O Guardião e a Raposa

10 De volta ao lar...


Notas iniciais
Yoo minna! Estou de vota, esse já está pronto tem uns dias mas eu queria deixar mais um tempinho pra que vocês pudessem ficar curiosos com o fato: "Ele traiu ou não?" É o momento da verdade!!! Espero seus comentários... Jya ne!

Estou correndo, não sei pra onde, mas não consigo parar. Senti uma dor forte na cabeça enquanto entrava em choque contra uma parede.

– “Droga...” – Ainda como raposa, estou jogada no chão com o corpo todo doendo, eu fiz em algumas horas o caminho que eu e Ushio levamos um dia inteiro. – “Eu nunca devia ter saído de casa.” – Estou agora de frente para a enorme janela da sala da casa de Ame, sentindo dores de todos os tipos, mas a que mais me incomoda é esse aperto no coração.

Me transformo novamente até ficar em minha forma quase humana, me encolho agarrada aos joelhos enquanto sinto novamente as lágrimas escorrerem por meus olhos.

– “Ainda não...” – Me levanto do chão, mesmo sem conseguir me controlar direito eu volto a correr, sigo pelo atalho que Ame ensinou, isso me levaria até em casa em pouco tempo, fui correndo de novo, minhas pernas inchadas e doloridas e acho que machuquei alguma coisa porque estou vendo algumas gotas de sangue caírem no chão de tempos em tempos. – “Não posso parar aqui...é o primeiro lugar que ele vai procurar...!” – Não vi a íngreme descida na minha frente, tropecei e caí rolando até a base da colina.

Estou no chão com a perna esquerda doendo muito, estava quente como brasa em chamas, levantei um pouco o kimono todo sujo para encontrar um ferimento na batata da perna, um corte profundo, deve ter sido durante a queda, está sangrando, mas ainda posso andar, mais lenta que antes, porém ainda posso chegar até em casa antes que ele me alcance.

– Lá está... – Estou ficando tonta e posso ver agora mais sangue caindo no chão, cambaleio vez ou outra, mas me mantenho em pé até chegar na porta, rapidamente minha mãe atende e fica espantada com a visão que tem de mim.

– Yuki....mas o que---

– Eu queria...fazer uma visita... – Começo a chorar de novo e começo a abraça-la, uma fisgada no meu braço e o sono me pega, tenho um pesadelo do qual não consigo acordar até que minha mãe apareça novamente.

– Yuki... – Ela parece triste e passa a mão na minha cabeça o que dói um pouco e recuo. – D-Desculpe, você estava com um corte feio na cabeça e outro na perna...o que aconteceu minha filha? – Ela está preocupada, mas mantém a calma, o que eu tento fazer enquanto explico o que aconteceu. Vez ou outra meus olhos lacrimejam, mas consigo me conter.

– E foi depois disso que eu cheguei aqui...desculpe incomodar você de novo mas—

– Não está incomodando coisa nenhuma...é bom te ver de novo por mais que seja nessa situação...sabe que pode contar comigo para qualquer coisa... – Ela faz um carinho na minha cabeça e me abraça como se fosse uma criança. – Por que não tenta descansar um pouco...depois disso tudo você precisa dormir pra se recuperar... – Eu assinto com a cabeça e me deito novamente, minha mãe me dá um beijo na testa e começo a me sentir sonolenta...

...................

Ame

– Sai da minha frente! Eu tenho que ir atrás dela! – Um cara me impediu de seguir Yuki e não quer me deixar sair do palácio.

– Não vou deixar! Ela tem o direito de não querer vê-lo! – Ele está sério e posso ver algumas gotas de água se formando ao seu redor.

– Não quero saber! Eu preciso ver ela antes que...! Mas você é...Ushio...Você trouxe ele aqui? – Perguntei ao mensageiro, ele é um dos povo do oceano que trabalham no palácio, entrega cartas e mensagens para todos através de rios, lagos mares e etc.

– Sim fui eu mesmo! Deveria ter visto como ela estava quando a encontrei. – Parei de tentar passar por ele e comecei a escutar. — ...Parecia vazia e sem vontade...quando falei que você estava aqui ela fiou determinada em te ver e agora isso?! Não me surpreende que tenha demorado tanto pra encontrar alguém que realmente gostasse do senhor.

– Ela o que? – Eu não acreditei que ele pudesse estar dizendo aquilo, Yuki nunca demonstrou que gostava realmente de mim e agora isso.

– Agora não tenho certeza...mas que ela deve estar ferida, isso com certeza é verdade. – Ele está mais sério que antes, a raiva aflora dentro de mim como fogo em um campo de trigo.

– Saia da minha frente agora! – Ordeno.

– Não vou sair! Ela tem seus direitos e eu tenho os meus...não vou deixar que faça nada àquela senhorita. – Ele está nervoso, a água ao seu redor aumenta em quantidade, não quero lutar com um Guardião dos Mares agora, isso só me trará problemas.

– Que seja então! – Jogo uma rajada de vento, ele caí a pelo menos 10 metros de distância, enquanto se levanta eu saio correndo atrás de Yuki, que já sumiu da minha vista.

Imagino que ela possa ter voltado pra casa, vou o mais rápido possível até lá e encontro uma mancha de sangue numa das paredes e no chão.

– Yuki!!! – Grito entrando na casa, nenhuma resposta, olho em tudo, dentro e fora de casa, começo a olhar para todos os lados, agora estou perdido no meio do nada e quase tropeço numa colina íngreme. – “Por pouco...mas...” – Meus pensamentos são interrompidos por um rastro de sangue no fim da colina. – “É ela...” – Tenho certeza disso, e mesmo que não seja ao menos eu tentei encontra-la. – “Sua teimosa...” – Agora estou odiando a mim mesmo por ter obedecido meu pai.

Ele me mandou ir para lá sem que a Yuki soubesse de nada e ficou adiando uma reunião comigo para que eu ficasse afastado dela, foi aí que ela apareceu, a mulher que já me deixou com raiva diversas vezes. Eu nunca tive nada, nenhum sentimento com ela, mas ela insiste em dizer que quer ficar comigo e que não quer me deixar para outras pessoas.

O rastro levou até a casa da mãe de Yuki, já estou quase sem fôlego e quase morrendo de dor por todos os lados. Nunca tive que correr tanto pra alcançar algo em um tempo tão curto como agora.

Fui correndo o máximo que pude até a porta da casa, quando estou prestes a bater na porta ela se abre sozinha e a mãe de Yuki aparece, pouco surpresa com minha presença.

– Oh...você chegou... – Não há dúvidas. Yuki já está aqui e lhe contou o que aconteceu.

– Eu preciso falar com ela. – Tento ficar sério, mas tenho certeza que estou mostrando preocupação, o que não é mentira ainda mais depois de um enorme rastro de sangue como aquele.

– Ela está dormindo no quarto, mas acho que seria melhor não acordá-la agora. – Como qualquer mãe, ela tem o mesmo olhar de solidão que tenho certeza que Yuki tem agora.

– Eu tenho que falar com ela...Por favor... – Tento convencê-la, ela começa a olhar pro chão e suspira profundamente.

– Entre. – Ela vira as costas e vai para a cozinha, eu entro e fico parado alguns centímetros da porta. – Sente-se. – Ela traz consigo uma bandeja e ambos vamos para a sala, estamos na mesma posição do dia em que vim pedir que Yuki se tornasse minha, mas dessa vez não há sorrisos.

Tomo fôlego para falar, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa ela retorna a falar servindo duas xícaras de chá, uma para cada um de nós.

– Se pretende dizer a minha filha que o que ela viu não é o que ela imagina, então precisa de um argumento melhor. – Ela me entrega uma das xicaras e eu começo a pensar no que posso dizer.

– Na verdade eu pretendia mesmo dizer isso...Mas vou precisar explicar tudo de um jeito diferente. – Bebo um gole do chá que aquece minha garganta num segundo e começo a olhar para um ponto fixo no bule sem nenhum proposito, o silêncio se estende mais alguns segundos.

– Façamos o seguinte... – A senhora põe novamente a xícara na mesa de centro da sala e começa a me encarar seriamente. – Finja que eu sou Yuki e treine comigo o que falaria para ela. – Volto a olhar para a xícara e suspiro. – Já começou errado.

– Heim?! – Não compreendi, ainda nem comecei.

– Você está nervoso de mais...se não fez nada então não tem por que ficar nervoso, não concorda? – Ela sorri levemente. – Agora continue. – Suspiro novamente, eu estou mesmo nervoso, quero que ela acredite em mim, mas também tenho a chance de perdê-la.

– Eu...não sei por onde começar... – Estou perdido e nem percebi quando soltei essas palavras.

– Tem que ficar calmo, o não você já tem, o máximo que pode acontecer é ela acreditar e voltar pra você. – A senhora se levantou, ficou na minha frente e colocou as mãos nos meus ombros, uma forma de consolo eu acho.

– Eu não queria ter saído sem avisá-la antes... – A mãe de Yuki voltou ao seu lugar e ficou me olhando enquanto eu falava. – Meu pai respondeu a minha carta, mas pediu que eu não lhe contasse que precisava ir até a Capital falar com ele. Mesmo com raiva dele e preocupado com você eu fui sem dizer nada. – Começo a falar como e ela estivesse ali me ouvindo. — Acabei ficando mais tempo do que esperava. Todo dia ele adiava a reunião e me fazia ficar mais tempo por lá. Nos últimos 5 dias eu comecei a acreditar que você tivesse desistido e voltado pra cá... – Minha voz falhou, essa é a pior parte pra mim. – Foi quando me reencontrei com aquela mulher...Kaori...minha primeira noiva.

Notas finais
E...não expliquei nada direito não é?! Alguém entendeu se ele traiu ou não?! Não ficou claro não é?! Ok então aguardem os próximos caps que a história toda vai ser contada ;P Aguardo comentários... Jya ne!