O Herói da Profecia
3 A Profecia
Era por volta do meio dia, e já haviam-se passado dias desde que o rei anunciou que um torneio aconteceria em Fairth. Arya andava pelas ruas da cidade vestindo o seu manto, dessa vez ela tinha ido bem longe do castelo, queria ver como estava a situação do povo com seus próprios olhos. Ela sabia que seu pai não concordava com aquilo, mas não suportava a ideia de ficar presa no castelo, ou ter que andar pelas ruas tendo uma tropa de soldados a escoltando. Além disso, achava que nada aconteceria a ela, afinal, ela era a princesa.
Passando por uma rua, ela finalmente entrou na parte que era considerada a região mais pobre de Fairth, era uma visão triste. Mal teve tempo de olhar em volta, e um som perto dali chamou sua atenção. "Estalos de chicote!" Arya vasculhou o local com seus olhos, e logo encontrou a origem do barulho: Dois homens fortes e arrogantes, um deles segurava um chicote na mão batendo em um senhor caído no chão. "Escravagistas!! Aqui em Fairth??" Ela ficou furiosa, havia uma lei em Fairth que proibia qualquer tipo de escravidão.
— Vamos logo, escravo! — O homem gritava enquanto dava uma chicotada.
— Pare! — Ela não se conteve e gritou.
Os dois viraram-se na direção dela.
— Quem você pensa que é para me dar ordens? — Disse o que segurava o chicote.
— Isso é ilegal aqui!
Os dois começaram a rir.
— As lei não funcionam nessa parte da cidade, garota! — Eles se aproximaram dela. — Parece que hoje é o meu dia de sorte... Vou conseguir uma nova escrava!
Do outro lado da rua, em um beco sem saída, alguém observava toda a cena escondido nas sombras e segurando com força o cabo da espada embainhada na cintura. A princesa colocou a mão sobre o botão do manto para abrí-lo, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, o mesmo jovem do incidente de dias atrás saiu das sombras empunhando uma espada e se colocou entre ela e os escravagistas. Arya olhou para ele surpresa. "Você?" Ela sussurrou quase que num tom imperceptível. E subitamente, ela recordou de algo que tinha visto, um pergaminho antigo com vários inscritos em uma língua estranha, e uma imagem de um guerreiro erguendo uma espada.
Diante do jovem, os escravagistas ficaram com medo e acabaram fugindo. Vendo que a situação já havia se resolvido, o jovem olhou em volta e guardou sua espada na bainha, ainda de costas para Arya.
— Uma princesa não deveria andar por estes lados da cidade. Pode ser perigoso. — Ele saiu andando.
— Espere! — Ela parou na frente dele. — É você mesmo?
— O quê?
— O herói da profecia.
— Profecia...?
Ele estava confuso, não fazia ideia de que profecia era aquela. Arya abaixou o capuz que cobria sua cabeça e os dois começaram a caminhar lado a lado pela rua, enquanto conversavam.
— Você não sabe? É a profecia do herói que salvará o reino de uma grande catástrofe. Você se parece muito com ele... — Ela olhou para ele curiosa. — O que está fazendo aqui em Fairth?
— Investigando... Coisas estranhas estão acontecendo no vilarejo de onde eu vim. Quero descobrir o porquê.
Eles pararam já perto do castelo, de frente para uma parede, onde era possível ver um pôster anunciando o torneio. Arya olhou para o pôster irritada.
— Ah... O torneio... — Ela deu um suspiro e depois olhou para o jovem. — Você vai participar?
— O que eu ganharia com isso?
— Bom... O vencedor receberá uma grande quantidade de ouro, poderá ter acesso a vários lugares do reino e... — Ela continuou falando em um tom mais triste. — Também terá que ser... O meu guarda costas.
O jovem olhou para o cartaz e pensou por alguns instantes, até que resolveu falar.
— E por que eu iria querer isso tudo?
— Porque... Se você vencer, terei mais certeza que é o herói da profecia. Além de que poderia te dar o que quiser, desde suprimentos até armas para você continuar sua "investigação"... E você ainda me faria o favor de acabar com essa história de torneio, do meu pai... Só precisa fingir ser meu guarda costas, é tudo o que te peço... Eu sei me cuidar sozinha.
— Não pareceu agora há pouco quando te salvei...
— Eu tinha tudo sobre controle! — Arya olhou brava para ele.
— Princesa Arya! — Eles escutaram uma voz gritando.
Do final da rua, vinham alguns guardas correndo na direção deles. Antes que eles chegassem perto, Arya tirou de sua bolsa um papel enrolado e entregou para ele. Os mesmos guardas do outro dia — Rich e um rapaz — chegaram até ela com expressões aflitas. Ela virou na direção deles para ouvir o que tinham a dizer.
— O rei solicita sua presença em seus aposentos, quer ajuda para escolher uma roupa para o jantar. Acho melhor ir depressa antes que ele perceba que não está no castelo. — Disse Rich.
— Claro, Obrigada.
A princesa se apressou e seguiu com os guardas para o castelo, deixando o jovem para trás. Ele ficou olhando até ela se perder de vista, então voltou sua atenção para o papel antigo... Na verdade, percebera que era uma espécie de pergaminho.
(...)
Sentado em sua cama, ele observava o pergaminho em cima da mesa. O quarto, iluminado apenas por umas poucas velas, era pobre, cheio de pó e havia vários buracos nas paredes. Era um quarto de estalagem. Ele tinha ido à Fairth apenas por alguns dias, mas acabaram se tornando longos meses.
Não tinha tido coragem de abrir o pergaminho até agora, mas olhando de longe, não pode resistir à tentação de abrir. Sentou-se na cadeira, colocou uma vela em cima da mesa, ao lado do pergaminho e finalmente o abriu. Ficou surpreso quando viu um texto escrito uma língua completamente desconhecida, que ele nunca vira antes. Mas no fim do pergaminho, havia um desenho, pintado com perfeição. "O herói da profecia." Dizia a legenda. Ele fechou o pergaminho e soprou a vela para apagá-la.
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