O Herói do Olimpo

16 Acabo com Cronos


Notas iniciais
Curtam o cap... Ele ficou pequeno, pois eu queria postar logo, só pra alguns leitores que eu sei que ficam angustiados, sem saber o que rolo com o Percy. Então, ele não deve estar muito bom...

Pov Percy

Acordei com uma tremenda dor no braço esquerdo. Olhei ao meu redor e não consegui ver nada, somente escuridão.

Uma risada maligna, já ouvida por mim antes, preencheu o ambiente.

Jackson! A quanto tempo! Sabe, eu esperei muito tempo por esse momento. – Dizia o titã do tempo.

–O que você quer, Cronos?

Ah, o que eu quero? Você.

Assim que foi dito isso, comecei a sentir uma dor interna. Eu pensei que já havia passado por muita dor, afinal, a alguns minutos atrás eu tinha tido a minha alma partida, mas essa dor era com certeza muito pior.

Eu logo me arrependi de ter a maldição de Aquiles. Com certeza aquela maldição estava me mantendo vivo até agora, um semideus com um corpo normal não aguentaria essa dor.

Só está sendo dolorido por você se negar a mim, por lutar. Deixe me tomar posse de você, Percy, os deuses não lhe querem, provavelmente sua namoradinha já deve estar nas garras do outro. Você é irrelevante a eles.

Eu conseguia sentir um pouco de medo na voz dele. Provavelmente ele não teria muitas forças, afinal, ele havia acabado de voltar ao tártaro, e não tinha nenhum corpo em seu controle.

–Não! – Eu dizia firmemente.

Eu conseguia escutar ele gemendo de dor, tão fortes quanto os meus.

Com o tempo a dor foi se esvaindo. Quando ela se foi por completa, senti todos os músculos do meu corpo ficando mais fortes, meus olhos piscaram rapidamente e minha pele formigou.

Me levantei, com dificuldade, e comecei a andar. Eu não tinha ideia de como eu iria fazer para sobreviver ao tártaro. Mas eu iria tentar.

Tropecei em um objeto, que percebi que era a foice de Cronos. A peguei e logo ela brilhou em uma luz dourada. Contracorrente começou a chacoalhar em meu bolso. Hesitante a tirei de lá.

Ela se transformou em espada, e foi de encontre a foice. A princípio eu não entendi o que estava acontecendo, mas elas logo foram se fundindo, deixando somente uma lâmina, feita de três materiais.

A nova lâmina se transformou em caneta e caiu no chão. A peguei e me sentei.

–Mas o que... – Ia dizendo quando fui interrompido por um estrondo.

Do meio da escuridão, surgiu três grandes gigantes. Eles deveriam ter uns seis metros de altura. O do meio era equipado com um raio, semelhante ao de Zeus. O da direita estava com um tridente e uma rede. E o da esquerda usava uma espada, fina, capaz de matar com somente alguns cortes.

–Cronos? – Indagou o do meio.

Por que eles me confundiriam com Cronos?

–Não. – Respondi me levantando.

–Quem é você? – Perguntou o com o tridente.

–Percy Jackson.

–Nós já ouvimos esse nome antes... É claro, foi você quem matou Cronos, certo? – Disse o com a espada.

–É.

–Por que você está com a aurea de Cronos?

–Eu não sei.

–Interessante... – Disse o do meio. – Cronos acabou de lutar contra ele, mas parece que o garoto ganhou, e como Cronos já estava dentro do corpo dele, ele tomou o controle dos poderes do titã.

Me virei para ele, de olhos arregalados.

–Mas quem são vocês?

–Nós somos os gigantes. Eu sou Porfírion, o anti-Júpiter.

–Eu sou Polibotes, o anti-Netuno.

–Eu sou Alcioneu, o anti-Plutão.

Engoli em seco. Eu já havia ouvido falar sobre a gigantomaquia, a guerra entre os deuses e os gigantes.

–O que querem comigo? – Indaguei.

Eles se entreolharam, e com um sorriso, se armaram.

–Nós vamos fazer uma festinha com você. Gaia está para despertar, e ela o quer como um líder para as nossas tropas. Ou você aceita, ou teremos de mata-lo. – Disse Porfírion.

–Podem vir.

–Se você quer assim. – Disse o anti-Júpiter, sorrindo.

Eles partiram para o ataque. Eu já sabia que não haveria como ganhar aquela luta. Eu não conseguia usar o meu braço esquerdo, e eles eram três gigantes.

Levantei minha nova espada e parti para o ataque.

Quando Polibotes iria me acertar com seu tridente, o tempo pareceu ter parado, e com isso, desviei e o acertei no braço.

Ele rosnou e se virou para o Porfírion.

–O tempo está a favor do garoto. Nós não podemos fazer nada por enquanto.

–Tudo bem, Gaia já tem planos para esse garoto. – Respondeu ele.

–Vamos deixa-lo?

–Por enquanto sim. Aproveite, Percy Jackson, essa pode ser a última vez que faremos isso. – Disse Porfírion.

Eles saíram. Desabei no chão e comecei a contar as minhas chances. Eu precisaria arrumar um jeito de sair dali rápido. Não queria ser comida de gigantes, principalmente daquele anti-Netuno.

Me levantei, e comecei a andar. Retirei minha caneta do bolso e a destampei. A espada reluzia um brilho, não muito, mas o suficiente para eu enxergar tudo a minha frente.

Marcas de lutas, sangues, ossos. Tudo isso era encontrado no chão do tártaro.

Eu acho que os monstros confundiam minha aurea com a de Cronos. Eu não fui atacado por nenhum até agora, e já deve ter cerca de uma hora que eu estou andando.

Parei assim que avistei uma grande casa. Ela era escura, havia pontos brilhantes por todo o telhado, como se fossem estrelas. O quintal era parecido com o de Persefone, não atrevi a tocar em nada dele.

Adentrei a casa com Contracorrente em mãos. Eu olhava atentamente cada canto do lugar, a procura de algum monstro ou algo do tipo, mas não havia nada por ali.

–Um semideus? Não me lembro de ter visto um de você por aqui, e olhar que eu moro aqui a um tempo. – Disse uma mulher, que saiu de uma porta aos fundos da casa.

Ela usava um vestido preto. Sua pele era incrivelmente pálida, igual a de Nico. Seus olhos eram orbitas de pura escuridão, e seu olhar era indecifrável.

–Quem é você? – Perguntei com Contracorrente em mãos.

–Nix. – Respondeu ela simplesmente.

Revirei minha cabeça até lembrar-me dela. A deusa primordial, filha de Caos. A personificação da noite.

–Bem, a esta altura você já deve ter lembrado de quem sou. Então vamos logo ao assunto. Gaia e os gigantes estão querendo retornar, e eu não quero que Gaia controle tudo de novo. Então, eu vou lhe mostrar como sair daqui.

–Certo...

–Venha, eu vou lhe mostrar um mapa do tártaro. – Disse ela se dirigindo a mesma porta em que ela apareceu.

Apenas assenti com a cabeça, guardei minha espada, e a segui. Eu não tinha alternativa em segui-la ou não, a minha única chance era ela.

Adentramos em uma sala. Ela estava cheia de estantes e livros, em um dos lados havia um caldeirão, que borbulhava e soltava ácidos no ambiente.

Nix se dirigiu até uma escrivaninha e lá ela retirou um pergaminho, igual aos usados pelas pessoas antes de inventarem os livros.

Ela veio até mim e esticou o pergaminho. Um mapa havia sido desenhado nele.

–Pra você sair daqui, não será fácil. A saída do tártaro fica do outro lado, bem aqui. – Disse ela apontando para uma ponta do mapa.

–Certo... O que eu tenho de fazer para chegar até lá? – Perguntei.

–Isso não será fácil. Você não vai conseguir chegar até lá com suas habilidades. A monstros no caminho em que você nem pensa em enfrenta-los, monstros que nunca saíram do tártaro. – Respondeu ela indo até o caldeirão.

–Então, como eu vou até lá?

–Eu terei de te treinar. – Disse ela soltando um suspiro.

–Certo... E quando começamos?

–Amanhã. Primeiro você terá de arrumar o seu quarto. Depois nós conversamos.

Ela saiu da sala em que estávamos e foi até uma porta a esquerda. A segui e entrei logo em seguida.

Havíamos entrado em um quarto. Ele era imenso, não era preto igual ao resto da casa, ele era de cor azul e havia várias estantes e livros. Havia uma cama box no meio, e uma porta a esquerda, que eu deduzi que seria o banheiro.

–Como você conseguiu trazer essas coisas do mundo mortal para cá? – Perguntei assustado.

–Eu sou uma deusa, consigo o que quero.

Apenas assenti com a cabeça, ainda assustado, e me deitei na cama.

Nix saiu do quarto, me deixando sozinho naquele imenso cômodo.

Retirei de meu bolso a minha caneta. A destampei e vi a nova lâmina que eu tinha.

Flashes do acontecido voltaram a minha cabeça. Como minha espada se junta a foice de Cronos? Por que?

Minha vida inteira voltou a mente. Meus melhores momentos vagavam em minha cabeça. Um sorriso brotou em meus lábios ao lembrar de Annabeth.

Logo meu peito se encheu de preocupação. Provavelmente já me consideravam morto a essa hora, e provavelmente Annabeth já estava entrando nas garras de Harry.

Fui até o banheiro e procurei um jeito de fazer uma mensagem de íris. Nada, não havia nenhuma luz no tártaro.

Voltei até a minha cama e me deitei. Minha cabeça vagava até uma certa filha de Atena. Não percebi e logo cai no sono.

E com certeza eu tive um dos piores pesadelos de toda a minha vida.