O Grande Alquimista

1 Anselm e Maggie


O Natal em Elfegor é magnífico, as crianças adquirem sorrisos faceiros, os adultos preenchem-se de compaixão e os mais velhos renovam a esperança, todos estão repentinamente felizes e se amando, como se todos fossemos um só.

E o melhor de tudo: minhas vendas aumentam como nunca.

Meu nome é Anselm Stets, eu sou um habitante comum de Aceid, a grande capital de Elfegor, tenho uma lojinha no Distrito Central onde vendo diversos itens que, quase sempre, eu mesmo faço, eu tenho algum talento em fazer preparados, estatuetas, amuletos, acessórios, bebidas e outras coisinhas. A loja não é das mais populares, mas ela consegue me fazer ganhar o suficiente para sobreviver, então não tenho do que reclamar.

Como o Natal está ficando tão próximo, a loja fica mais movimentada, mas depois de um acúmulo de clientes após a hora do almoço, o lugar se aquietou, assim, me dei a liberdade de sentar e trabalhar num pequeno brinco dourado. Pouco tempo depois, alguém bate na porta, um ato bem sem sentido se você pensar sobre isso, afinal, a porta estava aberta, mas eu estou acostumado com clientes excêntricos.

Ao chegar até a porta, da cortina saiu um jato de água, me empurrando o que quase me levou a derrubar uma estatueta de um porco baemu.

— Anselm, que prazer revê-lo, esperava que você fosse mais cuidadoso, se alguém viesse te matar, você não estaria bem.

Eu também tenho uma irmã mais nova e ela, contrariando tudo que eu e meus pais falamos, resolveu que seria uma feiticeira, ela vive em Lucifenia, junto com duas amigas dela.

— Olá, Maggie, também senti falta de você, mas não precisa se preocupar, você é a única que me oferece risco de morte.

— Que comentário ácido — Ela reclamou, mas logo mudou de expressão repentinamente — Mas você sabe de quem estou falando, tenho informações sobre ela.

— Você devia se esquecer sobre isso, Maggie, sempre que nossa família se envolve com aquela mulher, nada de bom acontece — Retruco — Eu não me envolverei com magia e você devia seguir meu exemplo.

— Não se envolverá com magia? Por favor, Anselm — Ela apontou para diversos itens da loja —, Olhe para o lugar onde você trabalha, se você não se envolve com magia, por que todos os itens que você desenvolve tem alguma capacidade mágica?

— Meus itens não tem capacidade mágica alguma — Eu não devia dizer isso, sabia que minha irmã não era tola — Eu só vendo itens simples, vai me dizer que esse laxante tem alguma coisa de mágico?

— Se ele não tivesse, por que ele foi feito com ingredientes da Floresta de Held? — Ela riu — Anselm, você é um alquimista, querendo ou não.

— Cale a boca, o que te trouxe de Rollam até aqui? — Eu nem precisava perguntar — É sobre ela...

— Obviamente, eu descobri alguém que certamente tem envolvimento com ela — Minha irmã estava muito séria, algo que não é do feitio dela — Julia Abelard, ela é muito suspeita.

— E como você não tem algum amiguinho em Calgaround, você quer que eu espione ela, certo? — Eu devia parar com tantas perguntas óbvias — Eu não te ajudarei a cometer um erro desses ao se envolver com essa mulher.

— Anselm — Ela parecia disposta a me bater — Não é assim, eu estou te pedindo ajuda porque ela se interessa por você.

— E o que ela teria comigo? — Dessa vez, a pergunta foi séria — Eu não fiz nada de estúpido.

— Eu não tenho certeza sobre o que ela quer com você, mas existe algo por trás disso — Ela parou e então percebi que eu parecia estar quase desmaiando de medo — Anselm, eu passei anos da minha vida me treinando em magia, não deixarei que algo de ruim aconteça com você, tenho duas amigas que também não deixarão que algo de ruim ocorra contigo.

— Não é como se uma garota de 16 tenha tanto tempo de vida assim e ainda não confio nessas amigas — Eu tinha que acabar logo com aquela conversa — Tudo bem, eu te contarei caso algo ocorra, como posso te contatar?

— Tome isso — Ela me entregou um alho-poró, engraçado — Vai te ajudar a se comunicar comigo, eu estarei em Toragay averiguando algumas coisinhas, então virei caso precise.

Ela se virou para ir embora, mas parou subitamente.

— Ah, Anselm, uma última coisa, caso se encontre com uma tal de Hanne Lorre, me diga, acredito que ela seja uma velha amiga nossa.

— A réporter? Não sei como ela poderia te interessar — Respondi —, mas digo caso veja algo sobre ela.

— Adeus, irmão.

— Adeus, irmã.

Notas finais
Obrigado a todos que leram o primeiro capítulo, tentarei não demorar a lançar o próximo.Sim, Elfegor é minha tradução porca de Elphegort.