Gato.

- O que faz aqui, Anion? – Perguntava a menina de 15 anos a um elegante gato preto que a seguia.

Ele apenas miou e continuou caminhando com ela pelas ruas frias da cidade, que desfrutava de um começo de inverno gentil, para os padrões da região.

- Sabe, não pode me seguir para todo canto, aposto que tem coisas para fazer, não, eu sei que tem coisas para fazer. – A menina divagava enquanto andava.

A menina era magra de estatura mediana, tinha cabelos castanhos e olhos calmos, suas roupas de frio eram em tons sóbrios e comuns, a coisa mais chamativa que usava era um pequeno lenço roxo índigo que usava no pescoço ao estilo francês, ela caminhava lenta e graciosamente.

Ela suspirou pesadamente, segurando sua mochila cinza com mais força.

- Sabe que não é bom ir comigo, não leve a mal, gosto de sua companhia, mas tenho que fazer essa prova, não posso me distrair me preocupando com sua condição aqui.

O gato parecia estar arrependido, ele miou novamente.

- As vezes queria conhecer esse seu mundo, aqui é tão cinza, pelo que conta lá parece ser tão mágico, seria bem mais fácil que viver aqui.

Então o gato avistando um beco, entrou nele, a menina já entendendo, entrou com ele.

Era um lugar discreto, mas tinha certa iluminação, o gato logo soltou algo que se assemelhava a uma fumaça preta de seu pelo, e foi crescendo rapidamente em tamanho, um humanoide apareceu em seu lugar.

Era esguio e vestia preto, sua pele clara contrastava com seu cabelo negro, que ele usava penteado para trás, tinha o nariz empinado e as orelhas pontudas, os olhos eram muito parecidos com o de sua forma de gato, bem claros, grandes e em formato felino, ele se virou com um gracejo sobre-humano.

- Vim aqui justamente para lhe trazer uma notícia, Camille. – O gato-humano parecia sombrio.

- E qual seria, Anion? – Disse ela, imitando o tom do garoto, o fazendo sorrir quase que tristemente, como se lembrasse de algo que a muito tempo foi feliz, hoje era melancólico.

- Sabe que o Corredor Dimensional pode ser um lugar muito bonito, mas o continente em que moro é perigoso e obscuro, sou fraco, fraco demais para um nativo, meus poderes de ataque são quase nulos, os de metamorfose são limitados e meu conhecimento não é tão avançado, posso te proteger neste mundo, mas no meu.

- Já me disse isso. – Disse ela, com amargura, lembrando de alguns anos atrás, quando era apenas uma criança e o conheceu.

- O conselho me deu duas opções. – Ele disse no tom que Camille menos gostava de ouvir dês que conheceu aquele ser tão estranho.

- O que eles disseram dessa vez?

O conselho mandava em nativos que viajavam muito, pelo menos os que viajavam com o poder dos mestres do conselho, estes tinham que ter coisas como passaportes. Era a passaportes que Camille relacionava aqueles documentos da rede, mas o conselho gostava de poder, e mandava bem mais que isso nos nativos que favores a eles pediam. Anion pedia favores a eles, sem isso não poderia viajar para o mundo dela sempre que quisesse por conta de seus poderes ainda fracos.

- Ou eu fico aqui para sempre, ou você volta comigo. Sabe que não posso ficar.

Eles já tinham tido aquela conversa antes, ela sabia, se ele ficar, ela morreria em algum espaço de tempo, e ele estaria preso por muitos e muitos anos a aquele planeta, não poderia arriscar. Mas se ela fosse, bem, ele estaria em sua terra natal, além disso eles poderiam procurar formas de estender sua vida, mas isso implicaria sair de seu mundo. Nunca mais ver sua família, amigos, tudo que ela estudou até hoje não valeria de quase nada, ela não teria muita utilidade lá, mas... Ficar longe de Anion? Ela queria adiar isso, mas sabia a resposta que iria dar naquele momento.

- Sabe o que vou dizer. – Ela disse, Anion assentiu.

- Partiremos na próxima lua cheia. – Disse Anion com um sorriso encantador.

Camille estava satisfeita.

Notas finais
Espero que tenha agradado vocês, se gostarem muito dor personagens posso continuar, mas é feito para ser uma one-shot.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.