O Garoto Feito de Sol e Terra
49 Capítulo 49 — Cicatrizes Invisíveis
Os dois dias seguintes foram um teste de resistência para Eduardo. Ele se esforçou para agir normalmente.
Conversava com Kayla nos corredores, a acompanhava até a sala de aula, almoçava com ela e os amigos como se fosse natural. Como se tudo estivesse exatamente como deveria estar.
Mas não estava.
Porque Leo não respondia.
Não eram só mensagens ignoradas. Eram dias inteiros de silêncio.
E Eduardo sentia esse silêncio como um peso crescente sobre ele, esmagando-o um pouco mais a cada hora que passava.
Ainda assim, ele tentava não demonstrar.
Tentava se prender ao que estava na sua frente, ao que podia controlar.
Kayla.
Ela parecia mais feliz do que nunca. Sempre tinha algo para contar, um plano novo para o fim de semana, um comentário sobre os professores ou sobre o que as meninas estavam dizendo sobre eles.
— Você já percebeu que somos o casal do momento? — ela brincou um dia, enquanto segurava a mão dele no pátio.
Eduardo sorriu fraco.
— É mesmo?
— Óbvio! Você não vê como todo mundo olha pra gente?
Ele via.
Via os olhares, via a forma como as pessoas cochichavam, como esperavam que ele e Kayla fossem perfeitos juntos.
Mas, principalmente, ele via que, no meio de toda essa nova realidade, faltava algo.
Faltava Leo.
E ele não sabia lidar com isso.
Na primeira noite sem resposta, ele tentou se convencer de que Leo estava ocupado. Na segunda, tentou se forçar a acreditar que era só um exagero da sua cabeça.
Mas no fundo, ele sabia a verdade.
Leo tinha descoberto.
E agora, Eduardo não fazia ideia do que fazer.
◄☼►
No quarto dia sem respostas, Eduardo não conseguiu mais segurar.
O silêncio de Leo estava devorando ele por dentro, cada minuto sem resposta parecendo um peso maior sobre seus ombros.
Então, ele foi até a fazenda.
Mesmo sabendo que Leo podia não querer vê-lo. Mesmo sabendo que talvez tivesse ferrado tudo de vez.
O caminho até lá foi um borrão. Ele pedalou rápido, o vento quente batendo contra o rosto, o coração disparado como se já soubesse que nada daquilo acabaria bem.
Quando chegou, desceu da bicicleta e adentrou. Não encontrou Rita na cozinha, nem o cheiro de pão de queijo que sempre costumava o receber. O único som que ouviu foi o barulho distante dos cavalos no pasto e, depois de procurar, os passos de Leo, saindo do celeiro.
Era agora.
Eduardo foi em sua direção.
Leo vestia uma camisa de algodão meio surrada, os cabelos mais bagunçados do que o normal, mas o que realmente atingiu Eduardo foi o olhar.
O olhar que não tinha o brilho de sempre.
Leo não parecia surpreso.
Parecia cansado.
— O que você tá fazendo aqui? — Leo perguntou, sem rodeios, sem nem tentar disfarçar o tom seco.
Eduardo prendeu a respiração por um segundo, o peito apertado.
— A gente precisa conversar.
Leo riu, mas foi um riso curto, sem humor nenhum.
— Você quer conversar? O que tem a me dizer?
Eduardo sentiu o estômago revirar.
— Leo, eu…
— Só me diz uma coisa. — Leo o interrompeu, cruzando os braços. A voz ainda calma, mas carregada de algo perigoso. — Desde quando?
Eduardo piscou, confuso.
— Desde quando o quê?
— Desde quando você tá com a Kayla?
A pergunta veio direto, sem espaço para fuga. Eduardo sentiu o sangue sumir do rosto e ficou calado.
Leo percebeu e soltou um riso incrédulo, balançando a cabeça.
— Nossa. Você nem consegue responder.
Eduardo passou a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.
— Não é assim…
— Não é assim? — Leo repetiu, rindo de novo, mas agora com raiva. — Então me explica, Castilho! Explica como você pediu outra pessoa em namoro na frente de todo mundo e simplesmente ESCONDEU isso de mim!
Eduardo fechou os olhos por um segundo, tentando segurar o caos dentro dele.
— Eu ia te contar.
— Ia? — Leo deu um passo à frente, os olhos queimando de indignação. — Ia quando? Quando fosse conveniente? Quando eu simplesmente descobrisse do nada, igual aconteceu?
— Leo, por favor…
— Por favor, O QUÊ, EDUARDO?! — Leo explodiu, a voz alta ecoando pelo espaço.
Eduardo ficou mudo.
Nunca tinha visto Leo assim.
Bravo, sim. Implicante, debochado, cheio de ironia? Sempre.
Mas isso?
Isso era diferente.
— Por que você me fazia de idiota, Eduardo? — Leo continuou, agora a voz mais baixa, mas ainda carregada de fúria. — Eu sou tão insignificante assim pra você?
Eduardo sentiu o peito apertar com tanta força que mal conseguiu respirar.
— Não, caralho, claro que não!
Leo soltou um suspiro trêmulo e desviou o olhar por um instante, passando as mãos pelos cabelos como se tentasse controlar algo dentro de si.
Mas não conseguiu.
— Então o que foi? — Ele voltou a encará-lo. Dessa vez, sem raiva. Só cansado. Só quebrado.
Eduardo não soube o que dizer. Porque não existia desculpa e Leo sabia disso.
O silêncio se alongou até ficar insuportável.
E então, Leo fez o que Eduardo mais temia. Virou as costas e começou a se afastar.
— Leo, espera.
Eduardo segurou seu braço por impulso, mas Leo o afastou na hora, puxando o braço com força.
— Não toca em mim.
E dessa vez, Eduardo soube que tinha perdido ele.
Eduardo ficou ali, parado, vendo Leo se afastar.
O peito parecia afundar, como se algo estivesse sendo arrancado dele e ele não pudesse fazer nada para impedir.
Ele sabia que não tinha justificativas.
Sabia que tinha feito merda, mas saber disso não tornava nada mais fácil.
Com os punhos fechados ao lado do corpo, ele fez a única coisa que conseguia naquele momento.
Virou-se e foi embora.
Cada passo de volta para a bicicleta parecia pesar o dobro, o vento contra o rosto não trazia nenhum alívio. A única coisa que ele conseguia pensar era na expressão de Leo.
Na voz dele carregada de dor.
Na forma como afastou seu braço como se não suportasse mais ser tocado.
Quando chegou em casa, a primeira coisa que fez foi pegar o celular.
Eduardo: leo, pelo amor de deus, me responde
Eduardo: eu sei q eu fiz merda, eu sei q devia ter contado, eu sei q fui um idiota
Eduardo: mas, pfvr, não faz isso
Eduardo: vc sabe que vc é importante p mim. vc sabe
Eduardo: fala comigo, qualquer coisa
Silêncio.
A tela brilhava com as mensagens entregues, mas nenhuma resposta.
Eduardo passou a mão pelo rosto, exasperado, o nó no estômago só crescendo.
Ele tentou de novo.
Eduardo: me xinga, me odeia, mas não me ignora, por favor
Silêncio.
Leo visualizou, mas não respondeu.
Aquilo doeu mais do que qualquer grito, qualquer xingamento, qualquer briga.
Eduardo sentiu o peito afundar, porque, pela primeira vez, ele percebeu que talvez nada do que dissesse fosse mudar o que já estava quebrado.
Estava perdido em pensamentos quando seu celular começa a vibrar com mais mensagens.
Mensagens não lidas de Carla.
Carla: eduardo, me responde agora
Carla: vc tem noção da merda que fez???
Carla: sério, cara, o que diabos passou pela sua cabeça?
Carla: VC SABE OQ VC FEZ???
Eduardo encarava a tela do celular, a mandíbula travada.
O nome de Leo ainda brilhava na tela, com suas mensagens ignoradas, mas agora Carla estava explodindo no chat também.
E ela não ia ficar quieta.
Carla: ele não quer mais falar comigo, eduardo. COMIGO!
Carla: VC faz ideia do que isso significa?
Carla: eu perdi o leo por sua culpa, seu filho da puta
Eduardo apertou o celular com força.
Ele sabia que, além dele, Leo sempre teve uma conexão forte com Carla, Bruno e Davi. Sabia que Carla e Davi fizeram o possível para poupar Leo desse caos, tentando segurá-lo longe da verdade pelo máximo de tempo que conseguiram.
Carla: pq você não contou pra ele antes? pq fez ele passar por essa humilhação?
Carla: porra, eu pensei em contar p ele mas nunca consegui, fiquei mantendo seu segredo q convenhamos nem era tanto um segredo pq geral sabia
Carla: mas assim, vc tem noção do que significa ver o cara que você gosta fingindo que você nem existe enquanto tá lá, feliz da vida com outra pessoa? é isso q leo deve estar sentindo
Eduardo engoliu seco.
Carla: mas não, vc não sabe
Carla: pq vc é um merda. nunca ia ter coragem de encarar o que vcs tinham
Carla: vc mentiu pra ele esse tempo todo
Carla: e eu perdi um dos meus melhores amigos por sua culpa
Eduardo fechou os olhos com força, o peito ardendo com cada palavra.
Ele sabia que tinha ferrado tudo, mas agora, parecia que não tinha nada mais para salvar.
Leo estava afastado.
Carla o odiava.
E Eduardo se perguntou se ele mesmo ainda conseguia se encarar no espelho.
◄☼►
Três dias se passaram desde a briga na fazenda.
Eduardo ainda tentou algumas vezes, mandou mensagens, ligou, insistiu. Mas depois de tanto silêncio, acabou não mandando mais nada.
Tentou focar em Kayla, na escola, na sua vida normal. Ou pelo menos fingir que estava tudo normal.
Mas Leo…
Leo não conseguia simplesmente seguir em frente.
Nos últimos dias, ele havia se afastado de todo mundo. Não sabia dizer se estava evitando apenas Eduardo ou o mundo inteiro.
Parou de responder Carla, Davi e até Bruno. Ignorou todas as tentativas de conversa, todos os olhares preocupados.
No primeiro dia após a descoberta, faltou à escola porque não tinha forças para sair de casa.
No segundo, acordou, se arrumou, mas no último segundo inventou uma desculpa para a mãe e ficou trancado no quarto.
No terceiro, sequer tentou levantar da cama, porque tudo parecia errado.
No quarto dia, também conseguiu escapar. Este foi o dia em que Eduardo foi até lá tentar justificar o injustificável.
O quinto e o sexto dia foram um sábado e domingo, que, para seu alívio, não houve necessidade de inventar qualquer desculpa para não ir à escola.
A ideia de ir à escola, onde antes ele ria e passava os intervalos jogado com os amigos, agora parecia sufocante. O celular, que antes vibrava o dia inteiro com mensagens de Eduardo, agora estava silencioso.
E ele odiava isso.
Porque, apesar de ter ignorado todas as mensagens, apesar de ter tentado cortar Eduardo da sua vida, a saudade estava matando.
E agora, sozinho no quarto, olhava para a última conversa entre eles no WhatsApp.
Os textos ainda estavam ali.
As palavras desesperadas de Eduardo.
As tentativas de consertar o que já tinha sido feito.
E era tentador responder.
Os dedos pairavam sobre a tela, a vontade de simplesmente esquecer tudo e falar com Eduardo crescendo a cada segundo.
Mas a mágoa ainda estava ali. As dúvidas ainda estavam ali.
O que Eduardo estava fazendo agora? Será que estava com Kayla? Será que nem pensava mais nele?
Leo apertou o celular nas mãos, um nó no peito.
Será que Eduardo sentia falta dele do mesmo jeito que ele sentia agora?
◄☼►
No sétimo dia, Leo não teve escolha. Sua mãe bateu na porta do quarto com força, já impaciente.
— Levanta dessa cama, Leonardo. Já deu dessa frescura.
Leo bufou, enterrando o rosto no travesseiro.
— Mãe…
— Mãe nada. — Ela cruzou os braços, já dentro do quarto. — Todo esse tempo trancado nesse quarto como se a vida tivesse acabado. Já chega. Vai pra escola.
— Não quero.
— E eu quero saber? — A resposta veio rápida, sem espaço para discussão. — Vai levantar agora. Não sei o que aconteceu, mas ficar fugindo do mundo não vai resolver nada.
Leo trincou a mandíbula, mas sabia que era inútil resistir. Sua mãe não ia ceder. Então, se arrastou para fora da cama, se vestiu, pegou sua mochila e saiu sem dizer mais nada.
Na escola, tudo parecia igual, mas não para Leo.
Ele passou pelo portão e sentiu imediatamente os olhares dos amigos sobre ele.
Davi e Bruno estavam perto da entrada, conversando sobre alguma coisa, mas pararam assim que o viram.
Carla estava um pouco mais atrás, olhando direto para ele, os olhos carregados de culpa e alívio ao mesmo tempo.
Mas Leo ignorou todos.
Apenas seguiu para a sala, sem olhar para ninguém.
O período inteiro se arrastou. Ele não conseguia prestar atenção nas aulas, não falava com ninguém, não levantava a cabeça do caderno.
Quando o intervalo chegou, se afastou de propósito. Não queria sentar com eles.
Pegou sua comida e foi para um canto mais afastado do pátio, perto de uma árvore onde quase ninguém ficava. Precisava ficar sozinho. Ou pelo menos tentou, porque não demorou muito para Carla aparecer.
Ela parou em frente a ele, hesitante.
— Posso sentar?
Leo não respondeu, mas também não mandou ela embora.
Carla suspirou e se sentou ao lado dele, sem dizer nada por alguns segundos. O silêncio entre os dois era pesado, desconfortável.
Até que ela finalmente falou:
— Me desculpa.
Leo continuou encarando o nada.
— A gente nunca quis esconder isso de você, Leo. — A voz dela era baixa, sincera. — Eu e Davi… a gente só… não soube como te contar.
Leo apertou a mandíbula e falou baixinho:
— Devia ter me contado.
Carla fechou os olhos por um segundo, sentindo o peso daquelas palavras.
— Eu sei.
— Então por que não contou?
Ela soltou um suspiro, passando a mão pelo rosto.
— Porque a gente achou que podia te proteger disso. — Ela balançou a cabeça. — Foi um erro. Um erro grande. Eu devia ter tido coragem.
Leo finalmente olhou para ela, mas não disse nada.
Carla engoliu seco.
— Eu sei que nada do que eu falar vai mudar o que aconteceu. Mas eu sinto muito, de verdade. E... — Ela hesitou. — Eu briguei com o Eduardo também.
Leo arqueou as sobrancelhas pela primeira vez.
— Brigou?
— Claro que sim. — Carla cruzou os braços. — Ele foi um merda.
Leo soltou uma risada fraca, sem humor.
Carla mordeu o lábio, olhando para ele com um peso sincero no olhar.
— Mas se afastar da gente por causa daquele idiota? Isso não é justo, Leo.
Leo desviou o olhar, encarando o chão.
— Para de fugir da gente. — A voz dela saiu firme, mas não dura, só real. Carla não parou por aí. Ela cruzou os braços, olhando para Leo como quem não ia sair dali tão cedo. — Sabe o que me irrita nisso tudo?
Leo não respondeu, apenas esperou.
— Você aí se acabando e ele vivendo a vida perfeita dele.
Leo franziu o cenho.
— Eduardo foi um merda com você, Leo. — A voz dela saiu mais firme. — Fez essa cagada toda, escondeu de você, e no fim das contas, é você quem tá aqui sozinho, se isolando, deixando ele seguir a vida dele como se nada tivesse acontecido.
Leo engoliu seco.
— E eu devia fazer o quê, Carla?
— Devia viver a sua vida. — Ela rebateu, direta. — Devia parar de deixar o que ele fez te definir, porque não te define. Você não é assim, Leo.
— Fácil falar. — Leo responde.
— Eu sei que não é fácil. — Carla suspirou. — Mas eu te conheço, Leo. Você não é esse cara que se encolhe, que some, que se tranca dentro da própria dor. Você sempre foi do tipo que levanta e segue em frente, mesmo quando tudo parece uma merda.
Leo não disse nada, porque, no fundo, sabia que ela tinha razão. Mas sabia também que não era tão simples assim.
Carla o observou por um instante, depois deu um leve empurrão em seu ombro.
— E mais uma coisa.
Leo ergueu uma sobrancelha.
— Se precisar falar, se precisar descontar essa raiva toda, se precisar de qualquer coisa… eu tô aqui, tá?
O peito de Leo apertou.
— Eu sei.
Carla assentiu, como se soubesse que não precisava de mais palavras.
E ficou ali com ele pelo resto do intervalo. Sem forçar nada, sem pressioná-lo a falar mais do que queria.
Apenas ficando.
◄☼►
Naquele mesmo dia, aos poucos, Leo começou a ceder.
No começo, foi sutil. Um olhar a mais para Davi, uma resposta curta para Bruno, um suspiro menos pesado perto de Carla.
Na saída da escola, quando os três se aproximaram de novo, ele já não desviou.
Bruno coçou a nuca, envergonhado.
— Mal aí, cara. Fui um completo imbecil.
Davi assentiu.
— A gente devia ter lidado melhor com isso.
Carla apenas olhou para ele, como se não precisasse repetir tudo o que já tinha dito.
Leo ficou em silêncio por um momento, os olhos vagando entre eles.
E então, do nada, falou:
— Vamos tomar sorvete?
Davi piscou.
— O quê?
Leo deu de ombros.
— Sorvete. — Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça. — Tô com vontade.
Bruno arregalou os olhos.
— Pera, isso significa que a gente tá perdoado?
Leo revirou os olhos.
— Se eu tivesse puto ainda, cês acham que eu ia querer sorvete com vocês?
Carla riu, balançando a cabeça.
— Esse é o jeito mais Leo possível de dizer que tá tudo bem.
Leo apenas deu um meio sorriso e começou a andar na frente. E os amigos o seguiram, porque sabiam que ele não precisava dizer mais nada.
O clima estava leve outra vez.
Leo e os amigos se sentaram na sorveteria de sempre, as casquinhas já derretendo um pouco pelo calor, as risadas voltando a preencher o espaço entre eles.
E Eduardo?
Eduardo não existia ali.
Não foi mencionado, nem uma única vez.
Se alguém pensava nele, ninguém demonstrou.
Falaram de tudo.
Bruno contou sobre uma treta no time de futebol da escola, Davi reclamou que estava falindo de tanto gastar com lanches no intervalo, e Carla revirou os olhos, chamando os dois de inúteis.
Leo riu, provocou, entrou na conversa como se não tivesse sumido nos últimos dias.
E foi bom.
Foi bom sentir que, por um momento, ele ainda podia ter algo normal.
Mesmo que, no fundo, uma parte dele ainda doesse.
Mas naquela tarde, Eduardo Castilho era só um nome que ninguém pronunciou.
E Leo preferiu assim.
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