O Garoto Do Andar de Cima

28 Extra: Hyoga IV (parte I)


Hyoga POV

Eu me esgueirei nas sombras.

Tentava ao máximo não fazer barulho, mas minha respiração estava acelerada. O ar quente saía em golfadas pela minha boca, formando pequenas nuvens de condensação na noite fria. Eu correra praticamente todo o caminho até ali desde que saltara do táxi, há cinco quarteirões de distância por precaução.

Pular o muro, e burlar o sistema de segurança não fora difícil. Eu sabia exatamente onde pisar pra não disparar nenhum alarme, onde ficar pra não ser pego em nenhuma câmera. Aquela era minha casa, afinal. Entrara ali muitas vezes daquela mesma forma na minha adolescência, quando perdia a hora de voltar e não queria ser apanhado. Ainda me lembrava como as coisas funcionavam.

E me lembrava também de que o maior desafio viria agora. Conseguir cruzar o jardim e me infiltrar na casa sem ser notado pelos olhos vigilantes do Brian, nosso mordomo.

É claro que tudo isso se provaria inútil se meu irmão não estivesse em casa, mas eu tinha que arriscar. Caso contrário, ele acabaria casado com a Saori no prazo de uma semana. E isso eu não poderia permitir. Não depois do que havia descoberto. Meu Deus, era tudo tão surreal e abjeto!

Eu entendia a posição da polícia, claro. Compreendia que era arriscado. Por isso eles haviam me pedido pra esperar. E eu esperara. Por um mês inteiro eu esperara. Até agora.

Agora não podia mais. Agora não tinha mais tempo. Precisava avisar meu irmão. Pelo menos Shiryu havia entendido isso e me ajudara a escapar aquela noite, aproveitando que eu havia sido deixado sozinho com a June na casa do tio dele.

Não que eu não gostasse de onde estava ou do que estava fazendo. Não era isso. Depois que os detetives resolveram me colocar a par do caso, eu estava apreciando bastante. Os policiais envolvidos nas investigações formavam uma equipe espirituosa e divertida, e eu adorava poder colaborar com eles. Na verdade, se me perguntassem como eu gostaria de passar minhas férias, havia apenas uma coisa que eu desejaria mais do que participar de uma investigação de conspiração e terrorismo.

Só que não era bem uma "coisa”, estava mais pra "alguém".

Alguém cujo gosto não saía da minha boca. Cujos lábios pareciam impressos na minha mente.

Shun tinha a boca pequena, eu me lembrei. Muito pequena, como todo o resto do seu corpo. Menor do que qualquer boca que eu já vira, exceto talvez a de uma criança. E, mesmo assim, era inegavelmente atraente. Com lábios curvos encantadores que se moldavam em todo tipo de expressão diferente.

Eu passara o ano todo fazendo de tudo ao meu alcance pra me distrair da tentação daquela boca. Inclusive ser um canalha com a minha ex namorada, mantendo um namoro de faxada, quando eu já sabia que a relação estava acabada.

Mas nada havia sido o suficiente. Shun, de algum modo, parecia me atrair pra si como o ar atrai o fogo.

E então, quando eu vi aquela boca que não me saía da cabeça tão perto da minha na penumbra do meu quarto aquela noite, eu simplesmente não pude mais segurar o desejo, que havia se tornado quase uma obsessão pra mim nas últimas semanas, e o beijara.

E depois o fizera outra vez na noite de Natal, na boate. Mesmo depois de ter prometido a mim mesmo que não o faria. Não antes de esclarecer tudo entre a gente, pelo menos.

Mas como eu poderia resistir quando ele simplesmente apareceu na minha frente vestido daquela forma? Tão… sexy. E a maneira como ele me provocara na pista de dança.

Eu ainda podia me lembrar com extrema clareza do calor do seu corpo contra o meu. Do cheiro da sua pele. O movimento dos quadris. De repente, minha firme decisão ficara reduzida a pó. E todas as minhas convicções ruíram no instante em que nossos lábios se tocaram.

Eu não queria que tivesse sido assim. Queria ter feito tudo da maneira certa. Queria ter acertado as coisas entre a gente primeiro.

Em vez disso, acabara descobrindo que aparentemente não era mais capaz de olhá-lo sem precisar conter uma ânsia incontrolável de me jogar em cima dele.

O momento em que a agitação nos olhos verdes se transformara em súplica fora minha perdição. Depois, eu não conseguira mais me segurar. Principalmente quando a rigidez na sua pélvis se insinuou contra minha, roçando uma vez, como que acidentalmente, e depois outra, mostrando que não era por acaso.

Eu senti todos os músculos do meu corpo retesarem em tensão, e então parecia que eu não conseguia beija-lo com intensidade suficiente, ou pressionar seu corpo próximo o bastante.

Nunca havia sido assim antes. Eu nunca me sentira daquela forma com ninguém mais. Aquele calor, aquela loucura... Era impressionante o efeito que ele tinha sobre mim.

E o engraçado nisso tudo é que eu nunca me sentira atraído por um garoto antes. Muito menos por um tão baixo — mesmo as minhas namoradas costumavam ser mais altas do que ele -, ou tão… virginal.

Mas definitivamente havia algo no meu melhor amigo que me fazia desejá-lo mais do que jamais desejara qualquer pessoa.

Devia ser aquela boca.

Eu me lembrei dos dentes brancos e alinhados, e da língua pequenina e saliente, que desde o primeiro momento me parecera absolutamente sexy. O que me surpreendera, é claro. Eu não costumava achar sexy o interior da boca de ninguém.

Mas também podiam ser aqueles olhos. Grandes e oblíquos. Duas esmeraldas brilhantes, emolduradas por cílios espessos e escuros. Os cabelos longos, tingidos em um verde exótico, completavam a composição. Eles flutuavam-lhe em torno do rosto alvo, como algas marinhas, enfatizando o verde intenso do olhar.

Ora, a quem eu estava querendo enganar? Shun era absurdamente lindo. Não havia como negar.

Mas não era só isso. Não era apenas por ele ser tão lindo que eu o desejava tanto.

Havia também a personalidade dele.

Eu sorri, lembrando das ocasiões em que ele despejava seus pensamentos sem pensar e depois mordia a boca como pra engolir as palavras outra vez. A adorável combinação de culpa e embaraço que surgia em seus olhos grandes.

Essas lembranças provocaram outras.

O modo como ele sempre achava tudo fascinante, e sua fé absoluta na minha capacidade de responder todas as suas perguntas. O seu entusiasmo contagiante que fazia com que o que teria sido um dia tedioso se sugerido por qualquer outra pessoa, se transformasse nos momentos mais divertidos.

Sua verdadeira obsessão por manter tudo absolutamente limpo e organizado, e o cuidado que punha nas menores tarefas. A preocupação infinita que parecia ter com todos os seres vivos, inclusive os tipos como o Nicholas, que na minha opinião já deveriam ter sido extintos da face da Terra.

O jeito atrapalhado e ainda assim adorável. A maneira como ele sempre conseguia me fazer rir. O talento pra desenhar. A forma como sorria, e ficava vermelho por qualquer coisa. O jeito que franzia a testa, e mordia o lábio inferior quando estava pensando. Como apertava as mãos quando estava nervoso. O carinho com que falava da mãe e do irmão. A mágoa que às vezes tentava ocultar ao falar do pai.

A maneira como parecia não ter consciência da própria aparência. E não se importava com isso. Shun nunca, nunca, fazia alguma coisa só pra chamar atenção das pessoas. Ele era autêntico. A mais rara das virtudes. E sabia ouvir. Ouvia com a maior dedicação de todas, de um modo como ninguém mais fazia. Prestava atenção nas minhas palavras quando todos já teriam me mandado calar a boca, e sempre respondia com sinceridade. E mostrava, porque não conseguia esconder, todas as suas emoções nas expressões do seu rosto lindo.

O que só me fazia sentir ainda mais idiota. Como eu pude não ter percebido como ele se sentia? Estivera ali o tempo todo. Eu só tinha que ter olhado pra ele. Verdadeiramente olhado pra ele.

No entanto, eu não percebera… E o magoara.

Por algum tempo eu realmente achei que não merecia perdão. E então, quando as coisas finalmente pareciam prestes a se acertar entre a gente, eu quase tivera o cérebro explodido por uma bala. Outra vez.

Eu suspirei.

O destino parecia mesmo ter um jeito bastante peculiar de interferir na minha vida.

— Quem está aí? — Uma voz cortou a escuridão quase me fazendo saltar de trás da estufa onde estava escondido.

Eu me esgueirei por entre as estátuas, tentando espreitar além das sombras.

Um vislumbre de cabelos vermelhos sob o gazebo quase me fez sorrir.

Camus!

Parecia que a sorte finalmente acenava pra mim.

— Quem está aí? — Meu irmão perguntou outra vez.

— Shhhh! — Eu fiz com um dedo nos lábios pedindo silêncio, enquanto atravessava a neve que cobria o gramado, e me abaixava ao lado do banco onde ele estava sentado. — Não diga nada, ninguém pode saber que estou aqui.

— Hyoga! — Ele exclamou assustado.

Seus olhos avermelhados me avaliaram por um instante, e então ele cruzou os braços sobre o peito, zangado.

— Onde exatamente você esteve? Você disse que voltaria em uma semana e desapareceu por quase um mês inteiro. O que aconteceu? Papai estava preocupado.

Eu esbocei um sorriso debochado.

— Procure conter sua alegria por me ver de novo, Cami. Isso é embaraçoso.

Meu irmão bufou, franzindo ainda mais o cenho, enquanto eu me sentava na cadeira de ferro fundido vazia ao lado da dele.

— Bem, é melhor você entrar, para que ele veja que está tudo bem com você, — Ele falou — ou non verá sua próxima mesada, posso lhe garantir.

Eu arregalei os olhos alarmado.

— Não. — Disse — Não posso fazer isso. Ninguém deve saber que eu estou aqui, Cami. E você também não pode contar a ninguém que me viu.

Eu senti os olhos analíticos do meu irmão sobre mim mais uma vez. Percorrendo dos solados gastos nos meus sapatos a cada fio de cabelo bagunçado na minha cabeça.

De repente, eu estava muito consciente do círculos escuros que eu sabia haver sob os meus olhos, dos meus jeans sujos nos joelhos, e do rasgão na manga do meu casaco.

Meu estado devia estar muito deplorável mesmo porque a próxima ação do meu irmão foi segurar a minha mão.

— Oga... – Ele falou, abrandando a voz. – Você está com problemas, não está?

Eu suspirei. Ele nem fazia idéia de quantos.

— Com um bocado deles — Acabei respondendo. E então acrescentei — E foi por isso que vim procurar você, mesmo tendo prometido que não faria isso. Porque eu acho que você tem o direito de saber – Eu abaixei a cabeça e mordi o lábio em dúvida de como continuar, antes de voltar os olhos pra ele outra vez — Veja, Cami – eu falei com cuidado, inclinando-me para frente e apertando a mão dele também. – É sobre a Saori.

— A Saori? — Ele ecoou assustado. Depois pareceu prender o ar. — Non precisa continuar. — Ele abaixou os olhos — Eu já sei o que vai dizer.

Foi a minha vez de ficar surpreso.

— Você sabe? – Eu falei, perplexo, soltando a mão dele.

— Sim, claro. – Seus olhos se fixaram nos meus outra vez – Veja, Oga, muita coisa aconteceu nesse tempo em que você esteve fora, e... bem, eu ia te contar. Na verdade eu já devia ter contado. O Dite queria que eu contasse.

Eu pisquei. Agora estava positivamente boquiaberto.

— O Dite sabe?

— Oui, bien sûr – Ele falou. – Você sabe que é impossível esconder as coisas dele – Ele deu de ombros, como se aquilo não tivesse muita importância -. Só que eu tinha um pouco de receio da sua reação e da do papai quando soubessem, quer dizer, ela salvou a sua vida e tudo.

— O Papai? – Eu o interrompi, pasmo. O rosto contorcido de horror. Ele havia contado sobre a trama envolvendo a Saori e a tiara para o papai? – Você contou a ele?

— Bem, sim... em parte. – Meu irmão falou como se não fosse nada demais outra vez – Ele me disse pra ir em frente.

Eu pisquei outra vez, agora confuso.

O papai tinha dito pra ele "ir em frente"? O que isso significava? Nós ainda estávamos falando do mesmo assunto?

— Camus… – Eu chamei, e então continuei com cuidado — Do que você está falando?

— O que quer dizer com "do que estou falando"? Estou falando da minha situação com a Saori. – Ele respondeu intrigado. – Do que você está falando?

— Estou falando da Saori também.

— Oui – Ele disse. – Achei que sim. Bem, então, espero que possa entender. Sei que ela salvou sua vida, mas eu non consegui evitar o que aconteceu. Eu não planejei isso, petit. Foi estranho pra mim também lidar com o que eu sentia por ele, mesmo porque eu já os havia visto juntos, você sabe.

Eu balancei a cabeça. Tudo bem, agora era oficial, meu irmão havia enlouquecido. Finalmente todas aquelas horas em frente ao computador avaliando números, prospectos, e projeções de lucro, havia derretido as sinapses do cérebro imenso que ele guardava dentro daquela cabeça ruiva.

Será que isso era uma tendência genética? Eu também correria algum tipo de risco?

— Visto quem? – Eu perguntei finalmente. Ainda tentando colocar alguma ordem no pouco que eu havia assimilado daquele discurso sem sentido.

— Saori, é claro – Ele falou com certa impaciência -, e o Milo. Eu os vi juntos aquela noite no andar de cima da festa em que estivemos algumas semanas antes do Natal.

Eu fiquei olhando fixo para o meu irmão por alguns instantes.

Milo? De que Milo ele estava falando? E o que ele tinha a ver com tudo aquilo?

Eu me lembrava da tal festa, claro. Fora na semana em que o Shun chegara em New York, e embora eu estivesse empolgado com a idéia antes, descobri que preferiria muito mais ter passado aquele tempo com meu melhor amigo.

No final, eu acabara a noite toda sentado em uma saleta escondida, trocando mensagens com ele pelo celular.

Ainda assim não via como aquilo… Espera. Camus tinha acabado de dizer que vira a Saori chifrando ele na festa com o tal Milo, era isso? Era isso que ele estivera falando?

— Filha da puta! — Eu soltei sem pensar.

— Hyoga! — Meu irmão me repreendeu.

— Que vadia! — Eu continuei, sem acreditar. — Está me dizendo que a Saori estava... estava... fodendo com outros caras nas suas costas?

Meu Deus, além de bandida a garota agora também era uma vagabunda? E o que mais?

— Bem… — Camus falou. — Se você tem que ser vulgar sobre isso, acho que a resposta é sim. – Então me olhou curioso. – Não é o que você...

— Deus, não! – Eu explodi. – Eu estava tentando lhe contar porque atiraram em mim na faculdade, porque precisei me afastar, e porque você tem que cancelar o casamento!

Agora era ele quem me olhava sem entender.

— Eu non sei o que exatamente quer dizer com isso, Hyoga. – Ele disse, cauteloso. E então continuou – Mas, se te tranquiliza saber, rompi o noivado esta tarde. Devia ter feito isso havia muito tempo, na verdade.

— Sobre isso... – Nós ouvimos uma voz soar a alguma distância atrás de nós – Creio que nós vamos ter que pedir a você que reconsidere.

Nós nos viramos pra encarar os dois homens que atravessavam o jardim, e eu me quedei paralisado. C-como?

Brian, nosso mordomo, vinha aflito logo atrás deles.

— Sinto muito, Senhor. – Ele falou para o meu irmão, se adiantando a frente dos homens logo que se aproximaram – Eu tentei impedi-los, mas eles disseram que são da polícia. – Ele estendeu duas identificações oficiais.

Camus olhou das identificações para os detetives parados à sua frente e eu pude notar quando um brilho de reconhecimento surgiu no seu rosto.

— Vocês não são... – Ele começou a dizer, franzindo o cenho.

— ...Irmãos do Milo. – Kanon o interrompeu, assentindo – Prazer em revê-lo, cunhadinho. – Ele estendeu a mão em cumprimento.

Então o Milo a que meu irmão se referira antes era o Milo, irmão dos gêmeos? Milo Scorpion, o ator? Fora com ele que Saori tivera um caso?

E eu que pensara que as coisas não poderiam ficar mais loucas desde que descobrira toda a história sobre Pandora, e o aparente interesse dela na tiara de diamantes da minha família.

Meu irmão parecia perplexo demais pra fazer qualquer coisa além de aceitar o cumprimento de Kanon.

Eu, por minha vez, continuava imóvel.

— Como... como vocês me descobriram aqui? – Consegui perguntar finalmente

— Convenhamos que você não tinha tantos lugares assim pra ir, não é garoto? — Kanon respondeu debochado — Então nós logo imaginamos.

— Além disso, um dos nossos homens encarregados da proteção da casa, também nos informou sobre ter visto você pulando o muro – Saga disse.

Eles haviam me visto? Droga! Eu estava certo de ter tomado todo o cuidado. Aparentemente minha suposta “sorte" em não ser pego pela segurança não valia contra detetives especializados.

Eu suspirei. Só esperava que o Shiryu não estivesse muito encrencado.

— Hyoga… — A voz do meu irmão me chamou atenção. Ele olhava incrédulo de mim para os policiais. Sua expressão variando umas mil vezes entre confuso e zangado. — Você estava com esses homens?

Eu desviei os olhos sem saber muito bem como começar a responder àquilo.

— Seu irmão está sob proteção policial, Camus. – Saga veio em meu socorro. – Por motivos que nós teremos prazer em lhe esclarecer oportunamente.

Camus ainda parecia confuso. Então eu percebi o instante exato em que as engrenagens pareceram se encaixar na cabeça dele e a luz da compreensão se fez. Ele estreitou o olhos.

— Isso... Isso tem a ver com o Milo, não tem? E essa história da tiara.

Os gêmeos concordaram, e eu me perguntei até onde meu irmão sabia sobre a tiara, e o que esse Milo tinha a ver com tudo isso.

Camus assentiu, depois se voltou para o mordomo que mantinha-se à espera em uma distância educada.

— Brian, — Ele falou – Queira acompanhar esses senhores até o escritório, e garanta que nós não sejamos incomodados, s'il vous plaît.

— Pois não, Senhor – Brian respondeu conduzindo os detetives pra dentro da casa.

Eu os segui também, ao lado do meu irmão.

Quando, alguns minutos depois, estávamos todos já devidamente acomodados em torno da escrivaninha do escritório do meu irmão – eu em uma cadeira que havia arrastado até a ponta da mesa. Camus na cadeira dele atrás dela, e os policiais do outro lado – os olhos frio do meu irmão se fixaram de forma decidida nos policiais.

— Eu quero saber de tudo – Ele falou, enfático – Contem-me. E, por favor, não me escondam nada.

Os gêmeos se entreolharam e eu mordi os lábios, antevendo a encrenca que viria.

— Você vai ficar zangado comigo. – Eu fui sincero.

Mas Camus apenas acariciou meus cabelos bagunçados, como se eu ainda fosse aquele garotinho de 9 anos que o seguia pra cima e pra baixo pela casa.

— Non vou, petit – Ele disse. – Prometo que non vou.

Eu assenti resignado.

E então os detetives começaram…

Notas finais
Olá a todos, voltei com mais um ch pra vcs. Finalmente um pouco do ponto de vista do Oga que todos esperavam, espero que gostem. ˆˆ. E, como muitos já devem ter percebido, parte desse ch é uma cena já narrada em Aprendendo a Seduzir. Só que lá ela foi narrada pelo ponto de vista do Camus e aqui ela é descrita sob o ponto de vista do Oga. Para os que se interessarem vale a pena uma releitura comparativa do último POV do Camus no ch 25 de Aprendendo a Seduzir. Eu pelo menos me diverti bastante com o exercício XD. E, como vcs tb devem já ter notado, essa é só a primeira parte do POV do Oga, que ficou imeeeenso e teve que ser dividido, pra variar. A boa notícia é que como a outra parte tb já está quase pronta, posto ela já no final de semana que vem pra vcs, ok ;) Enfim, é isso aí. Espero que tenha dado pra vcs se divertirem e matarem um pouquinho a saudade dos momentos de casal, ainda que apenas nas lembranças e pensamentos do Oga. E, claro, para os fãs de Aprendendo a Seduzir, pra matar um pouquinho a saudade do Camie tb ˆˆ. Então, muito obrigada a todos que acompanham, e em especial à: HuadanNox, KihaDeh, Jenferr, Kass, DaniiHyuuga, e Lilith Rose por ter conseguido separar um pouquinho do seu tempo pra me mandar reviews tão queridas ˆˆ. Brigadão meninas ˆˆ. E bjos a todos ˆˆ.