O Garoto Feito de Sol e Terra

51 Capítulo 51 — Recaídas Sempre Doem


No dia seguinte, Leo ainda estava inquieto.

Desde que Eduardo respondeu na noite anterior, ele não conseguia parar de pensar nisso.

A verdade era que ele ainda se sentia mal.

Não só pelo empurrão, mas por tudo. Pelo jeito que as coisas tinham se desenrolado, pela saudade que ainda estava ali, sufocante, pelo fato de que, apesar de tudo, Eduardo ainda era… Eduardo.

E ele sabia que nunca seria tão simples assim esquecê-lo.

No intervalo, sentado com Carla e os outros, Leo abriu o WhatsApp.

Ele hesitou por um segundo antes de finalmente digitar.


Leo: ainda foi mal por aquilo

Leo: n devia ter te empurrado daquele jeito


A resposta de Eduardo veio um minuto depois.


Eduardo: eu já disse q tá tudo bem, leo

Eduardo: se fosse o contrário, acho q eu tbm teria feito a mesma coisa, então relaxa


Leo apertou os lábios.


Leo: mas n devia ter sido assim

Eduardo: é, mas foi


Leo respirou fundo.

Ele odiava quando Eduardo falava assim, curto, sem aprofundar. Era como se estivesse fechando todas as portas antes que Leo pudesse dizer qualquer coisa significativa. Mas ele não queria deixar essa conversa morrer tão rápido.


Leo: tá com a cabeça doendo ainda?

Eduardo: só um pouco, mas já passou

Leo: tem certeza?

Eduardo: certeza


Leo mordeu o lábio, pensando no que mais poderia dizer, quando sentiu Carla se aproximar do lado dele, olhando para sua tela.

— Quem tá te mandando mensagem que cê tá assim, tão focado? — Ela perguntou, num tom casual.

O nome "Eduardo Castilho" estava brilhando no topo da conversa e Leo desligou a tela do celular na hora.

Carla arqueou uma sobrancelha, olhando para ele.

— Sério? — A voz dela era um misto de surpresa e incredulidade.

Leo não respondeu. Não olhou para ela.

Apenas jogou o celular na mochila, como se aquilo encerrasse o assunto, mas Carla continuou olhando para ele, e Leo sabia que ela tinha visto.

Sabia que ela não ia deixar isso passar tão fácil.


◄☼►


Quando o último sinal do dia tocou, Leo pegou sua mochila e saiu da sala rápido.

Carla tinha visto o nome de Eduardo na tela do seu celular e ele sabia que mais cedo ou mais tarde ela ia querer falar sobre isso. E como esperado, não demorou muito.

Assim que ele saiu pelos corredores da escola, ouviu passos rápidos atrás de si.

— Leo.

Ele fingiu que não ouviu.

Continuou andando, com a mochila jogada sobre um ombro, os olhos fixos na saída. Mas Carla não desistiu. Ela acelerou o passo até alcançá-lo, puxando seu braço para fazê-lo parar.

— Leo, sério. Não me ignora.

Ele soltou um suspiro pesado e finalmente parou, mas não olhou para ela.

— O que foi, Carla? — Sua voz saiu impaciente.

Carla cruzou os braços, olhando para ele com firmeza.

— Não se faz de desentendido. Eu vi o nome no seu celular. Você tá falando com o Eduardo de novo.

Leo trincou o maxilar, desviando o olhar.

— E daí?

Carla arregalou os olhos.

— E daí?! — Ela soltou uma risada incrédula. — Você passou dias ignorando ele, dizendo que não queria mais ver a cara dele, e agora… agora já voltou a falar como se nada tivesse acontecido?

Leo fechou os olhos por um instante, passando a mão no rosto.

Ele não queria ter essa conversa. Não queria se explicar, porque nem ele sabia o que estava fazendo. Mas Carla não ia deixar isso passar.

— Leo… — A voz dela suavizou um pouco. — O que ele te disse?

Leo ficou em silêncio. Por um instante, Carla achou que ele não fosse responder.

Mas então, ele murmurou:

— Nada.

Ela estreitou os olhos.

— Nada? Leo… ele te machucou.

— Eu sei.

— Então por que diabos você tá falando com ele?

Leo ficou quieto. O peito apertava.

Ele sabia a resposta, mas não queria dizer em voz alta.

Carla o analisou por um segundo e então, suspirou.

— Você ainda gosta dele, né?

Leo prendeu a respiração. Ele não respondeu e talvez nem precisasse.


◄☼►


Alguns dias se passaram.

Ele tentou. Tentou se manter afastado, tentou ignorar, tentou fingir que não se importava.

Mas não conseguia.

Os últimos dias tinham sido um inferno. Ele podia mentir para os amigos, podia fingir que estava seguindo em frente, mas não podia mentir para si mesmo.

Então, antes que pudesse pensar demais e desistir, pegou a bicicleta e foi até a casa dos Castilho.

O caminho parecia mais longo do que o normal. Cada pedalada vinha com uma onda de incerteza, um peso esmagador no peito. O que ele ia dizer? O que Eduardo ia fazer?

Quando finalmente chegou, parou na frente do portão.

O coração batia rápido.

Respirou fundo e tocou a campainha.

Segundos depois, a porta se abriu. E lá estava ele.

Eduardo.

O choque no olhar dele foi imediato.

— Leo…?

Leo engoliu seco.

— A gente precisa conversar.

Eduardo hesitou por um momento. Parecia surpreso, perdido, como se não soubesse se aquilo era real.

Mas então, abriu mais a porta.

— Entra.

Leo passou pelo portão e entrou na casa que já conhecia tão bem. O ar ali dentro parecia mais pesado.

Eduardo fechou a porta atrás dele. O silêncio foi denso.

E então, Leo falou:

— Eu preciso saber.

Eduardo franziu a testa.

— Saber o quê?

Leo respirou fundo, sentindo um nó apertado na garganta.

— Se isso — ele apontou de um para o outro — ainda significa alguma coisa pra você.

Eduardo ficou imóvel.

Os olhos dele carregavam um milhão de coisas não ditas. E, por um segundo, Leo achou que ele não fosse responder.

Eduardo não pensou.

Não havia espaço para raciocinar, para hesitar, para fazer qualquer coisa além de seguir o impulso desesperado que o dominava.

Antes que Leo pudesse dizer mais alguma coisa, ele o puxou pelo pulso e o levou direto para o banheiro, trancando a porta atrás de si.

Leo o olhou, confuso.

— Que porra…?

Eduardo respirou fundo.

Os olhos dele brilhavam de intensidade, um misto de urgência e desespero.

— Sim. — A voz saiu firme, mas ao mesmo tempo carregada de algo quebrado. — Significa tudo.

Leo ficou quieto. O peito apertado.

Eduardo passou a mão pelos cabelos, desviando o olhar por um instante, antes de encarar Leo de novo.

— Você não tem ideia do quanto.

O silêncio se prolongou.

Leo queria acreditar.

Queria muito, mas havia tanto peso, tanta dor acumulada. Ele desviou os olhos, focando na cabeça de Eduardo.

— Tá doendo ainda?

Eduardo piscou, surpreso pela mudança repentina de assunto. Demorou um segundo para entender.

— Ah. — Tocou de leve o local onde bateu a cabeça no celeiro. — Não. Já passou.

Leo apenas assentiu, ainda sem olhar diretamente para ele.

Eduardo deu um passo à frente.

— Leo…

Leo respirou fundo, fechando os olhos por um instante.

Quando abriu novamente, encontrou os de Eduardo. Havia algo ali. Algo que ele não queria admitir, mas que queimava em seu peito.

E então, Eduardo se aproximou ainda mais.

O coração de Leo bateu forte.

— A gente não pode… — Leo murmurou, mas sem se afastar.

Eduardo levou uma das mãos até sua nuca, o toque quente, hesitante.

Leo prendeu a respiração.

Eduardo inclinou o rosto, devagar, dando espaço para Leo recuar, mas dessa vez ele não recuou.

E então, os lábios se encontraram.

O beijo começou lento, inseguro, como se ambos estivessem tentando entender se aquilo ainda era certo.

Mas então, Leo cedeu.

Se entregou ao beijo com tudo que tinha segurado dentro de si. E, por um instante, nada mais importou.

O beijo rapidamente perdeu qualquer hesitação.

Leo sentiu o corpo inteiro arrepiar quando Eduardo o puxou ainda mais para perto, os dedos firmes em sua cintura.

O espaço apertado do banheiro só tornava tudo mais intenso, mais sufocante. Eles se encaixavam como se o tempo não tivesse passado, como se os dias de afastamento não tivessem existido.

Eduardo pressionou Leo contra a parede fria, o calor dos corpos contrastando com os azulejos gelados.

Os beijos ficaram mais urgentes, mais desesperados. As mãos de Eduardo deslizavam pelo corpo de Leo, explorando como se precisasse se lembrar de cada detalhe.

Leo gemeu baixo contra a boca dele, sem conseguir segurar.

— A gente não devia… — Tentou dizer, mas Eduardo calou qualquer resistência com outro beijo profundo, faminto.

As respirações estavam pesadas, o coração martelando contra o peito.

Leo agarrou a camisa de Eduardo, puxando-o contra si.

Era errado.

Era perigoso.

Mas, naquele momento, nenhum dos dois se importava.

Após o amasso intenso, Eduardo mal conseguia pensar. O desejo pulsava no ar entre eles, pesado, quente, inevitável.

Leo estava ofegante, os olhos meio perdidos, a pele em brasa.

Eduardo sentiu a tensão no corpo dele, a forma como ele parecia se segurar, e então, sem pensar muito, simplesmente se abaixou. Leo arregalou os olhos, o corpo inteiro retesando ao perceber o que Eduardo estava prestes a fazer.

— Eduardo… — A voz dele saiu rouca, quase um aviso.

Mas Eduardo não parou.

Ele queria senti-lo, queria arrancar qualquer resquício de controle que Leo ainda tinha. E, naquele momento, não havia mais espaço para palavras.

Eduardo desabotoou lentamente a calça de Leo, o zíper descendo com um som que pareceu ecoar naquele banheiro. Puxou a peça para baixo junto com a cueca que Leo usava, sem pressa, deixando que o tecido roçasse nas coxas de Leo, expondo-o completamente. O membro dele já estava duro, pulsando levemente com o sangue que corria quente, a ponta úmida de antecipação.

Eduardo olhou para cima por um segundo (só um segundo), encontrando os olhos de Leo vidrados, perdidos entre o choque e o prazer inevitável. Então, sem aviso, inclinou-se e o envolveu com a boca.

Leo sentiu o corpo inteiro falhar.

A respiração ficou pesada, entrecortada, como se todo o ar tivesse sido arrancado dos pulmões de uma vez só. Os dedos dele se enroscaram nos cabelos de Eduardo, sem nem perceber o próprio movimento.

— Porra… — Sua voz saiu arrastada, um sussurro rouco, quase um gemido sufocado.

O calor, a umidade, a forma como Eduardo se movia sem hesitação… era bom demais. Tão bom que doía.

Leo mordeu o lábio, tentando manter o controle, mas era impossível. O prazer subia por sua espinha como um choque elétrico, intenso e viciante.

Ele não queria pensar.

Não queria lembrar de nada além daquele momento, daquele toque, daquele calor devorando cada parte de si.

E, por um instante, foi como se o mundo inteiro tivesse sumido.

A tensão no corpo de Leo crescia a cada segundo, como uma onda prestes a quebrar.

Ele tentou segurar, tentou prolongar, mas não havia chance. O calor, a pressão, o ritmo certo, era demais.

— Edu… — Ele arfou, a voz falha, embargada, um aviso misturado a puro desespero.

Eduardo não parou. Seguiu até o fim, sem hesitação.

E então, Leo perdeu o controle.

Seu corpo inteiro tremeu, o prazer rasgando seu peito, seus músculos, sua mente. Tudo chegando ao ápice ao mesmo tempo.

Os dedos apertaram ainda mais os cabelos de Eduardo, o mundo girando por alguns instantes. O coração martelava forte, a respiração descompassada, os sentidos completamente nublados.

Naquele exato momento, quando sentiu a contração final prestes a vir, Eduardo se afastou rápido. Ele não tirou o contato por completo, mas substituiu a boca pelas mãos, massageando e estimulando-o com os dedos até que o prazer o inundasse por completo.

Leo liberou o ar preso em seus pulmões, o gemido agora alto e arrastado. As costas arquearam, e ele tremeu intensamente, o sêmen espalhando-se quente pelas mãos de Eduardo.

Eduardo não conseguia desviar o olhar.

Ver Leo daquele jeito, entregue, vulnerável, completamente perdido no prazer era a coisa mais viciante que já tinha experimentado.

Cada suspiro pesado, cada tremor no corpo dele, cada vez que os lábios de Leo se entreabriam num gemido contido… Eduardo queria guardar aquilo para sempre.

Queria que só ele conhecesse aquele lado de Leo. Queria que só ele soubesse o que fazer para arrancar aquele tipo de reação. E, mais do que tudo, Eduardo amava vê-lo assim. Tão lindo, tão real.

O coração de Eduardo batia forte, mas não era só pelo desejo. Era por algo muito maior, muito mais perigoso.

Porque, naquele instante, ele soube com certeza.

Amava Leo.

Ele se levantou lentamente, ainda sem fôlego, com os olhos cravados em Leo. Seu peito estava apertado, o coração disparado, como se algo dentro dele estivesse prestes a explodir.

Eduardo deu dois passos até a pia de mármore frio. Abriu a torneira com calma, deixando a água morna correr sobre os dedos sujos, limpando-se devagar.

Leo ficou exatamente onde estava, encostado na parede fria de azulejo, o corpo ainda mole, o peito subindo e descendo rápido demais. O rosto estava vermelho, e ele não conseguia desviar os olhos de Eduardo. Observava cada movimento: o jeito como a água escorria pelos pulsos dele, o modo como os ombros se moviam de leve, a calma irritante que Eduardo parecia ter recuperado enquanto ele ainda lutava para lembrar como se respirava direito.

Seus olhos se encontraram no reflexo do espelho embaçado.

Eduardo se afastou da pia devagar, secando as mãos na própria camisa antes de caminhar até Leo.

Leo, já vestido, ergueu o olhar quando o sentiu tão perto outra vez. Por um instante, ficaram imóveis, respirando o mesmo ar quente, dividindo o mesmo silêncio carregado.

E então, sem pensar, sem hesitar, Eduardo apenas o abraçou.

Forte. Com toda a intensidade que sentia e não conseguia colocar em palavras.

Como se soltá-lo significasse perdê-lo.

Leo ficou imóvel por um segundo, ainda tentando recuperar o ar, ainda sentindo o corpo inteiro formigar pelo que acabara de acontecer.

Mas então, ele cedeu.

Afundou o rosto no ombro de Eduardo, fechando os olhos, sentindo o calor do corpo dele, o aperto dos braços ao seu redor.

— Edu… — murmurou baixo, quase sem força.

Eduardo não disse nada, só segurou Leo ainda mais forte. Porque, naquele momento, não queria lembrar de nada além disso.

Nada além de Leo, dele ali, nos braços dele, onde sempre deveria estar.

O silêncio entre eles se estendeu, pesado, quente, repleto de tudo o que não conseguiam dizer.

Leo ainda sentia o corpo tenso, mas não pelo que tinham acabado de fazer, e sim pelo que viria depois. A parte em que a realidade batia sem piedade.

Ele não queria perguntar.

Queria fingir que, naquele instante, o mundo lá fora não existia, mas não conseguia. Porque Kayla ainda existia. Porque Eduardo ainda era namorado dela. E isso queimava dentro dele, como uma ferida aberta que nunca cicatrizava.

Então, antes que pudesse se segurar, as palavras escaparam:

— E a Kayla?

Eduardo endureceu nos braços dele. Por um momento, não respondeu. Então, se afastou só o suficiente para olhar Leo nos olhos. E foi direto:

— Esquece a Kayla.

Leo engoliu em seco.

Eduardo segurou seu rosto com as duas mãos, o polegar deslizando de leve pela pele quente.

— Aqui… agora… somos só eu e você.

O peito de Leo apertou com força. Porque, por mais que quisesse resistir, sabia que ia acreditar nisso.

Mesmo que fosse mentira.

Mesmo que doesse depois.

Porque, naquele momento, Eduardo era tudo o que ele queria.

Leo não respondeu. Porque não havia resposta que pudesse mudar o que já estava feito.

Olhava nos olhos de Eduardo e via a verdade ali, uma verdade que não ousava ser dita, mas que queimava no olhar, no toque, na forma como ele o segurava.

Por um instante, pensou em afastar-se.

Em se proteger.

Em não deixar Eduardo bagunçá-lo ainda mais.

Mas então, Eduardo deslizou o polegar por sua pele, segurando seu rosto com cuidado, como se quisesse que aquele momento nunca terminasse.

E Leo cedeu.

Ele se inclinou para frente, fechando os olhos, e encontrou os lábios de Eduardo.

O beijo começou lento, tenso, como se ainda hesitassem cruzar mais uma linha que não podiam desfazer.

Mas logo se tornou algo maior.

Urgente. Desesperado.

Porque, por mais que houvesse tantas dúvidas, tantas feridas abertas, tantos erros entre eles…

Ali, naquele instante, nada mais importava.

Só eles.

Só o beijo.

Só a saudade explodindo entre os dois.

O beijo ficava cada vez mais intenso, os corpos colados, a respiração entrecortada entre um toque e outro.

Leo estava perdido.

Perdido no cheiro de Eduardo, no calor do corpo dele, na forma como seus lábios se encaixavam como se não existisse mais nada no mundo além daquele momento.

E, de repente, não havia mais espaço para hesitação.

As mãos de Eduardo deslizavam firmes pela cintura de Leo, segurando-o como se quisesse fazê-lo esquecer de tudo, de Kayla, das mentiras, do medo.

E, por um instante, Leo esqueceu mesmo.

Esqueceu de tudo.

Só sentia Eduardo. Só queria Eduardo.

Então, as palavras escaparam, cruas, carregadas de desejo e rendição:

— Edu, vamos... — sussurrou — subir pro quarto.

Eduardo congelou por um segundo, os olhos se fixando nos de Leo, tentando ter certeza do que tinha acabado de ouvir.

— Tem certeza? — A voz veio rouca, baixa, quase hesitante.

Leo mordeu o lábio, desviando o olhar por um instante. Cada toque de Eduardo deixava seu corpo em combustão, cada beijo o desmontava por dentro, e a vontade que ele vinha tentando conter simplesmente transbordou.

Ele sabia que estava se jogando de cabeça em algo que só ia machucá-lo depois, mas isso não importava. Não agora.

Não quando Eduardo olhava para ele daquele jeito.

Então, ele apenas assentiu. E isso foi tudo que Eduardo precisou.

Pegou na mão de Leo e o puxou escada acima, sem pensar duas vezes. O toque era quente, firme, como se tivesse medo de que Leo mudasse de ideia no meio do caminho, mas Leo não mudaria. Seu coração batia tão forte que ele achou que fosse explodir, um turbilhão de emoções que o deixava tonto, mas ele não recuou.

Não quando Eduardo fechou a porta do quarto atrás de si, criando uma bolha onde só existiam os dois. Não quando sentiu o corpo quente de Eduardo pressionando o seu contra a cama, os movimentos urgentes, os toques intensos, como se quisesse marcá-lo, como se quisesse ter certeza de que Leo estava ali, real e presente.

E então, sem hesitação, sem barreiras, sem espaço para dúvidas, Leo finalmente se entregou.

O quarto estava em silêncio, quebrado apenas pelas respirações pesadas e pelo som dos lábios se encontrando sem pressa. Eduardo segurava o rosto de Leo com cuidado, com intensidade, com um desejo misturado ao carinho que transbordava no olhar.

Leo tremia sob o toque dele.

Não de medo. Mas porque nunca tinha se sentido tão exposto, tão vulnerável.

E Eduardo sabia disso. Sentia isso. Foi por isso que o beijou devagar, com reverência, com paciência, deixando que Leo se acostumasse com cada toque, com cada arrepio que passava por sua pele.

Os dedos de Eduardo desceram lentamente, explorando o corpo de Leo com uma delicadeza que o fez fechar os olhos e suspirar, o coração batendo tão forte que ele achava que ia desmoronar ali mesmo.

— Você é tão lindo… — Eduardo murmurou contra seus lábios, e Leo sentiu algo quente se espalhar pelo peito.

O beijo se intensificou. Leo arquejou baixo quando Eduardo o tocou com mais firmeza, as mãos deslizando por sua pele como se quisessem memorizá-lo por completo.

O coração de Leo batia acelerado, descompassado, e ele mal conseguia pensar direito. Tudo que sentia era o calor do corpo de Eduardo, os lábios quentes explorando seu pescoço, a respiração ofegante contra sua pele.

Eduardo o olhou nos olhos, como se estivesse pedindo permissão sem precisar de palavras.

Leo engoliu em seco, mas não hesitou.

Ele queria aquilo.

Queria sentir Eduardo.

Então, quando o momento chegou, quando Eduardo se posicionou e começou a adentrar lentamente, Leo prendeu a respiração.

O toque era intenso, avassalador, e seu corpo demorou alguns segundos para se acostumar.

Eduardo percebeu, beijando sua testa suavemente, indo com calma. Se movia com paciência, com cuidado. E então, quando a dor foi substituída pelo prazer, quando seus corpos finalmente se encaixaram de um jeito que parecia certo, inevitável, Leo deixou escapar um suspiro entrecortado.

Eduardo o beijou de novo, mais profundo, mais desesperado, como se quisesse marcar aquele momento na pele, na memória, na alma.


◄☼►


O único som que preenchia o espaço era o da respiração pesada de ambos, ainda descompassada depois do que acabaram de viver.

Leo estava deitado de lado, de costas para Eduardo, encarando um ponto qualquer no travesseiro. Seu corpo ainda formigava com o resquício do prazer, mas sua mente estava longe dali.

Eduardo, por outro lado, ainda estava perdido nele.

O corpo quente de Leo ao seu lado, o cheiro da pele misturado ao suor, o jeito como ele se encaixava tão perfeitamente em seus braços... era uma droga viciante.

Eduardo se inclinou devagar, encostando os lábios na nuca de Leo antes de subir até sua bochecha.

Então, o virou levemente para si e o beijou nos lábios.

Um beijo lento. Preguiçoso.

Um beijo que parecia querer dizer “fica”.

Mas Leo sabia que não podia. Nada daquilo era real.

O gosto de Eduardo ainda estava em sua língua, mas o amargo da realidade já começava a pesar em seu peito.

Em breve, Eduardo teria que voltar para a vida real.

Para Kayla. Para a escola, para os amigos, para tudo que ele já tinha escolhido antes.

E Leo? Leo ficaria para trás, de novo.

Afastou-se, sentindo um aperto no peito que ele se recusava a chamar de tristeza.

— Preciso ir. — murmurou, sentando-se na cama e começando a se vestir.

Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos, apenas observando os movimentos dele.

Então, finalmente assentiu.

— Tudo bem.

Leo nem olhou para ele. Terminou de se arrumar e saiu do quarto, descendo as escadas rapidamente, sem olhar para trás.

Cada passo era um lembrete de que ele era um completo imbecil. Saiu da casa de Eduardo sentindo-se sujo, pequeno, desprezível.

Mas Eduardo?

Eduardo ficou parado no quarto, deitado na cama, ainda sentindo o cheiro de Leo nos lençóis.

Seu corpo estava relaxado, sua mente entorpecida. O alívio percorreu cada parte dele.

Era isso. Isso que ele queria. Isso que ele sentia falta. Com Kayla, nunca tinha sido assim.

Nunca foi tão intenso. Nunca foi tão visceral. Nunca foi real.

Eduardo fechou os olhos e suspirou.


◄☼►


Leo andou até a praça, com as mãos enfiadas no bolso e a respiração ainda pesada, como se o ar não coubesse direito dentro dele. O peito apertava, não só pelo que tinha acontecido, mas por tudo que veio depois, a culpa, o desejo.

Ele precisava falar. Precisava tirar aquilo do seu corpo antes que explodisse por dentro. E, sem pensar muito, abriu a conversa com Carla. Ela foi o primeiro nome que lhe veio à mente. Ele só queria desabafar, dividir o peso que o estava esmagando. Então digitou rapidamente:


Leo: me encontra na praça. quero falar com vc


Apertou o "enviar" antes que pudesse mudar de ideia.

E esperou. Esperou Carla responder. Esperou que, talvez, ela dissesse algo que fizesse ele se sentir menos um idiota.

Ele estava sentado em um dos bancos da praça, com o pé batendo no chão nervosamente. Olhava para o celular, esperando a resposta de Carla. Ela não demorou muito.


Carla: que foi, leo? tá tudo bem?

Leo: só vem aqui, por favor.

Carla: me fala oq é antes, caramba.

Leo: só vem. sério.

Carla: affs, me dá 10 min.


Leo bloqueou o celular e respirou fundo.

Sua mente estava uma bagunça.

O peso do que tinha acabado de acontecer ainda estava nele. O gosto de Eduardo ainda estava na sua boca, e sua pele ainda carregava o calor dos toques dele. Mas a realidade já começava a esmagá-lo.

O tempo pareceu se arrastar enquanto ele esperava, os segundos passando como uma tortura lenta.

Então, Carla apareceu. Ela veio apressada, o cabelo bagunçado, o olhar preocupado.

— O que foi, Leo? — perguntou assim que se aproximou. — Você tá estranho pra caralho.

Ele não respondeu de imediato.

Seus olhos estavam vermelhos, marejados. Estava segurando o choro com tudo que tinha.

Carla franziu a testa.

— Leo…

Ele abriu a boca, mas a voz falhou. Respirou fundo, tentou se recompor. E então, disse, com um nó na garganta:

— Eu...

Ele fechou os olhos, inclinou a cabeça para trás, tentando encontrar coragem para dizer aquilo em voz alta.

Mas como ele poderia dizer?

Como poderia admitir que, depois de tudo, depois da dor, depois da decepção, ele tinha cedido? Que foi ele quem tomou a iniciativa de ir até lá? Que praticamente pediu por aquilo?

Carla notou o jeito hesitante dele e franziu a testa.

— Leo… que merda aconteceu?

Ele respirou fundo. Ficou em silêncio por um instante. E então, disse tão baixo que mal parecia sua própria voz:

— Eu... acabei de transar com o Eduardo.

O corpo inteiro de Carla travou. Ela piscou devagar, processando as palavras.

— O quê?

Leo fala desesperado:

— E fui eu que fui atrás dele.

Ele mordeu o lábio, sentindo o nó na garganta apertar ainda mais. Carla arregalou os olhos.

— Como assim?

Leo balançou a cabeça, como se quisesse se punir.

— A gente se afastou por conta daquilo tudo, brigamos, ele bateu a cabeça lá na fazenda… aí hoje eu fui na casa dele… e então…

Sua voz falhou.

Ele fechou as mãos em punho sobre as coxas, os olhos fixos no chão, como se não pudesse encarar Carla.

— E aí uma coisa foi levando a outra. No fim... eu pedi pra subirmos pro quarto. E aconteceu.

Carla sentiu o estômago revirar.

— Leo…

Ele soltou um riso fraco, cheio de amargura.

— Eu sou um idiota.

— Não…

— Sou sim! — explodiu, finalmente olhando para ela. Os olhos marejados, o rosto vermelho, uma tempestade dentro dele. — Eu sabia que isso ia acontecer. Eu sabia que ia me sentir mal no final, mas mesmo assim deixei acontecer.

Carla sentiu um aperto forte no peito.

Ela queria gritar com ele.

Queria dizer que Eduardo era um desgraçado.

Queria dizer que ele estava se machucando de novo, que isso só ia piorar tudo, que ele merecia muito mais do que ser o segredo de alguém.

Mas vendo o olhar perdido de Leo, o jeito como ele apertava as próprias mãos, como se estivesse tentando segurar a dor dentro de si, ela soube que nada do que dissesse mudaria o que ele sentia.

Então, só suspirou.

E, sem dizer nada, se aproximou e encostou a cabeça no ombro dele.

Leo ficou tenso por um segundo, mas então soltou o ar e relaxou um pouco.

Eles ficaram ali.

Em silêncio.

Porque, naquele momento, era a única coisa que Carla podia fazer.

Ficaram por um tempo assim, até que Carla suspirou, fechando os olhos por um segundo antes de finalmente falar:

— Leo… nem sei muito o que dizer. Mas… você sabe que isso foi uma merda, né?

Leo soltou um riso fraco, amargo.

— Sei. Claro.

Ela ergueu a cabeça e se afastou um pouco, olhando para ele com seriedade.

— Então me explica… por que você foi até lá em primeiro lugar?

Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os, a frustração evidente em cada pequeno gesto.

— Porque eu sou um imbecil.

— Leo…

Ele bufou, esfregando o rosto com as mãos antes de encará-la.

— Porque eu senti falta dele.

As palavras saíram baixas, mas cheias de verdade. Carla pressionou os lábios, balançando a cabeça devagar.

— Sentir falta dele não significa que você precisa se machucar desse jeito.

Leo desviou o olhar, os olhos fixos no chão.

— Eu sei.

Carla respirou fundo.

— E agora? O que você vai fazer?

— Não sei.

Carla mordeu a língua para não xingá-lo naquele instante.

Ela queria sacudir ele pelos ombros e gritar: "PARA DE SE JOGAR PRA ELE, PORRA!" Mas também sabia que não era tão simples assim.

Então, segurou o impulso e apenas disse:

— Leo… você precisa parar com isso.

Ele não respondeu. Só continuou olhando para baixo, como se soubesse que ela estava certa.

Carla cruzou os braços e olhou para longe, respirando fundo.

— Sabe o que é pior?

Leo levantou o olhar para ela.

— O quê?

Ela riu de um jeito amargo.

— Que eu acho que você ainda vai cair nessa de novo.

Leo engoliu em seco. Porque, no fundo… ele sabia que Carla estava certa.