O Grande Dia

24 Capítulo XXIV - Nostalgia


Notas iniciais
Gente, essa fanfic é é uma continuação de uma série. Primeiro veio "Uma Família se Forma", depois "Preparativos e Preparações" e agora "O Grande Dia". Bom, apesar de ser uma spankfic da família PoisonIce, para não ficar monótono eu vou, aos poucos, adicionando novos personagens e tramas. Saímos da seara "Papai e Mamãe Milo e Camyu" e vamos conhecendo o "vovô" Shion, e agora os tios Shaka e Mu. Minha ideia não é perder o foco da fic, mas ir variando e aumentando os laços, até porque não quero que a fanfic fique sem graça e sempre com o mesmo enredo, ok? Ah, óbvio que tive que sair da trama original aqui - afinal, SHION NÃO ESTÁ MORTO, CAMUS NÃO ESTÁ MORTO... Enfim, todos os cavaleiros de ouro e bronze estão vivinhos da silva e por isso consigo escrever sobre eles (não me acusem de sair da trama pleeease rs) Bom, espero que vocês gostem, esse capítulo é bem diferente dos últimos. Beijos... E comentem!

Capítulo XXIV

Flashback

Mu entrou receoso em sua estatura diminuta, olhando para trás desconfiado. Ele não se sentia bem naquele lugar, com aquelas pessoas. Na verdade tudo em que pensava era na sua mãe e no seu pai, que nunca mais tinha visto após o ataque que sua aldeia sofreu.

Mu foi resgatado por Shion, sendo uma das únicas crianças que sobreviveram a um duro e forte ataque a uma aldeia lemuriana que vivia no interior do Tibet. Shion se afeiçoou ao menino doce e introvertido logo no início.

O garotinho ainda não se soltara, apesar dos esforços de Shion. Ele não brincava com as outras crianças de cinco e seis anos, ficando sempre no canto apenas observando. Shion dava tempo e espaço ao pequeno menino de cabelos lilás, atribuindo o comportamento reservado às recentes situações traumáticas que tinha vivido.

Mu, por sua vez, não falava muito com ninguém. Nem com Shion. Na verdade apenas passava seu tempo observando tudo, em especial a armadura dourada que Shion usava. O garoto se encantava com seu brilho formato.

E então, naquele dia, na casa de aries na qual ele vivia com seu mestre, ele viu a armadura montada em formato de carneiro. Receoso o pequeno Mu aproximou-se e observou fascinado aquele objeto mais de perto até ter coragem de tocá-lo.

Nada aconteceu, e ele começou a apalpar aquele carneiro dourado com alegria nos olhos se questionamento como aquele carneiro tão bonitinho se tornava a armadura tão imponente de seu mestre.

Foi quando se recordou das vezes que montava em carneiros na sua aldeia, as brincadeiras com as outras crianças, as corridas até a cachoeira. Mu sorriu como há muito não fazia e montou no carneiro a sua frente.

E então cavalgou satisfeito, brincando como na época em que estava na sua casa, com a sua família. Se viu ao lado de Shanti, Opa e Kal novamente. Soltou risadinhas de felicidade brincando em cima da armadura até ver ao fundo da sala a figura séria de Shion. Automaticamente, Mu ficou paralisado.

Shion estava de braços cruzados, usando calça social e camisa branca e caminhou devagar até o menino assustado.

– Mu, você sabe que essa é a minha armadura?

O garoto ficou calado, olhando para as próprias mãozinhas.

– Essa, Mu, é a armadura da constelação de áries. Veja só que ela desmontada se assemelha a um carneiro, o animal que representa esse signo.

O menino, ainda encabulado, passou a fitar o mestre de pé ao lado do carneiro.

– Você sabia que aries é a sua constelação também?

– Nã-não..

– Sim, é sim... – Shion pegou Mu no colo com carinho e o colocou montado novamente no carneiro – Você é um lemuriano ariano, como eu, e é protegido e regido pela constelação de aries, olhe...

Shion apontou para o teto, onde estava pintado um céu com as estrelas de áries interligadas, formando a figura de um carneiro.

– E se você se esforçar bastante, eu te prometo que um dia essa armadura será sua.

Os olhos de Mu brilharam.

– Eu vou usar essa armadura?

– Se você tiver em mente três coisas... Primeiro deve ter um bom coração, em segundo treinar com toda a sua força e vontade e em terceiro ser uma pessoa disciplinada. Você acha que consegue?

– Se eu fizer isso esse carneirinho vai ser meu?

Shion gargalhou.

– Sim, Mu, o carneirinho vai ser seu.

– Então consigo com certeza!

Shion sorriu afagando os cabelos do menino que pela primeira vez se soltava no Santuário, sabendo que o destino não os tinha unido por acaso.

Shion estava tão absorto nos pensamentos de Mu que sequer notou Camus espiando e se questionando sobre o treinamento que recebia de Shion, já que jamais poderia ter a armadura de Áries, já que não era regido por essa constelação.

POV Mu

– Mu? Mu?

Shaka me tirou dos meus devaneios de infância.

– Shaky...

– Meu amor, você não vai me falar mesmo o que aconteceu? Você está assim há horas. Onde está Shun? O que aconteceu?

Eu simplesmente não tinha forças para discutir com mais ninguém sobre Shun, e eu bem sabia que Shaka partilhava dos pensamentos de Shion nesse aspecto. Decidi simplesmente omitir tudo que ocorreu com Shun e minha discussão com Shion. Arrumei a casa toda, na tentativa de esconder o ataque de nervos do meu filho.

Obviamente Shaka percebeu que algo estava errado, mas tentei disfarçar ao máximo. A fim de evitar maiores problemas, sai de casa com os relatórios que estava preparando pela manhã para levar até o escritório perto da torre do relógio.

Coloquei tudo numa pasta, me ajeitei e sai. Aquele passeio e ar estavam me fazendo bem.

Flashback

– Chegou a sua hora, Mu, e eu estou extremamente orgulhoso de você.

Mu olhou para Shion com os olhos marejados enquanto recebia aquela caixa dourada. Não podia acreditar naquilo, pois a caixa geralmente era passada apenas quando um cavaleiro morria.

– Você é o novo cavaleiro de aries, Mu. Eu não te disse que isso aconteceria?

– Mas... Mestre, o senhor...

– Eu tenho outros afazeres aqui, Mu. É hora de passar a tocha e a minha casa para alguém mais jovem. Estou assumindo definitivamente a liderança do Santuário e tenho muito o que organizar aqui. E sei que ninguém melhor que você para honrar minha antiga função.

Mu olhava a armadura sorridente e triste ao mesmo tempo.

– Você lutou muito, sofreu muito, se esforçou. Você merece esse prêmio, essa função e esse fardo...

– Obrigado, mestre.

– Para ser o melhor dos cavaleiros, basta não se esquecer das três coisas que te ensinei...

Mu falou em uníssono com Shion “um bom coração, treino e disciplina”. Ambos começaram a rir e se abraçaram ternamente. Mu aceitou a função e Shion a passava satisfeito, com felicidade e nostalgia, mas acima de tudo a crença num mundo melhor.

POV Mu

Continuei andando absorto em pensamentos, olhando para os meus pés. Logo no começo da escadaria do escritório esbarrei em alguém e derrubei a pasta com a papelada no chão. Bufei e comecei a recolher.

Quando me levantei me deparei com Shion, parado, me encarando. Havia sido nele que eu tinha esbarrado.

– Sinto muito.

Eu disse, sem jeito. Ele não respondeu, apenas ficou parado me encarando insatisfeito.

– Eu vim trazer os relatórios que o senhor mandou...

Ele então virou as contas e bufou uma resposta, me deixando sozinho.

– Deixe na minha mesa, eu precisava disso já faz horas!

Engoli em seco, andei cabisbaixo e triste até a sala dele e larguei os documentos lá. Eu estava extremamente chateado com tudo, com o ataque público de Shun, com a bronca que Shion me deu na frente de Camus, com a minha afronta a ele... Quando me lembrei da última frase dele a revolta me tomou novamente e eu soquei a mesa dele com força, trincando de leve o tampo.

Quando percebi o que fiz, eu, o cavaleiro mais centrado do Santuário, enrubesci e sai andando sem jeito, me condenando pela atitude. Onde estava minha passividade e gentileza?

Flashback

– Onde vocês dois estavam?! – Shion disse, quase num rosnado, enquanto Mu e Camus enravam sorrindo pela porta.

– ...

– RESPONDAM!

Mu e Camus, sempre tão obedientes, olharam-se preocupados. Jamais imainariam que tinham feito algo rrado ou que irritasse Shion.

– Nó-nós apenas estávamos no aniversário do Shura... E... – Mu tentou responder, timidamente.

– JÁ SÃO ONZE E MEIA DA NOITE! VOCÊS QUEREM ME MATAR DE PREOCUPAÇÃO?

– Mas mestre, todos estavam lá, inclusive os cavaleiros de ouro. Nós pensamos que o senhor sabia e ia também. Ou que, caso não fosse, saberia onde estaríamos.

– CAMUS, EU SOU O MESTRE DESSE SANTUÁRIO INTEIRO. VOCÊ ACHA QUE EU TENHO TEMPO PARA FESTINHAS? E VOCÊS? TEM TREINO, ESCOLA E MIL AFAZERES QUE EU PASSO, NÃO DEVERIAM PERDER TEMPO COM ESSE TIPO DE BESTEIRA!

Camus olhou para os próprios pés se condenando por perder tempo com besteiras. Mu continuava impassível, controlando a mente para que Shion não a invadisse. O ariana acreditava, no fundo, que o convívio social era também muito importante e que Shion lhe privava demasiadamente dessas situações, mas não o enfrentaria por isso.

– OS DOIS NOS RESPECTIVOS QUARTOS AGORA. AMANHÃ AMBOS DE PÉ AS TRÊS DA MANHÃ E PRONTOS PARA COMEÇAR O TREINO. VAMOS SUBIR A MONTANHA OLIMPUS.

– O que?

Camus deixou escapar, desesperado com a dureza do treino do dia seguinte.

– Isso mesmo, Camus. Não se esqueçam de pegar os pesos e levar, cinquenta quilos cada um. Ah, e as nove horas já devemos ter acabado de subir e descer toda a montanha, pois vocês tem escola.

Mu, estava nervoso por dentro, apesar de não demonstrar. Simplesmente não achava justo nada daquilo. Eles não tinham feito nada errado. Shion pegou o pensamento e caminhou até o pupilo, falando muito perto de sua face.

– Mu, se vocês quisessem ir “sem problemas” deveriam: UM – TER ME PERGUNTADO SE PODIAM; DOIS – ME AVISADO O HORÁRIO QUE CHEGARIAM SE EU PERMITISSE! VOCÊS NÃO FIZERAM NEM UMA COISA NEM OUTRA, E EU FIQUEI AQUI DESESPERADO. VOCÊS SABEM QUE ESTAMOS EM GUERRA! PENSEI QUE ALGO TIVESSE ACONTECIDO COM VOCÊS.

Camus entendeu o ponto de Shion, e até se sentiu amado pelo grau de preocupação. Mas Mu estava tão insatisfeito com a situação que, como adolescente, não compreendeu, mas também guardou para si seus pensamentos.

– AGORA SUMAM DAQUI!

POV Mu

Continuei descendo as escadarias pensando na vida. Por que Shion era tão cabeça dura a vezes? Eu não conseguia me lembrar de uma vez em toda a minha vida que ele ouviu minha versão dos fatos para alguma história que o deixou nervoso.

Agora eu era pai também, e adotei uma criança lemuriana igualzinho ele fez comigo. Ora, eu tinha direito de querer dar uma educação diferente da dele. Não que eu não fosse grato, mas eu discordava em certos pontos, simples assim.

Claro que eu não abriria tudo para Shaka, por mais que ele se esforçasse para descobrir. Ele é bem parecido com Shion em termos de educação, o que me irrita profundamente. Shun precisava conversar com alguém e Kiki precisava de carinho.

Quando finalmente cheguei na minha casa, abri a porta louco para sentar-me no sofá, mas assim que afastei a ponta do batente um balde de água caiu na minha cabeça. Eu bufei, olhei toda molhando e pingando para os lados, lá estava o meu Kiki morrendo de rir no chão.

– Bonito hein...

Ele continuou rindo, e eu acabei rindo também. Aquela situação era ridiculamente engraçada, mas eu não me divertia com isso, me divertia com Kiki tendo a possibilidade de ser uma criança saudável e travessa.

– Ainda bem que fui eu que passei aqui e não Shaka...

Isso tirou um pouco do divertimento de Kiki, que fez uma cara de coitado para mim que não aguentei, fui e o abracei todo molhado mesmo, sob os seus protestos e empurrões divertidos.

Acabei dando um banho no meu filho e depois eu mesmo tomei um banho quente, me livrando daquelas roupas molhadas. Olhei no relógio, falavam apenas dez minutos para a reunião geral dos cavaleiros na torre e eu não estava nem perto de estar pronto.

Bufei escolhendo uma roupa e olhando para a relógio, eu teria que encarar Shion naquela reunião chata.

Notas finais
Reviews please!!!! :3