O Grande Dia

46 A Punição de Shun 2


Notas iniciais
Oi amorinhas coloridas, tudo bem? Bom, vamos lá pequeninas. Essa parte é quase que angustiante, sério. Aliás, metade do próximo capítulo já está pronto, e vocês vão ver que não foi apenas Shun que ficou angustiado. Bom, espero de coração que gostem, que COMENTEM, e já já vem mais por aí ok? Beijos pequenas!!!

POV MU

Eu contei cinquenta palmadas enquanto via Shun pular e chorar com os fortes tapas que meu marido dava, meu coração estava apertado e podia ler que o de Shaka também. Aquela punição iria longe e eu só me perguntava se Shun ficaria bem e voltaria a ser meu menino...

— Shun, o que eu disse que aconteceria agora?

Meu filho esfregava freneticamente o traseiro, chorando copiosamente, sem mal conseguir falar. Dei graças quando Shaka não encarou a ausência de resposta como uma afronta.

— Pois bem, eu digo. Agora, você apanharia com uma escova de madeira por desrespeitar Mu, correto?

— Sim, mestre.

Logo vi Shaka pegando a escova no criado-mudo a segurando em sua mão direita. Andou perigosamente até Shun e o segurou pelo tronco com o braço esquerdo, praticamente o levantando no ar, deixando seu tronco dobrado e seus pés quase sem tocar o chão.

POFT**POFT**POFT**POFT Não, ele não merece!

POFT**POFT**POFT**POFT Pare... Aaaaaaaaaaaaaaaah.

POFT**POFT**POFT**POFT Por f.... aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah...

POFT**POFT**POFT**POFT AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH

— Seu mestre te ama mais do que a si próprio e você tem coragem de desrespeitá-lo em público, Shun?!

POFT**POFT**POFT**POFT

— Me perdoa!

POFT**POFT**POFT**POFT

— Pára mestre Shaka! Pára!

POFT**POFT**POFT**POFT

— Por favor! Eu não aguento mais!

POFT**POFT**POFT**POFT

— Você acha que Mu merece isso? Depois de se dedicar tanto, Mu merece um filho mal agradecido que faz ele se envergonhar fora de casa e ter que desentender com o pai dele só porque você resolveu ter um ataquezinho?

POFT**POFT**POFT**POFT

POFT**POFT**POFT**POFT

POFT**POFT**POFT**POFT

POFT**POFT**POFT**POFT

— Peça perdão agora! Mas não a mim, ao Mu!

Shun engolia o choro desesperado e falava, ainda segurado por Shaka.

— Me... Me... Me pe-perdoa mestre Mu... Eu... Eu não devia...

POFT**POFT**POFT**POFT

— Você vai fazer isso de novo, Shun?!

— Nããããão... Eu não vouuuuu...

POFT**POFT**POFT**POFT

— Tem certeza?!

POFT**POFT**POFT**POFT

— SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!

POFT**POFT**POFT**POFT

Foi quando vi meu marido parar um pouco. A sessão com a escova havia terminado, foi quando identifiquei um padrão: Shaka dava mais ou menos cinquenta golpes com cada objeto. Fiz as contas rapidamente com a certeza que Shun não conseguiria andar por alguns dias quando tudo isso acabasse.

Shaka acompanhando meus pensamentos me lançou um olhar para eu ficar tranquilo e logo o ouvi em meus pensamentos.

— Munito, Shun é um cavaleiro, assim como nós. Essa surra não é um aviso, não é apenas para ele ver onde podemos chegar. Dessa vez eu quero que ELE VEJA EXATAMENTE ONDE PODEMOS CHEGAR. Sim, vai doer, sim será difícil e dolorido por algum tempo. Mas nada que ele não possa aguentar dada sua força. Por favor, estamos juntos nessa ainda?

Eu acenei positivamente, concordando de verdade e triste por saber que Shun passaria uma semana sem sentar-se com certeza.

Shaka com bastante ironia colocou a mão no queixo enquanto sentava Shun na cama.

— O que era agora mesmo? Qual era o motivo da terceira surra? E o que eu ia usar mesmo.

Shun chorava lembrando-se que agora era o cinto por ter se atracado com Jabu no pátio. Shaka tirava o cinto enquanto olhava com os olhos estreitos para Shun...

— Você vai se arrepender, moleque!

Logo Shaka jogou Shun de bruços na cama, com as pernas pendendo para o chão. O adolescente de cabelos esverdeados não tinha mais forças para tentar fugir, apenas deitou abraçando um travesseiro e aquilo apertou meu coração.

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O choro dele era tão forte que engasgos eram constantes, mas meu marido não parava e não diminuía a intensidade.

— Shun, o que você pensou, me diga?

Meu filho não respondeu, achou que era uma pergunta retórica.

— SHUN!

Isso fez Shun tornar à realidade e responder.

— E-eu... Eu só queria que Hyoga visse... Que ele visse que eu podia fazer pior.

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— Quando alguém erra, você não deve agir de modo a copiá-la.

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— Você agarrando o primeiro que aparece não te faz melhor que Hyoga!

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— Outra coisa, todos sabem que Jabu tem uma queda por você. E você sabe bem disso!

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— Usá-lo como você fez só te faz ser igualzinho a Hyoga. Você feriu os sentimentos dele assim como Hyoga feriu os seus!

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Naquele momento eu vendo a cena e ouvindo os pensamentos, notei que as palavras de Shaka doíam mais do que a surra em si. Shun percebeu que só pensou em si mesmo e mais nada, condenando-se por ter magoado o amigo.

— Você vai pedir desculpas para ele, ouviu bem? Seu moleque!

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Shun recebia as cintadas, chorando, pedindo perdão e gemendo sem parar. Suas pernas se remexiam tanto que até mesmo Shaka estava com dificuldade de acertar o alvo.

— E que ideia é essa de se atracar em público, hãm?!

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— Você não tem vergonha? Não tem educação?

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— Ah, mas se não tem, agora eu vou te dar!

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— Isso é para você aprender, seu moleque! Para você aprender a se preservar!

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— Aprender a respeitar locais públicos!

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— Aprender a respeitar os outros!

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— Aprender a nos respeitar!

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Shaka parou quando Shun há não aguentava mais. Ele parou vendo Shun se retorcer na cama, questionando-se sobre continuar ou não. Eu parei ao lado dele com a mesma pergunta, vendo as marcas no traseiro de Shun.

Eu lancei um pensamento para Shaka o questionando se não era melhor terminar a punição amanhã, mas ele me respondeu, também em pensamento, que precisávamos livrar Shun daquela agonia – e que talvez fosse demais fazê-lo dormir sabendo que acordaria para apanhar.

Naquele instante tive certeza que talvez Shaka aliviasse um pouco na força e na quantidade de golpes.

— Bom Shun, vamos prosseguir. Eu queria aliviar aqui, mas como aliviar quando preciso te punir por FUGIR?!

Shun se sentou chorando, olhando para as próprias mãos.

— Você sabe que a pior coisa que podia fazer é fugir! Eu e seu pai o amamos tanto, mas tanto... Dói em nossa alma saber que você queria estar longe de nós!

— Me perdoem... – Ele dizia chorando— Não era de vocês que eu fugia.

— Eu sei filho, mas o que interessa é que você fugiu. E isso não pode sair impune.

Shaka disse pegando a palmatória de madeira com alguns furos na gaveta. Ele respirou profundamente ao ouvir o choro desesperado de Shun.

— Olhe para mim. Agora.

Shun obedeceu dizendo um baixo “sim senhor” e mostrou seus olhos vermelhos e face inchada. Shaka olhou para mim e foi minha vez de falar.

— Shun, meu amor. Nós não podemos deixar isso passar em branco. Você me promete que nunca mais vai sequer pensar em fugir?

— Sim mestre Mu, sim!

Eu olhei para Shaka e peguei a palmatória da mão dele. Não podíamos deixar para lá, mas era melhor eu batendo do que Shaka batendo.

— Pois bem, vem aqui para o meu colo. Eu vou te dar dez palmatoadas com isso, apenas dez se você se comportar. Isso porque eu acho que você já se arrependeu e estou crente que nunca mais fará nada do tipo.

Shun foi se arrastando até o colo de Mu, implorando para não apanhar mais.

— Por favor mestre Mu, não me bate mais. Eu te dou minha palavra que estou arrependido, te dou minha palavra que nunca mais farei nada do tipo.

Fui com dor no coração, mas o coloquei em meu colo. Era pior com Shaka.

*TUPOFT* AAAAAAAAAAAAAAAAAH

— Isso é para você se lembrar que FUGIR é limite rígido nessa casa.

*TUPOFT* TÁ TÁ BOM MESTRE

— Não importa o que aconteça, meu filho, sempre vamos resolver aqui dentro.

*TUPOFT*AIIIIIIIIIIIIII

— Fugir nunca é uma opção. Entendeu?

*TUPOFT* SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM

— Sim o que?!

*TUPOFT* SIM SENHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOR MESTRE!

— E o que você vai fazer se tiver um problema de novo?

*TUPOFT* AIIIIIIIIIIIIIII

— RESPONDA SHUN!

*TUPOFT* NÃO VOU FUGIR... NÃÃÃÃO VOUUU...

— E?

*TUPOFT* E VOU PEDIR AJUDAR PRA VOCÊSSS...

— Ótimo.

*TUPOFT* CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAA MESTRE

— Espero que isso tenha servido de lição meu filho.

*TUPOFT*

Dei a última na mesma intensidade média das outras, aquele objeto doía muito, cada vez que batia fazia um pequeno vácuo nos buracos da madeira que pareciam sugar a pele. No estado em que ele estava, isso doía demais para aguentar. Shun chorou tanto e seus pensamentos estavam tão arrependidos que eu tinha certeza que ele sequer pensaria em fugir novamente.

Quando dei por mim, Shaka havia saído do quarto. De certo para procurar a cane. Aproveitei e coloquei meu filho em meu colo.

— Shh... Calma...

— Ma-mas eu ainda vou apanhar ma-mais...

— Sim, vai. E acredito que será a pior parte Shun.

— Me ajuda mestre, me ajuda mestre Mu.

— É exatamente o que estamos fazendo aqui, filho. Te ajudando. Te ajudando a nunca mais se ferir dessa maneira, te ajudando a nunca mais ferir ninguém. Te ajudando a se tornar uma pessoa mais íntegra, mais correta, mais honrada. Te ajudando a nunca mais fazer nenhuma dessas coisas absurdas que você fez com os outros e, principalmente, consigo mesmo.

— Mas dóóói...

— Eu sei que dói, filho. Mas antes um traseiro dolorido por alguns dias em segurança aqui do que se perder nesse mundo tão cruel que seria ainda pior para você. Você sabe que fazemos tudo isso porque te amamos não é?

Ele acenou positivamente com a cabeça me abraçando. Eu o abracei com tanto carinho que não queria mais soltá-lo. Fui tirado de meus devaneios por Shaka com a cane na mão.

— Levante-se Shun. Agora.

Shun cambaleou para se levantar, ele mal podia andar, era nítido. Eu não podia fazer muito, já havia aliviado na surra de palmatória, agora dependia de Shaka que observava com cuidado o estrago.

— Pois bem Shun, eu não quero abrir nenhuma ferida em você. Vou bater nas suas coxas, para tanto você NÃO PODE SE MEXER, entendeu?

Shun me olhou desesperado, apenas chorando.

— Ande, apoie no braço do sofá. Rápido.

Shun se arrastou com calma.

— Porque você vai apanhar agora, Shun?

— Por ter... me ... metido nos rebeldes do santuário... e atentado contra a ordem.

VUUUUSH

A primeira varada acertou nas coxas do meu filho que saltou enquanto um vergão aparecia na parte ainda pouco avermelhada da sua pele.

— E você sabe que esse é sua punição aqui dentro de casa, mas que provavelmente Shion o punirá nas normas do Santuário, não é?

VUUUUSH

Mais um vergão se formou de forma nítida, era claro que Shaka não estava aliviando na força por estar acertando a parte da coxa nada castigada ainda.

VUUUUSH

— No que você estava pensando, Shun?

VUUUUSH

— Responda!

— aaaaaaaaaaaaaah... eu não sei... eu só queria... eu só queria... eu errei... eu errei...

VUUUUSH

— Sabe o que eu devia fazer com você? Te bater no pátio como faziam conosco quando andávamos fora da linha! Onde já se viu?! Atentar contra o santuário?!

VUUUUSH

VUUUUSH

VUUUUSH

VUUUUSH

VUUUUSH

Shun caiu de joelhos no chão, chorando, acabado, punido, arrependido.

Notas finais
COMENTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEM PLEASE :)