O Grande Dia

34 Capítulo XXXIII - Resgatando as Crianças


Notas iniciais
Pessoal, segue mais um capítulo. ♥

Na Busca por Kiki

Enquanto Milo e Shion eram lançados para o meio do triturador, o lemuriano tentou criar uma muralha de cristal com seus poderes, porém pelo movimento intenso da máquina foi difícil mantê-la e acabou se desequilibrando e caindo direto no centro do triturador.

Milo, vendo que Shion havia sido engolido pela máquina, reagiu com extrema rapidez e o num golpe certeiro atingiu com sua agulha escarlate o sistema que ele acreditava ser o central. Destruiu uma pequena caixa, onde ele pensava que estavam os fios que ligavam a maquina ao motor.

Enquanto fez isso, lançou Shion para fora que acabou perdendo algumas mechas do cabelo e sofrendo vários arranhões. Shion, caído no chão ao lado dos crianças se desesperou ao ver que a máquina não havia sido desligada, mas com o corte na fiação que Milo fez acabou entrando em curto e iniciando movimentos absolutamente mais agressivos que os anteriores.

Shion olhou sério para Kiki e as gêmeas:

— Não saiam daqui!

E subiu novamente, dessa vez levando uma corrente de metal que viu no chão. Se segurando na beira, pegou o pé de Milo que acabou batendo a cabeça. Enquanto tentava puxar o escorpiano machucado, jogou a corrente pesada no centro da máquina na esperança de temporariamente parar o sistema.

A corrente foi destroçada, apesar de sua grossura, mas Shion conseguiu puxar Milo e jogá-lo no chão junto com as crianças que choravam assustadas. O lemuriano então subiu na casa de máquinas geral dos trituradores e desligou o sistema com certa dificuldade, já que seu braço esquerdo estava com um corte bastante profundo.

Shion então, pela primeira vez respirou aliviado ao ver que as crianças e Milo estavam bem, apesar de alguns machucados. Olhou em volta e viu os operários olhando para todos sem entender o que acontecia naquele lugar e por qual razão o trabalho havia sido interrompido.

Shion desceu com calma e explicou a situação, impondo uma regra para haver um vigia sempre na casa de máquinas que controlaria imagens de câmeras que ele mandaria instalar no mesmo dia. Ele também suspendeu o motorista que levou o lixo em alta velocidade pela falta de atenção e direção perigosa.

Não levou muito tempo até encontrar com Milo que estava sentado com a camiseta rasgada e um trapo amarrado no braço machucado. As crianças tinham os joelhos ralados pela queda, mas estavam bem. Shion respirou aliviado, agradecendo aos céus por não estar chorando pela morte das crianças.

— Você está bem, Milo?

— Sim, mestre.

— Venham, todos para o carro.

Milo andava ao lado de Shion, seguidos pelas crianças que choravam amedrontadas.

— Você tem ideia do que fizeram? Você não apenas fugiram do santuário, o que é proibido, mas quase perderam a vida de vocês nesse triturador de lixo!

— Mas é um brinquedo...

— Não, Tekka, isso não é um brinquedo. Isso é uma máquina muito perigosa, que não apenas podia matar vocês, como quase matou eu e o Milo.

As crianças, então, começaram a chorar mais. Milo não conseguia prestar muita atenção no que Shion falava, sua cabeça doía muito da batida e os cortes o estava incomodando. Shion andava mancando, ambos se machucaram no resgate.

— O que vocês fizeram foi um absurdo. Inadmissível. Marin e Aioria estão preocupadíssimos com vocês, meninas. Kiki, nem preciso dizer que Mu e Shaka não estão nada felizes? Vou ligar para todos e entrega-los nas respectivas casas.

Shion continuou mancando, um pouco preocupado com a cabeça de Milo, se questionando se devia ou não leva-lo ao hospital. As crianças estavam chorando no banco de trás enquanto Shion ligava para avisar os adultos envolvidos.

Primeiro ligou para Minu para avisar que haviam conseguido salvar os pequenos, e ficou feliz com o alívio na voz de sua protegida. Milo ligou para Camus que avisaria Shaka e Mu, Shion não quis distraí-los da busca por Shun, mas queria que soubessem que Kiki estava bem.

— Alô?

— Shion? Mestre Shion? Minhas filhinhas estão bem? – Perguntou Marin que se debulhava em lágrimas.

— Estão sim – Respondeu Shion vendo que as meninas choraram mais ainda ao ouvirem a mãe no viva-voz.

— Graças aos céus...

— Em quinze minutos elas estarão em casa inteiras, apenas com alguns arranhões.

Shion desligou o telefone e o caminho até a casa de leão foi longo e silencioso, permeado de choro e soluços de três crianças amedrontadas. Ao chegarem com o carro na frente da entrada lateral da casa de leão, Shion teve que descer no carro para tirar as crianças do carro, já que elas não se moviam.

Quando Marin viu as meninas, saiu correndo chorando e abraçou as duas.

— Eu estava tão preocupada!!!

Marin beijava as duas e as abraçava sem parar. Elas eram tão pequenas e adoráveis que até mesmo Shion estava amolecido pela situação tão inocente na qual se envolveram desavisadas. Foi quando a figura de Aioria apareceu, seu semblante era duro, frio, seu cenho franzido e lábios rígidos mostravam sua insatisfação com a situação.

— Quem vai me explicar o que aconteceu?

Ele disse duro, de braços cruzados, olhando para as crianças. Na mesma hora Marin as soltou e as meninas começaram a chorar. Milo não havia saído do carro, não estava se sentindo bem, e Shion queria sair logo de lá, mas precisava esperar.

— Pa-pai, foi sem querer...

Tekka mais corajosa tomou a palavra, mas logo foi cortada pela fala dura do pai.

— EU NÃO ESTOU PEDINDO DESCULPAS, QUERO SABER O QUE RAIOS ACONTECEU?! COMO VOCÊS FORAM SAIR DO SANTUÁRIO SE SABEM QUE É PROIBIDO? COMO FORAM PARAR NUM CAMINHÃO DE LIXO? OLHE O ESTADO DE VOCÊS!

Aioria falava duro e em tom alto, foi quando Kiki surpreendeu a todos.

— Perdão tio Aioria, foi minha culpa.

Shion olhou de lado, questionando as motivações do lemuriano.

— Eu estava brincando de esconde-esconde com elas e sugeri o caminhão como bom esconderijo. Quando vimos, o caminhão começou a se mexer e deixou o santuário. A ideia de entrar no caminhão foi minha. Elas não sabiam o que estavam fazendo.

Aioria olhava duro para Kiki e levantou uma sobrancelha enquanto descruzava os braços. Lançou o pensamento para Shion questionando sobre a veracidade da história e recebeu a confirmação através de um aceno.

— De qualquer maneira, não deveriam ter aceitado subir no caminhão de lixo, afinal, caminhões ANDAM, qualquer um sabe disso. E vejam o estado de vocês! Todas sujas e raladas... Eu...

Aioria fechou os olhos e apertou o nariz nervoso. Respirou fundo, abriu os olhos e puxou Tekka e Tessa para dentro da casa pela mão. Primeiro colocou Tekka para dentro a puxando pela mão direita e lhe dando uma palmada no traseiro enquanto a colocava para dentro, fez o mesmo em seguida com Tessa. Ambas choravam copiosamente, como quem houvesse levado a maior surra do mundo.

— Isso é para vocês aprenderem a não se meter em confusão novamente. Vocês tem ideia do que poderia ter acontecido?!

— Desculpa Papai! Desculpa!

Ambas diziam esfregando o bumbum enquanto choravam e eram abraçadas por Marin.

— Agora as duas para o banho! A mamãe vai limpar esses machucados e fazer curativos. E as duas estão de castigo para aprender a não aprontar mais esse tipo de presepada conosco!

Shion pegou Kiki pela mão depois de receber um abraço de agradecimento de Aioria.

— Vamos Kiki, preciso ver para onde vou te levar. Não faço ideia da onde estão Mu e Shaka agora.

— Eles vão me bater, não é? — Perguntou Kiki olhando para o chão.

Shion não respondeu, parte por não saber a resposta e parte por estar preocupada com Milo. Pegou seu celular e ligou para Mu que não atendia.

— Kiki, acho que vou ter que te levar para a minha casa...

oOo

Na Busca por Shun...

Camus desviava sua rota em sentido à rodoviária e não tardou a chegar lá e avistar Mu e Shaka que estavam desesperados.

— O que houve?

— Estão levantando as imagens, mas parece que Shun pegou um ônibus e saiu daqui. Não fazemos ideia da onde ele possa estar.