O Garoto Do Fone De Ouvido
7 Diretoria
Notas iniciais
Logo de manhã tenho uma briga feia com os meus pais, ou melhor, eles brigam comigo, e saio correndo para a escola com raiva, eles praticamente brigam sem nenhum motivo aparente.
Pego o meu fone e sento-me em um cantinho que ficava do lado de fora da minha sala, o lugar era bem escondido, assim ninguém iria ficar me perturbando.
Desde pequeno eu tenho mania de chegar cedo à escola, e não seria agora que eu perderia o meu costume, pois quando chegamos cedo à escola não tem praticamente ninguém, fica um silêncio gostoso, e a única coisa que preenche são as minhas músicas.
Estou encolhido no meu canto olhando para o nada, quando eu avisto a garota de ontem indo beber água, quando ela termina de beber ela levanta os olhos e olha para mim, rapidamente abaixo a cabeça, ela tinha mesmo olhado para mim? Quando levanto os olhos para ver se ela ainda estava ali, apenas o vazio dominava o lugar.
Levanto-me e vou em direção a minha sala, sento-me em minha carteira, ignorando as idiotices dos garotos, pego o meu caderno, e começo a esboçar alguma coisa que eu não sabia identificar, já que estava com a cabeça em outro lugar, quando a minha mente volta para o local me deparo com o que tinha desenhado, era o desenho da garota que estava dominando minha mente.
Como eu ainda podia insistir nisso?
Fecho o caderno abruptamente e tento esvaziar a minha mente, prestando o máximo de atenção nas aulas.
Logo quando bate o sinal para o recreio, eu pego o meu fone e vou em direção ao meu lugar de sempre, até que vejo a garota do meu desenho, a amiga dela que eu tinha visto ontem e outra muito magra, que eu nunca tinha visto, provavelmente devia ter entrado hoje ou algo assim.
Elas se sentam a uns dois metros de mim, tento me concentrar em meu celular, mas é difícil, a cada risada que ela dá, o seu sorriso tímido, as suas bochechas rosadas, ela colocando o cabelo propositalmente a frente do seu rosto para que ninguém veja a sua expressão envergonhada, tudo isso me encantava mais e mais.
Até que o recreio acaba e elas voltam para a sala, que série será que ela fazia?
Quando estou no meio da aula, lembro-me que teria que falar com a diretora sobre o cursinho que estava oferecendo na escola, como eu pretendia fazer medicina, eu estava fazendo o possível para me esforçar bastante, peço licença para a professora de gramática, que por sinal era muito legal, e vou para a secretaria, pergunto a coordenadora Dalva se a diretora estava, mas ela diz que tinha saído e que eu poderia me sentar para esperá-la, quando me deparo com ela e a sua amiga sentada.
Reparo que ela olha para mim e logo em seguida abaixa os olhos timidamente, já a sua outra amiga estava rindo até de mais, o que será que tinha acontecido?
Como não tinha outro lugar, acabo me sentando ao seu lado, com os seus cabelos tocando em meu ombro, eles eram tão macios.
Logo em seguida a sua amiga começa a perguntar o meu nome, a minha idade, que eu deveria estudar na mesma sala que elas, e depois perguntou o porquê deu ficar sozinho no recreio, fico estático e pergunto se ela já tinha reparado em mim, ela diz que não e que quem tinha reparado era a sua linda amiga, que por sinal se chamava Lara, eu nunca iria esquecer esse nome, o meu coração começa a pular de felicidade, então quer dizer que ela também reparava em mim, mas logo a minha felicidade acaba ela poderia ter reparado por outro motivo, por achar eu um perdedor, um idiota, várias opções pela frente.
A diretora chega e leva as duas para a sua sala, o que será que elas tinham aprontado? Quando elas terminam de falar com a diretora eu entro em seguida sem olhar para elas, apenas para o chão, quando resolvo toda a questão com a diretora e antes de sair lembro-me de perguntar uma coisa:
_ Diretora, a senhora saberia me dizer em que sala uma tal de Lara estuda? – Pergunto ansioso para que ela soubesse a resposta.
_ Claro que sei, ela quase sempre se atrasa para chegar à escola. – Responde ela balançando a cabeça em sinal de reprovação. – Ela está no primeiro ano do ensino médio, por quê?
_ Por nada, só curiosidade. – Saio da sala. Dou um sorriso pensando em como deveria ser fofo ela acordando atrasada e correndo de um lado a outro com uma carinha de sono tentando encontrar o sapato para ir à escola.
Agora eu concordava plenamente com a amiga dela, que pena que a gente não era da mesma sala.
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