O Herói do Olimpo

15 A Mortalha do Filho de Poseidon


Notas iniciais
Esse cap tá pronto a um tempo, eu só queria solta-lo junto ao o que Percy estava no tártaro, mas eu não tive tempo pra escrever o outro, então pra não demorar muito resolvi mandar ele sozinha mesmo. Curtam o cap!

Pov Annabeth

–Me soltem! – Exclamei para Grover e Harry, que me seguravam, me impedindo de ir atrás de Percy.

Consegui me soltar depois de uns dois minutos. Comecei a correr na direção em que Percy havia ido.

Cheguei a uma casa de mármore que preenchia todo o quarteirão. Parte de meu cérebro analisava a arquitetura da casa, enquanto a outra não parava de pensar no moreno dos olhos verdes.

Logo a preocupação encheu meu peito. Eu não estava com um pressentimento muito bom.

Entrei na casa e me reparei com Luke e Thalia lutando, Nico já ia se aproximando. Ele mantinha uma expressão de culpa, tristeza e preocupação.

Ele chegou ao lado de Luke e lhe deu uma rasteira, dando a Thalia a oportunidade de colocar a sua lança diante ao pescoço do filho de Hermes.

Me aproximei dos dois e olhei para Nico. Ele mantinha um olhar de pena, que ia diretamente a mim.

Rodei meu olhar por toda a casa, não estava preocupada com Luke, eu queria mesmo é saber aonde estava Percy.

–Nico, aonde está Percy?

Ele apenas balançava a cabeça negativamente.

–Aonde ele está?! – Exclamei interrogativamente.

–Crios...O jo...go...u no... tár...taro. – Disse ele gaguejando.

Meu corpo entrou em puro choque.

Ao longe dali Crios sorria, olhando diretamente para mim. Ele se afastou lentamente e saiu no meio da escuridão.

Cai de joelhos no chão. Virei o meu olhar para Luke, ele permanecia com um sorriso nos lábios.

–Achou que eu estava brincando quando lhe disse que as coisas não ficariam daquele jeito? Se eu não posso te ter, Annabeth, ninguém terá.

Eu já ia sacando minha adaga quando Nico me parou.

–Não. Não vale a pena.

Grover e Harry chegaram logo depois, ambos bufando pela corrida que provavelmente fizeram do restaurante até aqui.

Grover fez a mesma coisa que fiz ao chegar aqui. Ele olhava para todos os lados, tentando em vão achar Percy.

Uma lagrima desceu o meu rosto. Todos os momentos que passamos juntos, tudo veio à tona.

Logo eu já estava em prantos, deitada ali mesmo, no meio da grande casa.

Grover se aproximou lentamente e se ajoelhou ao meu lado. Vi uma lagrima descendo de seus olhos.

Nico pegou sua espada de ferro estigio e se aproximou de Luke. Eu pensei que ele iria corta-lo ou algo do tipo, mas não, ele somente o nocauteou.

Thalia retirou sua lança do pescoço do filho de Hermes e se sentou ao meu lado.

Todos nos amávamos Percy, seria com certeza a maior perda que já tivemos.

Thalia retirou de sua mochila uma espécie de espelho, dele saia um arco íris, o suficiente para uma mensagem de Íris.

Ela retirou uma dracma de sua mochila e logo recitou as palavras.

–Ôh Íris deusa do arco-íris aceite minha oferenda mostre-me Clarisse La Rue.

A Arena do Acampamento Meio-Sangue apareceu entre o arco-íris.

–Clarisse! – Exclamou Nico

Ela se virou repentinamente para a imagem.

–Por que você está no acampamento? – Perguntou Thalia.

–Nós não conseguimos continuar, estávamos sendo atacados muito rápido, a cada dez minutos era um monstro diferente. – Respondeu Clarisse.

–Tudo bem... Fale para Quiron preparar uma mortalha, quando chegarmos ai, quero que ela esteja pronta. – Disse Thalia.

–Para quem? – Perguntou ela

–Percy Jackson. – Disse Thalia com uma lagrima no rosto.

Eu juro por todos os deuses que eu vi Clarisse com uma expressão de tristeza que ela substituiu rapidamente para uma de indiferença.

Mas ela não me enganava.

Thalia não a deixou responder. Ela desfez a mensagem de íris e se virou para mim.

–Nós temos de ir.

Assenti com a cabeça e me levantei. Lagrimas ainda percorriam todo o meu rosto, lembranças vagavam pela minha cabeça. Me lembrei de nossa primeira conversa, a qual disse a ele que ele babava enquanto dormia, ri internamente por rever a cena.

Grover usou sua flauta para fazer algumas plantas prenderem Luke, e logo começamos a andar. Grover e Harry carregavam Luke, enquanto Thalia e Nico ia conversando mais à frente.

Fiquei assim, somente andando atrás de meus amigos enquanto recordava todos os meus momentos com o Cabeça de Alga.

Quando estávamos indo a uma estação de trem, Nico caiu de joelhos no chão, ele começou a suar frio e gritar desesperado.

–PARA! PARA!

–Calma, Nico! Estamos aqui, estamos com você. – Dizia Thalia tentando acalma-lo.

Mas ele não parava. Continuava a gritar, enquanto apertava sua cabeça com as mãos.

Logo depois ele desmaiou. Thalia e eu o pegamos e começamos a ir em direção a um hotel.

A recepcionista não quis nos deixar entrar, nós tivemos de usar a névoa para passar.

Ficamos em dois quartos. Eu, Thalia e Nico ficamos em um enquanto Harry, Grover e Luke em outro.

Eu e Thalia colocamos Nico na cama e nos sentamos, ambas suadas por ter de carregar o filho de Hades.

–Bem, eu vou tomar um banho. – Disse Thalia indo em direção ao banheiro.

Apenas assenti com a cabeça e me deitei em uma das três camas que tinha no quarto.

Enquanto eu deitava, memorias voltavam em minha cabeça. Percy babando enquanto dormia, ele me salvando no mar de monstros, ele segurando o céu por mim, dele me acompanhar por todo o labirinto de dédalo...

Fiquei tão perdida em meu devaneios que não percebi que Thalia me chamava.

–Hey! Annie! O Nico acordou.

Me levantei e olhei para a cama em que Nico se encontrava. Ele estava com as mãos cansadas, apoiadas em uma almofada. Seus olhos continham um sofrimento terrível, e seu rosto mostrava seu cansaço.

–O que aconteceu, Nico? – Perguntei.

–Percy... Eu consegui sentir o sofrimento que ele sentia... Eu já havia lido sobre isso uma vez no mundo inferior. – Depois de um suspiro ele voltou a fala. – Vocês sabem que os filhos de Hades conseguem sentir a energia vital de pessoas que nós gostamos, certo? – Assentimos com a cabeça. – Bem, eu estava conseguindo sentir a energia vital de Percy, ele não estava morto, até que ele começou a sentir uma dor tão grande, que ela não conseguia ficar somente no corpo dele, então cerca de dez por cento da dor dele foi transferida a mim... E não era uma coisinha qualquer, foi, sem dúvidas, a maior dor que já senti em minha vida. Eu não consigo mais sentir a energia vital. – Disse ele por fim.

Voltei a sentir lagrimas percorrendo o meu rosto. Eu não queria acreditar que ele estava morto... Tudo de ruim que acontecia nesse mundo cabia a ele resolver. Por que?

–Eu...vou dormir. – Eu disse me virando na cama.

Enquanto eu me lembrava daquele lindo sorriso que ele tinha, aqueles olhos pelos quais tanto me apaixonei, acabei dormindo.

Acordei no dia seguinte com Thalia me chamando.

–Nós temos de ir. Quanto mais rápido chegarmos ao acampamento, mais rápido poderemos ter um descanso.

Assenti com a cabeça e me levantei. Fui até o banheiro e tomei um banho. Sai e vi que Thalia e Nico já me esperavam em frente a porta, todos os dois prontos para partirem.

–Vamos? – Perguntou Thalia.

Apenas a segui. Todos nos mantínhamos expressões de tristeza no rosto. Já havíamos passado nove meses sem Percy, mas agora seria a eternidade. Pelo menos eu o veria depois nos campos Elísio...

Uma terrível ideia veio a minha mente, mas logo a tratei de tira-la, Percy não gostaria nada nada.

Chegamos a recepção do hotel e pagamos os nossos quartos. Saímos de lá e encontramos Grover e Harry com Luke amordaçado ao lado.

–Nico, você consegue levar Luke pelas sombras? – Perguntei me virando para o filho de Hades.

–Somente ele, sim.

–Vá, dois filhos dos três grandes juntos não dá muito certo.

Ele apenas assentiu e foi até Luke. Ele se encostou nele e logo eles desapareceram em meio a sombra.

Suspirei, só de pensar que Luke nos traiu duas vezes...

–Vamos. – Disse Thalia me tirando dos meus pensamentos.

Começamos a andar em direção a estação de trem. Todos permaneciam calados. Harry mantinha uma expressão pensativa, Grover tinha tristeza no olhar, assim como eu e Thalia.

Entramos no trem e fomos até Nova York, sem parada nenhuma.

Chegamos lá e logo fomos atrás de um taxi, mas antes que fizéssemos qualquer coisa, um ciclope nos parou.

–Meios-Sangues para o jantar!

Apenas me virei para os meus amigos. Todos eles balançaram a cabeça em sinal de concordância e logo partimos para o ataque.

Não demorou muito para o ciclope se transformar em pó, Thalia havia concentrado toda sua raiva em um raio que quase terminara com todo o trabalho de matar o monstro.

Continuamos nosso caminho. O taxista não queria nos deixar no meio do nada, mas com o tempo conseguimos convence-lo.

Subimos a colina e logo nos deparamos com campistas atrás de novidades.

Alguns deles olhavam de testa franzida para o nosso grupo, talvez pelo novo campista que tínhamos trago, ou talvez por não acharem Percy no meio de nós.

–Aonde está Percy? – Perguntou algum campista que mantinha a testa franzida.

Opção número dois venceu.

–Ele... está morto. – Disse Thalia com lagrimas nos olhos.

Eu não consegui conter as minhas. Lagrimas saiam de meus olhos. Logo alguns irmãos meus vieram me acolher.

Eles me levaram para o meu chalé, e lá eu cai em prantos.

Enquanto eu me lembrava de Percy, acabei adormecendo.

Acordei com um de meus irmão me chamando.

–Annie, você precisa vir, eles vão queimar a mortalha de Percy.

Assenti tristemente e logo me levantei. Eu ainda não havia trocado de roupa desde de que cheguei ao acampamento, e nem me preocupava com isso.

Saí do chalé e fui em direção ao anfiteatro. Todo o acampamento estava em completo silêncio. O mar se encontrava furioso, a batida das ondas eram claramente ouvidas de todo o acampamento.

Chegando ao anfiteatro, reparei que todo o acampamento se encontrava lá. Nós já havíamos passado pela perda de Percy, mas dessa vez com certeza era pior, dessa vez não haveríamos mais uma chance com ele.

Lagrimas percorriam todo o meu rosto. Meu cabelo parecia um verdadeiro ninho de ratos. Me dirigi até Quiron, que permanecia imóvel diante a mortalha.

Me aproximei e olhei fixamente para Quiron. Ele tinha uma expressão de tristeza, tão grande quanto a de todos os campistas ali presentes.

–Quem quer dizer as primeiras palavras? – Disse ele reunindo um pouco de voz.

–Eu! – Disse um filho de Hermes.

Fiquei na esperança de Percy aparecer ali, com aquele sorriso no canto dos lábios, dá mesma maneira da primeira vez que pensávamos que ele estava morto, quando ele esteve na ilha de Calipso.

E logo todos os campistas diziam, no mínimo, uma frase diante a mortalha. Todos sentiam a perda, Percy sempre fez a diferença a todos ali, ele não era somente um filho dos três grandes, ele era o maior herói que esse acampamento já teve.

Depois de todos falarem, nós queimamos a mortalha. Eu me mantinha ajoelhada diante a fogueira.

Pude ver o rosto de Hestia sobre as chamas. Ela mantinha um olhar de pena, mas dava para ver claramente que ela também estava triste. Percy não havia feito a diferença somente no acampamento, ele também fizera a diferença no Olimpo, ele recusou a imortalidade somente para outros semideus.

Voltei ao meu chalé. Fui até um quadro perto de minha cama, lá eu mantinha as fotos mais preciosas para mim.

Antes de olhar para a foto, olhei para o meu anel. Me lembrei da raiva que eu tive dele por não saber aonde ele havia ido. Sorri com a lembrança.

Tomei meu banho e troquei minha roupa. Todos os meus irmãos olhavam com pena para mim, todos me apoiavam quando eu passava por eles.

Me deitei em minha cama e adormeci. Meu sonho foi somente as minhas melhores lembranças.

...

10 meses depois

Pov Annabeth

Depois que Percy se fora, o acampamento parecia não ter mais vida. Nós somente treinávamos e fazíamos nossas atividades, não tínhamos mais a mesma animação para fazer as coisas.

Harry havia se aproximado bastante de mim. Ele me pediu em namoro, relutante eu aceitei, meus amigos viviam dizendo que eu precisava pensar no futuro, e meio que me obrigarão a aceitar o pedido.

Luke havia sido mandado ao Olimpo, não sabemos o que fizeram com ele, somente sabíamos que aquele dia, foi com certeza, o dia em que o mar mais esteve calmo em todo esse tempo.

Thalia e Nico estavam em uma situação complicada... Parece que os dois meio que se gostavam, mas nenhum dos dois falavam nada um para o outro.

Grover havia voltado a transmitir sua mensagem até os espíritos da natureza. Júniper ficava desesperado todas as vezes em que ele saía, mas com o tempo ela foi se acostumando.

Clarisse e Silena estavam mais amigas que nunca. Silena continuava seu namoro com Charles. E Clarisse estava bem com Chris.

Bianca e Thalia acabaram saindo da caçada. Lady Artemis demorou para aceitar, mas com uma ajudinha com Zeus, Thalia conseguiu, e com ajuda de Hades, Bianca conseguiu.

...