O Garoto da Casa Verde
5 O Garoto da Casa Verde Capítulo V
Coloquei a mochila debaixo do braço, respirei fundo senti um pouco de o suor grudar na minha testa, sentia o vento fraco do ventilador tocar levemente ao arrepiar o meu braço, ao chegar perto da mesa do professor vi o cadarço do meu tênis solto, precisando urgentemente desamarrar, mas eu estava tão nervosa que não liguei eu apenas olhei para o professor e disse:
— Desculpe professor por ter perguntado.
Ele simplesmente se levantou, fechou à porta da sala, naquele momento eu achei que estava ferrada, pensei agora que não tenho chance de nada, vou ser expulsa da sua aula e até da escola, meus pais vão ter de procurar outro colégio para me colocar.
Mas ele deu um pequeno sorriso, colocou a mão no ombro e disse de forma carinhosa:
—Eu que peso desculpas por ter sido grosso, é que esses alunos sempre me irritam e nunca perguntam, e quando o fazem é sempre uma brincadeira de mau gosto. Eu entendo que você não seja daqui e que provavelmente não viu algumas partes da matemática, eu só peço que quando tiver uma duvida, venha me perguntar no final da aula.
Eu sorri com o seu sorriso, e de repente senti o ar voltar para os meus pulmões e senti os ombros relaxarem eu afirmei com a cabeça, quando eu estava saindo para abrir a maçaneta da porta, ele se levantou e falou:
—Qualquer duvida pode perguntar, que tirarei suas duvidas, passou a mão uma ultima vez no meu ombro e abriu a porta para eu sair e sorriu sem tirar os olhos em mim.
Era um professor bonito e jovem tinha olhos verdes e corpo forte moreno, achei o seu jeito muito estranho para um professor, mas coloquei a na cabeça que ele estava querendo só ser gentil e me ajudar com as duvidas.
Assim que sai para corredor, todos por algum motivo pareciam muito estranhos queria entender tal comportamento, então virei o meu rosto para ir ao meu armário e o vi encostado no seu conversando com algumas pessoas, fui andando e não queria encará-lo, mas eu senti seus olhos no meu ombro, então não sei o que me fez olhar, mas eu senti um incômodo que tive que virar minha cabeça e olhar, viu os seus olhos verdes sorridentes virados para mim me encarando, eu senti meu rosto esquentar, quando eu fui virar meu rosto para frente eu bati no ombro de alguém, fui à pior desastrada:
—Meu desculpe.
E advinha quem era para o meu pesadelo? A loira, que me viu quando cheguei e que estava estampada em seus olhos que não tinha gostado nada de mim, ela simplesmente disse muito mal educada:
—Olha para onde anda cega!
Eu mal a olhei continuei andando e cheguei ao meu armário, não estava acreditando nas coisas que estavam me acontecendo apenas em um dia.
Então a aluna prestativa e fofa, veio conversar comigo no meu armário, quando eu estava pegando material para a próxima aula:
—Oi aluna nova! Pode falar, o professor de matemática deu em cima de você não foi?
Eu me virei meio falsa, e com um sorriso no rosto, já fechando o meu armário:
—Oi Ana! Eu acho que não, ele só me disse para tirar as duvidas com ele no final da aula, foi só isso.
Ela me olhava de baixo para cima, ficou com uma cara de interrogação, parecia que nada do que eu dizia fazia algum sentindo, ela mastigava aquele chiclete, que parecia que todas daquele colégio gostavam e faziam aquele barulho irritante:
—Tem certeza?
Eu fiz que sim com a cabeça:
—Por que seria diferente?
E segui andando para a próxima sala de aula, ela continuou com o mesmo olhar simplesmente respondeu em seguida de um sorriso:
—Nada, mas se precisar da minha ajuda pode pedir, esse professor da encima de quase todas as aulas daqui, se eu fosse você tomaria cuidado, principalmente por que você é nova na área, vê se fica esperta.
Eu sorri para ela antes de entrar na sala e apenas disse:
—Obrigada.
Amarrei o cabelo cacheado no próprio cabelo, fazendo um coque alto, e sentei a mesma cadeira que sentei na primeira aula.
Peguei uma folha sulfite da minha bolsa, e fiquei desenhando posições de mãos de bailarina, eu colocava cada detalhe minuciosamente e com cuidado, tinha toda atenção para o que estava fazendo, não podia errar um risco.
Sabe aquele momento que você não sabe bem o motivo e talvez nem precise de um, você sente de leve uma mão macia e delicada mesmo sendo de homem, e mesmo não vendo a sensação que te da de paz, você suspira um pouco, então a voz doce e aveludada fala:
—Você desenha muito bem.
Levantei meu rosto e vi seus olhos gentis em mim e ao meu desenho, eu apenas sorri de volta, não conseguia dizer nada, então eu olhei para o lado e a loira estava olhando brava para mim e naquele mesmo segundo uma professora com um vestido branco e loira e de sorriso grande entrou na sala.
No dia seguinte soube que o meu pai foi fazer um trabalho em outro hospital fora da cidade pela a minha mãe, disse que o papai iria passar a semana fora.
Não podendo ter o meu pai naqueles dias para me dar uma boa noite e me contar sempre que podia suas histórias do trabalho e como eram os outros países que ele já tinha conhecido, eu fui numa quinta para o colégio, já tinha se passado três dias sem ele.
Eu ficava pensando naquele dia os desenhos que já tinha feito do meu pai, os poucos momentos e bons que tinha com ele, os doces de leite que me trazia num pote das suas viagens, como ele me incentivava a caminhar, o meu urso branco que ele me trouxe de uma viajem dizendo que lembrava de mim.
Pensava nas pessoas que tinham mais do pai presente nas suas vidas, de acordar de manhã para tomar café e ver seus pais na mesa conversando do dia a dia, das rotinas comentando bobagens.
Estava andando no corredor, quando longe do meu armário exatamente onde fica o seu, ele estava conversando com seus amigos e com aquela garota loira, todos ficavam às vezes me olhando, pareciam falar sobre mim, mas eu não estava me importando, estava sentindo saudades do meu pai e ficava pensando nas lições de casa e nos meus desenhos para dar atenção. Mas o que me chamou atenção foram os seus olhos, pareciam com medo, como se estivesse forçado a fazer algo que não queria. Mas coloquei na cabeça que aquilo não era comigo, sai do meu armário e fui andando no corredor sem me importar.
Quando cheguei a minha sala, aquele dia apesar de estar fazendo sol parecia nublado para mim, o coração estava apertado nem sabia qual era o real motivo, mas às vezes sentia coisas que não conseguia explicar, eu achava dentro de mim que foi o rosto do Eduardo que causou desconforto em mim, por que seus olhos pousavam em mim fixamente, como se por algum motivo sem sentido ele estivesse fazendo algum mal a mim simplesmente por olhar, mas sabia dentro de mim que era algo além disso, alguma coisa que eu não sabia estava acontecendo e sentir isso e não saber me incomodava muito.
Quando estava na aula, eu sentia a todo o momento na explicação do professor, olhos em meus ombros as vezes em meu cabelo outros momentos era em meu caderno, um olhar em específico e nervoso aquilo estava começando a me irritar, mas eu não iria olhar não queria fazer isso sabia que não importava de quem era, não era boa coisa.
Então no meio da aula veio o diretor na sala, chamar o professor estava com um semblante sério, parecia que algo muito ruim estava acontecendo, o professor no mesmo instante saiu da sala.
Sabe quando você não acredita em algo que vê e sente, quando tudo o que você acredita e em tudo o que presciência na sua vida tivesse escorrendo das suas mãos como água em uma corrente que só tende ir para baixo longe do que você consegue ver, quando você deseja que naquele momento fosse apenas um pesadelo bobo, que quando você acordar tudo ficará bem, então apresento a vida você pois não consegue acordar.
O professor me chamou para a porta com uma cara de assombro:
—Clara, vá para a sala do diretor agora.
Eu me levantei, nem peguei as minhas coisas já sabia que algo muito sério tinha acontecido, todos estavam com os rostos de preocupação, mas eu não me importava mais com a minha sala, não estava nem ligando para as suas fisionomias, eu sai quase correndo para a sala do diretor.
No meio do caminho via pela primeira vez os adesivos nos armários dos alunos, e via o quanto o corredor estava vazio, com algumas folhas soltas ao chão, as portas das salas de aula tinha um vidro transparente, via que todos os alunos estavam nas suas expectavas salas, mas quando eu passava todos que estavam perto da porta ficavam me olhando.
Não sei o porquê mais sentia dentro dos meus pulmões, que algo muito grave tinha acontecido com o meu pai, por que dê que acordei hoje de manhã não me sentia bem em relação a ele, parecia que quando eu pensava nele algo dentro de mim faltava, como quem falta o ar dentro da piscina, você tentar pegar o ar, mas não consegue emergir.
Quando abri a porta da sala do diretor, ele estava com uma cara péssima, como se estivesse passando mal, então eu simplesmente perguntei:
—O senhor está bem?
Ele respirou fundo, olhou para mim com um semblante de preocupação e de pena, como se algo muito ruim tivesse acontecido de importante e por alguma inocência minha eu não sabia.
Ele parecia não saber o que fazer, então pegou uma página de jornal de hoje e me entregou, ele simplesmente disse:
—Leia.
Na primeira página do jornal tinha uma enorme foto de uma acidente de carro, estava capotado e pegando fogo diante de um caminhão de madeira, amassado com parte parcial pegando fogo.
“As 6:00horas dessa quinta feira médico pediatra morto pela intoxicação da fumaça provocada pelo acidente de carro.”
Tinha muito mais escrito detalhes, entrevistas de quem viram o acidente, mas depois da palavra morto, não queria mais ler, não estava acreditando, eu apenas olhei séria para o diretor sem falar uma palavra, não tinha o que dizer só queria fugir dali e ir para um lugar sozinho chorar, não queria que me visse chorando.
Simplesmente, me levantei o olhando, apenas disse com a voz seca:
—Senhor diretor, preciso ficar um tempo a sozinha.
E sai correndo da sua sala, fui para fora do colégio e no desespero de achar um lugar o máximo, escondido o possível, estava suando e respirando ofegante, estava me segurando máximo que podia, ficava olhando para os dois lados do corredor de fora do colégio e perto do jardim foi o único lugar o mais longe possível e escondido que achei.
Agachei-me no chão, nem consegui me sentar, fiquei como uma bola segurando os dois joelhos, com a cabeça escondida no colo, deixou as lágrimas doloridas saírem dos meus olhos, sentia queimar a minha garganta, eu não achava que pararia de chorar, para mim não parecia ter mais motivo para viver.
Eu só senti dois braços fortes, me abraçar e a me envolver sem saber o que fazer eu simplesmente continuei chorando em seu ombro sem dizer uma palavra, tinha perdido uma das pessoas na minha vida que mais amava e não estava preparada para sentir tanta dor.
Quando eu consegui respirar um pouco e vi seus olhos brilharem gentis para mim, tentei me afastar mas seus braços fortes me apertaram um pouco eu simplesmente disse, sentindo meu nariz sujo, colocando a mão, tentando mais uma vez me afastar:
—Molhei toda a sua camisa. Preciso ir ao banheiro me recompor.
Ele sorriu, me deixando sair dessa vez, mas com um semblante preocupado:
—Tem certeza? Você não parece bem ainda.
Levantei-me cambaleando um pouco ele me segurou pelo braço um pouco, eu estava morrendo de vergonha por ter chorado nele e sai correndo para o banheiro mais próximo, senti que ele corria atrás de mim, mas quanto mais ele se aproximava mais eu me adiantava até que eu senti que ele tinha desistido e ficado para trás.
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