O Golpe

5 Um bandido predador e um advogado protetor


Notas iniciais
Se vocês soubessem a loucura que a minha vida voltou a ser da semana passada pra cá, iam achar um milagre eu estar atualizando a fic. Ainda tô me ajustando a minha nova rotina e tentando achar tempo para escrever as fics. Por enquanto estou encontrando dificuldade, admito. Mas vou me virando como dá. Peço a compreensão de vocês, amadas, porque vai demorar (mais ainda) as atualizações. contudo vai saindo. Não posso deixar de agradecer aos comentários de vocês. Vocês já odeiam o Will tanto, mas ainda vão odiar muito mais. E também quero dar as boas vindas a Thairly granger que assim como todas nós, adoraria consolar o Gil

"Eu sou seu predador e você é a minha presa."

***

— Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Aquela altura do sermão, Will já ouvia impaciente ao revendo. O bandido segurava a muito custo sua vontade de suspirar e revirar os olhos de tédio total daquela ladainha toda.

Coisa mais chata!

Se fosse por vontade própria nunca estaria ali, mas para fazer média com Sara e também pelo bom andamento de seu plano com a jovem, o bandido permanecia no local aturando aquela chatice toda.

Remexendo-se um pouco no banco de madeira da igreja enquanto o reverendo seguia falando, Will esticou o pescoço apenas o suficiente para conseguir avistar de seu lugar Sara a uns seis bancos de distância dele. Ela estava entre Grissom e Catherine, e ambos consolavam a jovem a todo momento. Junto do trio também haviam outras pessoas.

William queria estar lá dando seu falso apoio e consolo a jovem, inclusive até foi convidado por Sara a ficar junto dela e dos demais na primeira fileira de bancos, destinados a parentes e amigos dos pais dela. Contudo, o bandido recuou dessa ideia por duas boas razões: a primeira, porque ficou temeroso ao avistar algumas pessoas da imprensa posicionados próximos aos tais bancos.

O bandido queria evitar a todo custo fotos suas saindo por aí. Não poderia deixar rastros para ser encontrado eventualmente no futuro.

E, a segunda razão para declinar do convite de seu 'alvo', se devia ao fato de que achava mais prudente para seus planos não ficar muito próximo de Sara diante de tantas pessoas. O bom predador sabe o momento certo de atacar e de ficar na moita. E aquele ali era o momento de ficar por perto, mas na dele. Precisava ter bastante prudência e ser meticuloso se quisesse ser bem sucedido naquele plano. Nada de afobação senão o fracasso viria fácil e certo.

E outra, que ficar muito em cima da jovem poderia dar muito nas vistas, além de despertar mais ainda a desconfiança do advogado que Will percebeu não gostar nada dele.

William ainda estava engasgado com Grissom. Desde o primeiro contato deles na delegacia, algo ocorrido há algumas horas, o bandido percebia a forma nada amistosa e desconfiada com a qual o advogado por diversas vezes lhe encarava. Aquele sujeito poderia pôr seus planos em risco se Will não fizesse nada contra ele. Ainda ia pensar em algo eficaz para afastar o doutorzinho engomado de seu pé e principalmente, do de Sara a quem Will percebeu ser do interesse de Grissom. Ficou evidente ao bandido que o outro homem gostava da jovem, mas ao que parece, ela não percebia.

— O senhor tem horas?

Uma mulher bem apessoada e acomodada ao lado direito de Will, o indagou de maneira baixa e educada.

— Não!

Foi seco na resposta. E antes que a mulher ousasse fazer qualquer outra pergunta, Will pediu licença e se levantou do banco com discrição. Para não chamar atenção das outras pessoas, ele seguiu pelo corredor rente a parede e decidiu ir até lá fora para respirar e dar um tempo da enchição de linguiça do reverendo. Aquilo ali já estava demais para ele e sua pouca paciência.

Meio que se escondendo e fugindo dos flashes de alguns fotógrafos que insistiam em registar as pessoas ali presentes, Will conseguiu alcançar a saída da igreja.

Já do lado de fora do local, o bandido respirou aliviado, mas não menos preocupado. Havia um pequeno grupo de repórteres e fotógrafos atrás de uma fita de isolamento. Sorte sua que o grupo estava distraído falando com alguém que parecia ter chego para a cerimônia.

Escondido atrás das lentes escuras de seu óculos, William baixou um pouco a cabeça, pegou a direita e desceu os cinco lances de degraus. Não ia ficar ali dando sopa e correr o risco de ser fotografado por alguém.

Caminhando pela lateral da igreja, ele chegou a uma área onde veículos estavam estacionados. Pelo menos ali estava live de imprensa e ele adorou tal fato. Avistou um guardador de carro fumando. E resolveu ir até o cara para lhe pedir um cigarro, já que os seus acabaram e ele precisava de um trago. A nicotina gritava a níveis altos nele.

— Ei, fera! Beleza? — William se postou ao lado do sujeito escorado à um Mercedes prata estilo sedan e estendeu a mão em cumprimento ao magricelo homem.

— Beleza! — o sujeito calvo e com vestes simples, aceitou de boa o cumprimento.

— Aí, tem um cigarrinho sobrando pra me dar? Os meus acabaram e eu tô doido por um trago.

De boa o sujeito puxou de dentro de uma pochete surrada, que carregava presa em torno do quadril, uma carteira de cigarro e estendeu a Will.

— Vou pegar dois, já que você tem bastante aí. — avisou William ao ver os sete cigarros na carteira.

— Sem problema! — sorriu o guardador já estendendo uma caixa de fósforos ao desconhecido.

— Muito trabalho guardando e reparando carros? — quis saber William enquanto acendia o cigarro.

— Bastante!... E é bom pelas gorjetas. Mas se não me engano vi você chegar para o velório, não?

Will apenas assentiu, confirmando a informação enquanto devolvia a caixa de fósforo ao outro homem, para então dá uma boa tragada no cigarro. Sentiu de imediato uma sensação de alívio após a tragada. Como precisava daquilo para acabar com sua ansiedade. Fumar era sua forma de relaxar e desestressar.

— Eram boas pessoas os dois. Gente muito fina.

— Os conhecia? — William lançou um olhar curioso ao outro homem e deu uma nova tragada no cigarro. Aqueles não eram tão bons quanto os da marca que ele costumava comprar, porem quebravam o galho.

— De vista! Todo domingo vinham com a filha para as missas e o seu Charlie era o único que me dava ótimas gorjetas. — o homem sorriu da lembrança. — Era amigo deles?

— Era. Mas fazia tempos que não os via. Infelizmente fui reencontrá-los poucas horas antes de sofrerem o acidente que os vitimou. — aquela mentira tinha que ser sustentada sempre e para qualquer que fosse a pessoa.

— Nossa, que bizarro!

— Nem me fale! Mas... Ao que parece, eles eram meio que celebridades por aqui, né?

— Ah, sim. — o sujeito balançou a cabeça de maneira positiva. — Pelo que eu sei... O Charlie Sidle é um dos investidores mais conhecidos e bem sucedidos daqui de Frisco. Inclusive, ele até já saiu naquela revista famosa a Forbes.

William se impressionou com aquela informação. Então era justificável aquele tanto de imprensa presente.

— Como sabe disso?

O guardador sorriu.

— Ah, é que gosto de ler. Não é porque sou guardador de carro, que serei um ignorante. Adoro ler sobre diversas coisas, mas tenho preferência por economia e política. E o sujeito morto era muito conhecido no meio econômico.

Sem que o humilde guardador notasse, William o enquadrou bem e viu naquele sujeito uma possível e ótima fonte de informações sobre o casal morto. Sendo assim, não hesitou em fazer uso dele para tentar arrancar o quanto pudesse sobre os Sidle. Qualquer informação que fosse, seria muito bem vinda e de quebra lhe ajudaria bastante.

E enquanto o bandido discretamente iniciava sua buscava por informações através do outro homem, dentro da igreja Sara ouvia emocionada ao discurso do reverendo enquanto revezava seu olhar entre os caixões fechados de seus pais, que se encontravam posicionados lado a lado.

Na cabeceira de cada caixão havia uma fotografia em tamanho médio de Laura e Charlie. Sara olhava para àquelas fotografias e inevitavelmente, as lágrimas deslizavam por seu rosto. Sua ficha ainda parecia não ter caído por completo, mesmo já tendo algumas horas razoáveis do falecimento de seus pais. Seu peito doía só de pensar que daqui por diante não veria mais as duas pessoas que ela mais amava na vida, porque eles tinham partido daquela maneira tão trágica.

Lembrou da despedida antes deles partirem em viagem para Sacramento e se pudesse voltar no tempo, teria dito muito mais do que apenas um "voltem logo" e ainda teria lhes dado também, um abraço mais demorado.

— Eu vou sentir muita falta de vocês. — ela sussurrou e chamou a atenção de Grissom acomodado a sua esquerda.

— O que foi Sara? — ele sussurrou se virando para ela e com extremo carinho deslizou a mão por seus ondulados cabelos castanhos, que carregavam sempre aquele perfume de pêssego que o advogado sentia sempre quando a jovem estava por perto.

— Eu vou sentir tanta falta deles, Gil! — a jovem confessou em um fio de voz enquanto deitava a cabeça no ombro do advogado e agarrava-se ao braço dele.

Por segundos Grissom ficou imóvel e sem saber o que dizer para consolar Sara. O advogado podia ser eloquente em seus arrazoados perante um júri enorme, mas quando se tratava de expressar seus sentimentos, mais ainda quando envolviam Sara, ele era um desastre. Nunca sabia o que dizer a ela e às vezes, também nem sabia o que fazer perto de sua amada secreta. Era como se perto de Sara, Grissom deixasse de ser o homem maduro e de quase trinta e seis anos de idade, para virar um adolescente abobalhado e tímido, exatamente o Gil que costumava ser em sua adolescência.

Com o olhar o homem pediu alguma espécie de socorro a amiga Catherine, que aquela altura os observava. A filha de Lilly apenas gesticulou com a boca a palavra "abrace-a".

Com cuidado e meio sem jeito, o homem conseguiu fazer Sara soltar seu braço e passou este por cima dos ombros da jovem, abraçando-a como bem Catherine lhe sugeriu. Na sequência Gil apoiou o lado direito do rosto na cabeça da morena e escutou dois segundos depois um choro baixo vindo de Sara. Aquilo foi como uma punhalada em seu coração.

Daria tudo para a jovem dona, não está passando por aquela dolorosa experiência. Assim como ela, ele também estava sofrendo com aquela perda e sentiria falta do casal de amigos que sempre lhe traram como um membro da família. Contudo, a dor de Grissom nem de longe podia ser comparada a da jovem que perdeu os pais, seus únicos parentes de sangue. Enquanto Gil perdeu dois amigos maravilhosos, Sara perdeu a família toda.

— Sei que uma perda desta jamais poderá ser reparada, Sara. Mas... você não está só. Pode contar comigo para o que precisar. Eu estarei aqui do seu lado para sempre.

Ainda que ela só lhe visse como um amigo mais velho, ele cuidaria dela e jamais lhe abandonaria.

— Obrigada por estar aqui comigo, Gil. — ela lhe agradeceu ao erguer o rosto e olhar para o advogado a quem tinha grande amizade e carinho.

— De nada! — foi tudo o que o homem conseguiu dizer enquanto delicadamente enxugava uma lágrima que descia pelo rosto da jovem.

Naquele mesmo instante o reverendo chamou Sara para que ela fizesse seu discurso de despedida aos pais.

— Se você não se sentir em condições disto, eu posso ir lá e dizer algumas palavras em seu nome, amiga. — Catherine se prontificou, chamando a atenção de Sara.

— Eu vou sim, Cath. Preciso fazer isso.

Saindo de seu banco e sob alguns flashes de fotógrafos, a jovem se dirigiu ao pequeno púlpito e com a voz ainda embargada, se pronunciou pausadamente.

— Antes de discursar... algumas poucas palavras a vocês... eu, primeiramente... gostaria de agradecer a presença de cada um que aqui está. — ela encarava com tristeza e abatimento as pessoas que ali estavam. Era bastante gente, o suficiente para ter lotado a igreja. — Não imaginam o quão difícil está sendo para mim... — seu olhar se desviou para os caixões e um nó se formou na garganta de Sara. -... Estar aqui me despedindo dos meus pais. — ela concluiu após uns cinco segundos de silêncio. — Eles eram tudo pra mim.

Naquele momento William retornava para a igreja após não ter conseguido muitas informações relevantes com o guardador. Parando escondido bem atrás de uma pilastra, o bandido ficou dali mesmo observando Sara.

— Não sei como vou... conseguir conviver sem... a presença física deles. Ou tampouco... fazer para conter as lágrimas diante das fotografias de um passado que não retornará. — com a mão direita ela enxugou as lágrimas que lhe escapavam. — Mas onde quer que eles estejam... quero que saibam que... sou grata por ter tido pais tão maravilhosos como eles. E eu vou amá-los pra sempre.

Ao fim desta fala a jovem caiu em prantos. Catherine e Grissom tiveram que ir até ela para lhe ampararem e trazê-la de volta para seu lugar.

De seu canto Will apenas assistiu sem esboçar qualquer emoção. Aquele chororô da jovem estava lhe embrulhando o estômago, mas precisava disfarçar aquilo ou do contrário estaria perdido.

O reverendo fez uma última prece e o velório foi encerrado para que seguissem para o enterro em um cemitério particular.

Enquanto recebia as condolências de algumas pessoas, Sara procurava com o olhar William a quem não enxergou desde que subiu ao púlpito.

— Você viu o William, Cath? — ela sussurrou a amiga após o casal Watson se afastar dela.

— Não vi não, amiga. Vai ver que ele já foi.

— Sara deixa esse sujeito para lá. — Grissom retrucou nada contente.

Antes que a jovem ousasse responder ao advogado, a imagem de William surgindo entre as pessoas e vindo até Sara, roubou a atenção da jovem.

— Achei que já tivesse ido embora. — ela falou assim que a figura do homem parou diante dela.

— Não sem me despedir de você. Fui apenas tomar um ar e fumar um pouco. — justificou o bandido.

— Sara precisamos ir para o enterro. — Grissom comunicou incomodado com a presença de William. Não gostava nada daquele sujeito.

— Gostaria que viesse junto comigo William. No seu carro ainda tem uma vaga sobrando, não é Gil?

O advogado por muito pouco não mentiu, somente para não ter o desprazer de levar aquele desconhecido junto com eles. Contudo, prezou por dizer a verdade. E, com isso Sara lhe indagou se William podia ir com eles. Sem coragem de negar um pedido a jovem, o advogado concordou em levar William em seu carro junto com eles.

No sedan de Gil foram o advogado ao volante, Lilly no banco do carona e Sara, Catherine e William nos bancos de trás, sendo que a primeira se acomodou entre os dois outros. O restantes do pessoal que estava na igreja ou foram em seus carros ou no ônibus cedido pela funerária.

Durante o trajeto ao cemitério Gil observava na contente pelo espelho retrovisor, o tal de William trocando conversas ao pé do ouvido com Sara. O advogado não estava apreciando nada a aproximação instantânea daquele desconhecido com a jovem morena e pior ainda, a aceitação sem objeções de Sar ao estranho. Porém, por hora, engoliria aquilo sem dizer nada.

***

— Eu gostaria tanto que tudo não passasse de um pesadelo. — Sara comentou com William enquanto encarava a lápide dos pais após eles terem sido sepultados momentos atrás.

Estavam somente a jovem e Will ali diante dos túmulos, a pedido da própria Sara.

— Infelizmente não é. E você precisará ser forte para enfrentar essa perda.

— Acho que não serei capaz.

"Garota mais chata!"

— Vai sim. Qualquer coisa estou aqui. — ele tomou a liberdade de segurar na mão dela.

De longe, um advogado nada satisfeito observava aquela cena se corroendo de ciúmes.

— Não gosto nada desse cara. — resmungou Gil a Catherine e Lilly enquanto o trio não tirava os olhos de Sara com o estranho. — Ele não me parece um sujeito confiável. Além do mais, ainda não engoli bem essa história dele ser amigo do Charlie.

Para Grissom tinha algo errado ali. E o advogado pretendia averiguar aquilo a fundo.

Sem que Gil visse, Catherine olhou de relance para a mãe e esta apenas arqueou as sobrancelhas.

— Isso está me parecendo ciúmes. — o advogado olhou no mesmo segundo para a amiga. — Você está é com ciúmes do William com Sara. Por isso essa sua cisma toda com ele.

Não era segredo para os olhos astutos de Catherine e sua mãe, o interesse platônico que o advogado nutria secretamente por Sara. Aos olhos dos demais, Grissom até podia disfarçar bem, mas para os de Catherine e sua mãe não. Elas conseguiam notar os olhares abobalhados do homem para cima de Sara quando ela estávamos perto. Mas ao que parece, somente a jovem não notava isso.

— Não é ciúmes, Catherine. Para de bobagens. — sem jeito o advogado tentou negar o óbvio. Porém era inútil. Àquele sentimento estava escancaradamente exposto para Catherine.

— Não é bobagem alguma. Por que não admite que ama a Sara? Não é pecado algum isso, sabia?

Diante da careta dele, a mãe de Catherine opinou.

— Minha filha tem razão, Grissom. Amar alguém jamais será pecado.

— Até você, Lilly?

— Escuta aqui Gil. — séria Catherine chamou a atenção do amigo para si. — Minha mãe e eu sabemos que você é apaixonado pela Sara. E não é de hoje. Imaginamos que a sua posição seja complicada. Você é, ou melhor, era advogado e amigo do pai dela. Conheceu Sara entrando na adolescência e sem querer, em algum momento acabou se apaixonando por ela. Só que, meu amigo... — ela repousou a mão em um dos ombros do advogado. Tinha muito carinho por ele e uma amizade sincera. — Ninguém manda no coração. Não é sua culpa ter se apaixonado pela filha do seu patrão e amigo.

Sem coragem para negar mais seus sentimentos, já que Catherine os decifrou por completo, só restou a Grissom admiti-los de vez.

— Está bem, vocês tem razão. Eu sou... Apaixonado por ela. Mas é um amor impossível.

— Você diz isso pelo fato de ela te ver como um amigo mais velho?

— Também. E ainda tem o fato de eu achar muito errado, o que sinto por ela.

O advogado sentia como se fosse uma traição com Charlie. Amar a filha do amigo, uma moça que ele viu adolescente e que agora já era uma mulher. Não lhe parecia algo certo aquilo. E se não bastasse isso, ainda havia a diferença de idade entre ele e Sara. Dezesseis anos era muito em sua visão.

— Claro que não é erro nenhum, Gil. Sabe, acho que não existe um cara mais perfeito para a Sara que você: alguém protetor, cavalheiro, amigo e que a ama, não é mãe?

— Sim. Tenho certeza que os patrões iam aprovar isso.

— Não viajem. — ele suspirou, lançando um olhar para a dona de seu coração. Adoraria que fosse verdade aquilo dito por elas. Mas sabia que jamais seria. Ele e Sara não lhe parecia nada possível algum dia. — Sara nunca me verá com outros olhos. Para ela, eu sempre serei o amigo do pai dela, amigo da família e amigo dela, mais nada além disso.

— Já pensou em abrir o jogo com ela?

— Você não ouviu o que eu acabei de dizer?

— Sim. Mas quem não arrisca não petisca, já dizia o ditado.

Grissom suspirou diante dos dizeres da amiga. Se ao menos ele fosse corajoso o suficiente para se arriscar, o faria. Mas além do medo se arriscar havia o medo da rejeição. Sem contar que temia abrir seu coração a ela e arruinar a amizade que tinham. Não queria pôr em risco isto.

— Logo quando conheci Sara a vi somente como a filha do meu patrão. — ele se pronunciou com o olhar longe. — Na época ela tinha doze para treze anos. E continuei vendo-a assim até a sua festa de quinze anos. — o homem suspirou ao se recordar daquele evento em que seus sentimentos pela jovem mudaram e Gil passou a ver Sara com outros olhos.

— Eu lembro de você todo abobalhado quando a viu linda no vestido de festa àquela noite.

— Ela parecia uma princesa. — ele sorriu. — E a partir daquele dia passei a me odiar por pensar nela de outro jeito senão como a filha do Charlie.

Ele sentia um verdadeiro crápula por amar uma garota que tinha idade para ser sua sobrinha. Uma menor de idade na época, que ainda por cima, era filha de seu patrão e amigo.

— Eu já quis por inúmeras vezes não sentir o que sinto pela Sara. Até fui estudar longe, vocês lembram? — as duas mulheres assentiram.

Um anos depois daqueles sentimentos surgirem nele e de sofrer calado com eles, Gil resolveu se afastar. Foi para Londres fazer um curso. Na capital inglesa permaneceu por dois anos e retornou a dois. —
Me afastei na esperança de matar esse sentimento, mas foi inútil.

A distância só fez adormecer o sentimento que tinha pela jovem. Mas bastou voltar a pedido de Charlie e reencontrar Sara que aquela altura já estava com seus dezoito anos recém completados, para o que sentia pela jovem ressurgir mais forte ainda do que o advogado sentia antes de ir para Londres.

— Todo esse tempo você tem se calado. Uma hora tem que colocar isso para fora Gil ou irá se sufocar.

— Não sei se tenho coragem suficiente. E, para piorar agora, ainda tem esse cara que surgiu. Desde de quando o conheceu horas atrás, que Sara não se desgruda dele. É William pra cá, William pra lá. Ela nem o conhece direito e fica junto dele como se fossem amigos de anos. — aborreceu-se o homem.

— Ela está fragilizada Gil. E ele tem dado conforto a ela. Além de ser muito atencioso e cuidadoso.

— Me diz uma coisa, você realmente acredita que ele era amigo do Charlie?

— E por que ele mentiria sobre isso?

— Não sei. Mas não me recordo de Charlie ter dito uma vez sequer o nome de um amigo chamado William.

— Gil, você está vendo chifres em cabeça de cavalo. Ele me parece um bom sujeito e tem se mostrado muito solícito com Sara. E, outra, se ele fosse um cara ruim não teria devolvido toda a grana que encontrou com os padrinhos.

— Ainda assim, não gosto dele e não é por ciúmes. Ele não me inspira confiança. Vou ficar de olho nesse sujeito e essa sua proximidade exagerada pra cima da Sara.

— E isso não é por ciúmes não é?... Tá bom, Gil! Vou fingir que acredito!

Ela piscou para a mãe e sorriu para o amigo.

Notas finais
Tadinho do Gil falando de seus sentimentos para Catherine e Lilly. Enquanto isso Will sem esforço está envolvendo a Sara sob a total desaprovação de Grissom. Apaixonado, o advogado está se corroendo de ciumes e preocupação com a jovem que ama. Mas ele tá esperto quanto ao bandido. Vai ficar de olho nele.