O Golpe

10 Tramando


Notas iniciais
Fala, meninas! Depois de uma semana sem celular (o abençoado resolveu dar cagad@) e impossibilitada de postar, estou de volta aos trabalhos. Como o capítulo dessa fic tava prontinho e eu tava com saudades de atualizar alguma história, etão vim postar esse capítulo. Quero agradecer a Noara pela recomendação. Obrigada, amiga. Vou deixar pra te oferecer o próximo capítulo e não este, porque aqui só tem o fdp do Will. Mas o seguinte que eu postar vai ter o advogato do Grissom em ação contra o William. Espera só pra lê. Mas enquanto este não chega vamos de William.

"Sou um monstro predador. É isso quem eu sou."

(Diário de um vampiro)

***

Ele lançou um olhar nada satisfeito para a fachada pouco atraente do pensionato e pensou: "Vai ter que servir!"

A grana que tinha não era tanta para algo mais 'descente' que aquele lugar, situado em um bairro não tão 'familiar' assim.

Ele empurrou a porta de madeira, que fez um grave rangido.

"Um pouco de óleo nas dobradiças desta porta velha, seria uma ótima solução para este som desagradável."

O barulho feito pela porta chamou de imediato a atenção da mulher que trabalhava como recepcionista da pensão. Logo o celular em suas mãos, o qual ela mexia para matar o tédio ali no serviço, ficou para segundo plano ao levantar os olhos do aparelho e notar a presença de um sujeito bonito e desconhecido, vir em sua direção.

— Bom dia! — William cumprimentou-a ao parar diante do balcão escuro onde a mulher estava postada. Havia uma sinaleta, um telefone e um caderno ao lado.

Mascando chiclete, a recepcionista mediu William sem qualquer discrição. De perto o sujeito é mais bonito ainda com aqueles olhos azuis.

Quem seria aquele forasteiro?

William esperou com certa impaciência a mulher se dignar a lhe responder, mas ela apenas seguia lhe encarando como quem lhe comesse com os olhos. E, a julgar pelo sorrisinho de canto de boca que o bandido a viu deixar escapar, deduziu que a mulher aprovou o que via.

"Ela é até bonita. Quem sabe!", Pensou o bandido enquanto seus olhos passearam rápido pelos traços da morena a sua frente. Ela tinha grandes olhos negros, boca carnuda, cabelos crespos e volumosos de cor castanha, seguros por uma faixa de um rosa berrante; o pescoço era fino e carregava uma correntinha com um pingente de meia lua; e os seios eram fartos que mal cabiam direito dentro da blusa vermelha de alças finas, que a mulher usava.

Will chegou a comparar fisicamente aquela mulher com Samira, uma das prostitutas mais cobiçada do cabaré de Joel, com quem o golpista trepou algumas vezes sem o pai saber. Joel era contra o filho se meter com as putas de seu bordel. Se Will quisesse uma mulher que procurasse outras prostitutas. Mal sabia o cafetão, que TODA prostituta que chegava para trabalhar em seu bordel, passava pelo sigiloso teste do sofá com Will.

— Bom dia, bonitão.

Enfim se pronunciou a recepcionista.

— Preciso de um quarto.

— Pagamento da diária antecipado. Normas da casa.

— Quanto é a diária?

A mulher deu o valor, que Will julgou ser um pouco 'salgado' para um moquifo nada atraente como aquele. Entretanto, como já não estava mais com paciência de seguir procurando por algo melhor que aquele lugar e os anteriores vistos, o bandido puxou a carteira e dela sacou a somada de dinheiro equivalente a três diárias.

— Aqui! — falou já depositando as cédulas sobre o balcão. — Tem para três dias de hospedagem.

Ele observou a recepcionista pegar o dinheiro e contá-lo. Ao se certificar que o valor era o correto ao tanto de dias mencionados pelo sujeito, a mulher abriu uma gaveta do balcão e guardou a soma do dinheiro lá dentro. Em seguida, ela puxou o caderno e pediu o nome completo do desconhecido e seu número de contato para uma "ficha de cadastro".

O bandido deu somente seu nome e inventou que estava sem celular no momento. Nem sob decreto ia ficar dando seu número para cair em ouvidos errados. Não estava louco!

— Sem problema, William. — Retrucou a mulher quando ele contou que não tinha número de contato.

De um pequeno armário atrás de si, a recepcionista pescou uma chave dentre algumas que haviam penduradas em ganchos enfileirados, e estendeu uma a William.

— Quarto número oito, segundo andar. Final do corredor, bonitão! — sorrindo a mulher piscou para o novo hóspede.

— Obrigado! — agradeceu, apanhando a chave da mão da mulher enquanto lançava um sorriso para ela que flertava descaradamente com ele desde que passou pela porta de entrada daquela pensão.

William já nem se surpreendia mais com esse 'assédio' descarado. A maioria das vezes era assim com relação ao sexo oposto. Por ser um homem bem apessoado, bonito, com traços de gente rica, como seu pai Joel costumava dizer, Will atraía facilmente os olhares femininos. Todavia, não era toda mulher que atraía o seu olhar.

No entanto, aquela recepcionista de jeito descarado e seios fartos, estava mexendo com seu líbido. Afinal, já estava há semanas sem sexo. Precisava tirar o atraso com uma trepada, nada de se resolver somente no chuveiro. E, quem sabe, aquela morena fosse uma ótima opção antes de pegar a idiota órfã que, provavelmente, deve ser uma sem graça na cama.

— Se precisar de alguma coisa... Qualquer coisa... É só falar comigo, William.

O bandido que já se encaminhava naquele instante em direção as escadas que davam acesso ao andar superior da pensão, ao escutar as palavras da recepcionista parou e se virou para ela, que lhe encarava de maneira sacana lá de onde estava.

"Essa aí, está doida pra dá!"

Daquele jeito era só estalar os dedos e ele a teria em sua cama em dois segundos. Fácil demais! E ele apreciava certa facilidade em algumas ocasiões. Aquela era uma delas! Mas por enquanto ele ia segurar a onda.

— Sabe me dizer onde consigo um mecânico bom para consertar meu carro? — questionou, voltando para perto do balcão. — Como não sou daqui, não tenho a menor ideia de onde encontrar um.

Seu carro havia sido rebocado por uma viatura até o estacionamento da delegacia após o chamado de socorro aparecer para ajudar no regate dos corpos dos Sidle's. E, agora, o veículo ainda permanecia lá no estacionamento por estar no prego.

— Tenho um conhecido que é ótimo mecânico. Posso conseguir o contato dele e... Levar pra você depois... Lá no seu quarto!

Com um arquear de sobrancelhas, Will observou a ousada mão de unhas grandes e pintadas de vermelho, da recepcionista deslizar por seu braço.

Pelo jeito seu atraso ia ser tirado muito antes do que ele pensava, já que a recepcionista mais parecia uma cadela no cio, se oferecendo sem pudor algum para ele.

Se Gary estivesse ali, com certeza, ia lhe dizer para não desperdiçar tempo e comer logo aquela vadia.

E quer saber? Era o que ele faria.

Ela, claramente, queria dar. E ele queria comer. Então, foda-se!

— Vou te aguardar lá no meu quarto!

Sem mais nada a acrescentar, Will piscou para a mulher e lhe deu as costas, seguindo seu rumo outra vez para as escadas.

A recepcionista sorriu de orelha a orelha sem que ele visse.

O bandido subiu as escadas e logo já se encontrava no andar superior. Seguiu por um corredor de paredes rabiscadas e alguns pontos de infiltração. Parecia até com os outros tantos lugares que já se hospedou desde que fugiu da casa de Joel, só que em uma versão bem mais mal cuidada.

Pelo caminho, ele passou por um casal que se pegava próximo a porta de um quarto. E por duas mulheres que trocavam insultos por uma delas ter se insinuado para o "macho" da outra.

Por fim Will chegou a porta de seu quarto. Tão logo já se encontrava dentro do cômodo, o bandido varreu os olhos pelo minúsculo e modesto quarto de paredes bege. Um guarda roupas de duas portas e três gavetas; cama de solteiro; ventilador de teto que não vê uma limpeza sabe lá há quanto tempo; TV de tubo e um pequeno criado mudo com abajur, posicionado ao lado da cama.

"Do luxo ao lixo!"

Ele chegou a rir de desgosto com a disparidade gritante entre aquele cômodo e o que pernoitou na mansão Sidle. Lá na casa de Sara, foi o paraíso. Um sonho perfeito. Quarto enorme. Cama confortável. Ar condicionado. Um banheiro luxuoso. Café da manhã rico e diversificado, tão diferente do seu tão costumeiro café ralo e pão dormido. Mas agora a sua realidade estava ali de volta. Jogada em sua cara.

— Mas isto vai mudar! — afirmou com a certeza de que o seu bem bolado plano, o qual ele já vinha pondo em prática, daria o resultado esperado.

Ele tinha experimentado até horas atrás as boas regalias de uma vida de luxo naquela mansão. E agora, estava mais obstinado ainda a ter para sempre a pequena 'mostra' que experimentou.

Ser rico era para ele!

Viver em uma casa luxuosa como a de Sara, também era para ele!

Outras pessoas iam em busca de enriquecer e ter uma vida com luxo por meio do estudo e trabalho árduo. Mas William prezava pelos meios mais escusos mesmo, não se importando nenhum pouco se seus atos iam infligir sofrimento em alguém.

Ele era egoísta, calculista e frio o suficiente para não ter qualquer sentimento bom ou de empatia. Joel foi mais que bem sucedido ao fazer de seu filho comprado, sua perfeita imagem e semelhança. Alguém sem escrúpulos e caráter, capaz de usar dos piores artifícios para chegar onde deseja.

Will caminhou até a cama. Parando diante do móvel, ele puxou do bolso interno do casaco o carregador do celular e jogou o objeto sobre o criado mudo. Do outro bolso da peça surrada que vestia, ele pescou o celular e se sentou na cama. No instante seguinte já estava discando o número de seu amigo e comparsa. Precisava de uma ajuda financeira de Gary para se manter em São Francisco e seguir com seu plano.

Sem contar também, que necessitava de grana para custear o conserto de seu carro, que ele tinha quase certeza que não ia sair barato. Tendo em vista que a lata velha deveria estar mais cheia de problemas do que ele podia supor.

Enquanto mantinha o celular seguro entre a orelha e o ombro, Will desamarrava a bota. Foi só quando tirou o outro lado do calçado ao mesmo tempo que a chamada ia para seu último toque, que enfim a ligação foi atendida por seu amigo.

— Fala, Man!

— Quanta demora pra atender! Por acaso estava trepando? — provocou Will ouvindo Gary soltar uma sonora gargalhada, que lhe fez afastar um pouco o aparelho celular da orelha ou seu amigo ia lhe deixar surdo.

— Na verdade já trepei ontem com a vizinha gostosa que tenho aqui no hotel que estou hospedado. — Revelou ainda aos risos. — A minha demora para atender, é porque estava no banho. Acordei há pouco. — explicou Gary já emendado em saber se havia acontecido alguma coisa com o amigo em São Francisco.

— Não aconteceu nada. Liguei porque preciso que me arrume grana enquanto estou por aqui.

Will até cogitou dar uns golpes para conseguir a grana, mas aí achou melhor se preservar e não dar golpe algum por aquelas redondezas, para não correr o risco de ser pego, arruinando com isso seu plano.

— Você tem grana em quantia boa sobrando aí, Gary?

— Tenho uma reserva que não chega a ser muito. Mas posso arrumar mais pra ti se quiser.

— Vou querer, com certeza. Não posso me expor aqui dando golpes e, dar o azar de ser pego. Senão adeus plano e fortuna.

— Vira essa boca pra lá, Man! — Gary chegou a bater em um móvel de madeira próximo de si. — Posso fazer assim... Tenho uma mesa de pôquer das boas, com gente granada, marcada pra hoje a noite.

— Hum...

— A grana que eu conseguir ganhar, junto com a que tenho de reserva e levo amanhã mesmo pra ti aí...

William nem deixou Gary prosseguir em sua fala e já foi mandando um: "Nem pensar!". O golpista afirmou que ELE quem iria ao encontro do amigo amanhã em Sacramento, pois não podia correr o risco de serem vistos juntos.

— Ok! Se acha melhor assim.

— Com certeza é melhor. Além do mais, tenho a sensação que o engomadinho do advogado vai ficar na minha cola. E se ele nos vê juntos pode começar a nós espreitar.

Aquilo acendeu um sinal de alerta em Gary. Será que a ganância de seu amigo não estava cegando-o a ponto de Will não medir o quão fundo ele poderia cair, caso aquele seu plano não desse o resultado esperado?

Will estava se arriscando demais e Gary temia pelo amigo. Haviam se tornado muito mais do que somente parceiros e comparsas de crime, quase irmãos. Uma irmandade onde um puxava o outro de volta a realidade quando via que o irmão estava viajando demais nas ideias a ponto de se colocar em risco.

— Will não é melhor você desistir desse plano, já que tem esse advogado, Man?

— Claro que não. Ficou louco? — se exaltou Will. Desistir estava fora de seus planos. — Não posso dá pra trás no plano agora ou vai chamar a atenção. Além do mais, a garota está no papo.

Ela já tinha acreditado nele e mordido a isca de seu plano. William não dava mais que um mês para aquela tola estar apaixonada por ele e comendo em sua mão.

— Cara mesmo assim... Você está apostando muito alto, então toma cuidado pra queda não ser feia.

— Não vai haver queda. E eu vou tomar cuidado. — resmungou com um leve revirar de olhos. — Não só com o tal Grissom, como também com a governanta velha, que deixou claro para mim que não foi com a minha cara.

— Você vai ter que dá um jeito de anular esses dois e afastá-los de perto do seu alvo. Ou eles vão tornar as coisas bem mais complicadas para o seu lado, Man!

Como se ele não soubesse perfeitamente daquilo. Sabia que tinha que tirar Grissom e a velha do seu caminho, mas ainda não tinha nada em mente acerca daquilo. Mas pensaria e acharia algo. Tinha que achar, na verdade!

Porém algo lhe dizia que não ia ser tarefa fácil afastar o advogadinho e a governanta de perto de Sara. Ambos além de serem muito bem quistos pela garota, ainda possuíam sua total confiança.

— Vou pensar muito bem em uma forma, Gary. Só que o lance é que esse advogado é apaixonadinho pela Sara. E não vai sair tão fácil do lado dela assim.

— E ela sabe que ele é apaixonado por ela?

— Que nada! Essa tonta não enxerga um palmo a frente do nariz.

Em todos esses anos nunca encontrou alguém tão ingênuo e cego, quanto seu alvo. Ela era uma idiota perfeita e isso era tão bom para o plano de Will.

— Pelo visto ela não enxerga mesmo para acreditar fácil em você, um golpista de marca maior.

Ambos riram juntos.

Os dois amigos ainda trocaram mais alguns minutos de conversa antes de Will encerrar a ligação com a promessa de amanhã estar em Sacramento com o amigo.

Largando o celular sobre o móvel ao lado da cama, Will encarou o teto pensando qual mentira ia inventar a Sara para justificar sua ausência de alguns dias. A princípio, ele pretendia ir amanhã e retornar no dia seguinte. Mas pensou melhor e decidiu voltar de Sacramento daqui a quatro dias. Assim ia ter alguns dias de sobra para juntar um bom dinheiro e não precisar se ausentar tão cedo de sua mina de ouro, que atendia pelo nome de Sara Sidle.

Ficou ali remoendo ideias até escutar uma batida na porta de seu quarto seguida da voz da recepcionista chamado seu nome.

"Que rápida!"

Se bem que ele tinha rapidez mesmo de consertar seu carro.

Em um pulo ele saiu da cama. Escondeu o carregador e o celular dentro da gaveta do criado mudo e foi atender a mulher.

— Já consegui o número do mecânico. E até um desconto no valor de qualquer que seja o serviço que precisa. — ela balançou o papel preso entre os dedos indicador e médio da mão direita.

— Sério? — ela confirmou com um balançar de cabeça. Entra aí. — Convidou-a com um gesto de cabeça.

A mulher olhou para dentro do quarto tentada ao extremo em aceitar o convite, até porque tinha vindo com o propósito de ficar a sós com aquele bonitão. Só que a dona da pensão havia ligado logo após encerrar a chamada com Tereza para pegar o contato do mecânico, avisando que estava chegando, e se aquela velha maldita não lhe encontrasse em seu posto ia falar até o diabo dizer chega. Sem contar que ia descontar de seu salário alguns dólares por não estar onde deveria estar.

— Adoraria entrar bonitão. Mas a minha chefe está pra chegar e se ela não me pegar lá na recepção estou ferrada. — Explicou, estendendo o papel com o endereço e o contato da oficina de Ramirez, um velho amigo de seu falecido pai.

— Que pena! — lamentou, pegando o papel da mão dela. Até havia se animado com o fato de dar uma trepada com aquela mulher. Ia adorar te agradecer de uma maneira melhor por isso aqui... — ele ergueu o papel com o contato do mecânico. e o desconto que conseguiu.

— Quem sabe mais tarde. Largo as nove do serviço! — ela piscou e saiu rebolando propositalmente os quadris.

William apenas acompanhou com o olhar a mulher seguir pelo corredor até sumir de suas vistas após descer as escadas.

— Cadela no cio. — xingou baixo enquanto deixava escapar um sorriso.

***

Escorado ao seu carro velho, Will deu um último trago no cigarro antes de lançá-lo no chão e pisar na bituca para apagá-la.

E esse mecânico que não chega.

Estava ficando cansado e sem paciência já para continuar naquela espera. Fazia meia hora que já estava ali, naquele calor infernal.

Mais cedo, ligou da recepção da pensão para o número que Bettany, a recepcionista atirada lhe deu, e o tal Ramirez disse que naquele momento não tinha como ir ver o carro. Marcaram então para se encontrar as três na delegacia. Só que até agora nada do mecânico dar as caras.

William ainda esperou cerca de dez minutos mais até que, por fim o sujeito que ele aguardava, chegou em uma camionete. Ramirez um senhor caucasiano, estatura baixa e de meia idade, não precisou mais que poucos minutos checando o carro para listar uma série de problemas no veículo. Motor pifado, sistema elétrico com fiação em estado deplorável, carburador furado e mais outros. Sem esquecer o estrago no parabrisa, causado pela pedrada acertada por Will.

O somatório do orçamento feito por Ramirez para o conserto do veículo não saiu barato. Mas o mecânico garantiu de antemão que daria um bom desconto por Will ser recomendação de Bettany, a quem Ramirez tem como uma filha. Com o desconto o valor caiu e bem, ficando algo mais razoável.

— Acredito que em quatro dias, ele estará consertado e você poderá buscá-lo na oficina.

— Amanhã viajarei até a cidade vizinha. Mas estarei de volta exatamente em quatro dias e passo na oficina para apanhar o carro e pagar o restante que falta. — ele havia dado uma pequena quantia de entrada no serviço.

— Tá ok. — concordou Ramirez antes de dar a partida em sua camionete e sair dali levando o carro velho de Will no reboque.

***

A noite lá estava Will na casa de Sara fingindo ser seu bom amigo, vendendo uma preocupação e uma solidariedade que estava anos luz de ter pela jovem. Por fora ele se mostrava atencioso e carinhoso perante a dor da perda recente da jovem. Porém por dentro estava achando um pé no saco ter que ficar aturando aquela garota chata e suas lamúrias. Mas por um bem futuro, ele aguentou aquela tortura que era estar ao lado de Sara. Inclusive ficou para jantar a pedido da jovem e viu o desagrado estampado na cara de Grissom que também se encontrava na mansão, visitando a jovem.

Por volta das oito e meia, ele anunciou sua partida porque sua cota de paciência aturando Sara já havia esgotado. Na despedida com a jovem, Will informou-a de que ia precisar viajar para ver um amigo doente que residia na cidade de Modesto (obviamente não seria tonto de dar seu paradeiro real).

Mas você volta?

Foi notório para Will a apreensão e a ansiedade dela por uma resposta positiva do bandido.

"Sara... Sara... É claro que eu volto, sua tonta. Volto para arruinar sua vida!"

Com certeza. Retorno em quatro dias.

***

Ele ia abrir a porta da pensão quando a mesma fora aberta por uma Bettany que parecia pronta para ir embora.

Oi, bonitão!

Olá!

Ele olhou-a de cima abaixo. Suas roupas não eram as mesmas da manhã (calça jeans e blusa vermelha). Ela agora usava um curto e justo vestido preto. Nós pés uma sandália de salto. Cabelos soltos. Batom vermelho e exalava um doce.

De saída já?

Sim! Por que?

É que agora eu poderia te agradecer melhor lá no meu quarto pela ajuda de mais cedo com o mecânico e o desconto. Tá afim?

O sorriso largo dela foi sua resposta mais que clara de que aceitava a proposta.

Notas finais
Eu preciso confessar a vocês que me dá uma raiva escrever as partes em que o Wiliam fala mal da Sara. Eu fico pra morrer. Mas isso aí que ele faz é só a ponta do iceberg. O bicho não vale nada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.