Ele é o garoto sem nome, sem identidade, sem personalidade, sem vida. Na rua, todos o chamavam de ninguém — quando o notavam -, ou apenas, "menino sem nome". Menino, rapaz, moço... Pouco importava, não fazia a diferença para um nada. Ele é o menino perdido, sem pai, nem mãe. Abandonado, jogado. Ele é o rapaz sem coração, o homem de lata. Sem vontade, sem coragem. Aquele que encontrei na rua com um olhar vazio... Sem nada. Ele não procurava por nada, ele não procurava ninguém. Ele não é nada, ele não é ninguém. Ele tinha tão pouco, ou como muitos diziam "merda nenhuma". Ele queria muito, ele sonhava, pobre rapaz. Ele queria as estrelas do céu, ele queria viver, ser livre e voar por aí, não tinha suas asas, elas foram arrancadas. Todos pareciam não compreendê-lo, não se importavam. Mas para que se importar com ele? Ele não é ninguém, ele não serve. Servia para mim, era meu. Ele se fazia de santo, ele era só um menino. Meu menino. O meu menino sem nome.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!