O Guardião do Príncipe (UshiTen)
1 UshiTendou I One-Shot
Notas iniciais
O Guardião do Príncipe
por Sahh
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O Reino de Shiratori, comandado pelo rei absoluto, Ushijima Wakatoshi, é um modelo de prosperidade, organização e disciplina. Para todas as nações, Shiratori representa o “Símbolo de Poder”, e essa impressão incontestável se dá pela imponência e grandiosidade de seu soberano. A região é muito temida pela presença intimidante de montanhas onde dezenas de águias ágeis e ferozes montam seus ninhos.
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— Ei, rapazinho, cuidado! Não vê que o tubarão está a caminho? O que fazemos em uma situação como esta?
Um lindo bebê que deveria ser “o corajoso condutor do navio”, soltou um gritinho, se jogou no chão e tapou os olhos. Seu boneco de brinquedo voou para longe.
— Não, não devemos nos acovardar! Onde estão guardadas as lanças, ó nobre e corajoso senhor Takashi? Vamos, não temos tempo a perder, se não… Ele vai te pegar!
Tendou aproximou o tubarão de brinquedo da barriga do bebê e fingiu devorá-lo com sons grotescos. O pequeno príncipe se debatia balançando as perninhas enquanto ria adoravelmente.
A alguns metros da divertida área de lazer estava Ushijima Wakatoshi, o inabalável rei de Shiratori. Ele observou seu bebê, Takashi Utsui, e seu cuidador por mais longos minutos enquanto, por trás de seu rosto de feições inalteráveis, refletia sobre a confiança que seu filho depositava no rapaz chamado Tendou, que, apesar da personalidade alegre, era bem misterioso quando distante de Utsui.
Ele era… diferente.
Passos pararam ao seu lado, e Ushijima se virou para seu jovem — e ainda mais sério que ele mesmo — conselheiro.
— Shirabu.
— Majestade. — Shirabu executou uma vênia. — A Rainha passou bem hoje?
— Sem melhoras por enquanto — respondeu Ushijima, e voltou a observar seu filho com o cuidador. Percebeu que os dois agora eram chefes de uma ilha outrora abandonada.
Shirabu desceu os olhos para o pergaminho que carregava.
— Sinto muito. É realmente uma situação lamentável. A rainha é uma excelente pessoa.
Ushijima acenou.
Shirabu seguiu seu olhar para o cercadinho em que Utsui e Tendou brincavam.
— Vejo que o teste ainda está em curso.
— Shirabu… até o momento não lhe perguntei, mas o que pensa da minha decisão de dar oportunidade a este servente? Seria normal empregar mulheres para esse serviço, presumo.
— Não acho tão incomum — disse Shirabu. — Eu cuidava dos meus irmãos e irmãs, como você deve lembrar. Devemos apenas nos atentar à competência, não ao gênero.
Ushijima se sentiu mais seguro com a confidência de Shirabu. Conheceram-se anos atrás, quando Ushijima acompanhou seu pai em uma visita à aldeia. A família de Shirabu morava próxima ao palácio, e Ushijima imediatamente ficou curioso em relação ao menino tão sério. Tornaram-se bons amigos, e após ver os esforços de Shirabu em cuidar da família e mesmo assim se dedicar a vários tipos de estudos, Ushijima não pensou duas vezes em fazer dele seu conselheiro quando se tornou rei. Não se arrependeu de sua decisão; Shirabu se dedicava de corpo e alma ao cargo, e o reino nunca esteve tão próspero.
Pelo menos até o adoecimento da rainha.
— Majestade, devo avisá-lo que amanhã é a abertura da nova padaria da vila — informou-lhe Shirabu de repente. — Recomendo que descanse. Será um dia atarefado.
Ushijima assentiu e garantiu que logo iria a seus aposentos. Shirabu o deixou sozinho, e Ushijima voltou sua atenção a Utsui e seu cuidador temporário. Como disse Shirabu, o teste ainda estava em curso. Desde que sua rainha adoeceu, ela não dispunha de condições para cuidar de seu bebê, restando a Ushijima a tarefa de empregar babás, mas nenhuma das anteriores obteve o êxito de conquistar a confiança do pequeno Utsui. O bebê só queria saber da mãe, e parecia não haver pessoa no mundo, exceto ela, capaz de acalmá-lo.
Até uma tarde em particular. Enquanto recebia os cuidados de outra jovem recém-contratada, Utsui começou a chorar e chorar, e ela, afoita, correu em busca da governanta. Ushijima, que passava perto da sala de lazer, escutou o choro e dirigiu-se até lá, preocupado.
Quando se aproximou das portas abertas, o choro já havia cessado. Lá dentro, sentado no centro do cercadinho, um rapaz vestido de criado aninhava Utsui em seus braços. Uma das mãos balançava uma estrelinha rente ao rosto adormecido do bebê, sons agudos preenchendo o silêncio.
Ushijima jamais pensou que presenciaria cena parecida. A única capaz de fazer Utsui dormir era sua rainha, nenhum outro conseguiu tal proeza.
Foi a partir daquele momento que Ushijima sentiu que havia algo de especial naquele rapaz.
Ushijima confrontou-o, e o jovem de nome Tendou explicou, nervoso, que escutou o choro do príncipe e, encontrando-o sozinho, decidiu colocá-lo para dormir. Ushijima elogiou seu feito e surpreendeu o criado ao lhe propor um período teste: se, ao longo de uma semana, conquistasse a confiança de Utsui, o designaria guardião do príncipe. Tendou levou um minuto inteiro para processar suas palavras. Então gaguejou, com um sorriso que desarmou Ushijima, que seria uma honra e que faria o melhor que podia.
Foi a única vez que Ushijima o viu sorrir daquele jeito.
Os dias passaram, e já estavam quase no fim da semana designada para o teste de Tendou, que estava se saindo muito bem. Ushijima analisou novamente as feições sorridentes de seu bebê enquanto brincava com Tendou. Ele o adorava. Em momento algum naqueles dias Utsui demonstrou insatisfação pelo cuidador.
Dará certo, pensou Ushijima, e seguiu para seus aposentos, ciente das obrigações para o dia seguinte.
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Ushijima regressou de seus compromissos no início da tarde. A inauguração da nova padaria foi um sucesso, apenas não rendeu festas no reino, como normalmente renderia, em respeito à atual condição da rainha.
Shirabu o notificou da visita do dono da padaria, que chegaria mais tarde, para agradecer Ushijima mais uma vez pela abertura do novo negócio, e embora achasse desnecessário — ele o agradeceu pelo menos dez vezes mais cedo —, Ushijima não questionou o ato de boa fé.
Ushijima descansou por algumas horas e tomou o café da tarde. Depois tentou visitar a esposa, mas lhe disseram que ela estava no banho. Livre, dirigiu-se à sala de lazer de Utsui. Sabia que andava dedicando tempo demais para observá-lo com o cuidador, mas gostava de assistir às brincadeiras e a alegria no rosto de seu bebê. Nessas horas, a preocupação com o futuro da esposa diminuía com a esperança de dias melhores.
Mas Ushijima não era assim tão ingênuo. Sabia que sua rainha não se recuperaria, e todos no castelo também sabiam. Não à toa, iniciou os testes para guardiãs e, agora, guardião. Pelo menos, na sala de lazer, por alguns minutos poderia esquecer o luto que o aguardava.
Quando cruzou as portas, não encontrou Utsui, apenas Tendou. Este não percebeu sua presença de imediato, distraído arrumando os brinquedos do princípe. Ele realmente era dono de uma aparência singular, refletiu Ushijima: alto, magro, cabelos ruivos espetados e olhos…
Os olhos eram a parte que Ushijima não sabia descrever.
— Majestade! — Tendou finalmente o notou. Ele pousou os brinquedos com cuidado no canto do cercadinho, levantou-se e andou na direção de Ushijima. Curvou-se. — Sinto muito, deveria ter sido mais atento. Eu estava distraído pensando nas novas brincadeiras que poderia propor ao príncipe Utsui. Uma temática de sobrevivência na selva talvez o anime, como o homem destemido que ele com certeza será no futuro, mas também pode ser que…
Ushijima o escutou listar mais algumas brincadeiras em um silêncio meio aturdido. Era evidente que o rapaz era do tipo inquieto, que usava de muita gesticulação para se fazer entender. Ushijima aproveitou para mais uma vez estudar os olhos bem abertos e injetados de luz e deles finalmente tirar alguma definição, mas não conseguiu. Ao invés, lembrou-se de um comentário ou outro de seus súditos que diziam achar o guardião sob teste “assustador”.
Ushijima, que o observou brincar com Utsui todos aqueles dias, não concordava com a definição e muito menos lhe dava credibilidade. E seu bebê parecia compartilhar de sua opinião, dada a segurança que demonstrava perto do cuidador.
Percebeu que Tendou parou de falar quando notou seu olhar de expectativa, como se aguardasse uma resposta.
— Perdão, o que disse?
Os lábios de Tendou se esticaram em um pequeno sorriso.
— Estava lhe perguntando, Majestade, se por acaso já tomou uma decisão quanto a minha contratação como guardião. E então? O teste continua?
— Ainda não decidi — respondeu Ushijima após dois segundos de hesitação. — Mas continue com o bom trabalho. Está indo bem.
Por um momento Ushijima pensou que veria o sorriso no rosto de Tendou se esticar igual a outra vez, e realmente aconteceu — não foi, no entanto, dirigido a Ushijima, mas a Utsui, que entrou na sala nos braços da governanta.
Seu bebê soltou um guincho de felicidade ao ver o pai e estendeu os bracinhos gordos em sua direção.
— Ele fica animado quando o vê, não, Majestade?
Os olhos de Tendou brilhavam. Ushijima observou-o por um instante e então pegou Utsui dos braços da governanta.
— Realmente. — Afagou os cabelos de seu menino enquanto este, com as pequenas mãozinhas, explorava cada centímetro de seu rosto.
Ushijima sentiu-se leve. Era bom ficar perto de Utsui e sentir o calor que dele emanava. Se ao menos não tivesse tantos compromissos, cederia mais tempo a ele.
Oh. E ele tinha um compromisso.
Olhou para Tendou.
— Deixarei-o em suas mãos.
Tendou acenou altivamente.
— Sim, Majestade.
Ushijima entregou-lhe Utsui e, após lançar um último olhar aos dois, se retirou para se encontrar com o dono da padaria.
▪️▪️▪️
— É o que estou lhes dizendo. Não há dúvidas de que é ele!
— Não sei... isso está me parecendo uma história de terror. O que ele fez, afinal, para você ficar tão impressionado?
Um suspiro impaciente soou de dentro do escritório.
— É inacreditável você não saber…
— Na verdade, é compreensível. Os residentes do castelo dificilmente estão a par do que acontece na vila.
— Quer dizer que você também presenciou essa história, Shirabu?
— O local onde tudo ocorreu é longe da minha antiga casa, então não. Apenas escutei boatos.
— Pois eu presenciei tudo, e de perto. É inacreditável ele estar mesmo estar aqui.
Àquela altura, Ushijima já estava mais do que intrigado. Escondido do lado de fora do escritório, já fazia alguns minutos que acompanhava a conversa sobre Tendou Satori.
Estava a caminho de se encontrar com o dono da padaria, mas deteve o passo quando percebeu que uma conversa aos sussurros se desenrolava no escritório. As vozes pertenciam ao fidalgo e ex-conselheiro de Ushijima, Eita Semi, Shirabu e ao dono da padaria, Tsutomu Goshiki.
Pelo que entendeu, o assunto surgiu de Goshiki, que, ao chegar ao castelo, aparentemente reconheceu Tendou.
— Não há erros, só pode ser ele. — Ele tornou a insistir. — Lembro-me muito bem. O cabelo está diferente, e os óculos ele não usava, mas é evidente que se trata da mesma pessoa. E quer dizer que esse homem perigosíssimo está tomando conta do príncipe? Beira à ironia!
Goshiki continuou com suas queixas, repetindo que o príncipe estava em péssimas mãos.
Em dado momento, um sussurro de Eita Semi a Shirabu chegou aos ouvidos de Ushijima:
— O que o cuidador fez de tão grave, afinal?
— Se bem me lembro, a história se tratava de um rapaz desequilibrado. Ele foi pego no flagra durante uma tentativa de afogar crianças.
Eita resfolegou:
— Realmente? E isso por acaso é verídico?
— Claro que é! — intrometeu-se Goshiki. — Não é à toa ele estar tão diferente. Como se ninguém fosse reconhecê-lo — caçoou. — Mas admito que foi esperto se esconder no castelo…
Shirabu ficou calado, e Eita acompanhou Goshiki na discussão. Ushijima, por outro lado, não sabia o que pensar enquanto repassava a conversa diversas vezes em sua mente.
Ele foi pego no flagra durante uma tentativa de afogar crianças.
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Dias mais tarde, Ushijima, acomodado em seu escritório, tinha à sua frente, do outro lado da mesa, Tendou Satori.
Ele estava ansioso, o que Ushijima achava compreensível, visto que o período teste acabou e era chegada a hora de dar o veredicto.
Encarou Tendou, cujos olhos expressavam, além de nervosismo, receio. Embora curioso sobre isso, Ushijima não faria comentários além de revelar sua decisão.
Mas Tendou falou primeiro.
— Majestade — Engoliu em seco —, eu… o senhor permitiria que eu comunicasse algo antes do veredicto?
Ushijima precisou de alguns segundos para dizer:
— Tudo bem.
Tendou respirou fundo. Apesar do pedido acatado, ele não parecia aliviado. Era a primeira vez que Ushijima via seu lado inseguro, e refletiu que não combinava com ele.
— Preciso contar-lhe algo que talvez mude sua decisão. Sei que em algum momento você tomará conhecimento de uma história, e é melhor que saiba por mim.
— Continue.
Ele suspirou lentamente.
— Há alguns anos, quando morava na vila, houve um incidente. Havia uma família com a qual simpatizava, e eles também gostavam de mim. Uma vez, enquanto eu cuidava dos dois filhos do casal, as crianças caíram em arbustos de sumagre venenoso. Fiquei muito assustado, e os levei para um rio perto da casa para tirar os resquícios de folhagem de suas peles. Mas…
Uma pausa longa.
— Algo ruim aconteceu. Algumas pessoas viram minhas ações e as interpretaram da forma errada. A verdade, Majestade, é que desde novo nunca fui visto com bons olhos em razão de minha aparência e, talvez, do meu nome. Chamavam-me de Yōkai*, e depois dos boatos sobre afogamento, vi-me incapaz de continuar na aldeia. Até os pais das crianças me apedrejaram, e os pequenos não puderam me defender por serem novos demais para entender o que estava acontecendo. Fui embora do reino e tentei viver pelo mundo, mas a falta de casa sempre me foi grande. O que me fez voltar foi quando, um dia, um raio me atingiu e deixou meus cabelos arrepiados. Me senti bastante irreconhecível e tive ânimo para voltar e tentar uma nova vida. Por garantia, resolvi buscar emprego aqui, no castelo, uma vez que nunca tive contato com os nobres. Mas tudo isso não muda a verdade: estou enganando a todos. Até esses óculos são um disfarce. — Retirou-os desanimado. — Sei que agi errado, Majestade, e por isso decidi lhe contar a verdade. Eu jamais atacaria crianças, as adoro, sempre adorei. Seu filho estará seguro comigo, garanto, mas entenderei se tiver receio de me deixar perto dele.
Silêncio abateu o escritório. Os olhos rubros de Tendou marejavam, lábios numa linha apertada.
Ele tinha certeza de que estava acabado.
— Satori Tendou. — A voz de Ushijima o fez se empertigar e secar os olhos. — De agora em diante, o declaro Guardião de meu filho Utsui.
Tendou piscou pelo menos quatro vezes.
— Perdão?
— É o que você ouviu. Você agora é o guardião do príncipe. É totalmente capacitado para isso.
Tendou estava atônito.
— Mas… Majestade, você ouviu tudo o que acabei de dizer?
— Sim.
— Então por quê?
— Obtive conhecimento dessa história recentemente, do chefe da nova padaria da vila. Ele me alertou sobre você, pois foi um dos que viu você no rio com as crianças.
— Mas… então… por que não fez nada comigo? Mesmo depois de saber dos boatos?
— Porque eu não acreditei neles. Você cuida bem do meu filho, e ele gosta de você. Quero que fique perto dele. Você… cuida de Utsui como se estivesse sendo cuidado, de certa forma. Vejo que você realmente se sente bem com isso e não leva essa função como um trabalho, mas como algo que torna sua vida mais feliz. E é por isso que sei que os boatos não são verdadeiros.
Tendou parecia tentar dizer alguma coisa, mas a boca e os punhos apenas tremiam. As lágrimas logo vieram, e Ushijima paralisou quando assistiu ao sorriso, largo e cristalino, se abrir em sua direção.
— Majestade. Desde aquele triste episódio em minha vida, não fui mais o mesmo. Passei a me sentir preocupado, ansioso e temendo que qualquer ação minha fosse vista da maneira errada. Tenho medo de que algo parecido aconteça de novo, e por isso fiquei com medo das pessoas. Mas, depois que cheguei ao castelo, me senti protegido pelo olhar do príncipe Utsui. Nunca vi olhos mais verdadeiros que os dessa criança, que, de certo modo, me lembram os seus, Majestade.
Ushijima não disse nada.
Tendou continuou:
— Acho que é por isso que confiei em você. Eu jamais revelaria meu passado, mas, com você, senti que poderia arriscar. E puxa, como é bom ver que meu instinto estava certo.
Ushijima abriu a boca, mas a fechou na mesma hora. Os olhos piscavam, desnorteado, e pela primeira vez na vida Ushijima os desviou para outra direção.
— Pode se retirar — disse com uma voz que nunca ouviu sair de si mesmo. — Utsui deve estar estranhando sua ausência. Vá de encontro a ele.
Tendou acenou, satisfeito.
— Agora mesmo, Majestade.
Mas, antes de sair, lançou um último olhar para Ushijima acompanhado das palavras:
— Obrigado, Majestade. Por tudo.
E saiu. Ushijima voltou aos papeis que anteriormente lia e assinava, a sobra de um sorriso nascendo em seu rosto. Não foi totalmente honesto; não era apenas a Utsui que a companhia de Tendou faria bem, mas a Ushijima também.
O guardião do príncipe, com seus olhos honestos, era realmente alguém especial.
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