Notas iniciais
Esse extra é parte integrante do Capítulo 26 de Aprendendo a Seduzir

Kanon POV

"Somos Pandora.

Somos os deuses da justiça.

Somos os Senhores do Caos.

Apreciamos muito os acontecimentos desta manhã. Não estamos desapontados, em absoluto, por termos escolhido vocês como nossos adversários. Em menos tempo do que o exigido por nossa mensagem vocês conseguiram localizar o alvo descrito. Ficamos satisfeitos em reconhecer os seus talentos.

Talvez vocês imaginem que saíram vencedores desta batalha. Embora devamos congratulá-los pelo seu trabalho decisivo e ágil, devemos também informá-los de que o trabalho da manhã foi apenas um teste. Uma rodada preliminar.

A primeira leva de especialistas da polícia entrou no prédio alvo exatamente às nove horas e dezesseis minutos. A remoção dos espectadores começou oito minutos depois.

A qualquer momento, durante todo o processo, o alvo poderia ter sido destruído. Mas nós preferimos apenas observar.

Ao ativar o temporizador do último dispositivo, o nosso intuito foi oferecer-lhes tempo para que ele fosse detonado com o máximo de segurança. A Tenente Hilda do Esquadrão Antibombas poderá confirmar que sem esse tempo extra e sem as precauções de segurança que foram tomadas várias vidas seriam perdidas, bem como grandes prejuízos materiais seriam infligidos.

Não seremos tão benevolentes com o próximo alvo.

Somos Pandora, profetas da nova ordem."

Eu passei os olhos pela mensagem pelo que deveria ser a milésima vez, e como em todas elas praguejei:

— Merda! Eles acompanharam todos os nossos movimentos. Estavam nos observando desde o começo. Podiam ter mandado tudo pelos ares se quisessem.

A mensagem estava esperando por nós assim que chegamos na central por volta do meio dia. Shion imediatamente ordenou uma reunião de emergência que, mais uma vez, devido a quantidade indesejável de jornalistas e curiosos na porta da delegacia depois da entrevista coletiva que o Secretário de Segurança fez o favor de dar à mídia, acabou sendo transferida para a nossa casa.

Naquele momento a sala do apartamento de três quartos na 259, East Street com a Sétima avenida que eu dividia com Saga estava mais lotada do que um bar de hotel em época de torneio da NBA.

— O que seu pessoal e a perícia conseguiram no local? – Shion perguntou a Hilda que estava sentada com Julian na mesa de jantar com uma montanha de dispositivos e aparelhos espalhados sobre ela.

— Parte dos dispositivos ainda está sendo recolhida e levada para análise no laboratório, Comandante. – ela disse, desviando os olhos do que parecia um minúsculo microfone sem fio. – A essa altura, já ficou claro que lidamos com dispositivos intrincados, feitos à mão. PETN2 parece se o explosivo de escolha. A análise ainda está incompleta, bem como a localização dos controles remotos que detonariam esses explosivos, mas parece que são de longo alcance. Não são brinquedos nem artefatos domésticos, mas de uso militar com alto nível de complexidade. Concordo com a opinião do Kanon a respeito da ação deles no teatro. Se Pandora quisesse realmente explodi-lo, agora só restaria pó naquele local.

Ela tirou alguma coisa de um saco lacrado que jazia sobre a mesa.

— Esta é uma das câmeras de vigilância que a minha equipe recolheu no local. – Ela exibiu uma unidade redonda pouco maior que uma bola de golfe. – É espantosamente bem feita. Localizamos e recolhemos vinte e cinco destas, na cena do crime. Eles nos observaram o tempo todo, acompanharam cada passo que dávamos e poderiam ter nos mandado para o inferno com um estalar de dedos.

Ela recolocou a minicâmera no saco lacrado de onde a pegara, e virou o rosto quando Dohko emitiu um grunhido

— Você está bem, Dohko?

— Sim, claro. Estou até com vontade de dançar. – Ele falou irônico.

Dohko estava em pé, sem camisa, enquanto Sorento raspava com uma gilete os pelos do tórax dele e preparava a pele com adstringente e um outro líquido estranho, pra afixação dos microfones e mini rastreadores que ele deveria usar no momento da entrega da tiara.

A van de monitoramento também já estava na garagem esperando, só faltava terminar a instalação dos equipamentos no Dohko e Milo chegar com a jóia pra inserirmos o rastreador na peça.

No final nós nos entendemos com nosso cunhadinho ruivo e acabamos decidindo que o próprio Camus se incumbiria de pôr as mãos na réplica e a entregaria ao Milo. Eu só esperava que nosso adorável irmãozinho não nos matasse depois por meter o príncipe dele nisso.

— Eu posso chamar outra pessoa para terminar de prender isso em você, – Julian sugeriu ao Dohko. O grunhido havia sido devido a um corte na pele do chinês que Sorento havia provocado quando apertara demais a gilete.

— Só peça pra ele prender isso logo. – ele resmungou.

— Foi mal. – Sorento se desculpou.

— Esse rastreador não tem fio – Julian explicou -. Vai ficar preso bem em cima do seu coração. Eles devem revistá-lo em busca de grampos, mas vamos cobrir o equipamento com um material novo, que parece pele. Ele está começando a ser usado agora. Se acharem isso aqui, talvez pensem que é só uma espinha inflamada ou um caroço.

— Vão achar que tenho um furúnculo no peito. Que legal. – Ele zombou.

— Sabe, Dohko? – Eu falei sem conseguir resistir a provocação — O comandante poderia prender isso em você.

Shion, que analisava uma pilha de papéis com Saga estreitou os olhos na minha direção.

Ele e Dohko tinham um lance. Caso antigo, mas não declarado. Pelo menos não oficialmente declarado dentro do instituto de polícia. Mas quando você trabalha a tanto tempo investigando pessoas você simplesmente sabe reconhecer os sinais. Era ingenuidade do Saga pensar que ele também não sabia sobre a gente. E a reação — ou a falta dela — do comandante hoje de manhã ao nos flagrar aos beijos no palco só confirmava minha afirmação.

Dohko apenas bufou. E mantendo os olhos treinados fixos em um ponto qualquer murmurou. – Prendam logo essa porcaria onde têm que prender.

— Vou acompanhar o som do microfone pessoalmente – Julian falou -. Vamos monitorar sua posição pelos batimentos do seu coração. Preparamos um relógio de pulso especial também, com outro microfone. O microfone do relógio é de baixa frequência, então não vai ser pego por um rastreador de mão, mas seu alcance é ridículo e você vai ter que falar bem perto dele para podermos ouvir. Ele vai funcionar como equipamento reserva.

— Vou colocá-lo logo. – Dohko retirou o próprio relógio e prendeu o novo. – Há mais alguma coisa que eu precise saber?

— Estamos espalhando homens em toda a estação Grand Central. – Shion falou — Você não vai estar sozinho em nenhum momento. Ninguém vai se aproximar sem você chamar, mas eles estarão lá. Nós estaremos lá.

— Bom eu saber disso – Dohko sorriu pra ele.

A estação Grand Central foi onde Dohko marcara o encontro.

— Já vou avisando que qualquer roupa extra vai impedir o sinal do rastreador – Julian explicou.

— Não vou poder usar um colete a prova de balas, então?

— A escolha é sua. Colete ou rastreador.

— Tudo bem... – Ele deu de ombros — Eles provavelmente vão mirar na cabeça mesmo.

— Droga! – Shion praguejou.

— Estou brincando. – Ele sorriu outra vez para o comandante, tentando passar tranquilidade. Depois passou a mão sobre a boca em um gesto claro de nervosismo.

— Certo. Então, o que temos até agora? – Shion mudou de assunto chamando a atenção de Saga.

Meu irmão levantou os olhos dos papéis ajeitando os óculos de leitura.

— Não muito, mas... — Ele voltou a examinar a papelada — Pandora Jeweler, Pandora Unlimited, Hipnos Eletrônicos, Cronos Ltda., Grupo Meikai, e assim por diante. Todas essas empresas têm ligações umas com as outras. A manipulação dos bancos de dados feita por um especialista, a alta qualidade dos materiais utilizados nos explosivos, o emprego do trabalho avulso de um ex-militar desertor para fabricar o equipamento, tudo isso ecoa a postura e nos remete ao antigo grupo secreto, dissidente do exército, que Radamanthys foi acusado de participar.

Shion assentiu.

— O grupo também contava com nomes que se tornaram conhecidos para nós ao longo das investigações do caso Pandora. – Saga continuou — Nomes como Zelos, Valentine, Minos, Flégias, entre outros. E aparentemente o grupo era chefiado por um homem, um alto figurão militar, a quem os textos referem apenas por Hades.

— Enquanto investigávamos sobre Hades nos deparamos com um nome. – Eu falei — Coronel Alward Bassi. Ele desapareceu em campo e foi dado como morto em batalha. Os arquivos do FBI a respeito dele, no entanto, continuam em aberto.

— É impressionante, rapazes. – Shion falou irônico — Eu sempre fico me perguntando como vocês conseguem todas essas informações.

— E algo me diz que a divisão de segurança interna do FBI também adoraria saber. –Dohko completou.

Eu sorri divertido.

— Utilizamos todas as fontes que nos foram disponibilizadas, senhor.

— Estou certo que sim. – Shion cruzou as mãos. – Como eu disse, fizeram um bom trabalho.

— Obrigado. – eu agradeci, e Saga pigarreou sem jeito antes de continuar:

— O grupo de Hades e Radamanthys foi basicamente desmantelado quando a casa em que ele vivia com a mulher e a filha foi pelos ares e alguns dos líderes do movimento foram mortos. Isso aconteceu há mais de doze anos, o público não teve acesso aos fatos e soube apenas de detalhes incompletos a respeito de sua organização. Sem uma ligação direta, quem iria se importar com isso? Tudo aconteceu há muitos anos. Hades nunca foi encontrado e o grupo não se tornou nem mesmo uma mancha nos livros de história, porque nada jamais ficou provado. Os arquivos que poderiam esclarecer esse ponto estão lacrados.

— Espera. – Julian se manifestou — Vocês estão insinuando que Pandora e este grupo são a mesma pessoa, com outra roupagem, é isso?

— Não exatamente. – Saga falou — Mas, obviamente, existe uma ligação. O grupo rebelde de Radamanthys era suspeito de possuir ligação com facções terroristas. Pandora obviamente tem sólida influência sobre a máfia e grupos terroristas de vários países, estando por trás de diversos atentados espalhados pelo mundo.

— Parece-me claro que Pandora se desenvolveu a partir deste grupo original. – Eu falei — Pandora é, obviamente, muito mais sólida e bem estruturada. Com alcance, influência, e potencial letal muito maiores. No entanto, o cerne ainda é o mesmo. E provavelmente o homem por trás de tudo é o mesmo também.

Nós ficamos em silêncio por alguns minutos até que Hilda falou:

— Eu sempre me questiono o porquê de tudo isso, sabe. O que os leva a isso? Vingança?

— Não acredito. – Shion disse — Talvez no começo fosse mesmo assim, mas não mais. "Quando se olha muito tempo para o abismo..." — ele citou.

— "... O abismo olha pra você"(1).- Meu irmão completou.

— Sim. – O Comandante afirmou — Penso que inicialmente, quando ainda eram um grupo dissidente do exército, existia realmente uma ideologia motriz. Uma insatisfação política, descontentamento com o governo e os dogmas da sociedade moderna, esse tipo de coisa. Depois, quando o grupo inicial foi desmantelado e Pandora nasceu, não duvido que houvesse mesmo um forte sentimento de vingança envolvido. Hoje, no entanto, todo o seu discurso reflete apenas uma mente insana, ávida pelo poder, e que se julga superior aos demais. Um Deus autoproclamado que se diverte jogando com vidas humanas. Eles não querem sessenta milhões de dólares em títulos ao portador, eles não querem a libertação de presos políticos. Eles querem apenas mostrar o poder que têm sobre nós. Quando aquele ex-militar Russo que eles apagaram disse que isso era "um jogo disputado em nome dos mortos" ele não estava enganado. Pandora poderia ter matado dezenas de pessoas no Richard Rodgers Theater hoje se quisesse. E faria isso por pura diversão. Apenas pra mostrar que pode.

Todos nos calamos por um tempo, até que o computador conectado em rede com o da central emitiu um bip chamando nossa atenção. Shion abriu um programa de conversação e a imagem de June apareceu na tela.

— Comandante. — A tensão era visível em seus lábios comprimidos. – Chegou outra mensagem para o senhor.

— Pandora? — Ele perguntou.

Ela assentiu.

— Não abri o e-mail, mas o encaminhei ao departamento de inteligência e o examinamos com cuidado. Parece seguro.

— Ponha na tela. — Ele mandou.

Ela assentiu outra vez, e alguns segundos depois a rosto de June sumia, sendo substituído pelas conhecidas letras sobre o fundo escuro.

"Somos Pandora.

Somos os Deuses do Novo Mundo.

Somos os Senhores do Caos.

Estamos acompanhando os seus esforços. Eles nos divertem. Como estamos nos divertindo preparamos uma surpresa final para vocês.

Nós vimos a entrevista com o Secretário de segurança essa manhã. Apesar de nos divertirmos com a indignação que os leva a condenar a destruição de seus símbolos patéticos e emblemas da sociedade cega e oportunista que nesse momento mantém o país sob rígido controle, ficamos frustrados pela posição previsível e unidimensional da mídia a respeito desses assuntos.

Onde está a fé deles? Onde está sua compreensão?

Todos continuam sem enxergar nem compreender o que somos e o que queremos lhes transmitir.

Essa tarde atacaremos com a fúria dos deuses em nossa derradeira batalha. Esta tarde nós assistiremos a luta dos ratos para escapar do navio afundando. O último alvo irá cair precisamente as dezesseis horas e quinze minutos.

Nós admiramos vossa habilidade. Admiramos vossa força. Não ficaríamos satisfeitos com menos do que isso. Considaramos-os adversários valorosos e hábeis combatentes. Sentimos ter de adiar nossos planos agora. Mas um bom General sabe a hora de se retirar. Não perderemos a fé, nem diminuiremos o nosso compromisso com a causa. Terminaremos o que começamos. Um dia, muito em breve, outro precioso símbolo dessa nação corrupta e lamurienta cairá. E mais uma vez eles sentirão.

Esperamos que apreciem o espetáculo de despedida que orquestramos para vocês.

Somos Pandora."

— O espetáculo que eles orquestraram pra nós? – Eu ecoei. E então parei quando a imagem na tela piscou antes de sumir. De repente, um enorme cronômetro em contagem regressiva de quarenta e cinco minutos enchia a tela. Atrás dele um programa de destruição de arquivos anunciava: "inicializando operação".

— Mas que porra é essa! – Eu praguejei, mal acreditando naquilo enquanto tentava a todo custo recuperar o controle do computador.

Julian e Sorento largaram o que faziam e vieram em meu auxilio, enquanto Saga e Shion tentavam falar com June no celular.

Nós trabalhamos cerca de quinze minutos no aparelho em vão.

Saga já havia desligado o celular.

— Todos os computadores do departamento estão do mesmo jeito. – Anunciou desanimado.

— Parece tratar-se de um vírus sofisticado – Julian comunicou o que eu também já havia percebido. – Aparentemente ele esteve incubado até agora, inativo, e disfarçado na cadeia de códigos da mensagem, de forma que nenhuma das nossas análises anteriores foi capaz de identificá-lo.

— Tudo indica que alguma coisa nesse ultima mensagem completou a cadeia de código do programa intruso, ativando-o. – Sorento falou — E, uma vez ativo, não há mais o que fazer. Estamos de mãos atadas aqui.

— Isso quer dizer que nós vamos perder todos os dados? – Hilda falou

— Infelizmente. – Julian concordou.

— Meu Deus! – Ela disse — Mas o que significa isso?

— Significa que Pandora esta saindo de cena, e destruindo todos os rastros da sua passagem. – Shion estava voltado para a janela agora, e olhava a vista lá fora.

— Mais uma vez. – Dohko suspirou frustrado.

—Mais uma vez? – Eu repeti curioso.

— Pandora é mestra nisso. – O Comandante explicou ainda olhando um ponto qualquer da paisagem. Ele parecia surpreendentemente calmo. Simplesmente derrotado. – No final de 1999, cartas assinadas por Pandora começaram a chegar a polícia secreta Inglesa, e tudo levava a crer que o alvo seria a Abadia de Westminster em Londres. Aparentemente alguma coisa deu errado nos planos de Pandora e eles desapareceram sem deixar pistas, pra reaparecer em 2001, no que culminou com os atentados de 11 de Setembro. Atingido seu alvo ela simplesmente desapareceu por anos dessa vez, conseguindo sumir com todos os seus rastros e fazendo parecer que Bin Laden agia sozinho. Em 2008 o grupo de inteligência secreta Inglês que atua na Índia recebeu as mesmas mensagens antes que um suposto comando de islamitas atacasse simultaneamente vários alvos em Mumbai, como a rede de transportes e hotéis, provocando a morte de 163 pessoas. Nenhuma referência a Pandora jamais sobreviveu em nenhum arquivo, e ninguém de fora da inteligência secreta nunca sequer sonhou com sua existência.(2)

— E então... como seu grupo precursor Pandora desaparece sem deixar nem uma mancha nos livros de história. – Saga falou como se narrasse o desfecho de uma grande história, e então estreitou os olhos, fixando-os em algum ponto da parede. Eu quase podia ouvir as engrenagens da cabeça dele funcionando.

— Eles querem nos mostrar o quanto são poderosos e cruéis. – Eu falei — Então vão fazer alguma coisa ir pelo ares, antes de desaparecer completamente... E não há nada que possamos fazer a respeito. — Eu fechei um punho e o desci com força, descontando toda minha frustração na mesa mais próxima.

O barulho do impacto na madeira fez meu irmão piscar e focar o olhar outra vez.

— Na verdade... – Ele disse lento, como se saísse de um transe — Eu acho que eu posso.

De repente, todas as atenções na sala estavam voltadas pra ele.

— Quer dizer, eu acho que sei onde vai ser o próximo ataque. – Ele continuou — Vejam. — Ele tirou um documento da pilha de papéis que estivera examinando com Shion e o colocou sobre a mesinha da sala. Haviam algumas partes grifadas com marca texto. — Em 1995... – Ele leu — O FBI suspeitava do envolvimento do grupo precursor de Pandora com um grupo rebelde que se auto denominava Sekhmet, e se dizia uma facção da Jihad Islâmica Egípcia. Orquestrado pelo grupo de Hades, Sekhmet assumiu a autoria de diversos atentados mesmo dentro do EUA. Abafados pelo governo, a mídia nunca noticiou nenhum dos ataques. O primeiro prédio que Sekhmet assumiu ter destruído era um depósito vazio próximo do Distrito de Colúmbia. A polícia local foi alertada e não houve vítimas. Em seguida foram fornecidas pistas de que havia explosivos instalados no Kennedy Center, um teatro. Todas as bombas com excessão de uma foram desativadas e o prédio foi evacuado a tempo, com sucesso. A bomba que explodiu provocou danos mínimos e deixou poucos feridos. – Ele lançou um olhar significativo na nossa direção — Isso soa familiar pra vocês?

Eu abri a boca pra responder e voltei a fechá-la. Não dava pra acreditar. Como nós não percebemos isso antes? Como ninguém viu que Pandora esteve seguindo um padrão o tempo todo?

— Qual foi o ataque seguinte? – Shion perguntou.

— O saguão do Hotel Mayflower.

— Merda! – eu falei, subitamente percebendo tudo — O Plaza!

Notas:

1 — Friedrich Nietzsche, "Genealogia da Moral"

2 – Como o 11 de Setembro, os atentados em Mumbai em 2008, realmente existiram. Acredita-se que um grupo de extremistas islâmicos baseados no Paquistão, ligados à rede terrorista Al Qaeda e ao movimento islâmico talibã teriam sido os responsáveis pelos atentados. Segundo a Sky News o grupo responsável pelos ataques em Mumbai estaria por trás de planos de ataques simultâneos em Londres, e grandes cidades da França e da Alemanha. O governo francês declarou que havia um risco iminente de atentados no país. Os planos foram descobertos após a troca de informações entre os serviços de inteligência americano, britânico, francês e alemão.