O Garoto dos Olhos Castanhos

5 Capítulo V – Sabonete, Shampoo e condicionador.


Notas iniciais
Cheguei com um capítulo adiantado! Espero que gostem bastante, agora preciso produzir os outros capítulos para não ficar em falta! Divirtam-se.

Eu não conseguia me concentrar nas minhas tarefas, minha mente só ficava pensando nele, no Lucas. Toda hora passava imagens de tudo o que aconteceu e minha cabeça só ficava ainda mais sobrecarregada de pensamentos e mais pensamentos.

Quando deu a hora de ir para o curso eu imaginei que Lucas não iria, porém sabe quando você sente aquela pontada de esperança? Era o que eu estava sentindo até entrar dentro do ônibus e ver o lugar onde ele geralmente senta vazio, mas mesmo assim fui até lá e me sentei esperando o ônibus chegar na escola.

Peguei meu celular e mandei duas mensagens para ele via Facebook, eu precisava ver se ele está bem, estou me julgando até agora de não ter ido lá antes, eu devia ter ido!

As mensagens não chegavam, estavam apenas sendo enviadas. Eu estava com muito medo. E se a mãe dele deu algum castigo pesado? E se ele não melhorou e está no hospital agora? Cara... por que eu me importo tanto com ele?

Eu não sou assim! É difícil eu ficar super preocupado desse jeito, nem no dia que o Guilherme cortou o dedo eu fiquei tão apreensivo assim, eu não consigo entender... esses sentimentos surgem sem eu querer, é automático.

Olhei para a janela e comecei a apreciar a chuva dessa vez lenta e calma, tão linda, mas tão culpada... pois é senhora chuva, você é a culpada de toda essa minha preocupação.

— Oi, posso me sentar aqui? – Era uma garota, sua altura era bem pequena, sua pele era branca, seus cabelos eram pretos e os olhos eram bem escuros. Não consegui identificar no ônibus com a luz apagada. Estranho, por que ela trocou de lugar?

— Claro, fica à vontade. – Me encolhi mais um pouco pro lado, mal percebi eu que esse gesto ela pode entender como um “nossa ele me acha gorda que precisa de espaço”.

— Seu amigo faltou? – Como ela sabe dele?

— Qual? – Perguntei de bobo.

— Aquele que vem sentado com você aqui, lembro que no primeiro dia vocês conversaram muito.

— Ele está doente...

— Ah que pena. Ele é uma gracinha, sabe se ele tem namorada?

— Pra que quer... – Me calei na hora, essas três palavras saíram da minha boca automaticamente. – Não sei...

A garota depois disso se calou. Que vergonha, por que eu tive esse impulso do nada? Era uma pergunta simples para uma resposta simples, o que deu em mim?

O ônibus finalmente parou e começou a fila pra descer, fui o último praticamente. Confesso que fiquei sentado ali pensando na vida e vendo a chuva que agora tinha aumentado um pouco fazendo os estudantes saírem correndo para dentro da escola, eu dei uma risada, mas logo me toquei que vou ter que fazer o mesmo. Quanta babaquice.

Bom, sai do ônibus correndo rapidamente pra não me molhar tanto, afinal já tomei água demais por hoje... Pensando aqui, como a vida é injusta, eu fiquei tão ensopado quanto o Lucas, mas ele ficou mal e eu não...

Entrando na sala fui direito para o meu lugar e lá fiquei, fiquei lá o tempo todo, não sai nem pro intervalo, minha mente estava muito sobrecarregada e eu estava pensando na ideia de ir na casa do Lucas assim que sair da escola... Mas acho que seria muito tarde, chegaria lá perto da meia noite.

No último bloco do curso o professor iria passar um vídeo pra gente se emocionar, bom ele colocou mesmo, um vídeo bonito com uma trilha sonora de dar vontade de chorar. Era um vídeo de Ética sobre preconceito, achei interessante ele passar esse tema pra gente, afinal devemos ser administradores sérios e sem nenhum tipo de preoconceito.

Foi quando no meio do vídeo, em um frame muito rápido – mas que pra mim foi bem lento – uma cena onde um casal, um casal na chuva se beijando. A imagem de mais cedo, do Lucas se aproximando do meu rosto, da respiração dele perto da minha voltou na hora, fiquei em transe imaginando aquela cena e ela ia se repetindo e se repetindo, uma mais linda que a outra... E foi se repetindo até o vídeo acabar e o professor acender a luz.

Eu não entendo esses pensamentos, eles acontecem automaticamente, é como se meu cérebro estivesse programado pra fazer isso sem eu querer, isso é estranho. Ele é um menino, mas parece que eu sinto algo por ele, parece que algo nele me cativa... Droga, esses meus pensamentos estão me levando ao pior caminho, o que as pessoas vão achar de mim?

Depois do vídeo acabar e o professor explicar um pouco sobre ele a aula finalmente finalizou e a hora de ir embora já tinha chegado, peguei meu celular e fui verificar se ele tinha me respondido, mas infelizmente não tinha uma única mensagem, na verdade a minha se quer tinha sido entregue a ele. Minha preocupação só aumentou.

Fui para meu ônibus e me sentei no mesmo lugar, com o mesmo astral triste e pensativo como se tudo estivesse na maior tristeza do mundo.

Assim que cheguei em casa, apenas me troquei e mergulhei na minha cama, fiquei online por uns instantes na esperança de Lucas aparecer, mas novamente nenhum sinal. Eu devia ter ido na casa dele!

Amanhã irei matar aula de manhã, vou direito pra casa dele e espero que a mãe dele deixe eu entrar, espero de verdade.

***

Quando o despertador tocou eu acordei numa velocidade tão grande que a preguiça de levantar nem teve chance de me atingir, corri me trocar o mais rápido possível para ver Lucas, coloquei meu uniforme para enganar meus pais, isso é errado, mas mesmo assim é para uma boa causa.

Desci correndo e fui pra cozinha, meu pai já não estava mais lá, parece que ontem só foi um pouco de sorte mesmo. Abri a geladeira para pegar água e notei uma barra de chocolate branco, olhei bem pra ela e me veio a ideia de presentear Lucas com ela, ótima ideia!

Assim que peguei o chocolate e tomei minha água sai em disparada, nunca eu acordei com tanto “ânimo” como hoje! Era como se eu estivesse acordado a horas e horas atrás, eu poderia me sentir assim sempre! Corri em direção a casa de Lucas, eu corria até que rápido, mas depois fui desacelerando, pois, o ar não estava ajudando, tenho as vezes muita falta de ar.

Assim que cheguei na porta da casa dele, toquei o interfone e esperei ansioso, não queria esperar nem mesmo um segundo.

— Quem é? – Era a voz da mãe dele.

— Oi! Sou eu, Rafael...

— Ah, olá querido. O que deseja?

— Posso entrar? Queria falar com o Lucas, ver como ele está.

A mãe dele deu um pequeno resmungo mas entendi que aquilo era praticamente um sim, mesmo que um sim meio forçado. Não demorou muito pra ela abrir a porta.

Com um sorriso ela me mandou entrar e assim eu fiz, ela foi até o caminho da sala me perguntando algumas coisas, se a gente tinha matado aula, ou algo do tipo mas eu apenas negava.

— É estranho, eu liguei na escola dele e disseram que ele não compareceu à aula.

Eu gelei, então ela descobriu que ele faltou, mas não por que queria.

— Bom.. A gente foi embora juntos, mas tenho certeza que a escola se enganou.

Eu estava tão nervoso que nem sei se o que eu disse ajudou ou fez sentido. Mas o importante é que ela assim que chegou na sala me liberou e fui direto pro quarto dele.

Chegando lá a porta já estava aberta e lá estava ele dormindo, parece que cheguei bem cedo, sentei bem no cantinho da cama dele e fiquei observando.

Ele dorme de um jeito fofo, mas percebi que ele baba demais, aliás ele está babando nesse exato momento. Não resisti e soltei uma risadinha meio abafada. Não queria acordar ele, mas queria falar com ele.

Decidi depois de muita luta cutucar ele, e bem delicado comecei dar alguns cutucões na perna dele. Ele se mexeu e se virou umas três vezes até finalmente abrir os olhos.

Incrível! Os olhos deles são mais lindos ainda quando acordam, aquela cor, aquele brilho. Eu no consigo suportar isso!

— Rafael? – Ele pergunta se sentando na cama.

— Lucas! – Solto um sorriso – Você está melhor?

Lucas me olha e faz que sim com a cabeça.

— Certeza?

— Ah, só foi uma gripe eu acho. Muito forte aliás.

— Mas também... o tanto de chuva que pegou.

Então ele levantou e caminhou até a porta, olhou para o lado de fora e a fechou, no começo tudo ficou escuro já que a janela dele tinha cortinas e a luz estava apagada, mas logo ele ascendeu e o consegui ver novamente.

— Minha mãe ficou uma fera... Ela simplesmente quase me matou quando me buscou lá na sua casa... Primeiro por que abusei da hospitalidade e de sua mãe, segundo que não compareci na aula.

— Ela bateu em você?

Quando perguntei isso ele levantou um pouco a manga da blusa, seu braço tinha um grande roxo, enorme onde com certeza ele deve ter apanhado de algo bem duro como um chinelo ou fivela da cinta.

— Não acredito...

Meu coração estava em choque, eu queria apenas voar no pescoço dele e o abraçar bem forte, falar que está tudo bem e que estou ali pra ajudar ele aguentar tudo isso, mas ao invés disso eu apenas abaixei a cabeça.

— Não se preocupa. Rafa, eu já estou acostumado.

— Mas não era pra estar! Como ela pode te machucar tanto assim?

— Ela pelo menos bate mais fraco que meu pai...

Nesse momento ele se calou, fiquei pensando nisso, o pai dele já não mora com ele, a mãe dele é solteira agora. Será que a mudança de cidade é por causa disso? Por causa do pai e das agressões?

— Seu pai...?

— Sim, ele judiava bastante.

— Foi por isso que se mudaram?

— Sim, mas teve um motivo maior, foi quando ele...

Não conseguiu terminar, a mãe dele abriu a porta rapidamente e ficou nos fuzilando com um olhar penetrante, perguntou o que Lucas estava falando que precisava ficar com a porta fechada. Será que ela não sabe nada de privacidade?? Ele então inventou qualquer coisa e ela finalmente nos deixou em paz, mas isso tudo fez com que Lucas perdesse a coragem de contar o que iria me falar. Ele prometeu um dia me dizer. Um dia.

O quarto dele ficou um silêncio depois disso, a gente apenas ficava encarando os locais, a gente mesmo. Eu queria falar muitas coisas, eu queria pedir várias desculpas mas eu não conseguia, só ficava quieto esperando o tempo passar.

— Rafael, você tomaria banho comigo?

Eu gelei, que raio de pergunta foi aquela no meio de todo aquele silêncio macabro? Tomar banho com ele? Tipo eu nunca tomei banho com alguém, acho que nem mesmo com meu pai quando era garoto, nunca tive essa intimidade.

— Mesmo que a gente fique apenas de cueca, só quero poder ficar menos estressado?

Olhei pra ele e fiquei processando aquela ideia. Ainda sim não conseguia perceber como surgiu aquela pergunta do nada. Parei pra refletir e lembrei de uma vez que tive que dar banho no Guilherme, ele tinha bebido muito, estava numa época meia sombria da vida dele, ele ficou tão mal que não conseguia parar em pé. Uma amiga então falou que dar um belo banho pode minimizar o estado bizarro que ele estava e foi o que eu fiz.

— A não sei... que pergunta estranha.

— Não é estranha, seria como nadar numa piscina. A gente poderia tomar juntos agora antes de ir pra etec.

— Mas você vai? Está bem o suficiente pra ir?

— Eu estou melhor, não totalmente ainda sinto tontura e alguns desconforto, mas acho que da pra mim ir. Não quero faltar muito.

— Certo...

— Então, topa?

Parte de mim falava que sim, eu queria gritar que sim! Mas outra parte me recuava, tomar banho... com um menino, mesmo que de cueca. Suspirei fundo...

— Topo. – A palavra saiu da minha boca.

Ele sorriu pra mim com alegria. Eu não resisti e soltei um outro sorriso e nisso acabou com nos dois rindo.

Esperei dar o horário de almoço pra voltar para casa como se tivesse realmente ido pra aula, cheguei lá e foi direito pro almoço. Depois avisei minha mãe que ficaria no Lucas e de lá iria pra Etec, falei que tomaria banho lá e nesse momento ela deu uma estranhada, mas nada de mais.

Depois fui voltando pra casa dele, e assim que cheguei dessa vez fui recepcionado por ele mesmo.

Ficamos conversando sobre diversos assuntos e comendo algumas coisas que a mãe dele preparou enquanto não dava a hora.

— Acho que está na hora. – Ele olhou pra mim.

— É... – Devo ter ficado roxo de vergonha.

— Vem vamos pro banheiro. – Ele levantou e foi indo até lá.

Fiquei uns segundos pensando como cheguei a esse nível, como tudo isso tá acontecendo? Me levantei e fui até lá, assim que entrei ele fechou a porta e trancou. Confesso que me deu até medo agora.

Ele começou a tirar sua roupa, primeiro tirou sua blusa, fiquei observando cada detalhe meio paralisado. O corpo dele realmente era bem bonito, muito mais que o meu. Ele notou que eu não estava fazendo nada.

— Vou ter que ajudar né? – Disse ele.

Ele se aproximou e começou a tirar minha blusa, eu sentia um frio imenso na barriga, assim que ele tirou ele estava totalmente envergonhado. Mas estava pra piorar.

Lucas se aproximou bem perto de mim, traçou os braços dele em meu pescoço para tirar meu colar, ele estava bem próximo, eu sentia a respiração dele bater em meu rosto.

Ele estava poucos centímetros de meu rosto e parecia que ele estava enrolando de propósito pra tirar o colar.

— Lucas...

— Sim? – A voz dele saia abafada e muito sexy.

— Acho que você... – Eu queria me aproximar – Não está conseguindo tirar meu colar.

Assim eu me afasto dele e consigo tirar o colar rapidamente e coloco na pia. Ele continuou a tirar suas roupas até ficar apenas de cueca, era uma cueca rosa muito bonita. Fiz o mesmo afinal tinha que tomar banho, a minha cueca era preta.

— Vai, entra! – Ele olha pra mim.

Assim que eu entro ele também entra, novamente ele fica com o corpo bem próximo ao meu as vezes eles se colavam um pouco, afinal estávamos disputando um pedaço do chuveiro.

Ele colocou uma de suas mãos em meu peito acariciando. Eu não resisto e coloco uma das minhas mãos em sua costa bem perto da cintura.

Ele olha pra mim me hipnotizando com aqueles olhos. Meu corpo me empurrava contra o dele. Minha mente me falava pra deixar meus lábios tocar nos lábios dele.

Estávamos centímetros quando eu dei um passo pra trás.

Onde já se viu? Eu estar me alisando com um garoto? Com uma pessoa do mesmo sexo que o meu?

— Desculpa mas, vamos manter uma distância.

Ele não respondeu nada, apenas pegou o sabonete e começou a passar em seu corpo, logo em seguida pegou o shampoo e passou em seus cabelos fazendo grande espuma então finaliza com o condicionador. Ele olha bem pra mim.

— Termine seu banho.

Ele pega uma toalha se seca e sai do banheiro indo para o quarto. Fiquei ali me julgando por alguns segundos mas logo tomei meu banho direito. Como eu sou idiota, além de aceitar um banho com um rapaz, eu ainda fico me alisando com ele? Não sei o que está dando em mim mas isso está me enchendo de raiva, isso esta me deixando esgotado. Atitudes erradas não levam a lugar algum!

Notas finais
Bom, o que acharam? Vejo vocês no próximo!