se aproximou de mim e pegou meu rosto pelas mãos, me fazendo encarar aqueles lindos olhos cinzas que tanto me hipnotizam.

–O que isso quer dizer Cabeça de Alga? – Perguntou ela com um sorriso no rosto.

–Você entendeu. – Respondi tentando me controlar para não beijar aqueles lábios que tanto me atraem.

–Eu também te amo Cabeça de Alga.

Logo depois disso ela me puxou para um beijo apaixonado, com certeza foi o melhor beijo que já tive em toda a minha vida.

Ficamos assim até lembrarmos que estávamos em um restaurante. Nos separamos, ambos corados.

Depois de alguns minutos o garçom trouxe a nossa comida. Comemos enquanto conversamos. Terminamos e nos levantamos em direção a nossa cabine.

–Sabidinha, você não acha que foi arriscado levar esse semideus com a gente? – Perguntei um pouco antes de entrarmos na cabine.

–Não, ele não iria conseguir chegar sozinho ao acampamento.

–É, talvez.

Nos sentamos e Annabeth apoiou a cabeça em meu ombro. Depois de um tempo senti que a respiração dela já estava mais calma e lenta. Me aconcheguei no banco e me apoiei para dormir.

Acordei um tempo depois com Grover me chamando.

–Acorda cara! Nós acabamos de parar, estamos em Denver.

–Tá menino-bode, não precisa gritar. – Falei me espreguiçando.

–Ainda está a noite, nós vamos ter que ficar em um hotel, alguém conhece um? – Perguntou Harry.

–Eu conheço. – Falei. – Não fica muito longe daqui, cerca de quinze minutos andando.

Todos assentiram com a cabeça e nós começamos a andar. Depois de passar os quinze minutos chegamos ao hotel em que eu me referia.

Nós entramos e atendente logo falou conosco. Ela tinha cerca de dezenove ou vinte anos, usava um uniforme do hotel e mascava um chiclete.

–O que vocês iram querer? – Perguntou ela digitando em seu computador.

–Dois quartos.

–Tudo bem ... Aqui – Disse ela me entregando um papel e as chaves. – Me liga docinho. – Sussurrou ela piscando para mim.

Annabeth ficou vermelha de raiva, mas antes que ela fizesse qualquer coisa eu a puxei e nós subimos para o andar de nosso quarto, eu e ela ficaríamos em um enquanto Grover e Harry em outro. Harry não queria deixar, mas como Annabeth é uma filha de Atena os argumentos não acabam nunca.

–Calma Annie. Olha só. – Eu peguei o papel e o rasguei em mil pedaços. –Não precisa se preocupar.

Ela continuou resmungando coisas como “Atendente idiota!” ou “Atendente oferecida’’ dentre outras coisa que eu prefiro não citar.

Entramos no nosso quarto e pulamos na cama.

–Quem toma banho primeiro? – Perguntei me levantando indo até a minha mochila.

–Vai você, eu ainda preciso olhar algumas coisas. – Disse ela indo até a mochila dela.

Apenas dei de ombros e entrei no banheiro. Fiquei cerca de uns vinte minutos no banho, sou filho de Poseidon, eu tenho esse direito.

Me enxuguei e coloquei minha bermuda. Sai do banheiro e me deite na cama. Annabeth logo entrou no banheiro e começou seu banho. Peguei o controle da TV e a liguei. Fiquei somente olhando para aquele aparelho até que Annabeth saiu do banheiro somente com uma lingerie.

–Uau! – Exclamei quando a vi.

Ela se aproximou e me beijou. Sério, eu não tinha segundas intenções, mas vela daquele jeito me deixou louco.

E depois disso tive a melhor noite da minha vida.

Acordei com uma cabeleira loira em cima de meus olhos. Enquanto eu abria lentamente os olhos, flashes da noite anterior rodavam minha cabeça. Um sorriso involuntário invadiu meu rosto.

–Bom dia. – Disse Annabeth se sentando em minha frente.

–Bom dia – Respondi coçando os olhos. – São quantas horas?

–Dez da manhã, temos algum tempo antes de sairmos pra missão. Que tal vermos um filme? – Perguntou ela mostrando dois baldes de pipoca.

–Como você conseguiu um balde de pipoca em um hotel?

–Névoa. – Respondeu ela me jogando um dos baldes.

–Tudo bem... Qual filme vamos ver? – Perguntei a posicionando ao meu lado.

Ela me mostrou uma capa e logo o filme começou. Annabeth comia sua pipoca enquanto eu somente a observava.

Ela se virou e viu que eu a fitava.

–O que você tanto olha em Cabeça de Alga?

–O quanto você é bonita. – Eu disse dando um selinho nela.

Annabeth corou com o comentário e se virou novamente para TV. Ficamos vendo esse filme até baterem na porta do quarto.

Eu levantei e fui atender. Era somente Grover que parecia realmente cansado.

–Por que você está com olheiras, menino bode? – Indaguei abrindo espaço para ele entrar no quarto.

–Aquele tal de Harry, ele roncou a noite inteira cara! – Exclamou ele se jogando no sofá.

Apenas dei de ombros e voltei a me sentar ao lado de Annabeth. Passou alguns minutos e Grover já havia adormecido.

Depois de algum tempo o filme acabou e tivemos de acordar Grover para continuar com a missão. Ele relutante se levantou e nos acompanhou em direção ao quarto em que Harry estava.

Adentramos no quarto e encontramos Harry vendo TV.

–Nós temos de ir cara, o trem deve partir daqui a uma hora.

Ele apenas assentiu com a cabeça e se levantou. Fomos em direção a recepção do hotel e pagamos nossas contas.

Saímos do hotel e começamos a caminhar em direção a estação.

Quando estávamos passando eu percebi que ali havia uma joalheria. De repente uma ideia havia surgido em minha cabeça.

–Eu encontro vocês na estação, eu preciso fazer uma coisa antes de ir. – Eu disse me virando em direção a um aglomerado de lojas.

Annabeth não queria me deixar ir, mas apontei para Grover aonde eu iria e ele me ajudou a convence-la.

Andei em direção a joalheira, torcendo para não ter de usar a névoa, afinal eu tinha um pouco de dinheiro que eu havia ganhado no acampamento Júpiter, mas se faltasse por um pouquinho...

Cheguei e fui até a recepção. Um homem magro, aproximadamente uns vinte anos, usava o uniforme da loja e atendia uma senhora que comprava algumas joias.

Esperei cerca de cinco minutos até ele me atender.

–O que vai querer? –Perguntou ele atrás do balcão.

–Alianças. – Dito isso ele começou a me mostrar todas que havia disponível.

Até que me deparei com uma que era feita com pedras do mar, ideal para nossas situação, ela sempre se lembraria de mim com aquilo.

–Eu vou querer essa. – Falei apontando para ela.

–Tudo bem... – Ele falou o valor e logo foi marcar os nomes nelas.

Fiquei esperando alguns minutos até ele voltar com as alianças, o meu nome e o de Annabeth cravados.

O paguei e sai da loja. Eu sorria, agora só faltava a oportunidade de entregar a ela.

Guardei a caixa dentro de minha mochila e comecei a caminhar em direção a estação.

Eu não parava de pensar em qual seria a reação de Annabeth ao ver as alianças.

Encontrei Annabeth e Grover sentados em frente a um restaurante. Fui até lá e me sentei ao lado de Annabeth.

–O que tanto você precisava fazer? – Perguntou Annabeth desconfiada.

–Por enquanto você não precisa saber.

Depois disso um silêncio desconfortável preencheu o ambiente.

Harry chegou logo depois com nossas comidas. Comemos em silêncio e voltamos para o trem. Entramos em nossas cabines e me sentamos.

–Annie? – Falei.

–Perseu. – Ela disse simplesmente.

Estou em sérios problemas.

–Tá, eu realmente não queria fazer desse jeito mas terá de ser. – Eu disse pegando as alianças em minha mochila. – O que eu fui fazer aquela hora, era nada mais nada menos do que comprar isso pra você.

Assim que eu abri a caixa das alianças os olhos dela se arregalaram e brilharam. Ela realmente havia ficado muito feliz.

–Cabeça de Alga! – Exclamou ela pulando em cima de meu pescoço.

Eu abracei a cintura dela e a dei um beijo, digno de cinema.

–Não precisa se preocupar Sabidinha, eu sou seu e de mais ninguém. – Sussurrei no ouvido dela.

Me afastei um pouco dela e coloquei uma das alianças no dedo dela, e ela fez o mesmo comigo.

Grover somente assistia a cena com um sorriso no rosto, enquanto Harry olhava aquilo tudo com uma cara de quem comeu e não gostou.

–Eu te amo, Sabidinha.

–Eu também te amo, Cabeça de Alga.

E assim ficamos, somente abraçados até o trem ser parado. Me levantei e fui ver o que havia acontecido.

–Estamos em sérios problemas. – Falei quando vi o que teríamos de enfrentar.

–O que é que aconteceu? – Perguntou Harry.

–Uma velha conhecida, nossa querida amiga Medusa está lá fora.