O Garoto no Tubo
1 Conto
Dentro do tubo cheio de água e através do forte vidro que o protegia, Lírio era uma visão transcendental. Daquelas que rodeavam os filmes de ficção científica e os jogos de videogame. O garoto no tubo. Havia apenas uma máscara em seu rosto, que lhe permitia a respiração, e mais nada. Seus olhos mantiveram-se imóveis e fechados desde que a doutora Barbara lhe colocara naquele sono criogênico. Não havia qualquer movimento de seu corpo e membros, e o homenzarrão pendia nu e preso por grossos cabos de titânio. Talvez tivesse aberto os olhos em uma ocasião, mas poderia ter certeza? Se havia feito isso, fechara-os logo em seguida. O sono era bom, mantinha seus pensamentos afastados de tudo. E de nada. Nada passava pela cabeça de Lírio. Apenas a angústia, a tristeza. Por quê? Quais eram os motivos?
Se Lírio soubesse a resposta para aquela pergunta, talvez não estivesse na situação em que estava.
Mas ele irremediavelmente estava, e não havia nada que ele pudesse fazer. É melhor você correr. De qualquer jeito você está ferrado, não há nada que possa fazer...
Mas de repente um turbilhão atingiu-o em cheio. Um turbilhão de emoções, um turbilhão de... Água? Lírio não podia dizer com certeza, mas lentamente a água que o abraçava em todos os cantos foi se escasseando até que restassem apenas gotas presas ao vidro reforçado. Seus cabelos loiros e molhados grudavam em sua testa, e os cabos ainda estavam ali, pingando, pingando... A máscara já não parecia mais tão necessária, mas o que ele podia fazer? Sentia tudo ao seu redor, acontecendo. Mas não via maneira de executar qualquer movimento, ou dizer qualquer coisa. Ele estava preso e afogado, não estava? Como poderia gritar?
E se eu abrir os olhos?, pensou. Eu abro os olhos e tudo está feito. Da última vez que abri os olhos, se é que realmente os abri, houve alguma comoção. Poderia acontecer de novo... É. Lírio estava disposto a tentar.
Lentamente ele abriu os olhos. Com dificuldade, e sentiu os cílios meio empapados de água. Mas enfim conseguiu abrir. A visão estava muito embaçada, e ele conseguia distinguir apenas um vislumbre. Parecia a silhueta de uma mulher? Doutora Barbara! Mas não era Barbara. Ao menos não parecia ser: aquela silhueta era de uma mulher loira. Mas ela usava o mesmo jaleco branco da outra doutora... É claro, Lírio, são todas doutoras.
Ele não sabia se realmente se chamava Lírio. Provavelmente não, é claro. Mas era assim que ele ouvira Barbara sussurrar seu nome, quando se aproximava do vidro e o tocava. Ela achava que ele estava dormindo, que não ouviria... Mas Lírio ouvia. Ouvia e tentava memorizar, com medo de que aquelas lembranças o deixassem como todas as outras haviam deixado. Quem sou eu?, perguntava-se. Ou melhor: o que sou eu? Não devia ser humano como os outros, ou ao menos não um humano merecedor como os outros. Não sabia dizer o porquê de achar aquilo, mas era a única explicação lógica. As outras pessoas estão do lado de fora do vidro, soltas. E eu estou aqui, preso. Deve haver alguma razão. Eu devo ter feito algo muito, muito ruim. Por isso eles me trancaram aqui, por isso! Mas... Eu não sou mal. Ao menos não me imagino sendo. Se ficar aqui, quietinho, vai ajudar que eles me libertem mais rápido, vou ficar. A água é quentinha e confortável, posso suportar.
Mas agora a situação era diferente. Alguém estava libertando-o da água. Do tubo, dos cabos. Ainda com a visão embaçada, Lírio sentiu que as correntes metálicas que o prendiam soltaram-se. Com um baque o homenzarrão caiu no chão, gritando. E logo percebeu o motivo: os fios estavam dentro de sua pele, ele estava suspenso pelos braços, pelas pernas. Quando os cabos soltaram-se, saíram de dentro da pele de seus braços, de suas pernas, da sua cabeça. Uma dor infernal tomou conta de todo o corpo de Lírio. Seus membros ardiam, em chamas, a cabeça parecia estar a ponto de explodir. Ficou parado durante vários segundos, esperando a ardência passar. Abraçou os braços, úmido e nu, sentado no chão. Olhou de relance os cabos de titânio pendidos e com um pouco de sangue, e viu uma poça rosada embaixo de si. Era o sangue misturado com a água. Olhou os braços e viu marquinhas vermelhas, de onde escorria um líquido de cheiro nauseante. Era cheiro de sangue. Por algum motivo aquele cheiro lhe soava familiar e nojento.
A visão começou aos poucos a aquietar-se. A forma feminina da doutora loira continuava ali, aquela que não era Barbara. Mas Lírio queria era a outra doutora. Aquela doutora que, por algum motivo, transmitia-lhe conforto, e lhe dava uma sensação gostosa quando o tocava. Barbara parecia boa, aos olhos dele. Queria abraçá-la, cheirá-la, senti-la. Sentiu um comichão entre as pernas, e, instintivamente, tapou seu sexo. A doutora à sua frente parecia estar surpresa e um pouco temerosa. Quando conseguiu finalmente ver com clareza, passou a avaliar as formas dessa outra doutora. Ela definitivamente não era Barbara, embora houvesse certa semelhança.
Boca fina, maxilar quadrado, olhos vivos, azuis e bondosos. Nariz pequeno, delicado, sobrancelha fina. E mãos... Quentes. Os cabelos passavam um pouco do queixo, talvez até a altura do pescoço. Eram loiros, finos e milimetricamente cortados de maneira reta. A boca dela abriu-se num sorriso tímido, quando suas mãos tocaram a pele fria e molhada dele. Ela tinha mãos de uma fada.
— Você consegue me entender, Lírio? – Disse. — Consegue entender o que eu falo?
Até esse momento, ele mantinha os olhos baixos, avaliando-a de soslaio. Com a fala dela, decidiu que a olharia cara a cara daquela vez. Mas quando seus olhos escarlates encontraram-se com os olhos azuis da doutora, a boca dela abriu-se num arfado assustado.
— Meu Deus! O que é você? — E tapou a boca instintivamente.
Lírio já fizera a si mesmo aquela pergunta várias vezes. Ele entendia o que a doutora queria dizer, bem como entendia o que todas as outras pessoas diziam. Ele ouvia. Mas às vezes era difícil compreender. Ao mesmo tempo em que a boca daquelas pessoas dizia uma coisa, suas ações diziam outra. Barbara dissera que iria lhe ajudar, e o trancara num tubo. Os homens de branco, na casa do príncipe, também haviam dito a mesma coisa. E, mesmo assim, ajudaram a doutora a colocar-lhe ali. Por que Lírio deveria dignar-se a lhes dirigir as palavras? Será que ele ao menos conseguiria falar, se tentasse?
— Desculpe-me pela minha reação. Mas é que os seus olhos... Eu nunca vi olhos assim...
O homenzarrão voltou a abaixar a cabeça.
— Meu nome é Vergilia. Vergilia Vogel. E nós precisamos sair daqui. — A doutora loira disse. — Não sei se você compreende o que quero dizer, mas a Colmeia está infectada. Se não escaparmos daqui agora, nós morreremos!
A palavra “morreremos” ativou os instintos mais primitivos de Lírio. Em um segundo ele estava sentado no chão, nu e molhado, e no outro estava em cima de Vergilia, tentando esganá-la.
— Eu... Não... Morrer. — Ele disse, após alguns segundos. Suas mãos fechavam-se numa taça ao redor do pescoço da doutora Vogel. Lírio sentia que quebrá-lo parecia ser a coisa mais fácil do mundo. Tinha memórias distantes de segurar um graveto e dobrá-lo num estalo, e julgava ser praticamente a mesma coisa com um pescoço humano. Vergilia debatia-se, tentando inutilmente escapar. Seu rosto estava ficando completamente vermelho, e ela contorcia-se e contorcia-se e...
Um flash atingiu a cabeça de Lírio. Um clarão cegante, e de repente tudo ficou branco. Uma dor insuportável, como se estivessem perfurando sua cabeça. O homem largou o pescoço da doutora e caiu de costas, urrando de dor. Começou a dar socos fortes na cabeça, tentando espantar a dor, espantar a lâmina invisível que perfurava seu cérebro sem piedade. Debatia-se no chão molhado, e gritava, gritava, gritava. Começou a esmurrar tudo que estava ao seu alcance, mas pouco havia. Cabos metálicos, o chão, água.
— Dói... – Choramingou, como uma criança. — Dói muito...
Vergilia mantinha-se abismada, tocando o pescoço com pesar. Ainda respirava pesadamente, devido aos segundos em que ficou sem ar. Julgara que morreria ali mesmo, assassinada por um experimento fracassado de Barbara. Qual era seu objetivo em ajudá-lo? Ele deveria ficar condenado ali, preso, para morrer junto às outras armas biológicas. Apesar da aparência humanoide, Lírio era um dos monstros, uma das armas. E, talvez, uma das mais poderosas de todas.
Talvez isso explicasse o motivo de Vergilia estar ajudando-o.
Ele era a única saída para ela escapar com vida da Colmeia.
Tudo começara algumas horas atrás. Primeiro um aviso, na forma de um apito ensurdecedor. Os homens da Força deslocaram-se até uma área indicada. A voz da doutora Norina Staller tornou-se audível em todas as salas e escritórios, inclusive na Cripta, onde estava Vergilia. A mulher dizia que a situação em breve estaria sob controle, que não havia motivo para se instaurar o pânico. Vergilia estranhou: onde estava Barbara? Por que ela não havia dado aquele aviso? A doutora Goodway era a cientista-chefe da Colmeia, e Norina não passava de uma subalterna, tal como ela própria, Vergilia Vogel. Então temeu: será que o tal aviso, e que levou os homens da Força a agirem, envolvia Barbara? Sabia que a doutora era perigosa, mas extremamente cautelosa. Se ela tinha capacidade para destruir a Colmeia, maior ainda era sua capacidade de salvá-la. Já fizera aquilo algumas vezes, com alguns pequeninos desastres, como a fuga de um morto, ou de um corvo. Todas as vezes que a Colmeia e a ANUBIS foram ameaçadas, Barbara esteve ali.
Mas não daquela vez.
E logo o aviso de Norina tornou-se inválido. A situação não ficou sob controle, e segundos depois se ouviu um novo apito ensurdecedor, avisando que todos os cientistas trancassem suas salas, que havia um vazamento de T-Virus nas alas mais inferiores da Colmeia, e que providências já estavam sendo tomadas. Nesse momento Vergilia não estava mais na Cripta e deu-se por satisfeita: o lugar ficava no andar mais subterrâneo do complexo, e, segundos os avisos, havia sido lá que o vazamento ocorrera. Tentou relacionar o primeiro aviso com o segundo: quando ela ouviu o primeiro, a Cripta estava segura. Quando ouviu o segundo, o problema era na Cripta.
Decidiu que ficar em sua sala não era a coisa mais sábia a se fazer, embora fosse a ordem. Ordens eram rigidamente cumpridas na Colmeia, sob pena de morte para os desobedientes, mas não daquela vez. Não havia homens da Força suficientes para cuidar de cada um dos centenas de cientistas dali. As câmeras também seriam inúteis naquela situação, já que não havia ninguém para monitorá-las. Se ficasse ali em sua sala, morreria de um jeito ou de outro. Saindo, poderia ter uma chance.
E foi o que fez. Não se atreveu a tentar sair da Colmeia. Pelo menos não sem algum tipo de ajuda. Não havia homens nas portas de cada uma das salas dos cientistas, mas com certeza havia alguns na porta de saída do complexo. E a doutora Vergilia Vogel jamais conseguiria passar por eles sem auxílio. Foi então que se lembrou da única arma biológica que poderia ser capaz de utilizar em seu favor. A única arma que ela tinha alguma chance de poder controlar.
Lírio.
Vergilia sabia muito sobre Lírio. Na verdade sabia muito sobre o β-Virus em si. Não se atrevia a admitir, mas era o braço direito da doutora Barbara. A doutora Goodway nomeara-a como sua auxiliar, e por isso a doutora Vogel tinha bastante noção do com que estava lidando. Não sabia em detalhes os efeitos do β-Virus, mas isso nem Barbara parecia saber. Mas sabia o necessário: se Lírio fosse mantido sob controle e rédeas curtas, seria poderoso. Tinha inteligência, e, segundo relatórios, força descomunal. Era o suficiente. Tudo o que Vergilia precisava era de músculos e algum cérebro. Sempre havia o risco de algo sair do controle, e ele tornar-se mais perigoso do que útil. Mas aquele era um risco que Vergilia Vogel estava disposta a correr.
— Eu sei que dói, Lírio. Sei mesmo. Olha pra mim. —Tentou soar como Barbara, fazendo algum esforço para emitir o mesmo tom de voz calmo e apaziguador. Essa era outra coisa que ela aprendera ao ajudar a doutora nos experimentos: o homem parecia reagir muito bem à voz de Barbara. Quando ela conversava com ele, mesmo enquanto o rapaz dormia, ele tornava-se mais calmo e suscetível às doses do β-Virus. Apesar de a doutora Vogel recusar-se a acreditar em fatores sobrenaturais, não havia qualquer razão científica para aquele fato. Mas tem de haver, mesmo que eu desconheça, admitiu para si mesma. Barbara criou o vírus. Pode muito bem ter usado seu próprio DNA nele. Por isso ele se chama Barbara Virus, certo? Talvez isso explique o fato de ele reagir à voz dela. Mas eram só especulações, nada que pudesse ser provado. Mas Vergilia era uma mulher de razão, não de crenças sobrenaturais. Qualquer coisa que a afastasse do misticismo, era algo a que se apegaria com todas suas forças.
Lírio ergueu os olhos, ainda tremendo e tendo pequenos espasmos de dor. Ele sentiu que as lâminas aos poucos saíam de sua cabeça, e que, com lentidão, paravam de perfurá-lo. Os olhos estavam irremediavelmente vermelhos, e dessa vez não apenas na íris. Ele havia chorado copiosamente, e a visão voltara a ficar embaçada, dessa vez por causa das lágrimas. Mas permitiu-se olhar para Vergilia, e, por uma vez, dirigir a palavra a ela:
— Dor. Parar... Dor.
— Parou a dor?
— S-Sim. — Ele murmurou através de sua bocarra.
— E você promete que não vai me atacar de novo? Eu não sou sua inimiga, Lírio. Estou aqui pra ajudá-lo. — Na verdade estou aqui para você ajudar, mas você não precisa saber disso.
— Não... Atacar... Moça. Calmo... Eu. Sem dor.
— Ótimo! – Vergilia disse, sem abandonar o tom de voz que Barbara usaria. Não tinha certeza se o rapaz estava comprando sua farsa, mas esperava que sim. Pelo menos o suficiente para que ele não a matasse. — Nós precisamos sair daqui. Escapar. Liberdade. Sem tubo. — A doutora Vogel sentiu-se idiota pelas palavras usadas, mas imaginou que Lírio fosse reagir melhor a elas.
— Escapar? Sem tubo? – A voz gutural dele fazia a doutora estremecer. A face era a de um anjo, mas ele já tinha se provado um titã poderoso. Sua voz apenas era coerente com a sua função e utilidade.
— Sem tubo. — Ela consentiu. — Existem... Pessoas. Pessoas na porta. Você precisa atacá-las. A-ta-car, consegue me entender?
— Mas... Eu. Calmo. Moça... Não atacar. Disse.
— Eu sei o que eu disse. — Estava pegando prática em decifrar as frases dele. — Mas agora é diferente. Eu não sou sua inimiga. Eles são. Eles... Causar... Dor. — Era mentira. Mas se havia uma coisa que poderia enfurecer Lírio e colocá-lo contra os guardas, era a dor em sua cabeça.
— Eles? Inimigos?
— Isso mesmo. Vou te mostrar eles quando aparecerem. Você ataca e a dor passa.
— Sem dor? – O rosto de Lírio irradiou-se.
— Sem dor. — Vergilia concordou. Desejou estar longe dele quando as dores voltassem depois de eles matarem os guardas.
Vergilia então conseguiu persuadi-lo a se levantar. Não tinha tempo para cuidar dos ferimentos causados pelos cabos, mas viera preparada para não deixá-lo nu. A doutora Vogel trouxera uma camiseta de algodão branca, bem como uma calça semelhante. Junto a isso havia um moletom de algodão e também branco. Eram roupas normalmente utilizadas para os pacientes do Hospital Central da Ilha, mas havia alguns guardados na Colmeia. Seria o suficiente para o homenzarrão, e a doutora esperou que a roupa não ficasse pequena.
— Essa camiseta não vai servir... – Decidiu ela. Vergilia então rasgou a camiseta em várias tiras e começou a enfaixar os braços e as pernas de Lírio, onde os ferimentos dos cabos ficavam. O tecido tingiu-se de rubro com rapidez, mas não com tanta rapidez quanto a que Lírio teve em deixar seu membro ereto quando ela tocou suas coxas para enrolar uma faixa. Aquela reação era natural, e apenas provava o quão instintivo e primitivo ele era. Sentia fome, frio, medo... Excitação sexual. Os aspectos mais básicos de um ser humano.
— Desculpa. — Ele disse, como a saber que a reação que tivera a incomodava, e que não deveria acontecer. Mas Vergilia julgou que ele tinha deduzido isso por ser a segunda vez que ocorria. Na primeira ela lhe direcionara um olhar reprovador, então na segunda vez ele sabia que era errado. Aprende rápido. Bom.
Não houve maneira de fazê-lo colocar a roupa sozinho. Ela entregou-o o moletom e a calça de algodão, mas o rapaz ficou encarando a roupa por vários segundos. Vergilia bufou. Pediu que ele erguesse uma perna e colocasse dentro da calça. Ele fez o que ela pediu com dificuldade, mas já não havia essa dificuldade quando ele calçou a outra perna. Deus, ele aprende muito rápido. É como estar ensinando um bebê superdotado de um metro e oitenta. Ele esticou os braços para que a doutora lhe colocasse o moletom, e quando o rosto dela aproximou-se suficientemente do dele para que sentisse sua respiração quente, o volume na calça voltou a aparecer. Vergilia ignorou, e Lírio dessa vez não se desculpou. Apenas baixou os olhos. Já estava vestido e seco, quando Vergilia lhe disse:
— Você... Me obedece. Tudo bem? Espera o meu sinal.
— Sim. Atacar homens. Passar a dor.
— Isso.
Vergilia então saiu da sala acompanhada de Lírio. Ela conhecia os caminhos da Colmeia tão bem como conhecia os corredores de sua própria casa. Talvez até melhor, já que passava mais tempo ali do que em casa. Seu medo era de que os caminhos que outrora estiveram desertos, agora estivessem ocupados. Por membros da Força, por... Mortos. Não, Vergilia. Não. O vazamento ainda não pode ter chego a esse nível. Não ainda. Vai chegar, claro, e quando isso acontecer, você vai estar fora daqui. Apesar de repetir aquele monólogo por várias vezes em sua cabeça, ele estava começando a parecer vazio.
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