O Grande Dia

27 Capítulo XXVII - O Passado Bate à Porta...


Notas iniciais
Ok ok ok. Eu estou me sentindo o Hyoga voltando de fininho de uma balada no meio da madrugada com medo de encarar Camus. Ou, pior, estou me sentindo Camus depois de ter viajado um final de semana sem avisar Shion e voltando para casa para encarar o pai fora de si. Então, em primeiro lugar ME DESCULPEM. Em nenhum momento eu quis abandonar vocês ou a fic. Mas, infelizmente, aconteceu. A vida me engoliu com seus afazeres e coisas que aconteceram que vocês sequer podem imaginar. Agora, vou precisar da paciencia de vocês com meu retorno e até eu pegar o jeito com essas narrativas de novo. Não quero deixar o Grande Dia sem final... Espero que me perdoem. Beijo enorme. Vou responder todos os reviews agora. Sobre mensagens inbox, minha caixa está vazia porque o site as exclui de 3 em 3 meses. Beijos queridos.

POV Camus

Eu pedi sim Milo em casamento novamente, aquele definitivamente não era ao momento nem o lugar que eu havia planejado, mas meu noivo estava completamente fora de si. Por óbvio demoraria para eu fazê-lo apagar da memória todo aquele sofrimento, e para tanto precisaria me esforçar – e muito.

Um escorpiano jamais esquece quem o machuca e, pior, guarda o tempo que for necessário para ter sua vingança. Eu fiz o que poderia fazer de pior com o meu escorpiano: envergonhá-lo em público.

Eu precisava preparar um novo casamento e rápido, mesmo sem saber como as finanças aguentariam tantos desfalques. Eu já estava ligando para os fornecedores novamente, já tinha algo em mente, mas pensar nisso tudo com os nossos pupilos em crise era difícil.

E ver a cena que eu vi entre meu mestre e Mu... Por mais que eu sempre tenha sentido ciúmes do lemuriano, por mais que eu sempre tenha me sentido preterido e desejasse estar mais próximo de Shion, aquilo me machucava.

Mu era mais do que um cavaleiro colega do Santuário. Mu era meu irmão, o garoto que dormia no mesmo quarto, que teve a mesma educação. Era com quem eu brigava e disputava atenção, era meu companheiro de vida. Amigos? Não sei se posso dizer que éramos amigos, mas nós nos entendíamos.

Eu tenho por ele um sentimento diferente do que tenho pelos outros... E por mais que o invejasse em muitos aspectos, não queria vê-lo mal, ainda mais com o meu mestre. Com o nosso mestre, na verdade. Eu precisava ajudar... Só precisava deixar Milo em casa.

POV Shaka

Eu descia ao lado de Mu absolutamente enfurecido. Ele estava fora de si e eu estava tentando me transportar para um dos meus jardins trasncedentais para me acalmar, mas mesmo para mim estava difícil me manter sereno.

É difícil ver que eu não podia contar com o meu companheiro no sentido de ser absolutamente aberto comigo. Nos propusemos a um relacionamento sério e a criar nossos pupilos em conjunto, isso é, deveríamos dividir as informações um com o outro.

Mas não era isso que ele estava fazendo... Na verdade, era o exato oposto, vez que ele não apenas não compartilhava fatos, mas os omitia. Me questionava sobre ser ou não verdade tudo que ele me falava.

Respirei fundo quando vi que ele estava em meus pensamentos.

— Eu não sou mentiroso.

— Não sei o que esperar de você, mas não sei se é a hora e lugar para conversarmos.

Continuei andando, o jeito que ele estava ia começar logo um ataque público e eu não queria isso, e tenho certeza que ele em sã consciência também não. Eu precisava manter nossas aparências e não deixaria um ataque de raiva do ariano colocar nossa reputação em xeque.

Meu lemuriano olhou para baixo pensativo, ele estava com raiva, mas se conteve. Graças a Buda ele parou por um momento e talvez em breve retornasse à sua lucidez costumeira. Continuamos descendo as escadas apressados e insatisfeitos, ambos, eu com ele e ele com Shion, creio eu.

Foi a hora que olhei para trás das escadarias, pois pelo que me parecia em breve Shion apareceria e arrebentaria o meu noivo. Essa hipótese me parecia meio ridícula, vez que Mu já tem seus anos bem mais avançados que nossos adolescentes, Shion não poderia... Ou poderia?

Era difícil para mim entender essa relação. Eu era órfão como todos, mas não fui adotado por ninguém. Treinado por amazonas que revezavam por épocas seus alunos, eu não cheguei a ter uma ligação com ninguém como a deles. Shion amedrontava a todos, por óbvio eu já havia sido punido por ele, mas não havia uma relação tão próxima como a de Camus e Mu.

Chegando à casa de áries estreitei os olhos e me senti ferver por dentro. Eu avistei uma cena completamente inadequada no meio do pátio enquanto todos olhavam embasbacados para Shun e Jabu se atracando. Aquilo era praticamente sexo explícito. Sexo explícito no meio do pátio do santuário em plena luz do dia.

Fui tão rápido que creio que sequer Mu teve tempo de pensar. Separei os dois de maneira nada delicada. Peguei Shun pelo braço e o sacudi.

— O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?

Mu correu em nossa direção quando se deu conta do que acontecia, em pensamentos ele ordenava para que eu me acalmasse. Era óbvio que eu ia me acalmar, só precisava entender exatamente o que acontecia.

— Vocês dois perderam o juízo? Vejam essas pessoas em volta olhando! Vejam essas crianças assistindo essa cena ridículo e imprópria!

Jabu, se levantou escondendo sua ereção e colocando sua camiseta enquanto puxava suas calças sem jeito. Eles não estavam completamente nus, mas aquilo era o suficiente para serem presos pelo crime de atentado violento ao pudor, sem qualquer dúvida.

Olhei sério para Shun que parecia estar com os pensamentos em outro lugar, nesse momento percebi que Mu estava certo em se preocupar. Shun estava muito longe de estar bem, mas aquilo não justificava.

— SHUN, O QUE RAIOS VOCÊ ESTÁ PENSANDO?

Foi quando Mu o abraçou por trás o ajudando a se vestir e se recompor.

— Ele vai explicar isso para nós em casa.

— Mas Mu...

Um estreitou os olhos e disse entre dentes:

— ELE VAI EXPLICAR ISSO EM CASA.

Se virou levando Shun, me ignorando e dando-me as costas enquanto eu observava seu cabelo ao vento. Acredito que meu companheiro chegara ao meu limite naquele momento, meu limite enquanto ser humano. Ele não podia me dar as costas, ignorar meus apelos, me anular enquanto pai.

Numa triste conclusão, o deixei sair. Peguei Jabu pela orelha e o levei até a casa de touro, porém, para minha insatisfação não avistei Aldebaran.

— Jabu, não saia da sua casa. Vou conversar com Deba e explicar o que aconteceu e é melhor, se você sabe o que é bom para você, que aguarde aqui.

Enquanto eu pegava meu celular e falava com Aldebaran sobre o que tinha acontecido, via Jabu chorar copiosamente. Eu não gostava daquela situação, sabia que quem havia causado tudo aquilo era Shun, mas Jabu precisava aprender a se controlar e não se deixar levar pelos outros.

Dei as costas para o adolescente e mandei uma mensagem de texto para Deba: “não seja tão rígido com seu pupilo, pois sei que quem causou tudo isso foi Shun”. Aldebaran não era muito rígido, pelo contrário, sua fama sempre foi de ser ainda mais mole do que Mu. Mas como educava seus meninos sozinho, acabava assumindo uma postura aparentemente rigorosa.

Andei sem muita convicção até a casa de áries, me questionando até quando aquela seria também minha casa. Parei olhando as escadarias me questionando se seria possível conversar com Mu naquele estado em que ele se encontrava. As crianças já não me preocupavam naquele exato momento.

Entrei, as coisas estavam destruídas. Com certeza Shun havia tido um novo ataque e Kiki não estava em casa. Engoli seco e senti um aperto forte em meu peito, eu não podia acreditar, aquilo não podia acontecer na minha casa...

Meus filhos estavam completamente fora de controle.

POV Camus

Eu descia pelas escadarias com Milo quando vi Shion erguendo um homem pelo colarinho. Estreitei os olhos preocupado com invasores em meio às casas zodiacais, pois aquele homem comum teria passado pelo crivo dos guardas do Santuário.

Foi quando ouvi uma risada de deboche...

Uma risada...

Aquela risada...

...

— Ivan?

...

Milo me olhou com certa dúvida.

— Quem é Ivan, meu amor?

Não respondi, estava absolutamente sem palavras. Creio que até o sangue me fugiu da face, vez que me mexia por inércia sem ouvir direito mais nada. Só me lembro de me aproximar de Shion e tremer de leve ao chegar perto daquela figura que um dia eu tanto temi.

Ao longe ouvi Shion bradar “CAMUS NÃO É SEU FILHO”. Como eu desejava que isso fosse verdade, como eu desejava que toda aquela violência e abuso nunca tivessem acontecido. Como eu desejava que aquele monstro não fosse o meu pai.

Mas ele era. Ele era. E não havia nada que eu pudesse fazer para mudar aquilo. Se ele estava lá, algum motivo teria, algo ele queria de mim. Vi o convite amassado em suas mãos, eram do primeiro casamento, aquele que desconvidei a lista que Milo fez. Estava claro.

Milo deve ter convidado Ivan sem fazer a conexão, já que enviou convite para toda a minha agenda de contatos. Ele não se ateve ao sobrenome, ele não pensou... Milo nunca pensava. Um arrepio me percorreu a espinha.

— O que você quer aqui?

Foi quando vi mestre Shion me olhar preocupado, era nítido que ele não desejava aquele encontro e muito menos as lembranças que aquilo me trazia. Em alguns momentos eu não precisava ler pensamentos para saber o que meu mestre pensava.

— Camus, pode ir, vou resolver isso para você.

Ele disse com calma, com um amor que só ele tinha por mim. Mas por algum motivo eu não conseguir andar, estava paralisado. Milo me olhava curioso, até que sua ficha caiu. O vi cerrar as mãos.

Shion, então, lançou Ivan ao chão. Ele obviamente havia se machucado, mas nada muito além do suportável para alguém em suas condições.

— Saia do santuário imediatamente, senão eu mesmo vou te pegar e te mostrar o que faço com homens como você e depois te jogar numa cadeia qualquer. É o a escória como você merece.

Vi Ivan sorrir ironicamente. Aquele sorriso... Ele ficou para trás, limpando o sangue do canto da boca enquanto nos olhava enraivecido. Eu conhecia aquele homem. Conhecia aquela expressão. Aquilo não havia acabado ali...

Senti o abraço firme do meu mestre em meus ombros e ouvi sua voz mansa que chegou como um conforto.

— Ele vai embora sim, Camus. Ele vai. Vem comigo, vou levar vocês dois para casa.

Shion disse, abraçando com seu outro braço o meu noivo e nos levando protegidos embaixo de suas asas para casa. Naquele momento me sentia novamente uma criança amedrontada sendo pajeada por meu mestre.

Ele nos conduziu até nos sentarmos no sofá da sala e se sentou. Ele me olhava perplexo, creio que querendo entender como eu estava. Shion sabia o peso do meu passado, sabia o que eu tinha passado e me conhecia melhor do que ninguém.

— Camus, você está bem?

— Estou sim, mestre – Respondi voltando a mim.

— Você entende que não precisa se preocupar, que já é um homem com poderes inimagináveis perto de Ivan? Sem falar da proteção do santuário...

— Sim, eu sei mestre.

Eu sabia. E me condenava por me perder em pensamentos e ficar paralisado perto de Ivan, que perto de mim era um reles mortal sem qualquer chance de combate. Mas algo ascendia em mim lá dentro, algo que eu não sabia explicar...

— Camus, meu querido, não se condene – Shion me despertou, mais uma vez lendo meus pensamentos e sentimentos – Seus primeiros anos de vida não foram nada fáceis e é normal que alguns traumas tenham ficado, por mais que eu tenha preenchido com tanto amor tudo que eu pude.

Foi quando olhei novamente para Shion e o vi com lágrimas nos olhos.

— Se você soubesse minha vontade de matar Ivan... Mas precisamos deixar isso para trás, tanto eu quanto você. Vingança vazia não leva a nada e você precisa deixar isso para lá...

— Mestre, provavelmente ele veio atrás de dinheiro novamente.

Foi quando Milo nos olhou interrogativo, vez que não sabia que Ivan já havia aparecido outras vezes desde que cheguei ao santuário. A verdade é que Milo não sabia de nada, era tudo muito dolorido para mim, até mesmo para compartilhar com ele.

— Eu vou resolver tudo. Agora fique aqui. Creio que Ivan já tenha se afastado e não acho que vá voltar tão cedo. Mas isso é problema MEU, está entendendo?

— Sim, mestre.

Eu fiquei lá sentado, resignado. Não podia fazer nada e confiava em meu mestre para cuidar de tudo.

— Agora vou resolver outras questões que pedem ações imediatas.

Foi quanto me lembrei de todas as questões que haviam acontecido recentemente, mas não consegui me preocupar com Mu e tentar dissuadir meu mestre. Estava com a cabeça em outro lugar.

— Nem adiantava tentar me convencer a nada diferente, Camus, eu vou dar um jeito na casa de áries nem que seja a última coisa que eu faça em minha vida.

Quem era eu para discutir com ele? Só não queria que aquele clima em nossa família continuasse, não queria que Mu e Shion continuassem a se estranhar. Não queria meus sobrinhos fora de controle.

— Ô senhor chifrudo...

Era Milo, que apesar do termo ofensivo, tentava falar com educação. Ele logo narrou o que Hyoga havia contado, dando algum sentido a todo o ataque de Shun.

— Hum... Então foi isso.

— Sim, Ikki foi pivô desse rompimento de Hyoga e Shun. O pobre menino foi duplamente traído, pelo namorado e pelo irmão. É de se esperar que saia do controle.

— Não é de se esperar nada! Ele é um cavaleiro, tem que aprender a lidar com as emoções. Era isso que seu cunhado lemuriano deveria ensiná-lo e não ficar escondendo seus ataques.

Olhei para meu noivo, realmente não tínhamos mais o que fazer a não ser esperar. Eu não tinha forças para argumentar, pois encontrar Ivan havia mexido muito comigo.

Shion tirou do seu bolso a sua carteira.

— Queria falar com vocês sobre o meu presente de casamento. Eu ia dar minha casa de veraneio, mas dados os problemas financeiros em que vocês estão e na certeza de que Milo não abrirá mão de festas, creio que o melhor presente seria esse.

Ele disse enquanto preenchia um cheque e me estendia.

— Camus, a minha casa vocês podem usar a qualquer momento, na verdade será realmente de vocês um dia. Creio que isso cobrirá o que está no negativo e pagará uma nova festa modesta.

Eu sorri aliviado, pois não sabia como pagaria uma festa para Milo. Meu noivo ficou tão feliz que levantou e abraçou meu mestre, eu também fiz o mesmo.

— Obrigado pai...

Ele beijou minha testa.

— Só quero que vocês sejam felizes.

Notas finais
Eu acabei de voltar e conto com o carinho de vocês para comentarem.... Sejam com suas broncas e puxões de orelha pela minha demora, seja com comentários sobre o capítulo. Bjs bjs bjs.