O Gato Borralheiro

1 O gato borralheiro


Notas iniciais
Aproveitem.

- Vamos lá! Todos treinando! – Dizia a madrasta. – Midorikawa, mais rápido!

- Desse jeito você não vai muito longe. – Fala Suzuno.

- Não se preocupe com ele, já está conseguindo muita coisa mesmo. – Diz Nagumo e começa a rir.

- Riam o quanto quiserem, mas vou mostrar pra vocês que posso ser tão bom quanto qualquer um. – Afirma Midorikawa.

- Tudo bem já chega. Midorikawa, você continua. Precisa melhorar. – Falou a madrasta e foi para dentro de casa com os outros dois garotos.

- Eles vão ver vou me esforçar bastante e mostrar que posso conseguir.

O dia do garoto de cabelos verdes era sempre assim. Levantava cedo e ia treinar ordem de sua madrasta Hitomiko. Treinava sempre com os filhos da madrasta Suzuno e Nagumo. Os dois sempre ficavam implicando com o garoto, que apesar de se esforçar tanto não era tão habilidoso assim. Treinavam seu futebol.

Faziam isso por causa de uma suposta ordem do príncipe Hiroto: todos deviam saber jogar futebol. Não era bem isso que o príncipe Hiroto havia dito e Midorikawa sabia disso, não tinha perguntado pra ninguém nem falado com ninguém, mas sabia.

Midorikawa vivia se esforçando, quando não tinha jeito acabava por só ficar no banco mesmo. A madrasta Hitomiko era bastante severa quanto a isso, fazia todos treinarem. Não dava moleza pra ninguém.

O palácio real era nada mais que um grande castelo, um grande e belo castelo.

- Você está ficando cada vez melhor nisso filho. – Disse o rei Kira.

- Obrigado papai. Eu treino todos os dias. Quero ser o melhor. – Era o que o príncipe Hiroto sempre falava.

- Mas meu filho. – E lá ia o rei com aquela conversa novamente. – Sei que já falamos sobre isso, mas não custa perguntar outra vez. Quando é que você vai se casar.

- Papai, já lhe disse várias vezes. Farei isso quando encontrar a pessoa certa.

- E de que modo podemos encontrar essa pessoa pra você?

- Por que quer tanto que eu me case?

- Você sabe, logo terei que viajar para outros reinos e sabe se lá quando irei voltar. Assim que eu partir em viagem você deve ficar em meu lugar, mas não sozinho é claro.

- O senhor sabe que não é simples achar alguém assim. Pode ser que a pessoa que procuro esteja em outro lugar e se acaso estiver por aqui mesmo, como iriamos encontrá-la?

- Podemos fazer com que você conheça melhor as pessoas daqui.

- E como vamos fazer isso? Para conhecer tantas pessoas assim seria necessário um grandioso baile. Apenas assim conheceria tantas pessoas.

- Um baile? Meu filho você é um gênio! Como não pensei nisso antes? Vamos logo arrumar os preparativos.

- Preparativos para que papai?

- Para um baile real onde você encontrará alguém para reinar ao seu lado.

- Espere um pouco papai! Não foi isso que eu quis dizer! – O rei já havia começado a preparar tudo.

- Algum problema príncipe Hiroto? – Perguntou seu ajudante real Endou.

- Não, nenhum. É apenas o meu pai outra vez.

- Quer conversar?

- Sabe, não é fácil encontrar alguém especial assim de uma hora pra outra, é preciso tempo pra isso. E em um baile não dará certo.

- Talvez devesse tentar. Se seu pai acredita você também deve acreditar.

- Já que você diz. Não tenho nada a perder mesmo.

- Não que seja da minha conta, mas como seria alguém especial para você, príncipe Hiroto?

- Alguém especial seria... Atencioso, calmo, que saiba escutar...

- Que sabe consolar, que saiba ser amigo, que seja simples como é. – Falava Kazemaru, amigo de Midorikawa.

- Isso mesmo. É assim que minha mãe me descrevia. Você se lembra bem não é. – Midorikawa havia se animado.

- Claro que me lembro. Ela vivia se achando por causa do filho dela.

- Fico me perguntando quando ela vai voltar?

- Não se preocupe logo ela estará de volta. Sua mãe viajou apenas para ver sua tia, ela logo voltará.

- Obrigado por me animar.

- Eu é que agradeço pela visita. Veja, temos um aviso do castelo.

- O que será dessa vez?

- Vossa alteza real, o rei Kira, convida a todos para o baile real no castelo real. Será uma festa para todos. Será para celebrar uma pequena festa para seu filho, o príncipe Hiroto. – Falava o anunciador real ou seja lá como se chamava esses carinhas que anunciavam as coisas.

- Puxa! Você viu só Midorikawa? Um baile no castelo! E todos estão convidados! – Agora quem tinha se animado era Kazemaru.

- Parece ser bastante divertido.

- Você vai ir não vai Midorikawa?

- Se a madrasta Hitomiko deixar. Em todo caso é melhor eu ir pra casa. Ela já deve estar sabendo da noticia então Nagumo e Suzuno já devem estar se preparando.

- Tá certo então. Vemo-nos na festa.

Midorikawa foi direto pra casa. Quando chegou lá viu que todos corriam de um lado para o outro.

- Midorikawa, onde você estava?- Perguntava Suzuno sem parar de correr.

- Precisamos que você nos ajude a nos arrumar- Nagumo não estava diferente.

- Então parece que vocês já ficaram sabendo do baile não é. Parece que vai ser bastante divertido. Depois de ajudar vocês também preciso me arrumar.

- Midorikawa! Você por acaso acabou seus treinos? – Agora falava a madrasta Hitomiko.

- Ainda não senhora, mas eu pensei que...

- Mas nada Midorikawa! Nada de baile até você terminar.

- Está bem então. Provavelmente será um baile chato.

A carruagem chegou para levar os três até o baile. Midorikawa foi para os fundos da casa terminar seu treinamento.

- Grande coisa não ir ao baile. Até parece que vai ser legal. Quem se importa com isso? Eu não. – Suspirou fundo. – Quem estou querendo enganar. Será um baile maravilhoso. Estará tudo tão alegre, e também o príncipe Hiroto estará lá, posso perguntar sobre a lei que foi criada. Mas também não será apenas isso não é mesmo. Ah, o que é que eu estou pensando. Pensamentos assim não ajudarão em nada.

Continuou seu treinamento. Após tanto treinar Midorikawa sentou-se em um banco. Ficou olhando para o céu e imaginando como deveria estar o baile.

- Ei garoto.

- Hã? Que estranho. Pensei ter ouvido algo.

- Garoto, aqui do lado.

- AAAAAHHHHHHHH!!!!!!!!!

- Calma, calma. Não precisa gritar tanto assim.

- E quer que eu faça o que? Não é você que está vendo um vagalume falar.

- Eu não sou um vagalume.

- Então o que você é?

- Eu sou seu fado madrinho Osamu.

- Fado madrinho? Desculpe-me, mas o certo não seria fado padrinho?

- Não sou eu quem escreve a história. Vamos logo ao que interessa. Eu estou aqui para levar você ao baile.

- Ir ao baile? Não da mais tempo, além do mais minha madrasta não permitiu.

- Mas você terminou seu treinamento não terminou?

- Sim, mas...

- Então vamos começar logo com isso. A escola Raimon, a Academia Alien e o Instituto Imperial. Vamos logo arrumar você para o baile real.

Dizendo as palavras mágicas o fado madrinho fez com que as roupas de Midorikawa se tornassem um belíssimo terno. Dizendo outra vez fez com que uma melancia se tornasse uma linda carruagem.

- Pensei que usaria uma abobora. – Fala Midorikawa.

- Aboboras são tão fora de moda. – Disse o fado madrinho Osamu.

E dizendo as palavras mais uma vez, fez com que dois ratos se transformassem em cavalo e um cachorro em cocheiro.

- Puxa! Isso tudo é maravilhoso! – Midorikawa estava encantado com tudo aquilo.

- Antes de você ir de lhe avisar uma coisa, toda essa magia durará até às onze e meia.

- Cinderela teve até a meia noite.

- Cinderela não tinha que treinar no dia seguinte.

- Está certo. Muito obrigado.

- Não se esqueça, até às onze e meia.

Midorikawa entrou na carruagem. Foram correndo para o baile no castelo. Entrando no castelo todos ficaram olhando para Midorikawa, apesar de não reconhecerem ele não conseguiam acreditar que ele era dali.

O príncipe Hiroto não tirou os olhos de Midorikawa no mesmo instante em que o avistou.

- Endou-kun, por acaso você sabe quem é ele?

- Se está falando do garoto que acabou de chagar não. Você não tirou os olhos dele não é mesmo.

- Você está igual com o garoto de cabelos azuis.

- Por que não vai lá falar com ele?

- Você acha?

- Poderiam se conhecer.

- Já que você está dizendo. E você faça o mesmo também.

Hiroto foi por trás da multidão de pessoas no salão. Estava atrás do garoto de cabelos verdes, viu que seu cabelo estava preso com uma borrachinha. Chegou do lado de Midorikawa que estava observando os outros dançando.

- Olá. – Fala Hiroto.

- O-oi. – Midorikawa parecia estar nervoso.

- Está tudo bem?

- Ah. Sim, está sim. É que não costume ir a bailes sabe. E esse parece estar bastante animado.

- Você acha?

- Sim. Foi uma grande ideia de o rei fazer este baile.

— Quer dançar?

- Dan... Çar... No meio de toda essa gente?

- Vamos. Sei de um lugar onde não vai ter tanta gente assim.

Os dois seguiram para fora do castelo. Foram para um pequeno jardim, iluminado por poucas luzes.

- Ele é lindo! – Midorikawa não escondia sua surpresa.

- Com a luz das estrelas assim fica ainda mais belo. Então, quer dançar?

O príncipe Hiroto estendeu a mão para Midorikawa, o mesmo hesitou um pouco mais aceitou o pedido. Começaram a rodopiar pelo jardim. Iam de um lado para o outro. Um acompanhando o outro. Quem diria que dançavam tão bem assim. Depois de tanto dançarem acabaram por ficarem sentados perto da pequena fonte no jardim.

- Príncipe Hiroto.

- Sim?

- Você gosta de futebol?

- Claro que sim. Eu adoro futebol!

- O que acha de jogarmos um pouco?

Não foi preciso dizer mais nada. Hiroto tratou logo de arrumar uma bola. Os dois puseram-se a jogar. Faziam apenas pequenos passes. Midorikawa não errou uma só vez.

- Você joga muito bem. – Elogiou o príncipe Hiroto.

- Você também joga alteza. Posso lhe fazer uma pergunta?

- Claro que pode.

- Você criou mesmo uma lei que diz que todos devem jogar futebol?

- Claro que não. Na verdade tudo não passa de um mal entendido.

- Verdade?

- Sim. Quando aconteceu eu apenas estava jogando futebol com meu amigo Endou. Eu apenas comentei com ele que seria muito legal se todos jogassem futebol também. Acho que alguém acabou interpretando errado e fez a lei.

- Sabia que não era você que tinha criado ela.

- Então quer dizer que alguém acreditava que eu não tinha culpa nisso?

- Hã, bem... Eu... Sabe... Não achei que vossa alteza faria algo assim, não é mesmo.

Hiroto parou a bola.

- Que tal nós sentarmos um pouco? – Convidou o ruivo

- Por mim tudo bem.

Sentaram-se em um banco que havia ali. O céu estava totalmente estrelado.

- É magnifico não é. – Midorikawa encantava-se com tudo.

- Fica ainda mais lindo com você.

- Hiro...

Midorikawa foi surpreendido com um beijo de Hiroto. Um beijo de seu príncipe.

Apesar de durar apenas alguns segundos o beijo pareceu durar uma eternidade. Os dois torceram para que durasse muito mais.

- Hiroto eu...

- Não precisa falar nada.

- Obrigado.

- Eu que agradeço.

Estavam tão bem ali. Se pudessem ficariam assim pra sempre, mas não podiam. O que Midorikawa menos esperava era que o relógio começasse a tocar. Era onze e meia, seu tempo havia acabado.

- Desculpe príncipe Hiroto, mas já tenho que ir. – Disse levantando-se rapidamente.

- Espere, não pode ficar mais um pouco?

- Me desculpe.

- Espere, por favor, espere.

Midorikawa correu o máximo que pode. Havia despistado Hiroto. Quando estava saindo do castelo deixou cair à borrachinha que ele usava para prender o cabelo. Não voltou para pega-la, precisava voltar.

No dia seguinte não se falava outra coisa a não ser no estranho do baile e onde o príncipe Hiroto havia estado durante o baile.

- Quem será aquele cara? – Perguntava-se Suzuno.

- Queria mesmo saber onde é que estava o príncipe Hiroto. – Dizia Nagumo.

- Vocês dois parem de conversar e voltem para o treino. – Fala a madrasta Hitomiko. – Midorikawa, você também... Já está aqui?

- É que hoje levantei de muito bom humor.

- Está bem. Comessem a correr.

A madrasta espantou-se ainda mais quando viu Midorikawa ultrapassando Nagumo e Suzuno.

Na aldeia dois garotos conversavam animadamente sobre... Assuntos seus.

- Fico feliz que você tenha ido ao baile, Kazemaru.

- Endou, assim você vai me deixar sem jeito. Hã? O que houve com o príncipe? Parece estar tão triste.

- Então você não ficou sabendo o que aconteceu?

- O que foi?

- Ontem a noite no baile ele conheceu uma pessoa, e essa pessoa, pode-se dizer assim, mexeu bastante com ele. No final essa pessoa acabou indo embora deixando o príncipe.

- Puxa. Que triste não é.

- E o pior de tudo é que o príncipe Hiroto nem soube o nome dessa pessoa.

- Mas não se tem nenhuma pista sobre essa misteriosa pessoa?

- O príncipe Hiroto encontrou uma borrachinha de cabelo que essa pessoa deixou cair. É a única coisa lembrança que ele tem.

- Uma borrachinha é? Será que eu posso dar uma olhada nela?

- Vou perguntar ao príncipe. Com licença, príncipe Hiroto. Será que o Kazemaru pode olhar a borrachinha?

- Tudo bem. Mas tome cuidado com ela. – Fala o príncipe entregando a borrachinha.

- Terei bastante cuidado. Hum... Essa borrachinha...? Príncipe Hiroto, acho que sei quem é a pessoa que estava com você no baile.

- Você sabe...? Então o que está esperando? Me leve até ele!

Não perderam tempo. Os três saíram correndo. Kazemaru sabia a quem pertencia à borrachinha. Chegaram à casa da madrasta Hitomiko.

- Madrasta Hitomiko. Podemos ver o Midorikawa? – Perguntou Kazemaru.

- Podem sim. Ele está treinando lá atrás. Príncipe Hiroto? O que vossa alteza faz por aqui? E principalmente na nossa casa?

- Se não for incomodo, queria falar com o Midorikawa. Se ele puder nos ver.

- Claro que pode. Vamos, eu levarei você até ele.

A madrasta Hitomiko levou os garotos para trás da casa. Lá estavam treinando Suzuno, Nagumo e Midorikawa.

- Midorikawa, temos visita pra você. – Diz a madrasta. – Alguém importante deseja vê-lo.

- Quem seria madrasta?

No instante em que se vira Midorikawa da de cara com o príncipe Hiroto. O príncipe o reconhece na mesma hora.

- Hir...

Foi surpreendido outra vez por Hiroto, desta vez com um abraço, seguido de um beijo é claro.

- Nos encontramos novamente não é.

- Hiroto...

- Espera um momentinho. – Interrompe Nagumo. – Não vai rolar aquele negócio do sapatinho não? Tipo, experimentar até achar a pessoa a quem pertence?

- O único que quer isso aqui é você. – Responde Suzuno. – E se não percebeu uma coisa, acho que na nossa história, serviria mais uma chuteira de cristal ao invés de um sapatinho de cristal.

- Nisso você está certo. – Concorda Nagumo.

- Se já está tudo resolvido vamos logo ao casamento. – Fala a madrasta Hitomiko. – Hoje cedo encontrei com esse fado madrinho, e pelo que parece ele precisa de muito treinamento.

- Eu não preciso!

- Fale menos e corra mais. E sem usar a varinha mágica!

Hiroto e Midorikawa se casaram no mesmo dia. Endou e Kazemaru se casaram também. Eles também se conheceram no baile.

No final da festa o príncipe Hiroto levou Midorikawa em um cavalo branco. Foram para o castelo. É que o casamento foi realizado na igreja mesmo.

Todos viveram felizes para sempre.

- E quem é que tá feliz aqui? – Fala o fado padrinho Osamu.

- Continua treinando. – Diz a madrasta Hitomiko.

Notas finais
O que acharam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!