O Garoto dos Olhos de Violeta
1 Roxeado
Notas iniciais
Eu andava pela rua vazia
Ouvindo o farfalhar das folhas esverdeadas
Os pássaros quietos; de nada servia
Tamanha beleza na quietude exagerada
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Aquele ambiente morto causava-me tédio
A rua singela e opaca doía no coração
Como arranjaria um santo remédio
Para evitar uma quase depressão?
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Mas foi dobrando a esquina que tudo mudou
Bastou bater os olhos naquela faceta
A vida reapareceu, o brilho urrou!
Era o garoto dos olhos de violeta...
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O rosto sensato e ao mesmo tempo inocente
Os cabelos castanhos despenteados
Os lábios contraídos e exigentes
Sobrancelhas franzidas, olhar concentrado...
=
O que mais me encantou foram seus olhos
Peculiares e inertes ao passar
Possuíam um arroxeado precioso,
que por um momento valioso
Tive o privilégio de contemplar.
=
Nunca tinha visto nada parecido
Não era olhos verdes, azuis e nem cor de mel
Era algo desconhecido
Quase impossível de descrever no papel.
=
Eu o fitei cruzando por mim
Parecia nem ao menos notar minha presença
Mas a dele não era bem assim
Havia um brilho em sua essência.
=
Por instantes pequeninos
Ele trouxe vida à rua mórbida.
Os pássaros pousaram para ver o menino
Que possuía um tesouro em suas órbitas.
=
Aquela cor de violeta viva
Lembrava uvas na época da colheita
As pétalas de uma orquídea
O crepúsculo da cor perfeita
=
Ele passava sem hesitação
Não consegui evitar um olhar de soslaio
E quando tinha quase saído do meu campo de visão
Senti um sorriso simpático,
brotando em seus lábios.
=
Congelei imediatamente
Minhas pernas pararam de súbito
Um borrão leitoso ocupou a minha mente
Arrepiei-me toda por um segundo.
=
Pela primeira vez em toda a minha vida
Olhos como aqueles me deram atenção
E a rua quase falecida
Se iluminou no meu coração.
=
Virei a cabeça, mas já era tarde
Observei o menino se afastar
Ele nem ao menos olhou para trás
Nem ao menos me dirigiu um último olhar.
=
Ele apenas seguiu seu caminho
Ignorou-me dali em diante
Mas aquele sorriso pequenino
Me causou um abalo fulminante.
=
Achei-me especial por um momento
Mas fui tola, eu admito.
O menino tinha um tesouro desde o nascimento
Diante do seu brilho eu era um mero mosquito.
=
Senti que nunca mais o veria...
Mas também que nunca o esqueceria.
O garoto que andava sozinho
Iluminava o caminho
Parava os passarinhos
Sorrindo para mim.
=
Poucos tem o privilégio
De ver algo mais puro que as asas de uma borboleta
Alucinante, fascinante e muito belo...
Ver o garoto dos olhos de violeta!
=
(P.S: Amor à primeira vista...
Talvez sim, talvez não.
As possibilidades são infinitas
Mas não quero cair na ilusão
Os olhos mais perfeitos que já vi na vida
Nada iriam querer com uma garota como eu
Que é mediana, simples e perdida
Tem os pensamentos escuros como breu
Esqueça isso, sua medíocre!
Amor é coisa para os tontos!
Levante-se e seja livre
Não caia numa armadilha de tolos.
Não é paixão, é apenas uma visão
Uma admiração.
Dos olhos penetrantes que cruzei
Nada mais!
É essa a decisão que tomei.
Amor é para os tolos!
Ele não irá me querer!
Amor é para os tolos!
Tente esquecer!
Amor é para os tolos!
Ele é perfeito demais pra você!
Amor é para...
Espere...
...
Ele está voltando... Está sorrindo para mim.)
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