O Grandioso Chalé De Apolo
15 Todos menos um
Notas iniciais
Manuela
Mesmo contra todas as minhas vontades entramos nesse lugar tão obcecado pelos adolescentes, mesmo sendo adolescente não entendo o motivo de tanto interesse.
— Ali eles, estou vendo — Lusca grita apontando para uma especie de torre no canto da praça, meus instintos mais uma vez gritava, parecia um mamute me socando, só faltava umas placas de posto apontando para o lugar e falando, "ISSO É UMA ARMADILHA", o que não adiantaria muito, quando me dou conta do que está acontecendo vejo Lusca e Muffin correndo para a torre, sendo seguidos pelos outros.
— Eu estou vendo eles, e um cara bem gostoso também — Muffin grita e todas as pessoas em volta olham pra ela, o plano de sermos discretos não existe mais.
— Então vagalumes, que surpresa agradável ter vocês em meu humilde paraíso — Uma voz mascula que chega a me dar calafrios em todos os lugares possíveis ecoa pela praça, as pessoas ficam olhando para o céu procurando de onde vem a voz, eu poderia fingir que não sei de quem ou de onde vem essa voz, estava mais que nítido, a voz estava vindo da torre estranha.
— Você acha que isso é um paraíso ? As pessoas aqui estão bebendo, fumando, se drogando, se isso fosse o paraíso ninguém iria precisar disso — Yuri grita achando que a voz iria escutar.
— Eu nunca falei que esse era o paraíso de vocês, cada um têm o paraíso que merece, e esse é o meu — A voz ecoa novamente, e as pessoas agora têm em seus rostos uma feição de medo — Esse é o paraíso que você quer dar as pessoas senhor voz máscula? — Lucaum grita, agora já estamos a 10 passos de distancia da torre.
— Agora o show vai começar — A voz ecoa novamente com mais poder, e uma gargalhada de dar medo até em Zeus, a praça começa a fechar o tempo, as luzes do poste começa a ascender, as pessoas ficam paralisadas.
— Manu, acho que deu ruim, é melhor começarmos a correr — Fafá grita se escondendo atrás de Liv, as pessoas começam a andar pra longe de nós e a chuva começa a cair, em cada raio se via um rosto diferente, Wlad, Apolo, minha mãe, minha irmã, e todos os outros pareciam ver coisas parecidas.
— O passado é uma coisa pesada não é ? É uma coisa que dá vontade de chorar, ou de saudades ou de arrependimento, passado é algo que se mata por dentro, vocês vão morrer com o passado de vocês entalado em suas gargantas — Nesse momento figuras começam a aparecer em nossa frente, algo me diz que foi uma péssima escolha ter saído do chalé naquela noite, ter entrado no ônibus, ter entrado no túnel e agora ter entrado aqui — Mas antes, que tal uma confissão? Quem sabe eu não mudo de ideia? — A voz volta a ecoar e raios e trovões cortam os céus.
— Vocês sabem como chegaram aqui? É claro que não sabem, entre vocês existe um que não pensa igual a todos, entre vocês existe um que não liga pra vocês — A voz continua e ouço choros e sussurros, minha mente começa a borbulhar, alguém entre nós estava mentindo, alguém entre nós estava enganando todo mundo, caio de joelhos e sinto a chuva escorrer por meu corpo, lembro do dia que cada um apareceu no chalé pela primeira vez, lembro do sol brilhando de alegria quando um novo membro pisava no chalé, lembro até o dia que a cria de Hades foi se abrigar em nosso chalé, lembro de todos os segundos de felicidade e tristeza que tive por conta do chalé, ouço gritos e vozes e as ignoro, focada apenas em minhas memorias, meu corpo ficava cada vez mais cansado, mais exausto, olho de relance e vejo Yuri sendo esmagado pelo ar, a metros de altura do chão, ouço de longe a voz de Rubens, ouço todos mas meu corpo não reage, o corpo de Yuri estava ali tendo sua vida sugada por algo invisível, seu corpo já pendia quase sem vida, minha mente já estava me matando, não conseguia ver quem ainda restava inteiro, todos já estavam se lamentando do passado.
— Larga ele, você disse que não ia machucar nenhum dos meus amigos, você me prometeu, larga ele — ouço a voz de alguém conhecido e tudo escurece...
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